CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

O Teatro do absurdo nas eleições americanas



O Teatro do absurdo

Por Mumia Abu-Jamal
Quando eu era um jovem pantera, um francês -- de estatura baixa, calvo e com olhos azuis -- veio visitar nossa sede em Berkeley, Califórnia. O chefe de gabinete do Partido Panteras Negras, David Hilliard,  cumprimentou-o brevemente e depois  pediu-me para acompanhá-lo em aos gabinetes para que ele pudesse conhecer os outros panteras.

O francês se chamava Jean Genet, mas eu não tinha ideia da importância disso. David me deu um pequeno volume intitulado 'The Blacks' (os negros), com o nome Jean Genet anotado como o dramaturgo. Consultei a contracapa para saber mais.

A Obra ' Negros ' foi descrito como um exemplo do que se chamava ' o teatro do absurdo '.

Veio-me à memória essa descrição na semana passada quando observei os desajeitados esforços de dois políticos brancos americanos, Hillary Clinton e Donald Trump, para denegrir o oponente como o pior racista .

Pareciam um menino e uma menina da primária amargurando na caixa de areia: RACISTA! Fã! Eu não sou! Sim você é! (só faltava o último insulto: " a tua mãe..." mas talvez isto virá.)

O que poderia ser mais ridículo?

Para dizer a verdade, os americanos brancos têm esculpido e apoiado uma estrutura de separação total durante séculos. Até à data, vivemos em dois mundos e dois espaços mentais muito diferentes: um privilégio e outro de privação.

Mas enquanto observamos a decomposição do capitalismo em seu aspecto implacável 'cão come cão', parece que o racismo é apenas uma palavra, uma coisa, um brinquedo, para lançar ao ar antes das eleições, e esquecer o dia depois. Nenhum dos dois políticos tem uma solução porque isso é maior, mais profundo e mais verdadeiro que os dois.

Desde a nação encarcerada sou Mumia Abu-Jamal.
-© ' 16 maj
28 Agosto 2016

De Barcelona a Gaza: flotilha das mulheres luta contra bloqueio israelita



Em 14 de setembro, a flotilha, composta por mulheres, começa sua viagem do porto de Barcelona para a Faixa de Gaza. A Sputnik Mundo falou com duas membros da organização ‘Mulheres rumo a Gaza’ (Women’s Boat to Gaza), que visa quebrar o bloqueio naval do território palestino por Israel.
Jaldía Abubakra nasceu em uma família palestina em Bersebá, que é agora território israelense, e viveu 30 anos em Madrid. Ela é uma das tripulantes da flotilha 'Mulheres rumo a Gaza', e com sua participação na campanha ela quer mostrar sua "solidariedade com a população de Gaza, sobretudo as mulheres". "Vamos acordar as consciências de toda a humanidade para chamar a atenção e denunciar o bloqueio criminoso da Faixa de Gaza, que já dura quase 10 anos", disse Jaldía. As ativistas navegarão para Gaza em dois veleiros, chamados Amal (Esperança) e Zaytuna (Azeitona). Estas embarcações farão parte da flotilha que procura romper o bloqueio de Gaza. Ao mesmo tempo, as participantes da campanha entendem as dificuldades que a flotilha terá de enfrentar. ​Chamberlain, uma israelense que vive na Andaluzia, em Espanha, se juntou à ação em 2011, quando navegou para Atenas no "Gernika", um barco espanhol que participou da Segunda Flotilha da Liberdade. A coordenadora disse à Sputnik que o principal objetivo da iniciativa é enviar uma "mensagem de solidariedade e apoio às mulheres palestinas, que estão lutando contra a ocupação de seu povo". A israelense está há décadas comprometida com a defesa do povo palestino e diz que "se autorizarem nossa chegada à Faixa de Gaza, será uma grande alegria para as pessoas que vivem em bloqueio ilegal e desumano. Ao mesmo tempo, Israel não será prejudicado com isso". ​As tripulações dos dois barcos são compostas exclusivamente por mulheres: desde as tripulações dos veleiros às jornalistas que acompanham a flotilha para cobrir o evento – a bordo do Amal e do Zaytuna não haverá nenhum homem. © AFP 2016/ AHMAD GHARABLI Mulheres palestinianas protestam em frente da Cúpula de Rocha em Jerusalém Oriental, 27 de setembro de 2015 A campanha 'Mulheres rumo a Gaza' é uma iniciativa da Coalizão Internacional da Flotilha da Liberdade, fundada em 2010. A Flotilha da Liberdade está lutando contra o bloqueio à Faixa de Gaza e realizou numerosas ações de solidariedade com a Palestina. Os ativistas sublinham que suas ações contra o bloqueio são sempre baseadas nos princípios da não-violência e da resistência pacífica.

Liberdade para Leonard !

Ontem, 12 de setembro foi o 72º aniversário do guerreiro espiritual Leonard Peltier, preso desde 1976, o grande crime de defender seu povo. Liberdade para Leonard!

Em Janeiro passado Mumia Abu-Jamal escreveu a seguinte mensagem de apoio:
Liberdade e atenção médica para Leonard Peltier!

Por Mumia Abu-Jamal.
Durante 40 anos o activista do movimento indígena americano (aim), Leonard Peltier, permaneceu nas garras do sistema prisional dos Estados Unidos -- na "casa de ferro dos brancos", assim chamada por vários grupos Indígenas, fabricados sob acusações de homicídio.

