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[Extracto Comboio Calais de outubro de 2016-TESTEMUNHO]
Todos temíamos, este dia.
Quarta-feira ia ser o pior de todos a gente sabia. É o que os confrontos iriam iniciar.
Efectivamente, os afegãos foram informados que a França os devolvessem, já tinham anunciado que eles não saiam da selva. Sem contar com todos os jovens que queriam juntar suas familia em uk e que não tinham mais nenhuma confiança no sistema. Para outros a selva era a única casa. Eles tinham toda a sua vida aqui e agora eles deveriam partir em 3 dias, mesmo sem saber onde.
Nós sabíamos que o 3º dias de evacuação ia ser o pior....
Mas não se preocupem sobre este incêndio, visão apocalíptica, um vilarejo em chamas, sem bombeiros, sem ambulâncias durante mais de 2 HORAS.
2000 crs bem arrumadas esperaram sabiamente que todos saem da selva em chamas, eles cercaram, eles não tinham escolha, estávamos no meio deles, congelados, hipnóticos, sem compreender o que se passava. Quando todos temos realizado que os crs estavam a cercar todo mundo, alguns tentaram voltar correndo na selva em chamas antes que os crs barram a passagem... outros assustados e imóveis diziam: Autocarro? We go to the bus?
Sim eu tinha acabado de descobrir, eles iriam ser todos levados. O desmantelamento acabava assim.
Eles estão presos como ratos.
Eles serão algumas horas mais tarde ordenadas, etiquetados com pulseiras, colocados em ônibus e deportados aos 4 CANTOS DA FRANÇA.
A operação terminou disse a prefeitura. O Fogo destruiu tudo inclusive os documentos de muitos que provarão proveniência e perseguições...
Vamos um autocarro, por acaso 4 horas mais tarde na estrada. Eles não sabiam para onde iam, a estação anterior lhes tinham recusado as casas de banho, os assentos estavam cobertas de plástico. Eles tinham tudo em torno do pulso uma pulseira da mesma cor, sinal distintivo do campo onde eram levados. Os olhos assustados, trémulos, a França tinha acabado de tirar-lhes a todos o que lhes ficavam um pouco de esperança, um cobertor, uma tenda velha parte em fumo. Nenhum sequer autorizados a regressar à sua tenda recuperar uma camisola, a sua mala, seu passaporte, todos isso terminou sob os bulldozers incluindo os negócios das pouco de associações fixas no local. Nós e o resto da Europa víamos isso impotente. Novamente e novamente a história acaba de escrever mais um n º de pesadelo.
Visão apolcalyptique, sensação horrível no meio de todos esses seres humanos que tremem. O que vai acontecer conosco agora nós dizia ele?
Porra!!!!! Foi a 26 de outubro de 2016, eu chora porque eu não sei como os livros de história vão relatar todos isso, agora que podemos ver como a mídia emitem informações falsas. Todo mundo deve saber.
Estivemos lá, este escrito é a pura verdade, outros virão.
Perdões a eles. Obrigado a todos os voluntários inglês e habitantes de calais que tentaram de tudo para evitar isso sozinhos sem ajuda nenhuma.
Repetimos o desmantelamento da selva devia ser feito mas não nestas condições, sem humanidade e sem verdadeiros soluções .
Mais do que nunca, devemos nos unir e fazer frente juntos.
Apelo de Bernardo Pimentel estudante do 5º ano de medicina da UNL activista voluntário do Help Refugee
O campo vai ser demolido até ao final de Outubro, e as mais de 10.000 pessoas (incluindo mais de 1.000 crianças) vão ser movidas para centros de acolhimento. Para que tudo corra bem são necessários recursos que neste momento não temos, pois o número de pessoas duplicou só durante os últimos 3 meses.
Estamos então a fazer uma recolha relâmpago dos itens descritos na imagem que envio em anexo, e no texto explicativo em baixo. Infelizmente só temos até dia 14, pois o camião parte dia 15.
Evento do facebook para Lisboa: https://www.facebook.c om/events/147069672418376/
Post do facebook: https://www.facebook .com/photo.php?fbid=1021001741 7769396&set=a.2374224792421. 2140071.1154591351&type=3& theater
Para resumir a situação, este campo existe porque tanto o governo francês como o inglês descartam a responsabilidade da existência de mais de 10.000 refugiados sem sítio onde ficar. Desses, mais de 1.000 são crianças, das quais quase todas não estão acompanhadas de familiares. Dessas crianças, cerca de 300 deveriam receber já desde Maio, segundo a lei, asilo no Reino Unido, pois têm familiares adultos a residir em solo britânico (se alguém estiver familiarizado com o Dublin agreement e Dubs ammendment sabe disso).
