CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

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A passagem do aniversário do 11 de Setembro, leva-nos a outros horizontes



Contribuição de Kem   Loach, que traça um paralelo com outro 11 de Setembro, este em 1973 no Chile .

Sabem quem é?


Kateryna Chumachenko, casada com Viktor Yushchenko, o homem da Revolução Laranja. Cidadã nascida e criada nos EUA, onde adere ao movimento norte-...americano nazi chamado "National Alliance". Trabalhou na Casa Branca durante a administração de Ronald Reagan e posteriormente na de George H. W. Bush. Foi co-fundadora e vice-presidente da fundação Ukraine-USA.

É uma das heroínas da actual "revolução ucraniana".

Anti-fascistas europeus, despertem ! A peste castanha está de volta !

 Por Yorgos Mitralias
Desta vez não há dúvida. Monstruosa e horrível, a ameaça fascista está de volta, sem que a nossa Europa se escandalize por aí além. A prova? Nazis “puro-sangue”, que se reivindicam do 3º Reich e das suas divisões SS, perante os quais os brutos da Aurora Dourada grega quase parecem meninos de coro, ocupam os postos mais nevrálgicos (Ordem Pública, Defesa, Justiça) no governo interino ucraniano. E, o que é mais, a sua presença nesse governo não choca nada os nossos media, que se apressam a baptizá-los de ... “nacionalistas”, nem os nossos queridos dirigentes europeus de todas as espécies (social-democratas incluídos), que se apressam a reconhecê-los como parceiros totalmente frequentáveis.
Em suma, é como se o processo de Nuremberga nunca tivesse existido! E não é tudo. O pior é que os acólitos desses fantasmas de um mundo que acreditávamos – erradamente – desaparecido para sempre  se contam hoje por milhares, se passeiam armados até aos dentes nas ruas de Kiev e de Lviv e, sobretudo, estão a ganhar a confiança de um grande número dos seus compatriotaas. Porque, paradoxo ou não, é infelizmente um facto que essa revolta autenticamente popular que acaba de varrer o regime de Yanoucovitch tem entre os seus dirigentes nostálgicos da colaboração banderista de Svoboda e – sobretudo - os neo-nazis,  em plena  ascensão, de Praviy Sektor.
Então, se os Svoboda e Praviy Sektor fazem parte do governo ucraniano sem que os nossos dirigentes europeus ou norte-americanos – como aliás os nossos media de grande dimensão e outras instituições internacionais – se perturbem, não nos surpreendamos se todo esse belo mundo neo-liberal aceitar amanhã sem protesto a presença de um partido como o Aurora Dourada num governo grego. Se Dmytro Yarosh, chefe de Praviy Sektor, se torna o segundo de Andriy Parubi (aliás ele próprio fundador do partido nacional-socialista da Ucrânia) à cabeça do Conselho de Segurança Ucraniano, por que não amanhã o führer do Aurora Dourada, N. Mihaloliakos, à frente dos Ministérios da Defesa ou da Ordem Pública gregos? Eis uma razão mais para considerarmos o que se passa actualmente na Ucrania como uma verdadeira viragem na história europeia do pós-guerra, um imenso salto qualitativo da ameaça neo-fascista que pesa agora sobre todos nós.
Mas não se trata apenas disso. Independentemente do caminho que tomem os acontecimentos que vêem afrontar-se no solo ucraniano não só a Rússia e a Ucrânia (igualmente reaccionárias e enfeudadas aos oligarcas) mas também as grandes potências imperialistas do nosso tempo, tudo indica que os neo-nazis ucranianos, já poderosos, serão os únicos a aproveitar-se da devastação que não deixarão de provocar tanto as políticas de austeridade do FMI como os ventos guerreiros e nacionalistas que varrem a região. As consequências são previsíveis. Os neo-nazis ucranianos em armas serão provavelmente capazes de estender a sua influência para lá do Leste europeu e gangrenar o conjunto do nosso continente. Como? Primeiro, impondo, no interior do campo da extrema-direita europeia em ascensão, relações de força favoráveis ao neo-nazismo militante. Depois, servindo como modelo de exportação ao menos para os países vizinhos (incluindo a Grécia), já martirizados pelas políticas de austeridade e já contaminados por vírus racistas, homofóbicos, anti-semitas e neo-fascistas. E, evidentemente, sem esquecer o grande “argumento” que constituem os milhares e milhares de armas – incluindo pesadas – na sua posse, que não deixarão de exportar. A conclusão salta à vista. É o conjunto da paisagem, equilíbrios e relações de força na Europa que será inevitavelmente transformado, às custas de sindicatos operários, organizações de esquerda e movimentos sociais. Em palavras simples, já há de que ter pesadelos.
Então, que mais é preciso para que a esquerda europeia saia do seu actual torpor, toque o alarme, se mobilize urgentemente e tome o mais rapidamente possível a única iniciativa capaz de contrariar o tsunami fascista e fascistóide que se aproxima: uma iniciativa que não pode senão visar a criação de um movimento anti-fascista europeu, unitário, democrático, radical, de longa duração e de massas, que combine a luta contra as políticas neo-liberais da austeridade draconiana contra a peste castanha, onde quer que esta se manifeste. A hora não é de tergiversações, nem de ilusões de que tudo se passa longe de nós, nem o alibi da rotina anti-fascista que consiste em lutar no seu bairro ou no seu país, sem ligar ao que se passa do outro lado da fronteira. Em primeiro lugar, porque mesmo antes do alarme anti-nazi ucraniano a situação na Europa ocidental era – e continua a ser – mais do que alarmante, justificando plenamente a mobilização geral contra a subida impetuosa da extrema-direita. E depois, porque, por mais necessárias que sejam, as lutas e as campanhas anti-fascistas nacionais ou regionais não bastam, não estão à altura das circunstâncias actuais, completamente excepcionais e históricas.
Por outras palavras: anti-fascistas da Europa, desperte, porque já é quase meia-noite e a história tende a repetir-se tão trágica como no passado.
 