Agora que ele sofre de problemas de saúde de uma aneurisma da aorta abdominal, o tempo já não está do seu lado. A Aneurisma, diagnosticada há poucas semanas, ameaça a sua vida. Por isso, os defensores do Leonard exigem com urgência a sua liberdade para evitar que morra na casa de ferro.

Há décadas quando Bill Clinton era presidente, ele visitou o povo de pine ridge no estado de Dakota do Sul, onde o Leonard tinha vivido. Disse à gente aí: "digam ao Leonard que não me esquecerei dele".

A promessa de Clinton acabou por ser tão vazia que a promessa de qualquer político. Gás. Ar. Vento. Pois, parece que se esqueceu, não?

Peltier definha na casa de ferro enquanto as longas décadas passam. Escreveu. Pintou. Esperava a justiça branca. Ainda à espera.

Os adeptos pedem que todos escrevam ao Bureau Federal de prisões (Bop, na sigla em inglês) para exigir atenção médica e liberdade para o Leonard.

O Comité Internacional para a defesa de Leonard Peltier solicita o envio de cartas e telefonemas para www.bop.gov/inmates/concerns.jsp.

Façam referência ao Leonard Peltier #89637-132 e a sua prisão actual usp coleman 1.
E agora que penso nisso porque não escrevem à casa branca para exigir clemência executiva? Leonard Peltier precisa de liberdade agora, e os povos indígenas precisam que ele volte para casa.
Desde a nação encarcerada, sou Mumia Abu-Jamal.

Recordando Tupac

Recordando TUPAC. 16 -junho- 1971...13- setembro-1996.

Dezenas de municípios espanhóis declaram-se "Livres de Apartheid Israelita"


Dezenas de municípios espanhóis declaram-se "Livres de Apartheid Israelita"

Palestinian BDS National Committee -- September 8, 2016

Cadiz, capital provincial da comunidade autónoma da Andaluzia no Estado espanhol, tornou-se o mais recente município a aprovar a moção de apoio ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) pelos direitos dos palestinianos e a declarar-se "Zona Livre de Apartheid Israelita".

Com uma população de 120 mil habitantes, Cadiz juntou-se às mais de 50 cidades e vilas espanholas que votaram para declarar-se espaços livres de apartheid israelita. Outros célebres municípios Livres de Apartheid incluem Gran Canaria, Santiago de Compostela, Gijón, Sevilha, Córdoba e Santa Eulália em Ibiza.
 
Inspirada em parte na campanha semelhante realizada durante a luta contra o apartheid na África do Sul, nos anos 1980, a campanha Zona Livre de Apartheid, liderada pela Rede de Solidariedade contra a Ocupação da Palestina (RESCOP), tem por objectivo criar "ilhas de consciência política" e romper laços locais com o regime de ocupação, de colonização e apartheid de Israel, assim como com empresas e instituições internacionais cúmplices das violações do direito internacional por Israel.
 
A campanha, que é apoiada por movimentos sociais, grupos comerciais, escolas, órgãos de comunicação social e instituições públicas do Estado espanhol, criou um mapa indicativo dos espaços livres de apartheid israelita.
 
Ao declararem-se Zonas Livres de Apartheid, as autoridades municipais concordam em boicotar empresas cúmplices das violações do direito internacional e dos direitos dos palestinianos, assim como em romper os laços com o regime israelita e as suas instituições cúmplices. Também apoiam os esforços de consciencialização locais e comprometem-se com políticas conscientes baseadas nos direitos humanos do povo palestiniano.
 
Riya Hassan, coordenador europeu do Comité Nacional de BDS palestiniano (BNC), declarou:
"A campanha Zonas Livres de Apartheid Israelita por todo o Estado espanhol está a inspirar esforços semelhantes noutros países. O facto de essas declarações terem sido votadas por municípios democraticamente eleitos reflecte o apoio crescente ao movimento BDS pelos direitos dos palestinianos, não apenas ao nível das organizações de base, mas também no seio dos governos. Isto acabará por levar a opinião pública a defender as sanções contra Israel até que este país ponha fim à opressão sistemática dos palestinianos".
 
"Os governos locais do Estado espanhol estão a mostrar o caminho com um poderoso modelo de solidariedade para com o povo palestiniano e a sua luta pela auto-determinação. Saudamos todos os autarcas e activistas envolvidos em propor e defender as moções e todos os envolvidos em implementar as zonas livres de apartheid israelita."
 
"Numa altura de crescente déficit democrático no continente europeu, é encorajador vermos como cidadãos estão a integrar a solidariedade com os palestinianos com acções locais para promover a justiça social, económica e ambiental".
 
 
Ataques a um movimento pela liberdade, justiça e igualdade
 
O crescente apoio público ao movimento BDS pelos direitos humanos dos palestinianos levou Israel e os seus aliados a lançarem um ataque inédito, consistente e anti-democrático contra todos os que aspiram a que Israel tenha de prestar contas perante o direito internacional e as resoluções da ONU, em particular através da divulgação da BDS.

Os ataques patrocinados por Israel contra o movimento BDS têm como objectivo pressionar os governos e parlamentos a travar as acções cívicas e a adoptar medidas repressivas que a longo prazo espezinham as liberdades cívicas e políticas dos seus próprios cidadãos.

No Estado espanhol, tentativas de silenciar o movimento BDS, em particular a um nível institucional, têm sido lideradas pelo ACOM, um grupo de lobby pró-israelita sediado em Madrid.
 
