CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

A "violência no futebol"

Divulgamos neste espaço uma reflexão do Observatório do Controlo e da Repressão sobre os episódios ocorridos no passado dia 17 de Maio .
 
 
"O dia 17 de maio foi marcado por acontecimentos relacionados com a 33ª jornada da Liga Portuguesa de Futebol, nomeadamente diversos atos de violência policial contra adeptos, em Guimarães e em Lisboa. Os órgãos de comunicação social têm vindo a noticiar confrontos e detenções, servindo-se do amplo material audiovisual disponível e suscitando um debate alargado sobre a actuação da polícia. O Observatório do Controlo e da Repressão deseja contribuir para esse debate e chamar a atenção para alguns aspetos relevantes suscitados pelo que se passou durante o final da tarde de domingo e a madrugada de segunda-feira. Sem prejuízo de outras situações verificadas nesse período, debruçamo-nos especificamente sobre o que aconteceu nas imediações do Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães), do Estádio Alvalade XXI e na Praça do Marquês de Pombal (Lisboa).
Em Guimarães a polícia começou por carregar nas imediações do estádio ainda antes do início do jogo, alegadamente porque um grupo de adeptos do Benfica se envolveu em confrontos com adeptos do Vitória de Guimarães. A visualização deste vídeo da SIC notícias (minuto 4:11) torna contudo evidente que diversas pessoas foram agredidas enquanto observavam de longe o que se passava e sem que seja possível identificar qualquer tipo de atitude agressiva da sua parte. O Corpo de Intervenção ataca-as literalmente pelas costas, distribui bastonadas e pontapés a eito, numa situação em que não existe sequer uma concentração particularmente numerosa de pessoas a bloquear o seu percurso. Eram 17h42 e agentes da PSP já tinha cometido diversas ilegalidades em pleno direto televisivo. O que se passou após o jogo tem sido alvo de particular atenção, pela violência e evidente abuso de autoridade captadas pelas câmaras da CMTV, que filmaram um adepto do Benfica a ser detido e espancado, com um bastão de aço, em frente aos seus filhos de 9 e 13 anos pelo Subcomissário Filipe Silva (da Brigada de Investigação Criminal de Guimarães), que não hesitou em agredir também o avô das crianças com o auxílio de outros agentes.
Guimarães
 
No Estádio Alvalade XXI, segundo um vídeo colocado no canal «Sporting Vídeos» no YouTube, adeptos que se encontravam no exterior do estádio foram baleados pela policia a tiro de caçadeira. As informações sobre as origens deste incidente são escassas, mas o vídeo gravado num telemóvel permite verificar que agentes do Corpo de Intervenção detiveram um adepto e, confrontados com os protestos de outros adeptos no local, procederam a vários disparos e a uma carga violenta, existindo acusações de utilização de cargas de chumbo pela PSP, que se limita a comunicar “uma desordem e consequente intervenção policial no interface de transportes públicos do Campo Grande, envolvendo adeptos de dois clubes de que resultaram três cidadãos feridos e dois polícias”.
Finalmente pela 1h20 da madrugada, uma carga policial levou à fuga precipitada de milhares de pessoas que celebravam a conquista do trigésimo quarto título de campeão nacional pelo Benfica, despoletando confrontos que duraram várias horas entre a Praça do Marquês de Pombal e a Av. Fontes Pereira de Melo. A PSP alega que a sua intervenção decorreu na sequência do arremesso de garrafas por grupos de adeptos, mas a análise às imagens captadas por diversas estações televisivas, sendo inconclusiva quanto ao início dos confrontos, permite verificar inúmeras agressões de agentes policiais a adeptos que estão a afastar-se do local ou estão simplesmente parados a observar, por vezes pelas costas. É curioso verificar que imagens captadas em direto pela SIC notícias às 1h25 não foram inseridas nas sucessivas peças noticiosas que foram apresentadas a partir das 6h00, nas quais se informava que a PSP fora “obrigada a intervir” em resposta à “violência de um pequeno número de adeptos”.
Marquês 4

Tudo o que se passou nestes três pontos entre o final do dia 17 e a madrugada do dia 18 de maio levanta seis questões fundamentais sobre a natureza da repressão e da violência policial.
1) A actuação regular e institucionalizada da PSP, quando confrontada com grandes aglomerados de pessoas, pauta-se por um flagrante desrespeito pela legalidade e pelas liberdades e garantias de um Estado de Direito democrático, não apenas ou não tanto devido a abusos individuais, mas em resultado da própria lógica da sua intervenção e técnicas, das escolhas e opções da sua hierarquia, da natureza do treino dos seus operacionais e, em geral, da cultura de violência e prepotência que atravessa o conjunto da instituição. Uma vez que não vigora em Portugal o Estado de sítio ou de emergência, a forma como as chefias policiais decidem suspender os direitos básicos dos cidadãos – desde logo o direito a circular livremente no espaço público sem o receio de ser agredido à bastonada ou baleado – é um flagrante abuso de autoridade, que merece uma firma resistência e condenação.
2) Há boas razões para considerar que actuação da PSP é uma causa determinante para que pequenas rixas entre adeptos se tornem confrontos generalizados, provocando momentos de pânico colectivo que põem efectivamente em risco a segurança de milhares de pessoas. É fácil perceber que um movimento abrupto pelo meio de uma multidão em festa, recorrendo a pontapés e bastonadas para abrir caminho até ao que se considera ser um “pequeno foco de tensão” pode não apenas levar a que várias pessoas caiam e sejam pisadas por outras como, também, desencadear uma resposta violenta por parte de quem identifica na actuação policial uma agressão injustificada e abusiva, convertendo adeptos que celebram pacificamente em adeptos que atiram garrafas e pedras à polícia.
3) Por outro lado, o fenómeno futebolístico atrai uma atenção mediática de tal dimensão que a actuação policial se torna imediatamente um facto político. Situações de violência, abuso, agressão e até tortura por parte de agentes da polícia têm sido frequentemente denunciadas em torno de manifestações ou em determinadas zonas urbanas que tanto a polícia como a comunicação social convencionaram descrever como “sensíveis” ou “problemáticas”. Mas um fenómeno como a “festa do título” atrai uma cobertura jornalística tão intensa e abrangente que se torna quase impossível agredir alguém sem correr o risco de ver essa agressão filmada. Muito do que vimos na tarde de domingo e na madrugada de segunda-feira é habitual e frequente em diversos contextos sociais, quando não há ninguém a filmar e a palavra de um agente da autoridade é a única a ser levada a sério.
4) Parece também oportuno relembrar que ainda em 2010 os adeptos do Benfica festejaram o título de campeão exatamente no mesmo local, onde não havia palco, nem sistema sonoro nem uma presença policial no centro da praça, não se tendo verificado qualquer problema de maior. E ainda há um ano a festa decorreu também sem ocorrências a registar, apesar de já ter assumido o formato de grande discoteca ao ar livre, na qual um sistema sonoro se sobrepõe à voz dos adeptos. Vale a pena reflectir no papel desempenhado pela organização do espaço da praça e pela presença da polícia em torno da estátua, bem como no facto, omitido por quase todos os órgãos de comunicação social mas sublinhado pela CMTV, de poucos minutos antes dos primeiros confrontos terem sido projetadas no ecrã gigante ali montado as imagens da detenção ocorrida em Guimarães.
5) Acresce a tudo isto que se convencionou, com uma facilidade alarmante, que entre os adeptos de futebol se incluem indivíduos violentos e perigosos por natureza, aos quais não são reconhecidos os mesmos direitos e garantias que a todos os outros cidadãos, sobre os quais se deve presumir a culpa e a quem a polícia tem carta branca para agredir, deter, cercar, assediar e maltratar a seu bel prazer. A esse nível, a categoria “jogo de risco” acaba por funcionar de forma semelhante à categoria “bairro problemático. Existe um retrato-robô desses indivíduos, veiculada tanto pela polícia como pela comunicação social, que os apresenta enquanto jovens do sexo masculino e condição social pobre, identificáveis pelas suas tatuagens, brincos ou bonés. Ninguém se espanta se uma pessoa cujo perfil corresponde a esse estereótipo for agredida e algemada pela PSP na sequência de uma troca de palavras, se necessário for em frente a uma câmara de televisão. Deu-se o caso de o adepto benfiquista agredido e algemado no Estádio D. Afonso Henriques ser um empresário de meia-idade sem qualquer elemento visual distintivo e isso gerou uma dissonância cognitiva. Faltou a imagem do “hooligan arruaceiro” para oferecer ao subcomissário Filipe Silva a cobertura necessária à sua agressão e – uma vez que qualquer pessoa se poderia identificar com o pai que leva os dois filhos ao estádio e acaba a ser agredido e preso à sua frente – tornou-se necessário lavar a imagem da PSP por via de um inquérito.
6) Curiosamente, não é a primeira vez que o nome de Filipe Silva surge associado a um inquérito à actuação da polícia, visto que este graduado também esteve envolvido nas detenções ilegais levadas a cabo pela PSP no dia 14 de Novembro de 2012, que envolveram espancamentos, humilhações e procedimentos abusivos. Uma vez que a Inspeção-Geral da Administração Interna detetou várias ilegalidades na atuação da polícia nesse dia de greve geral, atribuindo-as tanto aos agentes no terreno como aos oficiais e à estrutura de comando que tomou a decisão de carregar sobre os manifestantes presentes em S. Bento, para logo a seguir arquivar o processo sem que fossem tomadas quaisquer medidas, é difícil antecipar que consequências poderá ter este inquérito. Mas também não é impossível que o subcomissário Filipe Macedo Silva seja convertido no bode expiatório de toda a corporação a que pertence, para assegurar aos cidadãos mais distraídos que a PSP existe para proteger os cidadãos e atua em conformidade com a lei e a constituição, como aconteceu em pleno Chiado em Março de 2012, quando uma fotojornalista da France Press apanhou uma bastonada que tinha como destinatários manifestantes avulsos e menos suscetíveis de gerar indignação, originando um processo disciplinar contra o agente Manuel Pinto.
Marquês 3