Grécia - Rapper antifascista foi assassinado por neonazis do Aurora Dourada

 

Pavlos Fyssas, um anticapitalista e antifascista de 34 anos e artista de hip hop conhecido como "Killah P" foi assassinado na madrugada desta quarta-feira (18 de setembro) por um grupo de neonazis do partido Aurora Dourada, em Keratsini, bairro de Piraeus, Atenas.
O pai de Pavlos disse que "os amigos de Pavlos fizeram um comentário contra o Aurora Dourada  num café onde eles estavam a assistir a um jogo de futebol.  De seguida, alguém de uma mesa próxima, ouviu-os e fez um telefonema. Surgiram então no local neonazis do Aurora Dourada quase ao mesmo tempo que um grupo de policias motorizados (DIAS). Pavlos tentou sair do local com seus amigos, mas foi emboscado por um outro grupo de neonazis sendo rodeado por eles. Na sequência, um outro membro do Aurora Dourada que dirigia um carro parou, desceu e o esfaqueou até à morte, enquanto os agentes da policia da DIAS não interviram. Uma garota ainda pediu-lhes para ajudálo mas não fizeram nada. Só mais tarde que prenderam o suspeito"...
O nome do assassino é Georgios Roupakias descrito como um conhecido membro de extrema-direita de Pireus, do partido Aurora Dourada.
A notí­cia da morte de Pavlo Fyssas juntou duas centenas de antifascistas junto ao local do crime durante a madrugada e  decorrem em vários pontos da Grécia mobilizações antifascistas para protestar contra mais este acto neonazi." ..
Mais um vídeo demonstrativo da cumplicidade de militantes do partido 

fascista grego Aurora Dourada e a polícia, quando atacavam manifesta

ção de repúdio pela morte do músico antifascista assassinado cobarde

mente por membro deste partido .





França - Marcha Anti-fascista , Justiça para Clément Méric !