A ACOM lançou uma quantidade de acções legais contra os municípios que se declararam Zonas Livres de Apartheid.
 
No entanto, a estratégia de intimidação da ACOM não tem tido êxito. Os municípios visados têm defendido o resultado democrático dos votos, e tribunais informados, como o Tribunal Administrativo de Gijon, recusaram aceitar as queixas da ACOM.
 
Acções legais semelhantes foram interpostas contra municípios do Reino Unido pelo chamado Observatório Judeu dos Direitos Humanos (Jewish Human Rights Watch), um grupo de lobby sediado em Londres. Também aí, o Tribunal Supremo do RU rejeitou as queixas e pronunciou-se a favor das três autarquias que aprovaram resoluções de apoio a boicotes contra a ocupação israelita.
 
A RESCOP comentou numa declaração:

"É intolerável que uma entidade estrangeira que defende um sistema de apartheid, como a ACOM, interfira na soberania democrática dos nossos municípios, ditando-nos o que devemos votar a favor ou contra e impedindo as nossas instituições de se comprometerem com os direitos humanos."
 
Esta última decisão da cidade de Cadiz de se juntar à vaga inspiradora de outras cidades e vilas espanholas declarando-se zonas livres de apartheid israelita é um sinal de que cidadãos e representantes eleitos não estão intimidados pelas ameaças judiciais da ACOM.
 
"Ao apoiarem o movimento BDS pelos direitos dos palestinianos e ao escolherem não se envolverem com instituições e empresas directamente envolvidas nos monstruosos crimes de Israel contra o povo palestiniano, as pessoas de consciência e as autarquias pela Espanha fora estão a dar um passo concreto para fazer com que Israel seja responsabilizado pelos seus crimes contra o povo palestiniano", concluiu Riya Hassan.

Numa recomendação histórica, o Provedor de Justiça defende a revisão do PER



Numa recomendação histórica, o Provedor de Justiça defende a revisão do PER

O Provedor de Justiça recomendou ao Governo, no final de Agosto, a revisão do Programa Especial de Realojamento (PER) de 1993, por ser considerado um instrumento "manifestamente desactualizado" e propôs um série de medidas que vão no sentido de dar uma resposta condigna às pessoas envolvidas.

Esta recomentação surge na sequência da apresentação, em Julho de 2012 de queixa colectiva apresentada pela Habita, e de um pedido de averiguação dos factos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no que concerne aos despejos e demolições realizadas pela Câmara Municipal de Amadora, no Bairro de Santa Filomena. De entre as medidas propostas na recomentação, disponívelaqui, destacam-se as seguintes:
  • Proceder a novas formas de recenseamento que permitam encontrar soluções condignas para os moradores excluídos do recenseamento inicial, tendo especial atenção aos agregados compostos por crianças, idosos e cidadãos com deficiência;
  • A afetação dos terrenos indevidamente ocupados à execução de programas de realojamento; 
  • Privilegiar a implementação de programas complementares de apoio, promovendo a habitação a custos controlados para arrendamento ou venda, com aproveitamento de fogos devolutos e incentivando o recurso ao arrendamento apoiado em concelhos limítrofes realizado de forma coordenada.
Lamentamos o facto de ao longo dos últimos anos milhares de pessoas terem sido despejadas sem qualquer alternativa por vários municípios - com o município da Amadora à cabeça -, com  grande violência e atropelos aos direitos humanos. Por isso, a esta é uma recomendação histórica, que vai no sentido para pôr cobro de um programa hoje absoluto e de defender alteração da lei e das práticas assentes na salvaguarda do direito à habitação.

Esperamos que este documento provoque uma tomada de consciência junto da Câmara Municipal da Amadora, fazendo-a suspender o processo e procurando com o Governo soluções de realojamento adequadas às pessoas Esta realidade não afecta apenas o Bairro de Santa Filomena e o 6 de Maio mas muitos outros bairros ainda existentes. 

Juiz recusa-se a tratamento para mumia Abu-Jamal que poderia curar hepatite c





Últimas notícias: Juiz recusa-se a tratamento para Mumia Abu-Jamal que poderia curar hepatite c

A campanha para levar a Mumia para casa informa:

Queridos irmãos e irmãs:
Num parecer desconcertante emitido hoje, 31 de agosto de 2016, o juiz do Tribunal Distrital, Robert D. Mariani rejeitou o pedido apresentado pelos advogados de Mumia em Agosto de 2015, a qual pediu que a corte ordenasse ao departamento de correções (doc) de Pensilvânia dar tratamento imediato a Mumia, quem sofre de hepatite c crónica e ativa., com Os medicamentos capazes de curar a doença.

O Juiz recusou o pedido por um detalhe técnico: que a demanda apresentada por mumia não nomeou os membros do Comité de hepatite c da doc, o qual, segundo o juiz, é a entidade responsável por agir neste tipo de situação. A sério, Juiz Mariani?

No entanto, o parecer do juiz alega que o doc violou a oitava alteração da Constituição Federal que proíbe os castigos cruéis e incomuns, ao negar tratamento a mumia e outros presos com hepatite c activa.

Este é mais um exemplo das contorções e acrobacias que foram utilizado desde há muitos anos para negar justiça a Mumia e milhares de outros acusados.