Por trás, em baixo, ao lado e por dentro do que se designa, com espantosa facilidade e enorme conveniência, “a violência no futebol”, está frequentemente a atuação da polícia e a sua margem de manobra para suspender liberdades e garantias, fazendo dos recintos desportivos e das suas imediações espaços onde vigoram estados de exceção temporários mas recorrentes. A suportar essa atuação está toda uma camada discursiva, mediática e institucional, que faz de determinados adeptos agressores em potência e propaga uma cultura de medo capaz de alimentar todas as fobias, naturalizando a atuação policial e banalizando a sua violência, colocando cada pessoa perante a imperativa necessidade de fazer uma escolha impossível entre liberdade e segurança. Foi preciso que as câmaras filmassem o pânico de uma criança face à violência fardada (e graduada) para que surgissem finalmente alguns pontos de interrogação relativamente à atuação da polícia e à lógica da sua “intervenção”. A poucos dias de mais uma celebração do título por parte dos adeptos do Benfica (que joga no seu estádio no próximo domingo), de uma final da Taça de Portugal entre o Sporting e o Sporting de Braga que trará milhares de adeptos de todo o país ao Vale do Jamor e, finalmente, de uma final da Taça da Liga disputada entre o Benfica e o Marítimo em Coimbra, não faltam motivos para temer a repetição de novas agressões policiais, antecipadamente legitimadas à sombra do conceito de “jogo de risco”, tornando ainda mais necessário analisar o comportamento da PSP e questionar o que se vê banalizado como “violência no futebol”.
O Observatório do Controlo e da Repressão convida todas as pessoas que presenciaram os acontecimentos da madrugada de Segunda-feira a enviar o seu testemunho, imagens, vídeos ou relatos para o endereço cccr@inventati.org, comprometendo-se a manter essas informações em completo sigilo e disponibilizando-se ainda para apoiar, dentro das suas possibilidades, todas as pessoas que enfrentam processos judiciais ou desejam apresentar queixa relativamente à atuação da polícia."
 

De agredido a agressor...Deixem de distorcer a realidade nua e crua...

Quem nos defende da polícia ?
Um episódio que se repete, o agredido passa a agressor . De violência policial sobre uma família, com o espancamento do pai , a brutalidade sobre o avô e o terror que afectou duas crianças por estarem a presenciar quadro tão negativo . Passa-se a discutir se cuspiu ou não sobre o agente, como se tenta manipular a opinião pública. Ao levar a Tribunal o pai das crianças e o forjar de algo que possa justificar a violência que exerceram, como se alguma vez pudesse haver justificação para actos deste quilate.
A violência policial exerce-se todos os dias nos bairros, sobre os mais pobres, sobre as minorias, sobre os trabalhadores sempre que se manifestem em luta contra o capitalismo, muitas das vezes fora dos palcos mediáticos e nalguns casos pela calada da noite. Tudo isto com o agravante do racismo que domina as suas hostes,  civismo está cada vez mais ausente das suas práticas ...e com tendências para ser extinto .
 
Pai agredido presente a tribunal...ver vídeo com declarações deste.


Selvajaria policial á solta

Ontem , dia 17 foi marcado por mais uma demonstração de força da polícia ao espancar impunemente pessoas que vieram para a rua fazer a festa da vitória do seu clube no campeonato nacional, o S.L.Benfica, podendo ser outro clube qualquer... O que está verdadeiramente em causa é a actuação da polícia, ao espancar e perseguir cidadãos , mulheres, velhos e crianças . Algo vai muito mal nesta doente democracia em que vivemos. O balanço está por fazer, mas foram bastantes os cidadãos que necessitaram de assistência médica nos hospitais de Lisboa, tal como foram detidos muitas pessoas fruto da "caça" que se prolongou pela madrugada.
Até quando vamos continuar a assistir a arruaça policial, uma polícia que no passado chegou a ser questionada a sua existência por práticas semelhantes em pleno período fascista.
A impunidade dos seus actos não pode ser ignorada. Alguém tem que prestar constas do sucedido, ministra, oficiais superiores até aos agentes que se tem destacado nos actos que repudiamos.
Fim à violência policial .




Dois pequenos vídeos ilustrativos da dimensão e moldes em que ocorreram vários incidentes na cidade de Guimarães. ..

15 de Maio - 67 Anos da Nakba


Os 67 anos da Nakba
É aqui a nossa Palestina !
 
Ziad Medoukh
 
15 de Maio de 1948-15 de Maio de 2015, já sessenta e sete anos, sessenta e sete anos decorridos desde que começou o drama dos Palestinianos, sessenta e sete anos de sofrimento e dor, de tragédia e de massacres para um povo digno, sessenta e sete anos desde o início desta injustiça imposta a um povo na sua própria terra, sessenta e sete anos de deportação de um povo para o substituir por um outro povo.
No entanto, foram sessenta e sete anos de resistência, de paciência, de determinação, de coragem e de perseverança para um povo sempre de pé,  um povo sempre ligado à sua terra e à sua Palestina, apesar de todas as medidas tomadas por esta ocupação ilegal, uma ocupação que se mantém e continua!
 
Os Palestinianos comemoram os sessenta e sete anos da catástrofe num contexto particular, marcado nomeadamente pela prossecução da ocupação e da colonização, pelo fracasso do processo de paz, pelo predomínio da extrema-direita na sociedade israelita, pela divisão interna e pela ausência de perspectivas para o futuro.     
Sessenta e sete anos, e as forces da ocupação violam os direitos mais fundamentais de um povo, sessenta e sete anos de política de apartheid, de discriminação e do terrorismo de Estado de Israel.
Em 67 ans, Israel aplicou todas as medidas desumanas ilegais contra os Palestinianos, deteve mais de um milhão, massacrou e assassinou milhares e ocupou todos os seus territórios.   .
O Estado de Israel criou o problema dos refugiados palestinianos que vivem em condições humanitárias terríveis nos países vizinhos e que sofrem permanentemente.  
O Estado de Israel é o único Estado que, com o patrocínio das grandes potências internacionais, nunca aplicou nenhuma resolução das Nações Unidas e tampouco os acordos de paz assinados.   
Em 67 anos, Israel foi sempre um Estado ilegal, um Estado fora da lei, um Estado de Apartheid, um Estado colonial, um Estado que considera os cidadãos árabes dos territórios de 1948 como cidadãos de segunda, um Estado que construiu um Muro da Vergonha na Cisjordânia, um Estado que impõe um bloqueio desumano à população civil de Gaza, um Estado que constrói todos os dias novos colonatos  nos Territórios, um Estado que rouba todos os dias os recursos naturais que pertencem aos Palestinianos.
Um Estado que continua a não ter fronteiras, um Estado que recusa todas as iniciativas de paz regionais e internacionais.  
Podemos citar muitos exemplos da história negra desta ocupação contra os Palestinianos: agressões diárias, massacres, deportações, crimes contra a Humanidade, crimes de guerra, a lista é longa, muito longa, demasiado longa.
O último crime israelita em massa contra os Palestinianos foi a última ofensiva militar contra a população civil da Faixa de Gaza no Verão de 2014.
67 anos de resistência notável de toda uma população que prossegue a sua luta para reconquistar a sua liberdade e viver na sua terra com dignidade.
Sessenta e sete anos depois, os Palestinianos interrogam-se: 67 anos de violação dos nossos direitos não bastam? Não terá chegado o momento de reagir e de impor a Israel a aplicação do direito internacional? Não será tempo de instaurar a justiça na Palestina? Será que os Palestinianos não têm o direito de viver, após tantos anos de sofrimento, num Estado livre e independente?
67 anos depois desta catástrofe, nós, Palestinianos, continuaremos a lutar e a sacrificar-nos pela nossa liberdade, sejam quais forem as medidas de apartheid e as formas de terrorismo de Estado praticadas. Estamos mais do que nunca determinados e temos uma mensagem a enviar ao mundo inteiro, uma mensagem clara e concreta. Continuamos a defender os princípios seguintes:
- Não, jamais esqueceremos a história negra desta ocupação ilegal e os seus diversos crimes contra a nossa população civil.
-Não, não sairemos daqui, continuaremos apegados à nossa terra. Não sairemos daqui. Aqui é a nossa terra, aqui é a nossa vida e aqui é a nossa Palestina!
-Sim, o direito de regresso é sagrado e todos os refugiados palestinianos devem poder voltar às suas cidades e às suas aldeias de origem.
-Sim, continuaremos a resistir de todas as formas, para que possamos viver em liberdade na nossa terra, nesta terra que se chama e chamará sempre Palestina.
- Sim, temos o direito de criar o nossos Estado livre e independente, tendo Jerusalém como capital.
-Sim, estamos dispostos a viver em paz, uma paz duradoura, mas uma paz que passe, antes de mais, pela justiça, pela aplicação do direito internacional, pelo fim da ocupação ilegal e pela consecução de todas as reivindicações legítimas do povo palestiniano. 
A luta continua! O combate prossegue! Por uma Palestina livre e por uma Palestina independente! Todos estamos convencidos de que a nossa liberdade se aproxima, se aproxima, se aproxima.
 
