CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

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OS VETOS DO IMPÉRIO

Os vetos do império
Por Mumia Abu-Jamal.

Lembram-se quando o presidente cessante, Obama, garantiu à nação que estava tudo bem, depois da ascensão de Donald Trump para a sala oval?

Bem, já se passou uma semana e adivinhem! Não está tudo bem.
Talvez para os Obama estejam bem, porque a família vai ter uma vida de riqueza e privilégios.

Mas este não é o caso para milhões de americanos que são muçulmanos, para não falar dos milhões de muçulmanos que vivem no estrangeiro.

A eles lhes dá pavor o anúncio que só se pode considerar como uma proibição contra os muçulmanos nos Estados Unidos.

Trump, o presidente da paranóia, quem fez uma campanha baseada no medo do outro, a xenofobia, misoginia e um crude racismo, pensa que o mundo quer acabar com ele, nasceu rico com todo tipo de vantagens.

Seu veto aos imigrantes muçulmanos foi o melhor cartaz de recrutamento que a al qaeda ou Isis jamais poderia ter sonhado. (segundo alguns relatos isis rezou para queTrump ganhasse. )
Pois, as suas orações foram atendidas.
Uma semana, e a nação está mergulhada no caos.
Sim, Senhor. Impressionante o teu trabalho para " fazer a América grande de novo '.

Desde a nação encarcerada sou Mumia Abu-Jamal.

Carta aberta ao Presidente de Angola

Por Alípio de Freitas
 
Carta aberta ao Presidente de Angola
Senhor Presidente:
Ao mandar prender Luaty Beirão e os 14 ativistas, que estão até agora encarcerados sem culpa formada, não devia saber que um homem se quiser pode resistir e sobreviver vitoriosamente a qualquer forma de opressão.
Não devia saber porque se esqueceu. Esqueceu que já foi jovem, que já lutou por ideais. Ideais de liberdade de democracia e bem-estar social. Esqueceu tudo porque infelizmente o seu país é o exemplo contrário de tudo isto. É uma ditadura cruel, um valhacouto de ladrões, uma associação de interesses mesquinhos, melhor dizendo, um país sem povo. Quem lho afirma é alguém que durante dez anos esteve preso, sobreviveu às greves de fome e à tortura. Esta é a afirmação de um homem que esteve disposto a morrer por aquilo em que acreditava. E digo-lhe que um homem pode ser triturado pela máquina do terror que a sua condição de homem sobrevive, pois todo o homem pode manter-se vivo enquanto resistir.
A luta dos jovens angolanos é um libelo contra a opressão como forma de vida política, contra o silêncio das mordaças, contra todos os processos de aviltamento dos seres humanos, contra a corrupção ideológica. A luta dos jovens angolanos é a constatação de como o arbítrio avilta os indivíduos e as instituições, corrompendo-os pelo abuso do poder, pela falsa certeza da impunidade, pela imposição imoral de uma vontade sem limites, pelo silêncio indigno, pela conivência criminosa, pela omissão filha do medo, em que o silêncio do terror tem que ser aceito como paz social.
 Se me atrevo a dizer-lhe tudo isto é porque Angola fez parte do meu ideário político e das minhas preocupações revolucionárias e muitos revolucionários angolanos foram meus amigos. Quando parti de Portugal para o Brasil devia ter partido para Angola, mas já nesse tempo as condições da minha ida não foram possíveis, devido às minhas ligações com a resistência angolana. No Brasil, colaborei com a resistência angolana e fui seguindo os seus passos como pude a té porque eu já estava umbilicalmente ligado à resistência brasileira. Mesmo assim, à minha única filha, coloquei o nome de Luanda.
Senhor Presidente, é tempo de não se deixar enredar por intrigas palacianas, por intrigantes gananciosos, por saqueadores de todo o tipo. Quando esse saque acabar o único responsável será o senhor. Se tiver ainda um momento de reflexão possível recorde-se dos seus tempos de jovem quando a revolução do seu país lhe ocupava a sua força, a sua inteligência e todas as suas capacidades. O tempo em que provavelmente era feliz.
Como sabe, o poder tanto pode chegar aos que dele abusarão como àqueles que o usarão com legitimidade a favor dos seus povos. Mas só os poderosos podem ser magnânimos, cometer actos que aos outros mortais não são possíveis Tem agora tempo de ser magnânimo: retire os presos da prisão, ouça-os e depois peça-lhes desculpa. Eles merecem.
Lisboa, 18 de Outubro de 2015
Alípio de Freitas

Liberdade !