Um resumo do parecer escrito pelo advogado bob boyle dará mais detalhes sobre o parecer.
Vamos mandar as atualizações e informações sobre os próximos passos. Não vamos parar até que Mumia e milhares de presos com hepatite c recebam o tratamento de que necessitam.
Na luta,

Campanha para trazer para casa mumia

SAÍDA DO ESTADO PORTUGUÊS DO PROJECTO LAW-TRAIN


Comunicado do MPPM

MPPM CONGRATULA-SE COM A SAÍDA DO ESTADO PORTUGUÊS DO PROJECTO LAW-TRAIN
O MPPM congratula-se com a decisão do Ministério da Justiça português de terminar a participação da Polícia Judiciária no projecto europeu LAW-TRAIN, um projecto que envolve o Ministério da Segurança Pública de Israel, responsável pelas forças policiais desse país, que sistematicamente utilizam os maus tratos e a tortura e violam os direitos humanos fundamentais da população palestina.
A decisão do governo português de terminar a sua participação no LAW-TRAIN vem ao encontro do apelo feito pelo MPPM e por cerca de duas dezenas de organizações portuguesas que subscreveram a posição comum «O Ministério da Justiça de Portugal deve cessar a sua participação no projecto europeu “LAW-TRAIN”, apresentado publicamente no dia 23 de Junho de 2016. Esta campanha teve também expressão nas iniciativas de deputados portugueses na Assembleia da República e no Parlamento Europeu. A retirada do Governo português do projecto LAW-TRAIN é uma vitória de todas as forças que na Palestina, em Portugal e na Europa se manifestaram pelo fim deste projecto de colaboração com o aparelho repressivo israelita.
Como o MPPM afirmava no seu comunicado do passado dia 19 de Maio: «Com a sua cooperação, a UE e os países participantes no projecto LAW-TRAIN, incluindo Portugal, estão, objectivamente, a validar o sistema israelita de controlo e repressão militar, que inclui metodologias de “interrogatórios” ilegais, e ajudam à sua manutenção, dando-lhe cobertura política e moral. Com isso violam as suas obrigações perante o direito internacional e mancham o seu dever de defender a justiça e os direitos humanos.»
Cabe recordar que em Maio deste ano o Comité contra a Tortura da ONU manifestou a sua «preocupação perante as alegações de tortura e outros tratamentos ou castigos cruéis, desumanos ou degradantes […] sobretudo perpetrados pelas forças da ordem e funcionários da segurança, nomeadamente da Agência de Segurança de Israel, a polícia e as Forças de Defesa de Israel [forças armadas]. […] o Comité está particularmente preocupado pelo facto de até agora nenhuma das centenas de queixas apresentadas ter resultado em julgamento.»
Já em Dezembro de 2013 o Comité para os Direitos das Crianças, um painel de peritos jurídicos independentes encarregados pela ONU de fiscalizar a protecção dos direitos das crianças, considerou que as crianças palestinas «são sistematicamente sujeitas a violência física e verbal, humilhação, limitação de movimentos dolorosa, o enfiar de capuzes e sacos pela cabeça, ameaças de  morte, violência física e agressões sexuais contra elas ou membros das suas famílias, restrição no acesso a sanitários, comida e água».
O MPPM chama a atenção para as preocupantes notícias surgidas na imprensa portuguesa, dando conta de que «Israel tem sido ao longo dos anos parceiro de formação a vários níveis das nossas polícias e até das secretas, bem como fornecedor de quase toda a tecnologia de vigilâncias e intercepções telefónicas utilizada pela PJ» (Expresso online, 22 de Agosto de 2016).
As forças policiais e o Estado português não podem colaborar com o aparelho repressivo do Estado de Israel e com os seus crimes, e uma colaboração intensa e quase exclusiva como a que é referida pela comunicação social portuguesa deve cessar de imediato.
O MPPM exorta igualmente o INESC-ID a seguir o exemplo do Governo português e a cessar também a sua participação no projecto LT.
Finalmente, o MPPM reitera a sua oposição ao estatuto especial concedido pela União Europeia a Israel, no que diz respeito ao acesso a fundos comunitários, em pé de igualdade com os países membros da UE. Como referido no comunicado do MPPM de 19 de Maio de 2016, «Num momento em que diversos países europeus, entre os quais Portugal, estão sujeitos a humilhantes ingerências no sentido da contenção orçamental, questiona-se com que legitimidade a União Europeia se dispõe a encaminhar muitos milhões de euros dos contribuintes, ao abrigo do programa Horizonte 2020 e disfarçados de cooperação científica, para apoios ao complexo industrial-militar de Israel.»
Lisboa, 24 de Agosto de 2016
A Direcção Nacional do MPPM

Nota: Foram as seguintes as organizações subscritoras da posição comum: Associação 25 de Abril | Associação Abril | Associação Água Pública | Associação Conquistas da Revolução | Associação dos Amigos do Teatro da Liberdade da Palestina (Portugal) | Associação Portuguesa dos Juristas Democratas | Colectivo Mumia Abu Jamal | Comité de Solidariedade com a Palestina - BDS Portugal | Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional | Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos – MURPI | Confederação Portuguesa dos Quadros Técnicos e Científicos | Conselho Português para a Paz e Cooperação | Frente Anti-Racista | Grupo Acção Palestina | Movimento Democrático de Mulheres | Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente – MPPM | SOS Racismo | União de Mulheres Alternativa e Resposta | União de Resistentes Antifascistas Portugueses

