CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

A dessalinização milagrosa de Israel, o Pai Natal e outros contos de fadas


Num momento em que se intensifica a demolição de casas e a confiscação de terras

para a construção de mais colonatos na Palestina, 


neste momento em que Israel, com o apoio de vários governos europeus, entre os quais
a França e o Reino Unido, lança um ofensiva para criminalizar
os activistas contra a ocupação e proibir-lhes o direito de apelar ao boicote económico e cultural,

parece-nos oportuna a divulgação deste artigo, que nos recorda como a expansão sionista se faz
à custa da destruição de um povo, das suas vidas e do seu meio ambiente.





A dessalinização milagrosa de Israel, o Pai Natal e outros contos de fadas

O mito do “florescimento do deserto” esconde desde há muito tempo a ocupação e a degradação por Israel dos recursos naturais palestinianos.
Susan Abulhawa, Middle East Eye



Scientific American publicou recentemente uma reportagem sobre a indústria da dessalinização de Israel, elogiando uma proeza milagrosa resultante da engenhosidade de uma pequena nação entalada no meio de nações agitadas e retrógradas.

Para citar a prosa romanceada do artigo, o autor descreve Israel como “uma civilização galvanizada que criou a água a partir do nada”, no lugar onde apenas a alguns quilómetros mais longe – aludindo à Síria e ao Iraque em particular, mas também às nações árabes em geral -, “a água desapareceu e as civilizações se desfizeram”.

É surpreendente ler uma publicidade tão flagrante da excepcionalidade israelita e da ressurreição enganadora da mitologia do “florescimento do deserto” nas páginas de Scientific American. É importante introduzir os factos, a história e a realidade neste conto de fadas aquático.

O autor atribui sem vergonha 900 anos de história palestiniana a Israel. Na realidade, Israel é um país criado há 68 anos por imigrantes judeus europeus que conquistaram a Palestina, expulsaram a maioria da população indígena e reivindicaram todas as suas terras, mas também as suas quintas, casas, comércios, bibliotecas e recursos.

Para além desta apropriação gratuita da história palestiniana, o artigo não fornece o contexto histórico do clima, precipitações e recursos naturais de água, dando a impressão de se tratar de uma terra árida naturalmente inóspita.

Na verdade, ao longo da história, o norte da Palestina gozou de um clima mediterrânico com verões quentes e secos e precipitações abundantes no inverno. E, na realidade, as precipitações em Ramallah são superiores às de Londres, assim como as precipitações em Jerusalém.

A metade sul da Palestina torna-se desértica à volta do distrito de Beersheba, onde o deserto do Naqab se desenvolve até à ponta da Palestina. No momento em que Israel foi criado, os palestinianos cultivavam já em permanência 30% das terras do seu país. Excluindo o distrito de Beersheba, este número sobe para uma média de 43%, atingindo 71% em Gaza.


A gestão da água ao serviço do colonialismo

O regime hidráulico de Israel funciona em sinergia num contexto mais amplo de exclusividade judaica e de negação palestiniana. É hipócrita separar os dois no debate, na medida em que uma grande parte da crise actual da água é directamente e indirectamente imputável à inversão pelo sionismo desta organização sustentável da sociedade e da agricultura indígenas do território.

O desvio por Israel da água dos rios e dos seus afluentes começou em força durante o seu primeiro ano de existência, forçando a natureza a sofrer mudanças não naturais com vista a seguir uma ideologia que entrava em conflito com o terreno local.

Ignorando a incompatibilidade ecológica de plantar culturas exóticas e exigentes em água para alimentar os palácios europeus e irrigar o deserto extraindo com sifões a água dos vizinhos, dos moradores locais e da biodiversidade local, a bombagem excessiva e o desvio de água para servir os colonatos sionistas segundo normas europeias não sustentáveis prepararam o terreno para uma multitude de catástrofes ambientais por toda a Palestina.

Por exemplo, embora Israel propague uma percepção de práticas agrícolas engenhosas (através de discursos de relações públicas que fazem a publicidade da excepcionalidade judaica, como aquele presente no artigo do Scientific American), a agricultura exótica de Israel foi na realidade destruidora para o equilíbrio ecológico da Palestina. Ao consagrar 80% da água disponível à agricultura, que representava menos de 3% da economia israelita, Israel continuou a sugar os recursos de água para fazer avançar o programa colonial sionista, uma contradição ecológica do ponto de vista do meio ambiente local.


Os palestinianos privados da sua água

A colonização foi acompanhada simultaneamente pela negação e exclusão da sociedade palestiniana indígena. Ao mesmo tempo que organizava o roubo em grande escala das riquezas e dos bens dos palestinianos, Israel começou a destruir a vida palestiniana, no centro da qual se encontrava a agricultura palestiniana, que dependia das culturas não irrigadas como a oleicultura.

Com este fim, o domínio total de Israel sobre o conjunto da água da Palestina permitiu-lhe continuar a condenar à sede e colocar de joelhos os palestinianos. A inevitável distribuição racista da água foi amplamente demonstrada em relatórios incisivos de organizações locais e internacionais.

O artigo afirma que Israel alimenta os palestinianos em água, ignorando o facto crucial de que essa água pertence em primeiro lugar aos palestinianos. A água doce é bombeada de um aquífero de montanha que passa por baixo das aldeias e dos territórios palestinianos para alimentar os colonatos israelitas. Uma pequena fracção dessa água é em seguida vendida aos palestinianos, geralmente a preços muito mais elevados que para os colonatos judeus na mesma zona.