Artigo traduzido por Mizé

SESSÃO PÚBLICA EVOCATIVA DO DIA DA NAKBA


Hoje, ás 18:30 h.s Sessão Evocativa do Dia da Nakba , Comparece !
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A guerra contra os refugiados no Mediterrâneo

A guerra contra os refugiados no Mediterrâneo
27 de Abril de 2015. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.
Migrantes do Norte de África recolhidos de um barco virado no Mediterrâneo chegam a Itália a 13 de April de 2015. (Foto: AP)


 
"Num período de menos de uma semana em Abril, dois barcos cheio de migrantes provenientes do Médio Oriente e de África foram deixados afundar no Mar Mediterrâneo, resultando na morte de pelo menos 1300 pessoas. Isto indignou as pessoas em todo o mundo e gerou manifestações em vários países.
Quando, em Outubro de 2013, um barco que transportava refugiados se afundou a pouca distância da ilha italiana de Lampedusa e quase 500 pessoas se afogaram, o mundo não queria acreditar. Essa tragédia apanhou os líderes dos governos da Europa Ocidental com sangue nas mãos. Mas em vez de mostrarem remorso ou vergonha por esse crime, eles tomaram medidas para “dissuadir” os refugiados, as quais causaram agora a perda de ainda mais vidas. Embora chocantes, estas mortes mais recentes não eram inesperadas. E mais do mesmo ou ainda pior poderá vir a acontecer se se deixar continuar a desumana hostilidade contra os migrantes.
O número de refugiados afogados no Mar Mediterrâneo este ano é, até agora, calculado ser entre 1500 e 1750. (BBC, 23 de Abril de 2015) Isso é mais de 50 vezes o número de pessoas que morreram durante os primeiros meses de 2014. O número de mortes tem vindo a aumentar continuamente há vários anos. O número total foi de quase 3500 em 2014, 600 em 2013 e 500 em 2012.
Depois da tragédia de Lampedusa em 2013, a falta de interesse e mesmo a indiferença deliberada dos líderes europeus tornaram-se ainda mais aparentes. Em muitos casos, incluindo este, foram os pescadores locais e não as autoridades que salvaram os refugiados. Depois disso, muitas pessoas e organizações humanitárias exigiram aos líderes europeus mais acção e recursos para ajudar aqueles que arriscam as suas vidas para escaparem a zonas de guerra e de miséria. Mas, em vez disso, os líderes europeus aumentaram as hipóteses de afogamento ao cortarem o financiamento das já insuficientes operações de busca.
Especificamente, em Outubro de 2014 decidiram cancelar a operação Mare Nostrum da Marinha italiana. Diz-se que este programa terá salvado a vida de cerca de 170 mil refugiados em 2014. A Itália anunciou que iria terminar o programa se os outros países europeus não partilhassem os custos, quinhentos milhões de euros por ano. Mas a decisão da UE de substituir as operações de salvamento por uma missão policial foi tomada por razões políticas e não financeiras.
A nova Operação Triton é gerida pela agência europeia de fronteiras Frontex. Segundo o seu director Klaus Rosler, o seu objectivo é “assegurar um controlo efectivo das fronteiras” e “monitorizar as redes criminosas” no Norte de África e não salvar vidas. Com a Operação Triton, a Europa iria fornecer apenas sete navios e três aeronaves para cobrir um milhão de milhas quadradas de mar. Isto foi um acto deliberado para dissuadir os refugiados de tomarem esta rota para a Europa. Os barcos patrulha que estão a ser mobilizados em vez dos navios são demasiado pequenos e não têm equipamento para salvar pessoas. De facto, quando um destes barcos recolheu refugiados encontrados a flutuar na água, a maioria deles morreu por exposição durante a viagem para Itália porque eles foram mantidos num convés aberto e não havia a bordo nenhum pessoal com treino de salvamento.
O governo da Grã-Bretanha tomou a posição mais agressiva contra os refugiados e deixou claro que “não apoiaria nenhuma futura operação de busca e salvamento, incluindo a Triton, alegando que a ajuda iria simplesmente encorajar que mais pessoas arrisquem a travessia”. (The Guardian, 27 de Outubro de 2014) O primeiro-ministro britânico David Cameron declarou quase explicitamente que a UE deveria deixar que os migrantes se afogassem para desencorajar outros de tomarem a rota marítima. Mas todos os governos europeus concordaram com este plano que toda a gente sabia que iria condenar milhares de refugiados à morte. Agora há evidências irrefutáveis de que “cortar os incentivos” através do fim das operações de salvamento não reduziu o número de migrantes que arriscam as suas vidas para atravessar o mar.
Depois das duas tragédias de Abril, os líderes da UE verteram lágrimas de crocodilo, fingindo que as mortes de 1300 homens, mulheres e crianças não eram consequências directas e previsíveis das suas políticas. Culparam os traficantes e contrabandistas pelos resultados dos seus próprios crimes. O Ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, disse: “Nós não podemos e não toleraremos que estes criminosos sacrifiquem vidas humanas em grande escala por pura cobiça”. (The Guardian, 20 de Abril de 2015) Claro que com “pura cobiça” ele não queria dizer o sistema de lucro motivado pela concorrência que conduz a guerras e massacres, à destruição de regiões inteiras e à pilhagem de continentes inteiros.
Philip Hammond, o Secretário britânico dos Negócios Estrangeiros, falou como se fossem os traficantes que forçam as pessoas a abandonar as suas terras. Ele salientou: “Nós temos de visar os traficantes que são responsáveis por tantas pessoas a morrer no mar e impedir que as suas vítimas inocentes sejam enganadas ou forçadas a fazer estas jornadas perigosas.” (The Independent, 20 de Abril de 2015) O presidente francês François Hollande reiterou que “a ênfase deveria ser em desarticular os traficantes de pessoas”. (BBC, 23 de Abril)
Portanto, o coro dos imperialistas europeus e da sua comunicação social está uma vez mais sincronizado para culpar os traficantes pelas consequências das guerras alimentadas pelos imperialistas e pelo funcionamento do sistema capitalista mundial. Os refugiados não estão a tomar esta rota perigosa por causa dos traficantes e dos barcos deles. Se eles acreditam que arriscar a morte por afogamento é a melhor alternativa que têm, isto deve ser entendido como uma acusação ao que o sistema imperialista lhes fez.
A verdade é que o fluxo de refugiados não irá parar enquanto não se puser fim aos factores que levam as pessoas a arriscar a morte. Um crescente número de pessoas têm de abandonar as suas terras ou trabalhos, a sua comunidade e país e a sua família, e de tomar este caminho perigoso, quer os imperialistas permitam ou não o “incentivo” de que eles simplesmente se possam não afogar. O sofrimento económico nos países do terceiro mundo é causado pelo funcionamento do sistema imperialista, e para muitas pessoas a globalização das duas últimas décadas tornou a situação delas ainda mais desesperada. As guerras que massacram pessoas e tornam a vida num inferno para aqueles que sobrevivem também são em grande parte causadas pelo envolvimento imperialista directo ou indirecto. Parece não haver nenhum fim à vista para essas guerras, sobretudo no Médio Oriente e em África. Agora, está-se à espera que pessoas vindas do Iémen – vítimas da intervenção militar liderada pelos sauditas e apoiada por um grupo de porta-aviões dos EUA e pelos principais países ocidentais – se venham a juntar aos refugiados da Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão, Sudão, Somália e outros países. Será que são os traficantes que os estão a forçar a juntar a estas vagas de seres humanos?
O direito a procurar asilo está incluído nos acordos internacionais que quase todos os governos supostamente assinaram. Foi declarado um direito humano. Mas os governos europeus estão a fazer com ele que seja extremamente difícil para pessoas que já passaram por tanto sofrimento devido às guerras e à miséria nos seus próprios países. Por exemplo, a guerra na Síria deslocou cerca de quatro milhões de refugiados, que agora vivem sobretudo em acampamentos temporários nos países vizinhos. Mas os imperialistas, cuja ingerência na Síria em defesa dos seus interesses regionais e globais alimentou a guerra e a ascensão das forças islamitas, estão a recusar-se a conceder asilo aos sírios. Além da Alemanha que devido à sua necessidade de imigrantes e por razões políticas se comprometeu a acolher 30 mil refugiados, os outros 27 países europeus, entre os quais a França e a Grã-Bretanha, só irão aceitar cerca de 10 mil no total – e a Grã-Bretanha apenas 143.
Os estados europeus têm gastado milhares de milhões no controlo de fronteiras e instalaram todo o tipo de barreiras terrestres, como a cerca na fronteira grega com a Turquia. Têm introduzido obstáculos draconianos à entrada legal de pessoas vindas de países pobres. Mesmo quando os refugiados conseguem chegar a um país de destino, são criminalizados e tratados como “seres humanos ilegais”. Como as outras rotas lhes são fechadas, os refugiados são forçados a recorrer às únicas alternativas. De facto, são os imperialistas que estão a criar “oportunidades empresariais” aos traficantes.
Face à indignação pública em Abril, os líderes europeus reuniram-se para lidarem com a situação (a indignação pública, não as mortes). Concordaram em restabelecer o financiamento das operações navais de busca no Mediterrâneo ao nível do último ano. Os detalhes de como isto irá ser implementado não são ainda claros. Mas eles concordaram claramente em “levar a cabo esforços sistemáticos para identificar, capturar e destruir os barcos antes de eles serem usados pelos traficantes”. Isto é mais um pretexto para levar a cabo mais ataques e invasões no Norte de África, mais acções militares e guerras do tipo das que tanto fizeram para criar os refugiados em primeiro lugar – agora disfarçadas de “acções humanitárias”. Como sempre, quando as acções deles e o sistema deles causam situações horríveis, a única resposta deles é usar a máquina mortal deles para lidar com os sintomas. Além disso, eles estão a tentar desviar a atenção das pessoas daqueles que são realmente responsáveis. Isto é vergonhoso. Não os podemos deixar criar mais tragédias.
O sistema capitalista/imperialista é a fonte da miséria das pessoas. As pessoas que não podem aceitar a brutalização e o assassinato de seres humanos seus semelhantes devem visar este sistema, e especialmente revelar o facto de que a “questão” da imigração faz parte do seu funcionamento."