Entretanto, saiu esta notícia de desmantelamento do campo de forma "relâmpago", com data limite a 31 de Outubro, sendo que o governo francês se compromete a realojar as pessoas por 12.000 COA (Centres of Accomodation) desde Calais até Paris (como, ninguém sabe). Ora, em tão pouco tempo, e com a tensão que isto tudo gerou, não vai ser tarefa fácil, principalmente se o CRS (polícia francesa) agir como tem agido (e eu já senti isso na pele). Portanto é necessário, principalmente, esta lista de itens descritas no post de facebook, para ajudá-los no transporte.
Isto é um resumo muito resumido, alguma coisa pergunta-me. Ajudar não custa. Se toda a gente poupar uma ida ao cinema, e der 5euros, temos o suficiente para o transporte do camião. Se toda a gente quiser dar aquela mochila de campismo que já não usa desde o tempo dos festivais de verão, temos já grande parte para a ajuda portuguesa se fazer sentir. Bora lá mostrar que Portugal não é so Éders e Ronaldos.
"A DATA DA DEMOLIÇÃO DO JUNGLE JÁ SAIU!!
Até dia 31 de outubro o governo Francês quer mover os mais de 10,000 moradores do campo de refugiados de Calais e acabar com o campo! Isto não podia vir em pior altura, visto que o armazém de doações em calais está a 0 e, tendo em conta as trágicas e difíceis mudanças que os residentes sofreram ao longo dos últimos anos, acho que, no mínimo, merecem fazer esta mudança da forma mais confortável possível... Já temos camião e vários pontos de recolha pelo país, agora só faltam as doações! Como queremos fazer as doações chegar o mais rápido possível vamos fazer uma "recolha relâmpago" até dia 14 de Outubro (o camião está previsto sair de Portugal no dia 15 de Outubro).
Desta vez a recolha será de apenas:
1. TENDAS
2. MALAS E MOCHILAS
3. SACOS DE CAMA
4. SMARTPHONES
5. ITENS DE HIGIENE
6. CASACOS À PROVA DE AGUA E CALÇAS DE HOMEM (preferivelmente o tamanho S)
Só podemos MESMO recolher as doações que estão acima numeradas já que são os itens básicos para esta situação de emergência.
Os nossos pontos de recolha são:
BRAGA: Recheio Cash and Carry - Rua de Vila Nova - Nogueira , Apartado 246, Braga
PORTO: Colégio Luso Internacional do Porto (CLIP) - Rua de Vila Nova 1071, 4100-506 Porto
AVEIRO: Rua José Luciano de Castro, 154, Esgueira
LISBOA:
GCP - Rato
Piscinas de Campo de Ourique
Remax Siimgroup - Alameda das Linhas de Torres, n.º 60 B 1750-147 - Lumiar.
Schoenstatt - Praça do Damão, nº 7, Restelo
COIMBRA: CUMN - Centro Universitário Manuel Nobrega - R. Almeida Garrett, nº4, Coimbra
EVORA: PITE, rua circular nascente, lote 13 (Banco Alimentar Contra a Fome)
Contactos:
Braga - 912819977
Porto - 912572681
Aveiro - 965499312"
Lisboa - 915349877; 914611389
Coimbra - 937376132
Evora - 266771432
CONTRIBUAM e PARTILHEM!!!"
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| Migrantes em protesto em 10 de Abril na fronteira encerrada de Idomeni na Grécia (Foto: AP) |
Quanto mais tempo se permitirá que continuem os massacres no mar? 30 de maio de 2016. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.
“Esta semana foi um massacre”, disse um porta-voz da ONG Save the Children [Salvem as Crianças], depois de pelo menos 800 migrantes se terem afogado no Mediterrâneo em três dias.
As razões e responsabilidades foram múltiplas. Os barcos que os transportavam eram armadilhas de morte. Mas mesmo agora, depois de tragédia insuportável atrás de tragédia nas águas do Mediterrâneo central, as potências europeias recusam-se a iniciar uma operação sistemática de busca e salvamento. Milhares de refugiados têm sido recolhidos por barcos de ONGs, por navios de carga que passam, pela marinha italiana e por alguns outros navios militares da União Europeia [UE], mas o principal esforço ocidental continua a estar criminosamente focado na Operação Sophia, concebida e equipada para interditar e prender contrabandistas, para destruir os barcos deles e para intimidar a continuação da migração, e não para salvar as pessoas que se estão a afogar.