Freedom Theatre da Palestina em Porugal



Alunos da Escola de Teatro do Freedom Theatre estão a efectuar uma digressão em Portugal e apresentam-se no Teatro A Barraca, em Lisboa (Largo de Santos, 2), com as performances “Regresso à Palestina” (6 de Setembro, às 21 horas, e 10 de Setembro, às 18 horas) e “Kanafani” (7 e 8 de Setembro, às 21 horas). Vão, ainda, organizar duas oficinas: uma, para artistas (8 de Setembro, das 14 às 19 horas) e outras para jovens (9 de Setembro, das 14 às 19 horas)
O Freedom Theatre está sediado no Campo de refugiados de Jenin e procura desenvolver uma comunidade artística e criativa na parte norte da Cisjordânia. Sem deixar de pôr ênfase no profissionalismo e na inovação, o Freedom Theatre procura integrar os jovens e as mulheres na comunidade e explorar o potencial das artes como um importante catalisador para a mudança social.
Os trabalhos que vão ser apresentados em Portugal são fruto de um projecto em que se capacita a geração mais jovem para utilizar as artes para promover mudanças positivas na sua comunidade e, simultaneamente, quebrar o isolamento cultural que separa Jenin das comunidades mais amplas do resto da Palestina e do Mundo.
Para mais informações, contactar a Associação dos Amigos do Teatro da Liberdade da Palestina (Portugal):

Dia de ação pela saúde e liberdade de mumia Abu-Jamal


Dia de ação pela saúde e liberdade de mumia Abu-Jamal

Quarta-feira, 7 de setembro será um dia de ação internacional para exigir um tratamento imediato para mumia Abu-Jamal com as novas drogas antivirais que podem tratar a hepatite C, uma doença que ele sofre junto com quase 6,000 presos no estado Da Pensilvânia e milhares mais nas prisões dos Estados Unidos.
Em 31 de agosto, o Juiz Federal do Distrito Robert Mariani recusou-se a organizar esse tratamento por um detalhe técnico, ao responder à demanda apresentada há mais de um ano pelos advogados Robert Boyle e bret grote. No seu parecer, o Juiz Mariani, que presidiu a audiência sobre o caso em dezembro de 2015, diz que a procura nomear pessoas que não têm a autoridade de implementar um mandado judicial, quando deveria nomear os membros do Comité de atenção à Hepatite C do Departamento de correções (doc) do estado da Pensilvânia. Segundo o juiz, apenas este comité tem a autoridade para agir.
Por outro lado, o parecer do juiz alega que o doc violou a oitava alteração da Constituição Federal que proíbe os castigos cruéis e incomuns, ao negar tratamento a mumia e outros presos com hepatite c activa.
A campanha para levar a mumia para casa descreve o parecer como "mais um exemplo das contorções e acrobacias que foram utilizado desde há muitos anos para negar justiça a mumia e milhares de outros réus".
Noelle Hanrahan de Prison Rádio Pergunta: " como é possível que o doc não seja responsável? Eles estabeleceram o comité de atenção à hepatite c e aprovaram as suas recomendações.... Como é possível que o juiz permita que o doutor evite sua obrigação constitucional para dar assistência médica aos presos, relegando a sua responsabilidade a um sub-Comité?"
O Advogado Robert Boyle enfatiza que durante todo o processo, o departamento de correcções nunca disse que a as pessoas demandadas falta-lhes a autoridade para implementar uma ordem judicial. Também afirma que a existência do Comité só foi revelada ao final da audiência de dezembro. O grupo se reúne em segredo e toma as suas decisões em segredo.
No entanto, boyle salienta a importância de que o Juiz Mariani tenha encontrado que o departamento de correcções lhes está negando a pessoas a devida atenção à saúde garantida pela alteração oitava da Constituição dos Estados Unidos. No seu parecer, Mariani diz que o doc mostrou-se "deliberadamente indiferente" aos riscos associados com a hepatite c não tratada.
De acordo com o protocolo do doc, um preso tem que estar prestes a morrer antes que você possa receber o tratamento com os novos medicamentos antivirais. Há que ter cirrose e hipertensão portal, ou seja, o fígado tem que ser tão calcificado que o sangue não pode entrar e as veias no peito e a garganta começam a quebrar. Na audição do dezembro de 2015, foi estabelecido que mumia tem fibrose (danos ao fígado) e que há uma probabilidade de 63 % que tenha cirrose. Considera-se que teve o vírus da hepatite c desde que recebeu uma transfusão de sangue na noite da sua detenção em 9 de dezembro de 1981, quando foi baleado e foi espancado quase até a morte.
No momento da audiência, APENAS 5 presos no estado da Pensilvânia estavam recebendo o tratamento, e agora, são cerca de 30. A empresa gilead cobra $ 1,000 us dólares cada comprimido pela droga sovaldi. Na Índia, no entanto, um país que não vive sob a tirania das leis de patentes, a mesma pílula custa a partir de $ 3 a $ 10 dólares. Para a droga sovaldi, um tratamento de 12 semanas, custa $ 84,500 Enquanto o tratamento inteiro para a antiviral harvoni, também produzida por gilead, custa r $ 94.500.
Em uma conferência de imprensa, o advogado bret grote citou mariani em relação ao protocolo do doc: "[este] prolonga o sofrimento dos que foram diagnosticados com hepatite c crónica e permite que a progressão da doença se acelere para apresentar Uma ameaça maior de cirrose, câncer do fígado e a morte do réu com a doença " em violação da oitava alteração.
Embora o equipamento legal está desapontado que a corte não tenha emitido um mandado judicial neste momento, considera grote que o parecer de Mariani "sinta um poderoso precedente a favor do Senhor Abu-Jamal".
Explica que o juiz determinou que " os doentes que se encontram presos sofrem de hepatite c merecem um tratamento com os novos medicamentos que curam a doença, e que o protocolo actual do doc viola a constituição."
E o que acha mumia Abu-Jamal? Em uma mensagem gravada para prison rádio em 1 DE SETEMBRO, diz: " é um início e é um bom começo que um juiz federal reconheça que o que tem feito o estado de Pensilvânia durante anos, não só é injusto, mas mau . Anti-Constitucional. Uma violação fundamental de uma equidade fundamental e do direito humano à vida. Então, é um início e é um bom começo. E queremos um bom final ".
Na Filadélfia, o Comité Internacional da família e amigos de mumia Abu-Jamal (Icffmaj), a campanha para levar a mumia para casa, a organização move e a coligação mumia Abu-Jamal de nyc serão realizadas uma conferência de imprensa E MARCHA EM 7 de setembro para exigir tratamento imediato para mumia. Também haverá ações em outras cidades do mundo.
Na cidade do México, associamo-nos à procura. Convidamo-lo a mostrar o seu apoio pela sua saúde e liberdade em um ato que será realizado fora da Embaixada dos Estados Unidos na quarta-feira, 7 de setembro às 12 do dia. Também estaremos agindo em solidariedade com as greves contra a escravidão nas prisões dos Estados Unidos, que serão realizadas a partir de 9 de setembro em comemoração à rebelião e repressão no penal de ática, em 1971., dizemos não a A importação para o México do monstruoso sistema prisional desse país!
Para assinar uma petição em apoio ao tratamento para mumia, consultem: https://campaigns.organizefor.org/…/life-saving-treatment-n…
Saúde e liberdade para mumia! Tratamento imediato para a hepatite C! Presos políticos liberdade! Não a escravidão! Morte à prisão!