Declaração de guerra do novo governo israelita




Netanyahu acaba de nomear como ministra da justiça Ayelet Shaked, antiga deputada do HaBayit HaYehudi (“Lar Judeu”), partido da extrema-direita israelita. Em 1 de julho de 2014, a agora ministra tinha publicado na sua página facebook um apelo a "não se contentar de matar os terroristas palestinianos, mas a totalidade do povo palestiniano que é nosso inimigo". "É preciso destruir esse povo, incluindo os seus velhos e mulheres, as suas cidades e aldeias, as suas propriedades e infraestruturas", afirmou ela no seu post.
Quanto ao novo ministro da Defesa, Moshe Yaalon, a sua primeira promessa foi a de "matar muitos mais civis palestinianos e de reservar ao Irão a mesma sorte que Hiroshima e Nagasaki". Numa conferência do grupo de advogados Shurat HaDin - especializados em processar pessoas ou associações que defendem os direitos dos palestinianos pelo mundo fora -, Moshe Yaalon declarou que atacaria o conjunto da população civil na próxima ofensiva contra Gaza ou o Líbano. "Também atacaremos as crianças, como fizemos em Gaza", declarou. "Quanto ao Irão, mesmo se ataques cirúrgicos ainda não nos parecem ser adaptados, não hesitaremos em fazer o que fizeram os americamos em Hiroshima e Nagasaki, causando 200 mil vítimas sobre as quais ninguém chorou".
Em relação ao movimento de boicote-sanções-desinvestimento (BDS) contra Israel, recordou que "há dez anos que prefiro não pôr os pés no Reino-Unido ou em Espanha, mesmo se já conseguimos mudar a legislação desses dois países em matéria de competência universal respeitante aos crimes de guerra e crimes contra a humanidade".
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"Nos 70 anos da derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial"



Nos 70 anos da derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial
Celebrar a vitória, defender a paz

Quando se assinala o 70.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) reafirma a sua determinação em prosseguir e intensificar a acção de esclarecimento e mobilização da opinião pública para a defesa da Paz, da segurança e cooperação internacionais e para a amizade e solidariedade entre os povos, dando o seu contributo para que tragédia semelhante à que terminou há 70 anos nunca se venha a repetir.
Perante as ameaças e os perigos que a actual situação internacional comporta – com a disseminação de focos de tensão e conflito, com a crescente tensão entre potências nucleares, com a proliferação de bases militares estrangeiras e uma inédita corrida aos armamentos –, o CPPC realça a necessidade de mobilizar vontades e despertar energias em favor da Paz, do desarmamento, da dissolução dos blocos político-militares, do fim das bases militares estrangeiras, do respeito pela soberania dos estados e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. É este o caminho que interessa à Humanidade. É este o compromisso de sempre do CPPC.
Ao assinalar este aniversário, o CPPC lembra os cerca de 60 milhões de mortos e as muitas outras dezenas de milhões de feridos, estropiados e traumatizados; recorda a máquina de morte e destruição do nazi-fascismo, os campos de concentração, as torturas, os massacres, os assassinatos, as experiências «médicas» e a escravatura. Não esquece os bombardeamentos de populações civis, as bombas atómicas, os danos irreparáveis provocados à saúde das populações envolvidas na guerra, ao património cultural e às infra-estruturas sociais de diversos países.
O CPPC entende ser este o momento indicado para valorizar os que resistiram, que deram a liberdade e a própria vida para pôr fim à guerra, para libertar os povos subjugados, para pôr fim à tirania nazi-fascista. E, também, para realçar os avanços alcançados no pós-guerra pelos povos da Europa e do mundo: à saúde, à educação, à protecção social, à igualdade entre homens e mulheres e, no caso dos povos das colónias e países dependentes, o direito a decidirem soberanamente do seu destino, pondo fim aos impérios coloniais.
Neste aniversário, o CPPC evoca o surgimento, poucos anos após
o fim da guerra, de um movimento da paz democrático, progressista e antifascista, que congregou conhecidas personalidades das artes, da cultura e da ciência, de diferentes nacionalidades, convicções políticas e crenças religiosas. Criado em 1949-50, o Conselho Mundial da Paz (que o CPPC integra) constituiu-se como um pólo agregador de todos os que se opunham e opõem à guerra, às armas nucleares e de destruição massiva, à corrida aos armamentos e às bases militares estrangeiras. O Apelo de Estocolmo, pela proibição das armas nucleares, recolheu muitos milhões de assinaturas em todo o mundo.
Evocar a vitória sobre o nazi-fascismo obriga todos quantos defendem a paz, a liberdade e a solidariedade a repudiar e combater activamente o regresso de valores retrógrados, de tipo fascizante, neocolonial e belicista; a desmascarar os interesses e falsos pretextos que se escondem por detrás das guerras; a intervir com convicção para defender a paz, valor essencial para garantir o bem-estar, o desenvolvimento, a felicidade e a própria vida no planeta.
Sete décadas após esta data histórica, graves ameaças pairam sobre os povos do Mundo: os focos de tensão multiplicam-se, do Médio Oriente à Ásia Central, da Europa de Leste ao Pacífico, de África à América Latina; a tensão das potências ocidentais face à Federação Russa e à China assume proporções inéditas e consequências imprevisíveis; a corrida aos cada vez mais sofisticados e destruidores armamentos e as despesas militares não mostra
m sinais de abrandamento. Em muitos países ressurgem tendências securitárias e antidemocráticas, enquanto que noutros registam-se processos de avanço libertador e democrático. Perante tais perigos e ameaças, é mais importante do que nunca continuar e alargar o campo dos defensores activos da Paz.
Confiando na justeza dos seus ideais e princípios e na construção de um futuro melhor, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma, com inabalável determinação, o seu compromisso de sempre: agir lado a lado com todos os homens e mulheres que resistem e intervêm, no plano nacional e internacional, com a aspiração e a convicção de que é possível um mundo justo, democrático, solidário e de Paz.
A Direcção Nacional do CPPC
8 de Maio de 2015

70º Aniversário da Vitória sobre o fascimo na II guerra mundial

Passamos a divulgar documento do Conselho Mundial da Paz .

"Conselho Mundial da Paz relembra vitória dos povos contra o nazismo

A presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, Socorro Gomes, participa do Encontro entre Organizações Internacionais Democráticas, que comemora o 70º aniversário da vitória dos povos contra o nazifascismo na capital russa, Moscou. Nesta quinta-feira (7), ela participa da mesa-redonda “1945-2015: Anos de Luta, Novos Desafios”. O evento é organizado pela bancada parlamentar do Partido Comunista da Federação Russa.

        
Soldados soviéticos depõem estandartes e pavilhões nazis diante do Mausoleu de Lénin na Praça Vermelha, na parada da vitória em 1945.
O programa do Encontro, do qual participam Socorro Gomes e cinco representantes de organizações-membro do Conselho Mundial da Paz (CMP), aborda, entre esta quinta e sábado (9), as consequências da Segunda Guerra Mundial e a vigorosa resistência dos povos contra o avanço Nazifascista, refletidos ainda na atualidade, quando se faz premente o fortalecimento e a unidade popular internacional na luta anti-imperialista. Além de Socorro Gomes, integram a delegação do CMP o secretário geral Athanassis Pafilis; Alfred Marder e Hery Lowendorf, do Conselho da Paz dos EUA), Pallab Sengupta, do Conselho da Paz da India; Filipe Nuno Ferreira, do Conselho Português para a Paz e a Cooperação de Portugal e Christopher Matlhako, da Organização de Paz da Africa do Sul.

O tema é central para o Conselho Mundial da Paz, que nasceu precisamente no bojo dos movimentos de resistência, no pós-guerra, com o compromisso de fazer avançar a luta dos povos pela paz, por justiça social, contra as guerras, o colonialismo e o imperialismo. Neste ano, em que o CMP também comemora seu 65º aniversário, a importância da trajetória histórica de resistência determinada contra os avanços das grandes potências contra os povos de todo o mundo é enfatizada em eventos como o que ocorre em Moscou.

Apontando para o papel central desempenhado pelo Exército Vermelho soviético na derrota contra o Nazifascismo, Socorro Gomes sublinhou, em sua intervenção, a disseminação da resistência popular contra o retrocesso civilizacional imposto pelas forças alemãs, italianas e japonesas, em episódios que mancharam a história da Humanidade, mas também mostraram o competência da luta dos povos contra a dominação. Socorro recordou as mais de 50 milhões de vítimas da Segunda Guerra Mundial e a devastação provocada pelo grande conflito, enfatizando:

“Os povos da União Soviética pagaram um terrível preço, com a vida de 27 milhões de pessoas e a insólita destruição de milhares de cidades, povoados, lares e fábricas. Inclinamos nossas bandeiras ante o sacrifício dos povos, aos mártires civis e militares que perderam suas vidas, muitos deles vítimas de inomináveis crimes, na luta para libertar a humanidade do nazifascismo, defender as liberdades democráticas, os direitos sociais, a soberania nacional e reconquistar a paz.”

A presidenta do CMP fez menção às resistências entre as amplas camadas da população, organizações sociais e partidos políticos, nos diversos países europeus ocupados ou ameaçados pelo avanço nazifascista e também da Ásia, contra a agressiva ação do Japão imperialista.