Enquanto que os colonos judeus consomem mais de cinco vezes mais água, gozando de relvados verdejantes e de piscinas privadas, o acesso dos palestinianos à água é variável, por vezes descontinuo durante semanas ou meses, ou até completamente recusado. Não é raro que aldeias inteiras sejam privadas de agua potável, sem falar do que isso significa para a agricultura palestiniana.


A água de superfície extraída com sifão

Uma olhada na gestão da água de superfície traz um outro exemplo da destruição do potencial hidráulico da Palestina por Israel. O Nahr al-Auja, rebaptizado Yarkon por Israel, era um rio de costa vigoroso, cheio de peixes e com abundante fauna, da qual algumas espécies não existem em nenhum outro lado.

Com nascente na aldeia palestiniana de Ras al-Aïn, ele foi descrito num guia de viagem datado de 1891 como “um rio uivante que ziguezagueia até acabar no mar […] A sua potência faz rodar os moinhos e os pequenos peixes podem aí ficar enredados”. Em apenas uma década de gestão israelita da água palestiniana, esse rio fonte de vida ficou reduzido a um fio de águas residuais. A sua água foi extraída e substituída por uma lama tóxica composta de poluentes industriais e domésticos que, em 1997, corroeu os pulmões e os órgãos vitais de atletas que participavam nas Macabíadas e caíram ao rio quando uma ponte se desmoronou.

Um dos primeiros projectos hidráulicos de Israel quando da sua conquista do acesso ao rio Jordão, foi de começar a desviar a água dos seus vizinhos, incitando a Síria e a Jordânia a fazer o mesmo para preservar a sua própria parte da água regional. Várias décadas mais tarde, o nível de água é tão fraco que o Jordão já não pode realimentar o Mar Morto. A descida do nível de água deste, associada às “bacias de evaporação” de Israel que lhe permitem extrair os minerais e outras actividades industriais, criou uma catástrofe ecológica jamais observada antes na Palestina.

Nos anos 1950, Israel esgotou as zonas húmidas palestinianas da Houla, um tesouro de biodiversidade do Médio Oriente, para criar colonatos judeus. Centenas de projectos coloniais desvalorizaram imensamente a rica diversidade biológica e geográfica que prosperava nesse terreno onde três continentes se encontram.


Um milagre israelita?

Assim, ao mesmo tempo que ignora a história da degradação pelo sionismo do meio ambiente palestiniano e do papel central de Israel na génese da actual crise da água, o artigo da Scientific American prepara o terreno para explicar o milagre deste abastecimento de água doce a baixo custo, discreto e aparentemente ilimitado. Para ser franca, este relato tem tanto a ver com um mito como o de “uma terra sem povo para um povo sem terra” ou o do Pai Natal, das suas renas e da sua fábrica de brinquedos no Polo Norte.

Se a dessalinização mostra ser com efeito prometedora e portadora de várias vantagens, esse procedimento está longe de ser milagroso e nem sequer é uma excepção no Médio Oriente, já que nações do Golfo sofrendo desafios ligados à água empregam técnicas de dessalinização desde há um tempo para cá.

Pela nossa experiência aqui e noutros lados, sabemos que a dessalinização tem custos ambientais importantes e riscos sanitários graves, incluindo os sub-produtos da poluição e os gases com efeito de estufa. Não se sabe se a tarifa de 0,58 dólares por metro cúbico inclui o custo da poluição ou o custo das grandes e preciosas extensões de terras litorais que têm de ser exploradas para a infraestrutura de dessalinização. Da mesma maneira, não se mencionou a devastação conhecida e previsível da vida marinha local através das alterações físicas e químicas do meio ambiente inerentes aos processos de dessalinização.


A informação honesta

Nas últimas duas décadas, os ecologistas israelitas trabalharam para despertar a sua sociedade perante a amplitude da destruição do mundo natural local e os seus esforços, associados à legislação e às regulamentações, começaram a atenuar alguns dos efeitos nocivos da conquista israelita, da colonização e das alterações forçadas da ecologia e da geografia.

No entanto, não é uma cura fácil na medida em que as políticas fundadoras israelitas, nascidas do imaginário colonial do colono branco, já quase dizimaram a organização sustentável da civilização e da ecologia indígenas da Palestina.

É irresponsável e hipócrita continuar a promulgar o mito romanceado da excepcionalidade de Israel, elevando-o ao nível de Estado com engenhosidade única e escolhido para dirigir e inspirar. O verdadeiro génio reside na manipulação audaz que esconde os fracassos económicos, ambientais e sociais de Israel e a sua destruição indizível da vida indígena, simultaneamente humana e não humana.

Scientific American deveria antes apresentar-nos investigações com impacto e uma informação honesta sobre a quantidade de desafios ambientais aos quais está confrontada a humanidade, em particular no Médio Oriente, numa época em que o tamanho da população e a poluição são sem precedentes, as guerras são abissais e os recursos se esgotam, em vez de fazer a promoção de um conto de fadas auto-glorificante de um Estado colonialista.


Susan Abulhawa é escritora e romancista. O seu último romance intitula-se O azul entre o céu e o mar (Denoël, 2016).

Traduzido pelo Comité de Solidariedade com a Palestina a partir da versão francesa publicada em:

 

Carcereiros á rédea solta em Passos de Ferreira

Teor de carta  da ACED emitida para as autoridades que deviam quebrar de vez a impunidade dos guardas prisionais que agem á rédea solta soltando as suas práticas violentas e racistas .