Se milhares de pessoas que partiram da Líbia têm sido salvas no Mediterrâneo central, é porque há tantas pessoas a tentar fazer a travessia que mesmo os esforços mais temporários e improvisados as conseguem resgatar. Estas intervenções de salvamento anémicas parecem visar salvar a legitimidade moral dos governos europeus e do Ocidente em geral. Sim, elas salvam algumas pessoas, mas não é possível deixar de se salientar que a situação existente faz com que massacre atrás de massacre no mar sejam inevitáveis. Estas mortes são o resultado de escolhas políticas. Qualquer número de afogamentos é considerado aceitável para impedir que a migração em massa ameace a ordem na Europa.
Esta indiferença pela humanidade é ainda mais demonstrada no modo como eles tratam os refugiados que sobrevivem. Seria, no mínimo, apenas um ligeiro exagero dizer que a UE transformou o governo grego num subcontratado prisional. A resistência obstinada dos refugiados que exigem ser admitidos na UE em Idomeni, na fronteira com a Bulgária, é um embaraço político para a UE. A polícia grega tem vindo a demolir com buldózeres a cidade de barracas e a levar os seus residentes para abrigos temporários em bases militares e outros estabelecimentos. A razão oficial é que o acampamento não é adequado para habitação humana. Mas os relatos iniciais das ONGs indicam que as redes que elas conseguiram estabelecer em Idomeni para fornecer serviços mínimos de saúde pública, apoio médico, ensino e outros têm sido destruídos, sem terem sido substituidos .
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| Migrantes em Idomeni enfrentam a polícia ao tentarem deitar abaixo uma parte da cerca da fronteira entre a Grécia e a Macedánia para entrarem na Europa, 7 de Abril de 2016. (Foto: AP/Amel Emric) |
A Save the Children diz que os novos acampamentos geridos pelo governo no norte da Grécia não têm instalações sanitárias adequadas. Os adultos e as crianças não estão a receber água suficiente, nem alimentos para comerem mais que uma vez por dia, nem os materiais de higiene mais básicos. A ONG também adverte do perigo para as crianças desacompanhadas, agora que essas cadeias informais existentes foram rompidas e que as relações que tinham foram destruídas (aparentemente, já nem sequer fazem um registo de quem foi enviado para onde), e de os pais e os filhos ficarem separados na pressa do governo grego para evacuar Idomeni. É inegável que esta atuação visou pôr as pessoas longe da vista e sob controlo, e que não foi mais motivada pela preocupação com o bem-estar delas que no caso do que as marinhas ocidentais estão a fazer no Mediterrâneo.
As escolhas políticas que estão a funcionar ficaram ainda mais aparentes com o estabelecimento de um governo fantoche apoiado pelo Ocidente na Líbia, cujo objetivo, entre outros, é transformar o país num muro para manter as pessoas fora da Europa, um projeto ainda mais criminoso que fútil. Este “governo” de papel visa autorizar os navios da NATO a invadir o litoral líbio, controlar os portos e destruir os barcos de pesca e outras embarcações vistas como potenciais barcos de contrabando, que a Grã-Bretanha, em particular, rotula como uma ameaça à segurança da Europa. Estas medidas podem vir a incluir operações armadas europeias em solo líbio – após anos de intervenção militar norte-americana e europeia, sob pretexto atrás de pretexto, tentando, sob dominação ocidental, repor a unidade de um país que a interferência ocidental destruiu.
É verdade que há contrabandistas sem preocupação com as vidas humanas – o que não é diferente, digamos, dos capitalistas financeiros que investem em companhias tabaqueiras, dos fabricantes de armas centrais nas economias ocidentais, das grandes marcas ocidentais de roupa cujas fábricas fornecedoras no Bangladesh são armadilhas de morte ainda maiores, ou de qualquer dos donos e representantes políticos do capital financeiro que estão a destruir o planeta e os seus habitantes. Qualquer que seja a responsabilidade destes oportunistas menores, esse não é o problema fundamental.
O problema fundamental é um sistema imperialista globalizado de exploração económica e dominação política que faz com que o risco de morte seja a melhor opção disponível para tantas pessoas nos países dominados por este sistema. Que podemos dizer sobre o modo como o mundo está organizado quando muitas pessoas da Eritreia, da Gâmbia, do Gana e da Nigéria, de onde veio a maioria dos mortos desta semana, estão tão desesperadas quanto as pessoas de países dilacerados pela guerra como a Síria?