Neste sentido, sublinhou a importância do episódio histórico - a vitória dos povos contra o nazifascismo - para a atual luta internacional contra o imperialismo e as novas ameaças de guerra que se espalham pelo mundo. Socorro ressaltou o papel dos Estados Unidos como a potência imperialista representativa desta ameaça, junto com instrumentos de guerra como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e aliados como Israel, que apresentam especial risco ao Leste Europeu e ao Oriente Médio.

A dissolução da Otan e a abolição das bases militares espalhadas pelo mundo pelos Estados Unidos, o fim das intervenções e agressões imperialistas contra povos inteiros e a reforma das instituições mundiais, criadas para a garantia mínima do direito internacional, também foram levantadas por Socorro como bandeiras centrais e atuais do movimento internacional pela paz. Por isso, durante o evento, as diversas organizações reúnem-se para debater ações e a unidade em torno dos objetivos da paz e do anti-imperialismo, com o respeito à soberania dos povos e à liberdade contra a dominação.

Leia a íntegra do discurso de Socorro Gomes na Duma Federal da Rússia:

A vitória sobre o nazifascismo: glorioso acontecimento na história da humanidade
O Conselho Mundial da Paz sente-se honrado de participar neste evento para celebrar o 70º aniversário de um dos acontecimentos mais gloriosos da história da Humanidade - a vitória dos povos sobre o nazifascismo, uma conquista das forças da paz, da democracia, da solidariedade e do progresso social.

A Segunda Guerra Mundial foi uma tragédia que custou a vida a mais de 50 milhões de pessoas e devastou principalmente a Europa, causando a destruição da infraestrutura e dos lares e impondo horrendas consequências à população.

Inclinamos nossas bandeiras ante o sacrifício dos povos, aos mártires civis e militares que perderam suas vidas, muitos deles vítimas de inomináveis crimes, na luta para libertar a humanidade do nazi-fascismo, defender as liberdades democráticas, os direitos sociais, a soberania nacional e reconquistar a paz.

Os povos da União Soviética pagaram um terrível preço, com a vida de 27 milhões de pessoas e a insólita destruição de milhares de cidades, povoados, lares e fábricas.

As vitórias do Exército Vermelho nas históricas batalhas de Moscou, Stalingrado, Kursk e Berlim permanecerão indelevelmente marcadas na memória da humanidade, como o tributo dos povos soviéticos para a causa da libertação.

A vitória sobre o nazifascismo foi fruto das heroicas ações nos campos de batalha e da união dos povos e das forças democráticas no âmbito de cada país, além da ação de uma grande aliança internacional, de que fizeram parte a União Soviética, o Reino Unido e os Estados Unidos.

Um poderoso fator para a vitória foi o combate dos povos dos países ocupados pelo fascismo, que organizaram a luta guerrilheira e a resistência entre as amplas camadas da população, organizações sociais e partidos políticos. No continente europeu, as resistências populares italiana, francesa, albanesa, belga, grega, holandesa, húngara, norueguesa, iugoslava, romena, polonesa, dinamarquesa, austríaca, tchecoeslovaca, britânica e mais de uma dezena de movimentos alemães antinazistas foram resolutas no enfrentamento às invasões e às ocupações dos seus países.

No restante do mundo, os povos também se levantaram contra a brutal ofensiva alemã, italiana e japonesa. Foi o caso dos movimentos de resistência na Ásia - na China, Índia, Coreia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Cingapura, Filipinas, e dos movimentos japoneses de oposição à guerra. Entre os latino-americanos, foi intensa a luta antifascista e a mobilização de forças para se incorporarem ao esforço de guerra dos aliados alcançou êxito em diferentes países.

A vitória foi, assim, a expressão e o resultado da fraternidade internacionalista entre os povos, na busca pela liberdade, a democracia, a independência e a justiça.

A Segunda Guerra Mundial eclodiu como um confronto entre as grandes potências capitalistas, tendo sido provocada pelos países mais agressivos – a Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão.

O grande conflito foi o resultado do desenvolvimento desigual no mundo capitalista. A luta por mercados e fontes de matérias primas era o pano de fundo que empurrava as potências capitalistas à guerra por uma nova divisão do mundo por meio da violência.

Tendo sua origem nas contradições entre países imperialistas, a Segunda Guerra Mundial foi gradualmente mudando de caráter. Os povos dos países ocupados, principalmente a partir da agressão nazista à União Soviética, ergueram-se na resistência popular-nacional antifascista, passando a realizar uma justa luta democrática e de libertação nacional.

Os próprios Estados capitalistas, a partir do desencadeamento da guerra, viram-se confrontados com uma ameaça à sua própria soberania nacional, o que criou condições para a formação de um amplo e poderoso movimento patriótico e antifascista.

Revoluções democráticas, populares e de libertação nacional foram vitoriosas. O caráter libertador da luta antifascista dos povos, o papel decisivo da União Soviética e das massas trabalhadoras e populares na vitória e a derrocada do fascismo deram impulso aos movimentos democráticos e socialistas em todo o mundo. Debilitou-se o sistema colonialista. Tudo isso acarretou uma nova correlação de forças favorável ao avanço das lutas pela paz. As forças da democracia, da paz e do progresso social saíram fortalecidas, acarretando importantes transformações geopolíticas.

Neste quadro, o imperialismo estadunidense inicia uma contraofensiva para assegurar posições hegemônicas e ordenar o sistema internacional segundo seus próprios interesses. O lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki pela aviação estadunidense foi o ato inaugural da nova ordem que os Estados Unidos pretendiam impor.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial até os nossos dias, o imperialismo estadunidense seguiu uma política e praticou ações contrárias aos interesses dos povos, da democracia, da independência nacional e da paz mundial. Foi esse imperialismo que desencadeou as agressões contra a Coreia, o Vietnã e demais países da Indochina, no Oriente Médio, na África, e fomentou golpes militares na América Latina. Foi também esse imperialismo que mais tarde, a partir do final do século 20 e início do século 21, agrediu e destruiu a Iugoslávia, fez duas guerras contra o Iraque, invadiu o Afeganistão, destruiu a Líbia e confirmou sua condição de potência corresponsável pelo martírio do povo palestino ao apoiar a ocupação sionista israelense.

Desde o fim do conflito, o imperialismo estadunidense fomentou a corrida armamentista, intensificou a produção de armas nucleares, espalhou bases militares em todos os continentes, promoveu intervenções de diferentes tipos, numa constante ameaça à paz mundial e à segurança internacional.

Este imperialismo cravou as suas garras em todos os continentes, saqueou as riquezas nacionais dos povos, impôs seu modelo econômico e políticas escravizadoras e neocolonialistas. Organizou sua política externa com o objetivo de desestabilizar os países socialistas e anti-imperialistas, concentrou suas energias no cerco e destruição da União Soviética durante o período da chamada Guerra Fria.

Um dos principais aspectos da ação imperialista é a militarização, que cobrou impulso a partir da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em abril de 1949, originalmente com a participação dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Portugal, Dinamarca, Noruega, Islândia e Itália, ampliando-se logo em seguida, em 1952, com a presença da Turquia, Grécia e República Federal da Alemanha.

A organização tem hoje 28 Estados membros da América do Norte e da Europa. Outros 22 países estão engajados no chamado Conselho de Parceria Euro-Atlântico. Ao seu lado, outros 19 países estão ligados à Otan através de programas como o “Diálogo do Mediterrâneo”, a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” ou a “Parceria para a Paz”.

Desde 1991, a Otan expandiu o quadro de membros e o teatro de operações, o que por si só revela o seu objetivo fundamental de ser uma ferramenta primordial na dominação imperialista ocidental sobre o planeta, uma inimiga da paz, comprometida com as doutrinas do primeiro ataque e dos ataques preventivos. Como uma aliança militar ofensiva, a Otan está sempre pronta para intervir antes mesmo de a diplomacia ter sua chance, caso ela seja de interesse das potências imperialistas. O agigantamento da Otan, que a torna mais poderosa, agressiva e intervencionista – como a atual crise na Ucrânia demonstra – constituem um fator ponderável para aumentar a instabilidade, as turbulências e o perigo de guerra.

No momento em que comemoramos o 70º aniversário da vitória sobre o nazifascismo, o mundo enfrenta novos perigos, as intervenções militares se repetem, a paz é ameaçada, e o fascismo volta a se apresentar com novas e velhas roupagens. Mais do que nunca, impõe-se extrair as lições da experiência histórica e adquirir elementos de convicção para unir as forças democráticas e progressistas a fim de impedir que ocorram novas tragédias. Os fatos evidenciam o caráter desestabilizador e potencialmente destrutivo das políticas agressivas dos EUA e seus aliados na Otan. Tendo fracassado na criação de um ambiente de hostilidade no passado recente, como foi o caso do conflito na Geórgia, os EUA coordenam agora as forças reacionárias e fascistas para tentar cercar a Rússia, a exemplo da crise instalada na Ucrânia. Mais uma vez, os povos pagam o preço: o sofrimento infringido aos civis ainda é inestimável e a turbulência no leste europeu traz grande retrocesso à construção da paz na região, com a reinstalação das forças fascistas, a soldo do imperialismo.

O mundo de hoje é cenário de uma situação instável e crítica. As grandes conquistas democráticas do período do imediato pós-guerra, a independência nacional, os valores civilizacionais sofreram brutal retrocesso a partir da década de 1990 do século passado, quando o traço principal da situação passou a ser uma intensa e abrangente ofensiva do imperialismo estadunidense e seus aliados para assegurar posições de domínio no mundo.