Mural do artista Bordallo II realizado junto à embaixada de Angola em Lisboa .

Amanhã, dia 21 , Concentração no Rossio em Lisboa de apoio aos presos políticos angolanos

 
 
Enquanto a atenção se virava para o estado de saúde de Luaty Beirão, o que aconteceu aos restantes 14?
 
Desde o dia 15 de Outubro que nos chegam relatos, testemunhos e fotografias que comprovam que os outros ativistas presos, alguns deles também em greve de fome, foram espancados e ameaçados dentro dos estabelecimentos prisionais, para onde haviam sido transferidos, nomeadamente a Comarca Central de Luanda e o Hospital Prisão de São Paulo.

Circulam nas redes sociais fotografias do Mbanza Hamza com
escoriações e ferimentos. Sabemos que Albano Evaristo Bingobingo,  em greve de fome há 10 dias, foi também espancado, largado nú no exterior da prisão e que se encontrava numa cela comum e sobrelotada, com uma sanita para cem pessoas, e, ainda, que Benedito Jeremias continua com ferimentos nos membros inferiores e no peito, resultantes dos maus tratos a que foi submetido. A sua esposa diz que o activista apresenta problemas de saúde ao nível do sistema urinário, não tendo sido até agora assistido.
 
No Sábado recebemos a notícias de que teriam sido transferidos para parte incerta, sem comunicação oficial à equipa de defesa legal e aos familiares. Injuriados física e verbalmente para não denunciarem os maus tratos que estavam a sofrer.
 
Após estas ações de violência "legal", confirmaram-nos este domingo que os 14 ativistas foram transferidos para o Hospital-Prisão de S.Paulo, estando agora pela primeira vez todos juntos na mesma prisão e, esperamos, fora de perigo de vida.

Luaty Beirão continua em greve de fome desde dia 21 de Setembro e está sob cuidados médicos na clínica Girassol, sem que tenha havido diálogo, quanto mais cedência aos seus pedidos legítimos, por parte das autoridades Angolanas.
 
Perante este cenário doloroso, convidamos todos aqueles que se sentem solidários a participar numa vigília na próxima 4ª-feira, na Praça Dom Pedro IV, Rossio, pelas 18h30.
 

Angola - Violação constante de direitos humanos

Entrevista de Filomeno V. Lopes à Voz da Alemanha:

07.04.2012

Após cirurgia na Alemanha Vieira Lopes fala sobre situação crítica em Angola
Na sequência de uma agressão de que foi vítima na capital angolana, Luanda, Filomeno Vieira Lopes, secretário-geral do partido da oposição Bloco Democrático, viajou à Alemanha, onde foi submetido a uma operação médica.

No último dia 10 de março, um grupo de civis armados com catanas, barras de ferro e cabos elétricos espancaram vários cidadãos que o grupo presumia pretender realizar manifestações contra o Governo – tudo isso perante a passividade de agentes da polícia angolana. Um dos feridos no incidente foi o economista Filomeno Vieira Lopes, cujo espancamento provocou a fratura de um braço em três locais, um golpe profundo na cabeça e ferimentos por todo o corpo.

Em entrevista à DW-África, Vieira Lopes disse que saiu de Angola para fazer uma operação de rápido restabelecimento, e pricipalmente para conseguir repousar em segurança.

DW África: A operação já foi realizada?

Vieira Lopes: A operação já está feita. Estamos numa fase em que ainda não retirei os pontos. Também tenho que fazer fisioterapia e ainda não recuperei a mobilidade completa, nem na mão direita nem no braço direito. É algo que demora o seu tempo e, portanto, eu devo estar aqui mais algum tempo para uma recuperação controlada.

DW África: E por que saiu de Angola para fazer um tratamento, temia pela sua vida?