"Ulisses Mendes Chaves está preso em Paços de Ferreira. Está a ser alvo de perseguição por parte dos guardas de nomes Aires, Belo e Barbosa. É guineense e não tem visitas. Impedem-no de telefonar. Está na ala de segurança.
Em datas que não sabemos precisar pode descrever 3 episódios.
Uma vez entraram na cela e atiraram fora comida que tinha guarda, comprada na cantina. A pretexto de conter os protestos do recluso usaram algemas, gás pimenta e levaram-no para o pátio.
Outra vez o guarda Aires partiu para a agressão e chamou outros guardas para o socorrerem. Usaram o “ferro”, o punho do cassetete, e partiram-lhe um dente da frente. Na pancadaria insultavam-no e chamavam-lhe preto como um insulto.
No Natal o guarda Aires trouxe o pequeno-almoço à cela e atirou um pão à cara do recluso, insultando-o. Chamou outros guardas e usaram gás pimenta, “ferro” e algemas e deixaram-no no pátio à chuva. Ferido num joelho e nas costas.
Informado destes desmandos, o chefe de guardas não reage aos maus tratos. Reclamações por escrito são enviadas para o lixo. Sempre que vai à cantina há tensão e problemas. Não querem deixar comprar o que o recluso entende dever comprar.
Ulisses espera que este regime de tensão que persiste há meses possa deixar de o perseguir. Pelo que dirigiu uma reclamação para o exterior da cadeia, que a ACED recebeu e transmite a quem de direito."

Liberdade para Bilal Kayed e Todos os Presos Palestinos


"No dia 13 de Junho, o preso palestino Bilal Kayed deveria ter sido libertado após terminar uma pena de 14 anos e meio nas prisões israelitas. Porém, em vez de ser libertado, as forças armadas de ocupação israelitas ordenaram a sua detenção administrativa — sem julgamento nem culpa formada — durante seis meses. Como forma de luta para exigir a sua liberdade e o fim da detenção administrativa, Bilal Kayed iniciou na manhã de 15 de Junho uma greve da fome por tempo indeterminado.
O Movimento dos Presos Palestinos, que inclui todas as principais facções e partidos políticos palestinos, declarou solidariedade total com Bilal Kayed. Numerosos outros presos palestinos estão neste momento empenhados em protestos e acções de solidariedade, incluindo greves da fome. As autoridades prisionais israelitas lançaram contra eles uma série de medidas repressivas.
Mais de 7000 palestinos estão actualmente encarcerados em centros israelitas de presos e de detenção. Entre eles contam-se aproximadamente 715 detidos administrativos, incluindo 2 mulheres e 8 crianças, assim como dois deputados ao Conselho Legislativo Palestino (parlamento), Abdel-Jaber Fuquha e Hatem Kufaisha.
O MPPM, no seu Comunicado 013/2016, que se anexa, reclama uma vez mais o fim da participação do Ministério da Justiça no Projecto Law-Train e junta a sua voz à daqueles que na Palestina e em todo o mundo exigem: a liberdade de Bilal Kayed e dos outros detidos administrativos; o fim da prática da detenção administrativa; a liberdade de todos os presos palestinos; o fim da ocupação, o reconhecimento efectivo do direito do povo palestino a um Estado viável, dentro das fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Leste e uma solução justa para o problema dos refugiados."
Nota do MPPM acerca da luta pela libertação de Bilal Kayed

"A Morte em Flor"


"Um dos livros de "Mumia Abu-Jamal, o jornalista negro norte-americano que, desde 1982, clama a sua inocência no corredor da morte de uma prisão da Pensilvânia. 
Depois de um processo cheio de irregularidades, Mumia foi condenado à morte por um júri do qual tinham sido afastados os elementos de raça negra e por um juiz cujas opiniões racistas são do conhecimento público. Punido várias vezes por continuar a escrever na prisão, Mumia Abu-Jamal tem vindo a ser reconhecido nos EUA como a Voz dos Sem-Voz. Este livro, tal como o anterior, dá assim voz a todos os condenados à morte das prisões americanas. Para além de condenar um sistema desumano, "A Morte em Flor" faz também uma defesa vibrante e comovente da vida, sob todas as suas formas. Reunindo episódios da vida do autor, bem como poemas e reflexões religiosas e políticas, Mumia Abu-Jamal exprime numa linguagem simples e plena de imagens, uma filosofia de profunda espiritualidade que é tanto revolucionária e ecologista quanto humanista. São poucos os livros que podem ter a pretensão de atingir uma tal força de verdade e de esperança."

Outro se foi embora



Por Mumia Abu-Jamal

E agora, vem outro.
Alton Sterling -- Pai e marido, amado pela sua família e amigos -- Sobe a um trágico trem de morte com Mike Brown, rekiah boyd, Eric Garner, Sandra Bland, Tamir Rice, e a lista continua e continua e continua e continua. Todos assassinados por policiais que "só faziam seus trabalho".
Em momentos como estes, as eleições nos parecem irrelevantes, porque não têm resposta a este persistente estado de terror. Nenhuma resposta em absoluto.
Por que eles deveriam ter uma? Os candidatos eram os arquitetos dessa carnificina. Fizeram fortes campanhas a favor dos assassinos. Aprovaram a sua militarização e deram-lhes armas de guerra.
Os políticos que hoje em dia se candidatarem à um post (ou fogem de um) eram fanáticos partidários da polícia ontem. Deram-lhes cada vez mais dólares de impostos e cada vez mais armas militares.
O que esperavam?
Agora, algumas horas depois do assassinato de Sterling, outro homem negro (philando castile) é baleado no banco da frente do carro (enquanto a amante observa com horror) quando se estica para pegar sua carteira de motorista e registro do veículo Exigidos por um polícia de trânsito.
Outro foi-se embora... Um após o outro... Uma atrás da outra.
Desde a nação encarcerada, sou mumia Abu-Jamal
-- 16 maj ©'
7 de julho de 2016
Áudio gravado por noelle hanrahan: www.prisonradio.org

Mural "Power to the People".
Inédito para o Afroguerrilha.
Trampo feito no Queens, Nova York, pelo brasileiro Zéh Palito em colaboração com o mexicano Werc Alva.