Para além das políticas intervencionistas e militaristas, fazem parte dessa ofensiva o ataque aos direitos dos trabalhadores e povos como “saída” da crise do capitalismo, os golpes na democracia, o racismo, a xenofobia, a falsificação da história.

Num quadro internacional em mutação, está em jogo uma nova divisão do mundo, o saque das riquezas nacionais, a ocupação de territórios, a implantação de uma ordem imperial que além de ter globalizado a economia e padronizado os comportamentos, pretende uniformizar os regimes políticos, a vida cultural, a ideologia reacionária como pensamento único.

Malgrado a retirada das tropas estadunidenses e da Otan do Iraque e outras recentes flexões táticas na política externa norte-americana, a humanidade continua confrontada por uma feroz investida do imperialismo estadunidense para impor sua vontade no mundo, o que faz crescer o intervencionismo, as ameaças e as agressões.

O direito internacional e as instituições criadas para assegurar o exercício de relações internacionais equilibradas não subsistem como tais, em decorrência da instrumentalização pelos interesses de potências hegemônicas. A Organização das Nações Unidas, criada para promover a coexistência pacífica entre nações soberanas, assegurar o equilíbrio no mundo, garantir a aplicação das normas do Direito Internacional, dirimir os conflitos internacionais e promover a paz mundial, atua sob pressão das potências imperialistas que cada vez mais impõem o seu ditame no mundo pela força.

A política hegemonista do imperialismo destrói países, devasta nações antes prósperas, derruba governos legítimos, assassina presidentes eleitos, substitui o diálogo pela força implantando o terror, sob o pretexto de combater o terrorismo, com a finalidade de garantir seus desígnios de domínio e saque. Esta política é a principal ameaça à paz e é o principal fator da instabilidade, dos desequilíbrios e das crises políticas, diplomáticas e militares no mundo.

Por outro lado, é preciso reconhecer importantes transformações na situação internacional, em que se fortalecem profundas demandas emancipatórias que colocam em questão a política dominante e a desigual distribuição do poder. Embora os EUA ainda detenham a maior força econômica e militar, assim como a maior influência política, há elementos na situação que fazem crer que se trata de uma potência em declínio, que já não pode fazer o que quer, pois se confronta com a resistência dos povos e de nações que defendem a paz.

Também notamos o surgimento de novos polos de poder político, econômico e militar, cuja expressão maior é a ascensão vertiginosa da China, o fortalecimento do poder nacional da Rússia, depois de um momento de desagregação e de crise econômico-financeira, e a emergência de uma América Latina fortalecida por posições democráticas e independentistas.

No processo emancipatório, verificamos o agravamento dos conflitos sociais, das contradições entre os países da África, Ásia e América Latina e a dominação imperialista. Estão em curso lutas de variados tipos e intensidades, nos mais diversificados cenários, revelando as potencialidades dos povos e das forças da paz, que se insurgem contra a opressão, o intervencionismo, o militarismo e o belicismo.

No curso dessas lutas, emerge e fortalece-se a solidariedade internacional e a unidade em torno de reivindicações de interesse comum pelo fim das bases militares estrangeiras em países soberanos, pela abolição das armas de destruição em massa, pela dissolução da Otan, pela democratização das relações internacionais com o resgate dos preceitos da carta da ONU, pela autodeterminação dos povos e a solução pacífica dos conflitos internacionais, pelo fim das políticas intervencionistas e das guerras de agressão.

O Conselho Mundial da Paz, fundado no imediato pós-guerra para conjurar o perigo de nova catástrofe de proporções ainda maiores, com a ameaça do conflito nuclear, ao fazer essas reflexões sobre o passado e o presente, invoca o heroísmo dos povos e da resistência antifascista nas suas lutas atuais e na renovação do seu compromisso pela paz a libertação da humanidade."

Fonte: Cebrapaz

Mais uma vitória da campanha de boicote cultural a Israel

 
"O grupo de teatro belga CAMPO cancelou a sua representação no festival de Jerusalém patrocinado pelo Estado de Israel. A decisão foi tomada de um dia para o outro, logo após terem recebido um apelo da BACBI, Campanha belga pelo boicote académico e cultural a Israel.
“Fortalecer esta plataforma é actualmente a opção mais lógica. Um sector cultural unido é mais importante do que uma acção a solo”, diz a declaração de CAMPO. “Esperamos transmitir uma mensagem forte, talvez mais forte do que a pretendida inicialmente”. (Os ganhos da representação estavam destinados à formação de jovens bailarinos palestinianos a viver na Europa).
Eyal Sher, o director do festival, reconheceu que o programa teve de ser encurtado devido às muitas desistências que ocorreram depois do massacre do verão passado em Gaza e do crescimento da campanha de boicote.

Fonte e mais informação: http://electronicintifada.net/blogs/ali-abunimah/belgian-theater-group-pulls-out-israel-festival-after-boycott-call"
  
 Boicote de sentido contrário, Solidariedade...é necessário a sua multiplicação.

Ciclo de Cinema Cubano


Os "esquadrões da morte" uniformizados dos Estados des-Unidos

Políticos e sabichões dos media classificam como um "alerta" a violência que estalou em Baltimore após a morte do afro-americano Freddie Gray devido à ruptura da sua coluna vertebral. Contudo, estes auto-designados "peritos" quanto ao colapso social dos pobres – principalmente trabalhadores afro-americanos de bairros de todos os Estados Unidos – evitam falar acerca das razões reais porque cidades de todo o país estão a explodir em protestos e a recorrer a motins toda a vez que um jovem afro-americano é assassinado pela polícia. Os EUA, tal como as ditaduras fascistas na América Latina durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, estão agora infestados com "esquadrões da morte" policiais. Responsáveis uniformizados da aplicação da lei agora actuam como juízes, júris e carrascos, administrando sentenças de morte nas ruas de Fergunson, Missouri, subúrbio de St. Louis; New York City; North Charleston, South Carolina; Baltimore e outras cidades de todos os Estados des-Unidos.
 
 
      
Parte da razão para o surgimento de esquadrões da morte oficialmente admitidos nas fileiras da polícia dos EUA é a constante militarização do estado americano, das cidades, dos municípios e de forças policiais de pequenas cidades desde o ataque do 11/Set. De acordo com o chamado " programa 1033 " , o Pentágono forneceu à polícia toda espécie de excedentes de guerra, desde veículos blindados para pessoal (conhecidos como veículos Mine-Resistant Ambush-Protected ou "MRAPS") até rifles M-16 de qualidade militar e blindados Humvees. Alguns destes equipamentos estavam à plena vista em Ferguson, Missouri, durante os protestos quanto à morte a tiro do adolescente afro-americano Michael Brown por um polícia branco.

Porque Baltimore, ao contrário de St. Louis e North Charleston, é considerada como fazendo parte da área da capital nacional de Washington, DC, os media corporativos dos EUA e responsáveis do governo reagiram ao grupo tumultuoso de estudantes afro-americanos do ensino secundário que acompanhou o funeral de Gray com a espécie de alarme existencial habitualmente destinado a nações-estado "ameaçadoras" como o Irão, Venezuela e Coreia do Norte. Os media exprimiram mais simpatia para com a farmácia da cadeia CVS saqueada durante a disputa do que para com a família de Gray, a qual estava a pedir calma e paz. 

 
     
A polícia de Baltimore estava ansiosa por um confronto com a população afro-americana de Baltimore que fervia em silêncio e decidiu travar autocarros escolares que transportavam alunos afro-americanos de volta às suas casas. A polícia também lançou bloqueadores de tráfego nas ruas de Baltimore. Os alunos do secundário foram forçados pela polícia a abandonarem seus autocarros. A polícia então encurralou os jovens numa área na vizinhança de Mondawman. A estação do metro nas proximidades foi fechada pela polícia e os alunos foram impedidos de voltarem para casa tanto pelos autocarros escolares como pelos autocarros de transporte público ou pelo metro. Todas as testemunhas oculares, pais dos alunos e professores da escola verificaram o facto de que os alunos foram ilegalmente detidos pela polícia. Quando uns poucos deles começaram a atirar pedras à polícia, a polícia lançou pedras e rochas de volta sobre os jovens os quais, deveria ser enfatizado, foram inicialmente provocados pela táctica mão pesada da polícia de interromper todo o transporte local.

Basicamente, a polícia de Baltimore adoptou as tácticas usadas diariamente pela polícia israelense contra palestinos na Cisjordânia: vedar rotas de trânsito, encurralar a população alvo e responder com força esmagadora e, frequentemente, violência brutal. De facto, a polícia de Baltimore, assim como a Polícia do Município de St. Louis que reagiu à situação de Ferguson, recebeu treino israelense em imposição da lei e "contra-terrorismo", incluindo a utilização de armas de som tipo dispositivo acústico de longo alcance (long range acoustic device, LRAD ), utilização de cercas portáteis anti-multidão e instrução em artes marciais
Krav Maga , da polícia israelense e da Força de Defesa Israelense. Este treino foi cortesia de programas apoiados pelas proto-fascistas Anti-Defamation League ( ADL ) e Jewish Institute for National Security Affairs ( JINSA ) . A ADL anteriormente compilou ficheiros com dados maciços de americanos dissidentes, líderes de direitos civis e clero cristão anti-guerra para as polícias federal e estaduais. Oficiais de polícia reformados que receberam treino em Israel patrocinado pela ADL foram à televisão proclamar ser a "demonstração de força" da polícia e do exército em Baltimore o modelo para o resto do país.
A polícia de Baltimore justificou suas acções extrema afirmando falsamente que os gangs negros, os Bloods and Crips, estavam a vir para a cidade a fim de incitar a violência. A fonte do rumor eram mensagens sem fundamento postadas nos media sociais, provavelmente com origem na unidade de inteligência da polícia de Baltimore. Os gangs responderam às alegações dizendo que não tinham tais planos.