VL: Eu confio muito nos médicos angolanos e confio bastante nas instituições angolanas. Mas a análise do Bloco Democrático sobre os acontecimentos é de que efetivamente houve uma tentativa de assassínio frustrada, que pudesse prosseguir nesta senda através de outros processos. Por outro lado, houve também certa pressão da família, que me queria ver de alguma forma a ser tratado em um sítio onde pudesse gozar de alguma tranquilidade.

DW África: Já tem data para voltar a Angola? E será que regressa de forma tranquila, sem medo, para realmente enfrentar o país da forma como está?

VL: Eu não tenho ainda data marcada, mas com certeza meu regresso será em breve. Vou voltar logo que esteja em condições físicas.

Nós assumimos a posição política que assumimos e não podemos ter receio daquilo que está a acontecer. Angola tem uma história muito triste deste ponto de vista. Estamos em um ponto fundamental no país: se há ou se não há democracia, se é um país que caminha ou não para as liberdades fundamentais. E, portanto, nós vamos prosseguir naturalmente este combate com as consequências que isso possa implicar.

Sabemos que o ambiente é mau, que há uma predisposição daqueles que estão no poder de o manterem de qualquer maneira. Mas, natualmente, o povo angolano merece consideração e achamos que o povo angolano vai ser capaz também de atravessar esta fase muito difícil da sua existência. Vamos conseguir, com o tempo, transformar essa paz militar em paz social.

DW África: Filomeno Vieira Lopes foi espancado e daí a presença aqui na Alemanha para fazer esse tratamento. Tudo isso aconteceu de forma muito rápida, e confirma que sofreu fraturas no braço em três locais, para além de ter sido espancado na cabeça como se viu nas fotografias?

VL: Exatamente. Isto foi um grupo de civis que, com todos os indícios, está associado à polícia. A polícia vai ter que esclarecer por que razão não tomou nenhuma atitude. E já tinha havido um precedente em que a polícia juntamente com esse grupo tinha atuado de forma conjunta e complementar.

Pelo próprio tratamento institucional que este grupo tem tido na comunicação social, pelo menos parte dela, e pela audição que se faz dos fatos, tudo isto mostra que efetivamente há uma concordância entre a polícia, a política e também os grupos que se apresentam para se fazerem de contra-manifestantes.

DW África: Mas precisamente a polícia angolana anunciou, 24 horas depois do acontecimento, que iria investigar o sucedido. Até hoje não houve resposta?

VL: Em primeiro lugar, foi uma comunicação forçada pela imprensa e, por circunstância ou por pavor, [a polícia] disse isso. Não há nenhum comunicado oficial, formal, escrito, carimbado pela polícia a assumir a investigação e, pelo que sei até agora, nada saiu. A polícia está efetivamente à espera que o Bloco Democrático faça uma queixa, para depois tentar encontrar um conjunto de argumentos.

DW África: Ao que tudo indica, o quadro não será brilhante durante a campanha eleitoral para as presidenciais em Angola. Como é que encara esse futuro próximo?

VL: Com bastante preocupação. Digamos que o presidente da República e sua equipa têm tido um papel extremamente negativo no desenvolvimento da democracia em Angola. Querem facilitar a fraude eleitoral, e nós já vínhamos numa situação em que não tínhamos boas leis para as eleições. A Constituição não é suficientemente aberta do ponto de vista das eleições. A lei eleitoral também não é a melhor lei, basta dizer que as pessoas no exterior não votam. Tudo isso foi discutido à revelia da opinião pública.

Nós não temos uma comunicação social que dá voz a toda a gente. Temos uma comunicação social que cerceia as liberdades da oposição por um lado, e por outro temos uma comunicação social manipuladora e oficial.

E também há a ação da polícia que tenta impedir o desenvolvimento das campanhas e mesmo da intervenção política normal dos partidos políticos. Temos uma administração que está preparada para obstaculizar todo o processo burocrático de desenvolvimento da campanha. Não é exatamente um ambiente saudável.

Está a criar-se uma situação segundo a qual, depois da altura do voto, tudo pode acontecer para que a fraude se passe. Portanto nós não estamos bem em Angola.

* Clique abaixo para ouvir a entrevista na íntegra.

Entrevista: António Rocha
Edição: Francis França

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