Confirmada tentativa de suicídio de transexual Chelsea Maning sob acusação de ter passado informações confidenciais ao Wikileaks


"A militar transexual Chelsea Manning, que está em prisão militar por ter passado informações confidenciais ao Wikileaks, fez uma tentativa de suicídio na prisão e foi hospitalizada.

As Forças Armadas dos EUA recusaram explicar a causa da internação de Manning, enquanto a equipe de defesa de Manning criticou o governo por não ter permitido realizar contatos com ela. Segundo os advogados, os militares norte-americanos cometeram uma violação séria ao contar aos jornalistas sobre o estado de saúde da reclusa, violando a lei da privacidade.
De acordo com Nancy Hollander, uma das advogadas de Manning, a equipe de defesa ficou "chocada e irritada" por a informação sobre o suicídio ter passado à mídia.
Em agosto de 2013 Chelsea Manning, naquela altura conhecida como o soldado Bradley Manning, foi condenada a 35 anos de prisão por ter passado ao Wikileaks 700 mil documentos secretos sobre os crimes dos militares norte-americanos no Afeganistão e no Iraque, quando trabalhava com informações confidenciais durante a guerra no Iraque. Ela foi condenada como homem, mas logo na prisão começou a viver como mulher .
Pela primeira vez na história das Forças Armadas dos EUA, Manning foi autorizada a realizar um curso de terapia hormonal para se tornar mulher quando estava na prisão na base militar de Fort Leavenworth. O tribunal do Estado de Kansas permitiu-o mudar de identidade para Chelsea Elizabeth e o tribunal militar de apelação em Washington reconheceu o soldado Bradley Manning como mulher.
 Em maio, Manning apelou da sentença, chamando-a de "extraordinariamente injusta" em comparação com outras pessoas que cometeram o mesmo tipo de crime."

Contra a nomeação de Israel para presidir à Comissão da Assembleia Geral da ONU


Comunicado do MPPM (Movimento pelos Direitos do povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente)

Israel acaba de ser nomeado para presidir à Sexta Comissão da Assembleia Geral da ONU pelo Grupo dos Estados da Europa Ocidental e Outros, integrado actualmente (além de um observador, os EUA) por 28 Estados, entre os quais se incluem Portugal e — estranhamente — Israel.
A Sexta Comissão é descrita pela ONU como «o fórum principal dedicado ao exame das questões jurídicas na Assembleia Geral». Entre os assuntos em agenda para discussão na 71.a sessão, que terá início em Outubro de 2016, encontram-se questões como «Medidas para eliminar o terrorismo internacional», «O primado do direito aos níveis nacionais e internacionais» e «Responsabilidade dos Estados por actos internacionalmente impróprios». Trata-se de temas que Israel conhece bem, mas perversamente, pelo lado da prática do terrorismo de Estado contra o povo palestino e outros países da região, pelo lado da violação do direito internacional, pelo lado do desrespeito pelas resoluções da ONU.
Israel, impedido de aderir ao Grupo Asiático devido à oposição dos países árabes, é membro permanente do GEEOO desde 2004. Em 2014 Israel tinha já sido nomeado por este bloco regional para presidir à Quarta Comissão da AG da ONU, dedicada à descolonização, o que só por si constituía um insulto às decisões e afirmações da ONU relativamente à erradicação do colonialismo, já que Israel exerce ele próprio um colonialismo de povoamento no território da Palestina e viola persistentemente os direitos nacionais do povo palestino.
É inaceitável que Israel, que continua a infringir o direito e as convenções internacionais, o direito humanitário internacional e incontáveis resoluções da ONU, seja nomeado para encabeçar uma comissão jurídica que visa promover o direito internacional e proteger direitos e liberdades humanos básicos.
Ao nomear Israel, o Grupo dos Estados da Europa Ocidental e Outros está a pôr em causa o sistema jurídico internacional e a recompensar Israel pelas suas violações flagrantes do direito internacional e pelos seus actos de violência e de punição colectiva.
Assim sendo, e tendo em conta as disposições da Constituição, nomeadamente do seu artigo 7º, ao afirmar que «Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos» e que «Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência», o MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente:
— condena esta nomeação e lamenta a participação nela de Portugal;
— exorta o governo português a retirar o apoio à nomeação de Israel pelo GEEOO;
— exorta ainda o governo português a desenvolver na ONU acções tendentes a responsabilizar Israel pelas suas persistentes violações do direito internacional e dos direitos humanos e a assegurar o reconhecimento efectivo do direito do povo palestino a um Estado viável, dentro das fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém oriental e uma solução justa para o problema dos refugiados.
Lisboa, 10 de Junho de 2016
A Direcção Nacional do MPPM