A reação das potências europeias a esta “crise” é fazer com que a prioridade delas seja manter as pessoas do lado de fora – usando a polícia e os exércitos deles para imporem a atual ordem mundial num momento em que a crise “migratória” mostra o quanto a atual divisão do mundo é inaceitável e insustentável.
O ÊXODO SÍRIO .
A terminar o ano de 2015, mais negativo do que positivo para os povos do planeta Terra que viram serem semeadas mais guerras e atentados de vária ordem social e climáticos atentatórios do futuro dos mais desprotegidos .
Entre as guerras provocadas pelos interesses imperiais, na Síria, não passou despercebida pela onda de refugiados que se aprontou para assaltar a Europa fortaleza sendo recebidos com hipocrisia e manifestações xenófobas e racistas, Europa essa ...com grande fatia de responsabilidades na situação de barbárie que se vive no médio oriente .
Ao contrário do que se possa supor os refugiados sírios estão acantonados nos países vizinhos: na Turquia 1,8 milhão, no Libano 1,2 milhão (sinificando 25% da população deste pequeno país), na Jordânia 628,427 milhares e no Egipto 133,000 milhares. Ou seja 4 milhões dos 24 milhões de sírios são refugiados, sem enumerar os existentes no interior deste país que fugiram das suas casas para áreas mais seguras .
A terminar o ano de 2015, mais negativo do que positivo para os povos do planeta Terra que viram serem semeadas mais guerras e atentados de vária ordem social e climáticos atentatórios do futuro dos mais desprotegidos .
Entre as guerras provocadas pelos interesses imperiais, na Síria, não passou despercebida pela onda de refugiados que se aprontou para assaltar a Europa fortaleza sendo recebidos com hipocrisia e manifestações xenófobas e racistas, Europa essa ...com grande fatia de responsabilidades na situação de barbárie que se vive no médio oriente .
Ao contrário do que se possa supor os refugiados sírios estão acantonados nos países vizinhos: na Turquia 1,8 milhão, no Libano 1,2 milhão (sinificando 25% da população deste pequeno país), na Jordânia 628,427 milhares e no Egipto 133,000 milhares. Ou seja 4 milhões dos 24 milhões de sírios são refugiados, sem enumerar os existentes no interior deste país que fugiram das suas casas para áreas mais seguras .
"Milhares de antifascistas foram às ruas hoje [25 de outubro] em Colônia para se opor à proposta de demonstração do grupo HoGeSa, que significa "Hooligans contra os salafistas", que é uma organização nascida em 2014, incluindo vários apoiantes da extrema-direita alemã sob a bandeira da islamofobia e do racismo, de maneira similar a outro grupo mais famoso chamado Pegida (outra organização de extrema-direita que prega o combate a islamização do mundo ocidental).
Uma das primeiras manifestações públicas do HoGeSa ocorreu em Colônia, em outubro do ano passado, terminando com violentos confrontos. Nos últimos dias, a administração da cidade tinha decidido proibir a marcha para evitar problemas públicos, mas os hooligans mesmo assim se reuniram no lugar predeterminado, sem, todavia, poder desfilar pelas ruas de Colônia. Os ultras de extrema-direita se reuniram com slogans de islamofobia e exigindo o fechamento das fronteiras alemãs para milhares de refugiados que nos últimos meses seguem viajando para a Fortaleza Europa.
Para impedir que os neonazistas se manifestassem de maneira imperturbável, se convocou uma mobilização antifascista. Com um golpe de vista se percebia imediatamente a diferença entre os dois blocos: algumas centenas de pessoas (vindos de toda a Alemanha) para a marcha do HoGeSa, e mais de 10.000 antifascistas que saíram às ruas para combatê-los. Os confrontos se iniciaram quando os antirracistas e antifascistas bloquearam as entradas de uma estação para impedir que os militantes do HoGeSa chegassem à praça: a polícia atacou a marcha com cassetetes e hidrantes de água, em seguida, implementaram um numero impressionante de homens da polícia para escoltar e blindar o percurso dos neonazistas ao local. A manifestação antifa foi novamente atacada pela polícia, que também usou gás lacrimogêneo.
A manifestação antifascista continuou ainda ao longo da tarde gritando “Refugees Welcome” e “No Borders”, ante o enésimo fracasso das organizações de extrema-direita que tem diariamente semeado o ódio, o racismo e a islamofobia."
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