A dessalinização milagrosa de Israel, o Pai Natal e outros contos de fadas


Num momento em que se intensifica a demolição de casas e a confiscação de terras

para a construção de mais colonatos na Palestina, 


neste momento em que Israel, com o apoio de vários governos europeus, entre os quais
a França e o Reino Unido, lança um ofensiva para criminalizar
os activistas contra a ocupação e proibir-lhes o direito de apelar ao boicote económico e cultural,

parece-nos oportuna a divulgação deste artigo, que nos recorda como a expansão sionista se faz
à custa da destruição de um povo, das suas vidas e do seu meio ambiente.





A dessalinização milagrosa de Israel, o Pai Natal e outros contos de fadas

O mito do “florescimento do deserto” esconde desde há muito tempo a ocupação e a degradação por Israel dos recursos naturais palestinianos.
Susan Abulhawa, Middle East Eye



Scientific American publicou recentemente uma reportagem sobre a indústria da dessalinização de Israel, elogiando uma proeza milagrosa resultante da engenhosidade de uma pequena nação entalada no meio de nações agitadas e retrógradas.

Para citar a prosa romanceada do artigo, o autor descreve Israel como “uma civilização galvanizada que criou a água a partir do nada”, no lugar onde apenas a alguns quilómetros mais longe – aludindo à Síria e ao Iraque em particular, mas também às nações árabes em geral -, “a água desapareceu e as civilizações se desfizeram”.

É surpreendente ler uma publicidade tão flagrante da excepcionalidade israelita e da ressurreição enganadora da mitologia do “florescimento do deserto” nas páginas de Scientific American. É importante introduzir os factos, a história e a realidade neste conto de fadas aquático.

O autor atribui sem vergonha 900 anos de história palestiniana a Israel. Na realidade, Israel é um país criado há 68 anos por imigrantes judeus europeus que conquistaram a Palestina, expulsaram a maioria da população indígena e reivindicaram todas as suas terras, mas também as suas quintas, casas, comércios, bibliotecas e recursos.

Para além desta apropriação gratuita da história palestiniana, o artigo não fornece o contexto histórico do clima, precipitações e recursos naturais de água, dando a impressão de se tratar de uma terra árida naturalmente inóspita.

Na verdade, ao longo da história, o norte da Palestina gozou de um clima mediterrânico com verões quentes e secos e precipitações abundantes no inverno. E, na realidade, as precipitações em Ramallah são superiores às de Londres, assim como as precipitações em Jerusalém.

A metade sul da Palestina torna-se desértica à volta do distrito de Beersheba, onde o deserto do Naqab se desenvolve até à ponta da Palestina. No momento em que Israel foi criado, os palestinianos cultivavam já em permanência 30% das terras do seu país. Excluindo o distrito de Beersheba, este número sobe para uma média de 43%, atingindo 71% em Gaza.


A gestão da água ao serviço do colonialismo

O regime hidráulico de Israel funciona em sinergia num contexto mais amplo de exclusividade judaica e de negação palestiniana. É hipócrita separar os dois no debate, na medida em que uma grande parte da crise actual da água é directamente e indirectamente imputável à inversão pelo sionismo desta organização sustentável da sociedade e da agricultura indígenas do território.

O desvio por Israel da água dos rios e dos seus afluentes começou em força durante o seu primeiro ano de existência, forçando a natureza a sofrer mudanças não naturais com vista a seguir uma ideologia que entrava em conflito com o terreno local.