A mensagem para as minorias da América era clara: a polícia continua livre para sumariamente executar civis à vontade e quaisquer protestos, venham eles de ghetos negros, barrios hispânicos ou reservas de nativos americanos, serão recebidos com força policial esmagadora ou "pavor e choque".

O governador republicano de Maryland, Larry Hogan, despachou centenas de tropas da Guarda Nacional de Maryland para Baltimore para trabalhar com a polícia de Baltimore e de jurisdições externas a fim de impor um recolher obrigatório. O jogo de bola ao cesto Baltimore Orioles-Chicago White Sox programado em Camden Yards foi proibido àqueles que já tinham bilhetes de entrada, a primeira vez na história que um grande jogo de bola ao cesto foi jogado diante de um estádio vazio. Uma sequência de fim-de-semana planeada para ser jogada em Camden Yards entre os Orioles e os Tampa Bay Rays foi transferida para St. Petersburg, na Florida. Se isto soa como as "punições colectivas" administradas por Israel a palestinos em Gaza e na Cisjordânia, foi exactamente daí que as autoridades de Baltimore e Maryland tiveram a ideia.

As perturbações que se seguiram ao funeral de Gray foram antecedidas na noite anterior por uma confrontação entre a polícia e torcedores afro-americanos que saíam do estádio Camden Yards. A solução para as autoridades: punição colectiva para a maioria da população afro-americana de Baltimore. Cada vez mais, afro-americanos, hispânicos e nativos americanos estão a tornar-se os "palestinos" da América, povo disponível para a polícia a qualquer hora e qualquer dia "praticar tiro ao alvo".

O governador republicano de Nova Jersey, Chris Christie, candidato presidencial em 2016, antigo promotor federal que tem tanto de arrogância quanto de peso, despachou para Baltimore soldados de cavalaria da Polícia Estadual de Nova Jersey a fim de ajudar a impor a lei. A utilização de polícia de fora do estado em Baltimore para reforçar a da cidade foi uma ilustração cabal dos laços estreitos existentes entre agências de imposição da lei de todo o país em apoio da "linha azul" e de agentes de polícia que enfrentam investigações sobre execuções extra-judiciais de cidadãos. Tal como visto em outros incidentes por todo o país, a associação Ordem Fraternal da Polícia e as divisões de assuntos internos dos departamentos de polícia encarregados de investigar brutalidades policiais frequentemente conspiram para encobrir provas do mau comportamento da polícia. Enquanto isso, líderes políticos americanos estão a receitar soluções "placebo" como câmaras nos organismos policiais para resolver a questão da brutalidade da polícia. As câmaras não resolverão os problemas subjacentes de alto desemprego nas áreas da polícia inclinadas à violência sobre cidadãos nem resolverão o facto de que os Estados Unidos têm a mais alta população prisional per capita do mundo, com cerca de 2,2 milhões de presos, principalmente afro-americanos homens, cumprindo longas penas por crimes não violentos relacionados com drogas.

Os media corporativos e políticos republicanos, incluindo o governador Hogan, consideram desportivo, tal como o fizeram em relação a membros afro-americanos da assembleia municipal em St. Louis e de outras cidades, atacar a presidente da municipalidade Stephanie Rawlings-Blake como "incompetente" por permitir que as coisas na sua cidade "saíssem do controle" sem uma demonstração de força maciça e imediata. Seu colega, o presidente da municipalidade de Filadelfia Michael Nutter, defendeu suas acções em Baltimore. É uma prática habitual utilizada pelos oligarcas republicanos retratar a minoria dos democratas que detém um posto electivo como "fracos quanto ao crime" a fim de conseguir pontos políticos fáceis com o assassínio de cidadãos minoritários pela polícia.

Após os tumultos que varreram cidades americanas em 1968 a seguir ao assassínio do reverendo Martin Luther King, no que é agora considerado por muitos como tendo sido uma conspiração do governo envolvendo o FBI a fim de silenciar aquele líder dos direitos civis, o presidente Lyndon Johnson respondeu: "O que você esperava? Não sei porque está tão surpreendido. Quando você coloca o seu pé sobre o pescoço de um homem, subjuga-o durante trezentos anos e então deixa que se levante, o que é que ele vai fazer? Ele vai golpear o que o bloqueou".

Quase 50 anos depois, a polícia americana continua a visar afro-americanos com tácticas de "esquadrões da morte" outrora populares entre as mais repressivas e asquerosas ditaduras fascistas da América Latina, com líderes de municipalidades que foram provocados pelas mesmas agências estado-unidenses envolvidas no assassinado de Luther King e hoje com a militarização da polícia america .
por Wayne Madsen [*]        
30/Abril/2015

Ver também:
www.killedbypolice.net         [*] Jornalista.       
O original encontra-se em
www.strategic-culture.org/...        
       

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

FREE MUMIA


Dia 24 de Abril, Mumia Abu-Jamal passou mais um se aniversário na prisão, com a particularidade do seu estado de saúde se ter vindo a agravar nestes últimos meses , sendo-lhe dificultado a assistência médica de modo a abreviar-lhe a existência .
A liberdade de Mumia, mais do que nunca é uma bandeira de todos os amantes da liberdade, só a sua libertação poderá salvá-lo .

Notícias sobre o estado de saúde de Mumia


 Últimas notícias do estado de saúde de Mumia, dão uma imagem da gravidade ,
e dos objectivos nebulosos do sistema prisional e polícia americana de continuarem a matá-lo todos os dias. justificando-se a intensificação de iniciativas de denúncia e de solidariedade para com este companheiro .

Quinta-feira, 30 abril:
Uma atualização médica de Mumia  através do seu advogado, Bret Grote:
Eu tive hoje um telefonema legal com Mumia . Nessa chamada informei-o  do parecer médico do médico que Mumia tinha escolhido para ajudar no seu diagnóstico e tratamento. Ele me autorizou a compartilhar o seguinte:
O médico, estamos trabalhando como está recomendando, que Mumia a ser visto por um Oncologista e dado um workup malignidade oculta, incluindo uma pele Biópsia, a fim de detectar a presença potencial de um cancro escondido .
Este propedêutica deve procurar um linfoma, incluindo a forma esfoliativa / Eczematosas de linfoma de células T cutâneo. Isto é especialmente dado que os registros médicos obtidos nesta semana indicam que uma tomografia computadorizada de 15 de abril de 2015 mostrou linfonodos anormais na virilha e em torno da aorta.
É imperativo que Mumia obter um diagnóstico da doença de base, seja ela qual for, que tenha sido responsável pela erupção cutânea grave que durou vários meses para que um plano de tratamento poder ser desenvolvido e implementado imediatamente.
Mumia me disse hoje, que na prisão pessoal o médico veio vê-lo pelas 14:00 h.s ontem para verificar os seus nódulos linfáticos e dizer-lhe que pode fazer uma biópsia. Isso ocorreu cerca de duas horas depois eu enviei o DOC das recomendações do médico a Mumia para que ele seja visto por um oncologista, Dado um workup malignidade oculta, incluindo uma biópsia, e busca da presença de um linfoma. Irá visitar Mumia amanhã.
Mumia ainda está na enfermaria. Ele não está mais sendo dada Ciclosporina. Seus membros inferiores ainda estão inchados, mas não tão Severamente como eram há alguns dias ele relata. Sua condição da pele está na mesma que tem sido, com uma erupção em boa parte de seu corpo, extremamente seca, coceira, descamação e seus níveis de açúcar no sangue têm sido estáveis . 
Ele não está mais sujeito a insulina, mas está tomando glucophage duas vezes por dia.
Mumia envia seu amor a todos.
Em solidariedade,
Bret

Israel "alvejou diretamente" durante os ataques de drones contra Gaza


Depois do relatório da Amnistia Internacional publicado em …, onde a organização acusava o Hamas de crimes de guerra, em particular por usar armas com pouca precisão, é agora publicado um relatório da DCI Palestine onde se vê como Israel, nunca condenado pelos seus crimes de guerra e contra a humanidade ao longo destes 70 anos, utilizou com precisão as suas armas sofisticadíssimas no grande massacre em Gaza no verão de 2014.


Israel tomou por alvo deliberadamente crianças em Gaza no verão passado, segundo um novo relatório do organismo internacional de defesa das crianças palestinianas DCI – Palestine .

    "Entre os 2.220 palestinianos mortos durante os 51 dias da campanha de bombardeamento, pelo menos 1.492 eram civis, incluindo 547 crianças.

Um total de 535 dessas crianças foram mortas por causa de ataques directos provenientes de Israel. 68% das crianças mortas por Israel em Gaza tinham menos de 12 anos segundo o relatório.

Além disso, 3.374 crianças foram feridas, incluindo 1.000 que ficaram inválidas para o resto da vida, com necessidade de cuidados médicos, inacessíveis em Gaza, por causa de um cerco israelita devastador que tem de ser levantado desde já. Mais 373.000 crianças sofrem de traumatismos profundos e precisam desesperadamente de um apoio psicológico que falta gravemente na faixa de Gaza.


Não havia nenhum lugar seguro para as crianças

Em termos políticos, Israel alvejou deliberadamente e sem distinção espaços onde é suposto as crianças estarem mais em segurança. Tais actos violam as leis internacionais e são crimes contra a humanidade, segundo o relatório.