Justiça para Clément Méric


"França saiu à rua para prestar homenagem a Clément Méric, o jovem militante da extrema-esquerda, alegadamente assassinado por um grupo de skinheads em Paris.
Os membros do grupo Ação Antifascista Paris Arredores, do qual fazia parte o jovem estudante de 18 anos, reuniram-se no local do drama, antes de se juntarem a milhares de pessoas no bairro de Saint Michel.
Uma manifestante parisiense afirma que “é revoltante que um ativista político, um jovem, tenha sido espancado até à morte porque defendia ideias diferentes das dos outros. Não tenho nada contra o facto desses grupos de extrema-direita serem banidos, mas não acredito que seja suficiente porque o problema não é de agora. Há vários meses que os vemos, não é um incidente isolado.”
As autoridades detiveram sete pessoas ligadas a grupos de extrema-direita, entre as quais uma mulher e o presumível autor do golpe mortal. Os detidos são próximos do grupo Juventudes Nacionalistas Revolucionárias, de acordo com a polícia.
Com as manifestações que se realizaram um pouco por todo o país, França quis dar um grito de dor e revolta. Lyon, a segunda maior cidade francesa, foi também palco de um movimento de protesto contra a agressão de Clément Méric. 1100 pessoas, de acordo com a polícia, participaram na marcha de homenagem ao militante da extrema-esquerda.
Depois de terem estados reunidos durante cerca de uma hora junto à Câmara Municipal, os manifestantes lioneses iniciaram uma marcha até uma das praças mais emblemáticas da cidade.
O Presidente da Câmara de Lyon, Gérard Colomb, exigiu a dissolução dos grupos de extrema-direita."

Clément Méric ainda em vida numa manifestação recente com alguns companheiros

70º Aniversário da Batalha de Estalinegrado


Fascismo foi (também) isto


Publicado em A Luta Continua por Luís Filipe Silva

 
 
 
 
FASCISMO FOI ISTO

Um manifesto do escritor Mário de Carvalho (publicado hoje na sua página no FaceBook) contra o esquecimento e o revisionismo histórico e contra o desejo que alguma direita tem de apagar a ditadura fascista de Salazar das páginas da História de Portugal:

"Eu nunca fui obrigado a fazer a saudação fascista aos «meus superiores».
Eu nunca andei fardado com um uniforme verde e amarelo de S de Salazar à cintura.
Eu nunca marchei, em ordem unida, aos sábados, com outros miúdos, no meio de cânticos e brados militares.
Eu nunca vi os colegas mais velhos serem levados para a «mílícia», para fazerem manejo de arma com a Mauser.
Eu nunca fui arregimentado, dias e dias, para gigantescos festivais de ginástica no Estádio do Jamor.
Eu nunca assisti ao histerismo generalizado em torno do «Senhor Presidente do Conselho», nem ao servilismo sabujo para com o «venerando Chefe do Estado».
Eu nunca fui sujeito ao culto do «Chefe», «chefe de turma», «chefe de quina», «chefe dos contínuos», «chefe da esquadra», «chefe do Estado».
Eu nunca fui obrigado a ouvir discursos sobre «Deus, Pátria e Família».
Eu nunca ouvi gritar: «quem manda? Salazar, Salazar, Salazar».
Eu nunca tive manuais escolares que ironizassem com «os pretos» e com «as raças inferiores».
Eu nunca me apercebi do «dia da Raça».
Eu nunca ouvi louvar a acção dos «Viriatos» na Guerra de Espanha.
Eu nunca fui obrigado a ler textos escolares que convidassem à resignação, à pobreza e ao conformismo;
Eu nunca fui pressionado para me converter ao catolicismo e me «baptizar».
Eu nunca fui em grupos levar géneros a pobres, politicamente seleccionados, porque era mesmo assim.
Eu nunca assisti á miséria fétida dos hospitais dos indigentes.
Eu nunca vi os meus pais inquietados e em susto.
Eu nunca tive que esconder livros e papéis em casa de vizinhos ou amigos.
Eu nunca assisti à apreensão dos livros do meu pai.
Eu nunca soube de uma cadeia escura chamada o Aljube em que os presos eram sepultados vivos em «curros».
Eu nunca convivi com alguém que tivesse penado no Tarrafal.
Eu nunca soube de gente pobre espancada, vilipendiada e perseguida e nunca vi gente simples do campo a ser humilhada e insultada.
Eu nunca vi o meu pai preso e nunca fui impedido de o visitar durante dias a fio enquanto ele estava «no sono».
Eu nunca fui interpelado e ameaçado por guardas quando olhava, de fora, para as grades da cadeia.
Eu nunca fui capturado no castelo de S. Jorge por um legionário, por estar a falar inglês sem ser «intréprete oficial».
Eu nunca fui conduzido à força a uma cave, no mesmo castelo, em que havia fardas verdes e cães pastores alemães.
Eu nunca vi homens e mulheres a sofrer na cadeia da vila por não quererem trabalhar de sol a sol.
Eu nunca soube de alentejanos presos, às ranchadas, por se encontrarem a cantar na rua.
Eu nunca assisti a umas eleições falsificadas, nunca vi uma manifestação espontânea ser reprimida por cavalaria à sabrada;
eu nunca senti os tiros a chicotearem pelas paredes de Lisboa, em Alfama, durante o Primeiro de Maio.
Eu nunca assisti a um comício interrompido, um colóquio desconvocado, uma sessão de cinema proibida.
Eu nunca presenciei a invasão dum cineclube de jovens com roubo de ficheiros, gente ameaçada, cartazes arrancados.
Eu nunca soube do assalto à Sociedade Portuguesa de Escritores, da prisão dos seus dirigentes.
Eu nunca soube da lei do silêncio e da damnatio memoriae que impendia sobre os mais prestigiados intelectuais do meu país.
Eu nunca fui confrontado quotidianamente com propaganda do estado corporativo e nunca tive de sofrer as campanhas de mentalização de locutores, escribas e comentadores da Rádio e da Televisão.
Eu nunca me dei conta de que houvesse censura à imprensa e livros proibidos.
Eu nunca ouvi dizer que tinha havido gente assassinada nas ruas, nos caminhos e nas cadeias.
Eu nunca baixei a voz num café, para falar com o companheiro do lado.
Eu nunca tive de me preocupar com aquele homem encostado ali à esquina.
Eu nunca sofri nenhuma carga policial por reclamar «autonomia» universitária.
Eu nunca vi amigos e colegas de cabeça aberta pelas coronhas policiais.
Eu nunca fui levado pela polícia, num autocarro, para o Governo Civil de Lisboa por indicação de um reitor celerado.
Eu nunca vi o meu pai ser julgado por um tribunal de três juízes carrascos por fazer parte do «organismo das cooperativas», do PCP, com alguns comerciantes da Baixa, contabilistas, vendedores e outros tenebrosos subversivos.
Eu nunca fui sistematicamente seguido por brigadas que utilizavam um certo Volkswagen verde.
Eu nunca tive o meu telefone vigiado.
Eu nunca fui impedido de ler o que me apetecia, falar quando me ocorria, ver os filmes e as peças de teatro que queria.
Eu nunca fui proibido de viajar para o estrangeiro.
Eu nunca fui expressamente bloqueado em concursos de acesso à função pública.
Eu nunca vi a minha vida devassada, nem a minha correspondência apreendida.
Eu nunca fui precedido pela informação de que não «oferecia garantias de colaborar na realização dos fins superiores do Estado».
Eu nunca fui objecto de comunicações «a bem da nação».
Eu nunca fui preso.
Eu nunca tive o serviço militar ilegalmente interrompido por uma polícia civil.
Eu nunca fui julgado e condenado a dois anos de cadeia por actividades que seriam perfeitamente quotidianas e normais noutro país qualquer;
Eu nunca estive onze dias e onze noites, alternados, impedido de dormir, e a ser quotidianamente insultado e ameaçado.
Eu nunca tive alucinações, nunca tombei de cansaço.
Eu nunca conheci as prisões de Caxias e de Peniche.
Eu nunca me dei conta, aí, de alguém que tivesse sido perseguido, espancado e privado do sono.
Eu nunca estive destinado à Companhia Disciplinar de Penamacor.
Eu nunca tive de fugir clandestinamente do país.
Eu nunca vivi num regime de partido único.
Eu nunca tive a infelicidade de conhecer o fascismo.



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