Ignorando a incompatibilidade ecológica de plantar culturas exóticas e exigentes em água para alimentar os palácios europeus e irrigar o deserto extraindo com sifões a água dos vizinhos, dos moradores locais e da biodiversidade local, a bombagem excessiva e o desvio de água para servir os colonatos sionistas segundo normas europeias não sustentáveis prepararam o terreno para uma multitude de catástrofes ambientais por toda a Palestina.

Por exemplo, embora Israel propague uma percepção de práticas agrícolas engenhosas (através de discursos de relações públicas que fazem a publicidade da excepcionalidade judaica, como aquele presente no artigo do Scientific American), a agricultura exótica de Israel foi na realidade destruidora para o equilíbrio ecológico da Palestina. Ao consagrar 80% da água disponível à agricultura, que representava menos de 3% da economia israelita, Israel continuou a sugar os recursos de água para fazer avançar o programa colonial sionista, uma contradição ecológica do ponto de vista do meio ambiente local.


Os palestinianos privados da sua água

A colonização foi acompanhada simultaneamente pela negação e exclusão da sociedade palestiniana indígena. Ao mesmo tempo que organizava o roubo em grande escala das riquezas e dos bens dos palestinianos, Israel começou a destruir a vida palestiniana, no centro da qual se encontrava a agricultura palestiniana, que dependia das culturas não irrigadas como a oleicultura.

Com este fim, o domínio total de Israel sobre o conjunto da água da Palestina permitiu-lhe continuar a condenar à sede e colocar de joelhos os palestinianos. A inevitável distribuição racista da água foi amplamente demonstrada em relatórios incisivos de organizações locais e internacionais.

O artigo afirma que Israel alimenta os palestinianos em água, ignorando o facto crucial de que essa água pertence em primeiro lugar aos palestinianos. A água doce é bombeada de um aquífero de montanha que passa por baixo das aldeias e dos territórios palestinianos para alimentar os colonatos israelitas. Uma pequena fracção dessa água é em seguida vendida aos palestinianos, geralmente a preços muito mais elevados que para os colonatos judeus na mesma zona.

Enquanto que os colonos judeus consomem mais de cinco vezes mais água, gozando de relvados verdejantes e de piscinas privadas, o acesso dos palestinianos à água é variável, por vezes descontinuo durante semanas ou meses, ou até completamente recusado. Não é raro que aldeias inteiras sejam privadas de agua potável, sem falar do que isso significa para a agricultura palestiniana.


A água de superfície extraída com sifão

Uma olhada na gestão da água de superfície traz um outro exemplo da destruição do potencial hidráulico da Palestina por Israel. O Nahr al-Auja, rebaptizado Yarkon por Israel, era um rio de costa vigoroso, cheio de peixes e com abundante fauna, da qual algumas espécies não existem em nenhum outro lado.

Com nascente na aldeia palestiniana de Ras al-Aïn, ele foi descrito num guia de viagem datado de 1891 como “um rio uivante que ziguezagueia até acabar no mar […] A sua potência faz rodar os moinhos e os pequenos peixes podem aí ficar enredados”. Em apenas uma década de gestão israelita da água palestiniana, esse rio fonte de vida ficou reduzido a um fio de águas residuais. A sua água foi extraída e substituída por uma lama tóxica composta de poluentes industriais e domésticos que, em 1997, corroeu os pulmões e os órgãos vitais de atletas que participavam nas Macabíadas e caíram ao rio quando uma ponte se desmoronou.

Um dos primeiros projectos hidráulicos de Israel quando da sua conquista do acesso ao rio Jordão, foi de começar a desviar a água dos seus vizinhos, incitando a Síria e a Jordânia a fazer o mesmo para preservar a sua própria parte da água regional. Várias décadas mais tarde, o nível de água é tão fraco que o Jordão já não pode realimentar o Mar Morto. A descida do nível de água deste, associada às “bacias de evaporação” de Israel que lhe permitem extrair os minerais e outras actividades industriais, criou uma catástrofe ecológica jamais observada antes na Palestina.

Nos anos 1950, Israel esgotou as zonas húmidas palestinianas da Houla, um tesouro de biodiversidade do Médio Oriente, para criar colonatos judeus. Centenas de projectos coloniais desvalorizaram imensamente a rica diversidade biológica e geográfica que prosperava nesse terreno onde três continentes se encontram.


Um milagre israelita?

Assim, ao mesmo tempo que ignora a história da degradação pelo sionismo do meio ambiente palestiniano e do papel central de Israel na génese da actual crise da água, o artigo da Scientific American prepara o terreno para explicar o milagre deste abastecimento de água doce a baixo custo, discreto e aparentemente ilimitado. Para ser franca, este relato tem tanto a ver com um mito como o de “uma terra sem povo para um povo sem terra” ou o do Pai Natal, das suas renas e da sua fábrica de brinquedos no Polo Norte.

Se a dessalinização mostra ser com efeito prometedora e portadora de várias vantagens, esse procedimento está longe de ser milagroso e nem sequer é uma excepção no Médio Oriente, já que nações do Golfo sofrendo desafios ligados à água empregam técnicas de dessalinização desde há um tempo para cá.

Pela nossa experiência aqui e noutros lados, sabemos que a dessalinização tem custos ambientais importantes e riscos sanitários graves, incluindo os sub-produtos da poluição e os gases com efeito de estufa. Não se sabe se a tarifa de 0,58 dólares por metro cúbico inclui o custo da poluição ou o custo das grandes e preciosas extensões de terras litorais que têm de ser exploradas para a infraestrutura de dessalinização. Da mesma maneira, não se mencionou a devastação conhecida e previsível da vida marinha local através das alterações físicas e químicas do meio ambiente inerentes aos processos de dessalinização.