Eleições primárias americanas

Os Clinton no casamento de Trump

Neste jogo o capital ganha
Por Mumia Abu-Jamal

As eleições primárias acabaram nos Estados Unidos e as eleições gerais começam de novo.
E Voila! Um bilionário enfrenta uma milionária. A batalha trump vs. Clinton, que descrevi como o sujo vs a astúcia, é um concurso entre primo e prima, porque ganhe quem ganhar, segundo o velho ditado dos jogadores, "a casa nunca perde".
Qual casa? A casa do capital.
No texto clássico do manifesto comunista, Karl Marx e Frederick Engels começam sua obra com uma cobrança extraordinária. O Estado, argumentam, é apenas um comitê para gerir os assuntos da burguesia inteira.
Ao observar a sociedade no século XIX, os autores consideram a classe política apenas como um instrumento da classe dominante-os capitalistas.
Como seriam eles a Donald Trump, um político bilionário? Ou a Hillary Clinton, uma multi-Milionária? Estariam a coçar a cabeça com espanto.
Anteriormente, a burguesia - uma elegante palavra francesa para a rica classe capitalista-comprava seus políticos, ou pelo menos os alugados.
Agora eliminaram os intermediários. Tomam o poder em seu próprio nome.
E se você acha que os bilionários ou os milionários se importam com a gente trabalhadora ou pobre, pois tenho uma ponte em Brooklyn que te quero vender-barato.
Esta é uma escolha, e ganhe quem ganhar, o capital ganha o prêmio.
Desde a nação encarcerada sou mumia Abu-Jamal.
—-©’16maj
9 de junho de 2016
Áudio gravado por noelle hanrahan: www.prisonradio.org





Quanto mais tempo se permitirá que continuem os massacres no mar?

Migrantes em protesto em 10 de Abril na fronteira encerrada de Idomeni na Grécia
(Foto: AP)
Quanto mais tempo se permitirá que continuem os massacres no mar? 30 de maio de 2016. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

“Esta semana foi um massacre”, disse um porta-voz da ONG Save the Children [Salvem as Crianças], depois de pelo menos 800 migrantes se terem afogado no Mediterrâneo em três dias.
As razões e responsabilidades foram múltiplas. Os barcos que os transportavam eram armadilhas de morte. Mas mesmo agora, depois de tragédia insuportável atrás de tragédia nas águas do Mediterrâneo central, as potências europeias recusam-se a iniciar uma operação sistemática de busca e salvamento. Milhares de refugiados têm sido recolhidos por barcos de ONGs, por navios de carga que passam, pela marinha italiana e por alguns outros navios militares da União Europeia [UE], mas o principal esforço ocidental continua a estar criminosamente focado na Operação Sophia, concebida e equipada para interditar e prender contrabandistas, para destruir os barcos deles e para intimidar a continuação da migração, e não para salvar as pessoas que se estão a afogar.
Se milhares de pessoas que partiram da Líbia têm sido salvas no Mediterrâneo central, é porque há tantas pessoas a tentar fazer a travessia que mesmo os esforços mais temporários e improvisados as conseguem resgatar. Estas intervenções de salvamento anémicas parecem visar salvar a legitimidade moral dos governos europeus e do Ocidente em geral. Sim, elas salvam algumas pessoas, mas não é possível deixar de se salientar que a situação existente faz com que massacre atrás de massacre no mar sejam inevitáveis. Estas mortes são o resultado de escolhas políticas. Qualquer número de afogamentos é considerado aceitável para impedir que a migração em massa ameace a ordem na Europa.
Esta indiferença pela humanidade é ainda mais demonstrada no modo como eles tratam os refugiados que sobrevivem. Seria, no mínimo, apenas um ligeiro exagero dizer que a UE transformou o governo grego num subcontratado prisional. A resistência obstinada dos refugiados que exigem ser admitidos na UE em Idomeni, na fronteira com a Bulgária, é um embaraço político para a UE. A polícia grega tem vindo a demolir com buldózeres a cidade de barracas e a levar os seus residentes para abrigos temporários em bases militares e outros estabelecimentos. A razão oficial é que o acampamento não é adequado para habitação humana. Mas os relatos iniciais das ONGs indicam que as redes que elas conseguiram estabelecer em Idomeni para fornecer serviços mínimos de saúde pública, apoio médico, ensino e outros têm sido destruídos, sem terem sido substituidos .
Migrantes em Idomeni enfrentam a polícia ao tentarem deitar abaixo uma parte da cerca da fronteira entre a Grécia e a Macedánia para
entrarem na Europa, 7 de Abril de 2016. 
(Foto: AP/Amel Emric)
A Save the Children diz que os novos acampamentos geridos pelo governo no norte da Grécia não têm instalações sanitárias adequadas. Os adultos e as crianças não estão a receber água suficiente, nem alimentos para comerem mais que uma vez por dia, nem os materiais de higiene mais básicos. A ONG também adverte do perigo para as crianças desacompanhadas, agora que essas cadeias informais existentes foram rompidas e que as relações que tinham foram destruídas (aparentemente, já nem sequer fazem um registo de quem foi enviado para onde), e de os pais e os filhos ficarem separados na pressa do governo grego para evacuar Idomeni. É inegável que esta atuação visou pôr as pessoas longe da vista e sob controlo, e que não foi mais motivada pela preocupação com o bem-estar delas que no caso do que as marinhas ocidentais estão a fazer no Mediterrâneo.
As escolhas políticas que estão a funcionar ficaram ainda mais aparentes com o estabelecimento de um governo fantoche apoiado pelo Ocidente na Líbia, cujo objetivo, entre outros, é transformar o país num muro para manter as pessoas fora da Europa, um projeto ainda mais criminoso que fútil. Este “governo” de papel visa autorizar os navios da NATO a invadir o litoral líbio, controlar os portos e destruir os barcos de pesca e outras embarcações vistas como potenciais barcos de contrabando, que a Grã-Bretanha, em particular, rotula como uma ameaça à segurança da Europa. Estas medidas podem vir a incluir operações armadas europeias em solo líbio – após anos de intervenção militar norte-americana e europeia, sob pretexto atrás de pretexto, tentando, sob dominação ocidental, repor a unidade de um país que a interferência ocidental destruiu.
É verdade que há contrabandistas sem preocupação com as vidas humanas – o que não é diferente, digamos, dos capitalistas financeiros que investem em companhias tabaqueiras, dos fabricantes de armas centrais nas economias ocidentais, das grandes marcas ocidentais de roupa cujas fábricas fornecedoras no Bangladesh são armadilhas de morte ainda maiores, ou de qualquer dos donos e representantes políticos do capital financeiro que estão a destruir o planeta e os seus habitantes. Qualquer que seja a responsabilidade destes oportunistas menores, esse não é o problema fundamental.
O problema fundamental é um sistema imperialista globalizado de exploração económica e dominação política que faz com que o risco de morte seja a melhor opção disponível para tantas pessoas nos países dominados por este sistema. Que podemos dizer sobre o modo como o mundo está organizado quando muitas pessoas da Eritreia, da Gâmbia, do Gana e da Nigéria, de onde veio a maioria dos mortos desta semana, estão tão desesperadas quanto as pessoas de países dilacerados pela guerra como a Síria?
A reação das potências europeias a esta “crise” é fazer com que a prioridade delas seja manter as pessoas do lado de fora – usando a polícia e os exércitos deles para imporem a atual ordem mundial num momento em que a crise “migratória” mostra o quanto a atual divisão do mundo é inaceitável e insustentável.