A informação honesta

Nas últimas duas décadas, os ecologistas israelitas trabalharam para despertar a sua sociedade perante a amplitude da destruição do mundo natural local e os seus esforços, associados à legislação e às regulamentações, começaram a atenuar alguns dos efeitos nocivos da conquista israelita, da colonização e das alterações forçadas da ecologia e da geografia.

No entanto, não é uma cura fácil na medida em que as políticas fundadoras israelitas, nascidas do imaginário colonial do colono branco, já quase dizimaram a organização sustentável da civilização e da ecologia indígenas da Palestina.

É irresponsável e hipócrita continuar a promulgar o mito romanceado da excepcionalidade de Israel, elevando-o ao nível de Estado com engenhosidade única e escolhido para dirigir e inspirar. O verdadeiro génio reside na manipulação audaz que esconde os fracassos económicos, ambientais e sociais de Israel e a sua destruição indizível da vida indígena, simultaneamente humana e não humana.

Scientific American deveria antes apresentar-nos investigações com impacto e uma informação honesta sobre a quantidade de desafios ambientais aos quais está confrontada a humanidade, em particular no Médio Oriente, numa época em que o tamanho da população e a poluição são sem precedentes, as guerras são abissais e os recursos se esgotam, em vez de fazer a promoção de um conto de fadas auto-glorificante de um Estado colonialista.


Susan Abulhawa é escritora e romancista. O seu último romance intitula-se O azul entre o céu e o mar (Denoël, 2016).

Traduzido pelo Comité de Solidariedade com a Palestina a partir da versão francesa publicada em:

 

Carcereiros á rédea solta em Passos de Ferreira

Teor de carta  da ACED emitida para as autoridades que deviam quebrar de vez a impunidade dos guardas prisionais que agem á rédea solta soltando as suas práticas violentas e racistas .

"Ulisses Mendes Chaves está preso em Paços de Ferreira. Está a ser alvo de perseguição por parte dos guardas de nomes Aires, Belo e Barbosa. É guineense e não tem visitas. Impedem-no de telefonar. Está na ala de segurança.
Em datas que não sabemos precisar pode descrever 3 episódios.
Uma vez entraram na cela e atiraram fora comida que tinha guarda, comprada na cantina. A pretexto de conter os protestos do recluso usaram algemas, gás pimenta e levaram-no para o pátio.
Outra vez o guarda Aires partiu para a agressão e chamou outros guardas para o socorrerem. Usaram o “ferro”, o punho do cassetete, e partiram-lhe um dente da frente. Na pancadaria insultavam-no e chamavam-lhe preto como um insulto.
No Natal o guarda Aires trouxe o pequeno-almoço à cela e atirou um pão à cara do recluso, insultando-o. Chamou outros guardas e usaram gás pimenta, “ferro” e algemas e deixaram-no no pátio à chuva. Ferido num joelho e nas costas.
Informado destes desmandos, o chefe de guardas não reage aos maus tratos. Reclamações por escrito são enviadas para o lixo. Sempre que vai à cantina há tensão e problemas. Não querem deixar comprar o que o recluso entende dever comprar.
Ulisses espera que este regime de tensão que persiste há meses possa deixar de o perseguir. Pelo que dirigiu uma reclamação para o exterior da cadeia, que a ACED recebeu e transmite a quem de direito."

Liberdade para Bilal Kayed e Todos os Presos Palestinos


"No dia 13 de Junho, o preso palestino Bilal Kayed deveria ter sido libertado após terminar uma pena de 14 anos e meio nas prisões israelitas. Porém, em vez de ser libertado, as forças armadas de ocupação israelitas ordenaram a sua detenção administrativa — sem julgamento nem culpa formada — durante seis meses. Como forma de luta para exigir a sua liberdade e o fim da detenção administrativa, Bilal Kayed iniciou na manhã de 15 de Junho uma greve da fome por tempo indeterminado.
O Movimento dos Presos Palestinos, que inclui todas as principais facções e partidos políticos palestinos, declarou solidariedade total com Bilal Kayed. Numerosos outros presos palestinos estão neste momento empenhados em protestos e acções de solidariedade, incluindo greves da fome. As autoridades prisionais israelitas lançaram contra eles uma série de medidas repressivas.
Mais de 7000 palestinos estão actualmente encarcerados em centros israelitas de presos e de detenção. Entre eles contam-se aproximadamente 715 detidos administrativos, incluindo 2 mulheres e 8 crianças, assim como dois deputados ao Conselho Legislativo Palestino (parlamento), Abdel-Jaber Fuquha e Hatem Kufaisha.
O MPPM, no seu Comunicado 013/2016, que se anexa, reclama uma vez mais o fim da participação do Ministério da Justiça no Projecto Law-Train e junta a sua voz à daqueles que na Palestina e em todo o mundo exigem: a liberdade de Bilal Kayed e dos outros detidos administrativos; o fim da prática da detenção administrativa; a liberdade de todos os presos palestinos; o fim da ocupação, o reconhecimento efectivo do direito do povo palestino a um Estado viável, dentro das fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Leste e uma solução justa para o problema dos refugiados."
Nota do MPPM acerca da luta pela libertação de Bilal Kayed

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