JUSTIÇA PARA MOVE 9



Notícias de ontem acerca dos Move e do desenvolvimento do seu processo
Hoje, dia 13 de Maio passam 31 anos sobre o assassinato de 11 membros desta organização .
"Recebemos a notícia hoje que a janet, Janine, e debbie África será visto pela pensilvânia condicional esta quinta-feira dia 12 de maio de 2016. Como de costume o pa condicional estão tentando dar mais um aviso rápido e curto para estas audiências para condicional como fizeram no passado com a debbie, delbert e Eddie África. Isto é feito como resultado da pressão estão sob sobre esta questão e eles sabem os olhos de pessoas de todo o mundo estão assistindo. Já sabemos que lhes foram dadas as suas encomendas pela ordem fraternal da polícia, mas nós, como as pessoas ter o nosso próprio trabalho para fazer e isso é para trazer os nossos lutadores da liberdade em casa lá para as famílias.
Também queremos salientar ainda outro exemplo dos jogos mentais da liberdade condicional como eles decidiram dar nossas irmãs longa e esperada audição no dia antes do 31º aniversário do dia 13 de maio 1985 bombardeamentos e Assassinato de onze mover membros seis adultos e cinco crianças. Duas das crianças nessa casa no dia 13 de maio de 1985, foram os filhos de Janet e Janine África. A Pensilvânia condicional mostrou outro nível de insensibilidade e baixas como realmente são. Esta é apenas outra tática por este sistema para tentar magoar a nossa família mas graças aos ensinamentos do fundador e coordenador do movimento organização John África nossas irmãs como outros mover pessoas são fortes e não será influenciado por esta táctica viva john África para sempre!!!!!.
Estamos pedindo às pessoas para ficar em solidariedade para com as nossas irmãs nesta quinta-feira dia 12 de maio de 2016.

A partir de 9:00 am até 1:00 PM
Telefone ou e-mail a liberdade condicional em pa
(717) 772-4343 ou e-mail Ra-pbppoc@Pa.gov
Depois das 2:00 PM às 5:00 PM
Chamada, fax, tweet e e-mail pa governador tom lobo
(p) (717) 772-2509
(F) (717) 772-8284
E-mail pa. Gov (contato)
Twitter @Governor tom lobo
A procura é condicional para o movimento 9 IRMÃS
Debbie (Sims) ÁFRICA 006307
Janet (Holloway) ÁFRICA 006308
Janine (Phillips) ÁFRICA 006309

Se as pessoas estão no facebook estamos pedindo às pessoas para mudar sua foto de perfil desta foto com as mulheres para mostrar solidariedade com a sua audiência nesta quinta-feira. O Pba e a fop tem lobby por anos contra a liberdade condicional para os presos políticos agora esta quinta-feira dia 12 de maio será a vez de povos lobby em apoio condicional para nossos prisioneiros políticos. Recebemos também a palavra que nosso irmão Michael África tinha apelado seu 2014 condicional negação em que ele foi dado um cinco anos de prisão. Michael ganhou o seu apelo e irá aparecer antes da liberdade condicional em agosto de 2016, em vez de dezembro de 2019. Então ainda temos um trabalho sério para fazer para trazer a nossa família para casa imediatamente.
Ona mover

A Justiça e a responsabilidade da campanha ."

Suécia - Sozinha, uma mulher negra fez frente a 300 neonazis






Tess Asplund levanta um punho fechado como forma de protesto contra o grupo de extrema-direitaDAVID LAGERLÖF/EXPO/TT NEWS AGENCY/PRESS ASSOCIATION IMAGES

"O que leva uma mulher a desafiar cerca de 300 neonazis? A protagonista desta história é Tess Asplund, uma mulher de 42 anos, com ascendência africana, cuja sua imagem se tornou viral depois de ter enfrentado sozinha, no último domingo, uma manifestação organizada pelo Movimento da Resistência Nórdica, na cidade de Borlänge, Suécia.
A imagem de Tess Asplund de punho erguido a enfrentar o grupo de extrema-direita está a correr o mundo. Entrevistada pelo jornal britânico The Guardian, Asplund conta que não reflectiu e agiu no momento. “Foi um impulso. Eu estava tão zangada, tive de sair para a rua”, confessa. “Só pensava: nem pensar, eles não podem marchar aqui. Nenhum nazi vai marchar aqui, não está correcto”.
Depois da manifestação, apanhou um comboio para Estocolmo e esqueceu o assunto. Segunda-feira percebeu que a foto estava a correr as redes sociais. Agora teme pelos seus 50 kgs de coragem que lhe parecem pouco quando pensa nos “grandes e loucos” membros do grupo de extrema-direita. “Talvez não o devesse ter feito, quero paz e sossego”, desabafa.
O medo não é em vão. Tess afirma que as acções daquele grupo lhe são familiares e conta que alguns dos seus amigos já foram atacados e obrigados a mudar de casa. A mulher já recebeu telefonemas anónimos a meio da noite onde pessoas lhe gritam do outro lado do auscultador. “É difícil falar sobre o ódio. Sinto vergonha por termos este problema. As autoridades dizem que é um país democrático. Mas estamos a falar de nazis! É horrível”, confessa.
A manifestação de domingo acontece numa altura em que os movimentos de extrema-direita estão a aumentar na Suécia, explica Daniel Poohl, editor daExpo, uma revista anti-racista sueca, à qual pertence o fotógrafo que captou a imagem viral.
O impacto da fotografia foi tal que os meios de comunicação suecos já a compararam a uma outra famosa imagem, capturada por Hans Runesson em 1985, e que ficou conhecida como “a senhora com a mala”. Na imagem, hoje com mais de três décadas, uma mulher usa a sua mala para bater numskinhead do partido neo-nazi sueco, dissolvido em 2009.
As sondagens mostram que os Democratas Suecos, um partido nacionalista, conservador e anti-imigração, conquistam 15% a 20% das intenções de voto dos eleitores e mantêm o poder no Parlamento, enquanto a proliferação do seu discurso se espalha por sites que incitam ao ódio. É no espectro mais extremista desta ideologia que encontramos o Movimento da Resistência Nórdica, explica Poohl.
“Vivemos numa Europa onde as ideias de extrema-direita se estão a tornar cada vez mais populares e também existe uma reacção contra elas”. “Vivemos dias em que as pessoas aguardam por algo que canalize esta necessidade de resistir à Europa que constrói muros e fronteiras contra refugiados, uma Europa com quem não podem cooperar mais. O gesto de Tess capturou um desses conflitos actuais”, analisa.
Recorde-se que a Suécia rejeitou, no início deste ano, a entrada de mais refugiados e migrantes da Ásia e Médio Oriente, alegando receio de que esta vaga ameace a segurança nacional, depois de se terem registado episódios de violência em centros de acolhimento de refugiados. Em Janeiro o país começou a recusar a entrada de migrantes sem documentos.
No último ano, as Nações Unidas consideraram que o país tem um problema específico de Afrofobia.
“O racismo foi normalizado na Suécia. Pensava que a Suécia em 2016 iria ser mais aberta, mas alguma coisa aconteceu”, lamenta Tess. “Espero que algo positivo resulte desta fotografia. Talvez aquilo que eu fiz se torne um símbolo de que qualquer pessoa pode fazer alguma coisa. Se uma pessoa o conseguiu, qualquer um consegue”, conclui."

Mumia Abu Jamal faz 62 Anos, 34 dos quais em prisão


Multiplas iniciativas estão agendadas em muitos paises a assinalar a passagem do 62ºaniversário de Múmia , 34 dos quais em prisão, acto injustamente cometido pelo sistema norte americano que persiste em abreviar-lhe o tempo de existência enquanto ser consciente e defensor acérrimo da justiça .

No México
"Celebremos a vida e luta de Mumia Abu-Jamal na passagem do seu 62º Aniversário !"



Palestina - No Dia da Terra

Comunicado do MPPM sobre o Dia da Terra 
NO DIA DA TERRA O MPPM APOIAA LUTA DO POVO PALESTINO
PELA PAZ, PELA LIBERDADE E PELA DIGNIDADE
1. Em Março de 1976, as autoridades israelitas anunciaram a expropriação de grandes extensões de terras de palestinos na Galileia para a construção de um campo de treino militar e novos colonatos judaicos, no âmbito de um plano de judaização da região. No dia 30 desse mês, uma greve geral e grandes manifestações de protesto sacudiram as localidades palestinas no território do Estado de Israel (segundo as linhas do armistício de 1949). Na repressão sangrenta que se seguiu, seis palestinos foram mortos pelas autoridades de Israel e centenas foram feridos ou presos. Desde então, o dia 30 de Março ficou conhecido como o Dia da Terra, uma data que simboliza a luta do povo palestino pelo direito aos seus lares, às suas terras de cultivo, à sua Pátria.

2. A ocupação de terras palestinas, com a expulsão dos seus habitantes, não começou, nem terminou em 1976. A limpeza étnica tem sido, desde o início, um aspecto central da criação do Estado sionista. E, não por acaso, desde a assinatura dos acordos de Oslo (1993) e as encenações de paz subsequentes, tem-se registado uma agudização dramática da situação. A contínua ocupação israelita de terra palestina está a modificar a realidade no terreno. Os territórios palestinos ocupados em 1967, incluindo Jerusalém Oriental, reconhecidos por direito aos palestinos pelas resoluções das Nações Unidas, respeitam, apenas, a menos de um quarto (22%) do território da Palestina histórica. Apesar disso, os palestinos só têm controlo, e ainda assim com autonomia limitada, sobre 18 % dessa já de si reduzida parcela, e está-lhes interdito o acesso a cerca de um quarto desse território, que é legitimamente seu!

3. As autoridades sionistas, com o apoio activo ou, pelo menos, a passividade dos Estados Unidos da América e da União Europeia, assim como o silêncio do Conselho de Segurança e a indiferença da comunidade internacional, estão a criar factos consumados que tornam inviável a construção de qualquer Estado Palestino, mesmo apenas numa parte menor da Palestina Histórica. Ao mais de meio milhão de habitantes dos colonatos nos territórios ocupados em 1967, junta-se o retalhamento da Margem Ocidental pelo Muro do Apartheid, pelas estradas exclusivamente reservadas a colonos, pelos terrenos sob controlo directo de Israel, bem como pelo cerco à faixa de Gaza. A ocupação física visa impor, de facto, um único Estado no território da Palestina histórica – o Estado judaico de Israel. Tal objectivo é, ao mesmo tempo, acompanhado pela mais brutal repressão sobre o povo palestino, que se prolonga desde o sistema prisional até à violência quotidiana do exército israelita.
4. O governo de Benyamin Netanyahu, resultante da vitória do Likud nas eleições do ano passado em Israel, não surpreendeu, continuando a política de judaização da Palestina, a inviabilização da construção do Estado Palestino e a negação dos direitos aos palestinos, tanto os dos territórios ocupados como os cidadãos de Israel. E não se vislumbram, nas forças políticas dominantes em Israel, alternativas que deixem entrever a possibilidade de uma inflexão desta política. Enquanto isto, os extremistas sionistas prosseguem livremente a sua campanha de incitamento ao ódio e à violência, ao passo que as organizações que, em Israel, procuram promover a paz e a defesa dos direitos dos palestinos são perseguidas até serem silenciadas.

5. O MPPM, ao assinalar este Dia da Terra em 2016
 Exprime a sua solidariedade ao povo palestino na sua justa luta pela terra, pela paz, pela independência e pelos seus direitos nacionais
Exorta a comunidade internacional – a União Europeia em particular – e bem assim o Governo de Portugal, a empenharem-se, em todos os planos, a favor dos direitos legítimos do povo palestino, exigindo o fim da ocupação e o respeito pelo Estado de Israel da legalidade e dos acordos internacionais que sistematicamente viola com impunidade.


TODO O APOIO A MUMIA



Mumia precisa de nosso apoio novamente! Telefonar, enviar fax ou um e-mail agora!

As más práticas médicas e a indiferença intencional na prisão SCI-Mahanoy estão matando Mumia Abu-Jamal

Estamos muitíssimos preocupados com a deterioração da saúde de Mumia, como observado nas últimas semanas pelo médico que o visita, assim como os clérigos, advogados, professores, familiares e amigos. A presença de sintomas mais graves de Hepatite C e o possível desenvolvimento da diabetes que quase o matou um ano atrás alertam para um tratamento adequado e imediato. Portanto, pedimos :

E x i g i r

1. O fornecimento imediato a Mumia do tratamento anti-viral para curar sua condição de Hepatite C. Como o seu médico testemunhou no tribunal, esta é a provável causa da persistência e piora da doença de pele, do dano quase certo ao seu fígado, do extremo ganho de peso e fome, e outras condições associadas com a diabete

2. A entrega imediata de todos os exames de sangue aos advogados de Mumia.

3. A acompanhar de perto a saúde de Mumia para detectar os sinais de alerta do diabetes e, especialmente, seus níveis de glicose, dado que um ataque de diabetes quase matou Mumia na primavera de 2015.

Enviar as demandas para:

Governador da Pensilvânia, Tom Wolf
Tel: 001-717-787-2500
Fax: 001-717-772-8284
E-mail: governor@pa.gov

Departamento de Correções, Pensilvânia; Secretário John Wetzel

Dirigente indígena Berta Cáceres é assassinada em Honduras

GoldmanPrize
Berta Cárceres denunciou as ameaças que vinha recebendo há pouco mais de uma semana, em coletiva de imprensa   Berta Cárceres denunciou as ameaças que vinha recebendo há pouco mais de uma semana, em coletiva de imprensa



Dirigente indígena Berta Cáceres é assassinada em Honduras

A coordenadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh), Berta Cáceres, foi assassinada em sua casa na madrugada desta quinta-feira (3) em La Esperanza, na região oeste do país. Segundo as primeiras informações relatadas por fontes locais, homens não identificados e armados invadiram a casa de Cáceres enquanto ela dormia e a mataram e feriram seu irmão.

Cáceres era líder da comunidade indígena Lenca e de movimentos de camponeses hondurenhos, defensora de direitos humanos e ativista ambiental. Há pouco mais de uma semana, concedeu uma coletiva de imprensa onde denunciou que quatro dirigentes de sua comunidade haviam sido assassinados e outros, incluindo ela, estavam recebendo ameaças. 


Em 2015 recebeu o prêmio Goldman, considerado o Nobel do Meio Ambiente, em decorrência de sua luta em defesa das comunidades rurais hondurenhas. Na ocasião Cáceres afirmou "O que nos inspira não são os prêmios, mas os princípios. Aqui, com reconhecimento ou sem, lutamos e vamos continuar lutando".
As comunidades indígenas lencas, que habitam o ocidente hondurenho lutam em defesa de seu território ancestral que está ameaçado por projetos hidroelétricos e mineradoras aprovados pelo governo sem consultas aos moradores. 
Cáceres dedicou sua vida a denunciar as expropriações e violação aos direitos humanos impulsionadas pelo governo em territórios ancestrais. Além disso, cobrou ampliação de serviços básicos de saúde e assistência rural. Também não se curvou diante das tentativas norte-americanas de implementar bases militares no território Lenca. 


Do Portal Vermelho, com agências

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