As crianças foram esmagadas até à morte quando estavam abrigadas em suas casas, desmembradas quando dormiam nas suas camas, e cortadas em pedaços quando brincavam nos seus jardins. Pelo menos 18 crianças foram mortas em ataques israelitas que visavam escolas. Para as crianças de Gaza, não existe nenhum lugar de protecção contra a violência israelita.

O que é tão perturbador como o lugar onde as crianças foram mortas, é a panóplia de armas que Israel usou contra elas.


Divisão das mortes infantis durante a ofensiva “Operação de protecção das barreiras” em função do tipo de ataque

Pelo menos 225 crianças foram mortas por ataques aéreos “quando estavam nas suas casas, ou procuravam um abrigo, a maioria estava sentada para almoçar com a família, brincar ou dormir, indica o relatório.

Um inquérito realizado pela Associated Press relata informações semelhantes, mostrando que 844 palestinianos, mais de metade do total de civis mortos em Gaza no verão passado, foram mortos por ataques aéreos israelitas sobre casas de civis, “incluindo 19 bebés e 108 crianças entre 1 e 5 anos”.

Israel tenta justificar o facto de ter tomado por alvo a população de Gaza argumentando, sem provas, que os combatentes da resistência palestiniana utilizam civis como escudos humanos, não dando assim outra opção a Israel que atirar sobre crianças. DCI- Palestine criticou firmemente esta declaração, respondendo:

A retórica proclamada pelos representantes israelitas relativamente aos escudos humanos durante a ofensiva militar não constitui senão uma generalização, o que é pouco credível em relação ao cálculo preciso requerido pelos Direitos Humanos Internacionais, determinando se uma coisa é de facto um objecto militar. Mesmo se existisse uma prova de que o Hamas ou outros grupos de palestinianos armados utilizassem civis como escudos humanos, isso não retira a Israel sob nenhuma circunstância as suas obrigações com respeito aos Direitos Internacionais e isso não justifica um ataque contra os civis ou os lugares públicos.

Na realidade, é Israel que tem uma longa história bem conhecida no que diz respeito à utilização das crianças palestinianas como escudos humanos, e o ataque do verão passado não era uma excepção, como vem detalhado no relatório publicado por DCI- Palestine.

DCI-Palestine atribui os ataques deliberados e sem distinções sobre as casas de civis e escolas de Gaza à doutrina Dahiya. Assim chamada por referência ao bairro Dahiya em Beirute, que foi intencionalmente devastado por Israel durante o seu ataque ao Líbano em 2006, a doutrina Dahiya refere-se à política do exército de Estado que usa as suas forças opressivas contra as infraestruturas civis.

A acusação sem fundamento de “escudos humanos” feita por Israel contra os palestinianos é uma tentativa para dissimular uma política militar que viola sistematicamente as leis internacionais.


“Directamente visados” por drones

Mais 164 crianças foram “directamente alvejadas” e mortas ilegalmente nos ataques de drones israelitas sobre as suas casas e na rua quando tentavam fugir para se protegerem, segundo a DCI-Palestine.

DCI-Palestine estava particularmente alarmada pelo número muito elevado de crianças alvejadas durante os ataques de drones, porque os drones israelitas dão imagens em alta definição dos indivíduos visíveis e em tempo real. Além disso, os representantes israelitas vangloriam-se muitas vezes dos ataques dos drones que eles consideram superiores aos outros métodos de guerra, graça à sua precisão cirúrgica, declara a DCI-Palestine, sugerindo que Israel alvejou deliberadamente crianças durante os ataques de drones.

Um dos vários casos evidenciados pelo relatório da DCI Palestine é a morte de uma criança de 9 anos, Rabi Qasem Rabi Abu Ras, que foi desmembrada por um míssil de drone israelita, alvejando-a enquanto ela corria para a ambulância, após a aterragem de um obus perto dela e da sua mãe.

“Os seus braços e pernas foram cortados. A parte superior do seu corpo ficou separada da parte inferior, que foi em seguida rasgada em pequenos pedaços. Gritei”, contou a mãe, Aisha Abu Ras, numa entrevista à DCI Palestine. “Corri até à ambulância, falei disso aos enfermeiros, mas eles disseram-me que não podiam aproximar-se dos lugares sem uma coordenação prévia com o exército israelita”.

Aisha e Rabi dirigiam-se para um refúgio das Nações Unidas, depois de ter recuperado alguns dos seus bens, e fugiam para Um Nasr, uma cidade no norte de Gaza, perto da fronteira com Israel.
[…]

Durante a última década, a utilização por Israel de uma guerra robótica contra os palestinianos intensificou-se de forma dramática, com cada ataque militar a Gaza muito mais dependente dos drones que os precedentes. 37% ou 840 indivíduos foram mortos unicamente pelos ataques de drones, durante o ataque do verão passado.

Enquanto maior exportador de drones, Israel beneficia imenso da tecnologia utilizada para matar as crianças.


“Uma crise humanitária criada pelo homem”

As bombas pararam neste momento mas as crianças continuam a sofrer por causa do cerco israelita que dura há 8 anos, imposto em parceria com o Egipto.
[…]

Desde a redução a ruínas de uma grande parte da faixa de Gaza, Israel recusa a autorização de entrada de materiais de reconstrução desesperadamente necessários em Gaza, abandonando 108.000 indivíduos, a maioria deles crianças sem abrigo.

Em consequência, quatro crianças de tenra idade cujas casas foram destruídas por Israel no ano passado, morreram de hipotermia, devido à ausência de refúgio.
[…]


Em guerra contra um ghetto

A ferocidade da violência israelita contra as crianças palestinianas atingiu novos limites em 2014, mas a DCI Palestine sublinha que a brutalidade faz parte de uma campanha sistemática.
[…]

Gaza é o lar de 1,8 milhões de palestinianos dos quais 80% são refugiados. Até hoje as suas famílias foram expulsas de força de Israel e estão proibidas de lá voltar pelo facto de não serem judeus.
Entretanto, 43% dos habitantes de Gaza têm menos de 14 anos. A guerra contínua em Gaza é essencialmente uma guerra contra um ghetto de refugiados.


Matar crianças impunemente

[…]
O exército israelita recusa qualquer acusação de delito pelo seu comportamento no sul da cidade de Rafah em Gaza no dia 1 de Agosto, um dia considerado pelos palestinianos como “a sexta-feira negra”.

Nesse dia, as forças israelitas puseram em prática a directiva Hannibal, um protocolo militar israelita que apela a uma força de fogo massiva para impedir a captura viva de um soldado israelita, mesmo se isso significa matar soldados e uma centena de civis durante o processo.

Para impedir a captura viva de um soldado, imaginado erradamente como tomado refém por soldados palestinianos, as forças israelitas bombardearam Rafah, matando 190 palestinianos em menos de 48 horas, incluindo 49 crianças, segundo DCI Palestine.

[…]
O inquérito internacional do exército israelita qualificou esta carnificina como sendo “proporcional”.
O relatório da DCI Palestine termina apelando a acções internacionais para levantar o cerco a Gaza e responsabilizar Israel pelos seus crimes.

“O fracasso permanente da comunidade internacional em pedir justiça e responsabilidade, leva a um acordo implícito com a negação persistente dos direitos dos palestinianos”, diz a DCI Palestine. “Sem se por fim ao regime actual de castigo colectivo que visa assassinatos e ofensivas militares regulares, a situação das crianças de Gaza terá a garantia de uma deterioração crescente.”


Por Rania Khalek para Electronic Intifada

Tradução para o francês: Latifa M. para a agência Média Palestine
Tradução do francês pelo Comité de Solidariedade com a Palestina
http://electronicintifada.net/blogs/rania-khalek/israel-directly-targeted-children-drone-strikes-gaza-says-rights-group

Hoje - Contra a indeferença, Ação de Protesto contra o genocídio no Mediterrâneo

 
 
"Sábado, 18 de Abril, morreram mais de 700 imigrantes; 400 outros já havia sido engolidos pelas águas do Mediterrâneo, no domingo, dia 12. Numa semana, mais de 1000 vítimas que se somam aos cerca de mil mortos só no primeiro trimestre deste ano de 2015. Estas mortes somam-se às mais de 3500 do ano passado.
Até quando este rosário de vidas humanas sacrificadas pelas políticas migratórias europeias e pelo fecho das fronteiras da União?
Estes trágicos dramas são o resultado prático orquestrado pela Europa que nega o acesso ao seu território às pessoas que procuram asilo e refúgio, fugindo às guerras da Síria, Eritreia, Líbia, Sudão, Afeganistão, Paquistão..., Iraque, etc.
A União Europeia e a sua política de gestão das fronteiras ignoram e violam o direito de asilo, as liberdades e garantias, nomeadamente, a liberdade de circulação e de instalação.
Esta política assenta numa restrição do acesso regular aos mecanismos formais de circulação, nomeadamente ao visto.
A União Europeia empenha-se em construir muros, arames farpados, comprar navios e dispositivos militares, investindo centenas de milhões de euros em sistemas de repressão contra migrantes desarmados, com a sinistra ilusão de que vai construir uma barreira intransponível contra os migrantes e os refugiados. Ou seja, contra quem arrisca a vida em busca de melhores condições de vida!
O resultado desta política criminosa está à vista: dezenas de milhares de mortos ao longo das últimas décadas, aqui às portas da Europa, sem contar aqueles que morrem nos centros de detenção, nas rotas terrestres e nos desertos através da externalização das suas fronteiras.
E na tentativa de sacudir responsabilidades, sempre que ocorre uma tragédia como a de sábado, a União Europeia aparece invariavelmente a culpar da situação as máfias e os traficantes sem escrúpulos.
A pergunta que importa colocar é: porque e como surgiram as máfias e os traficantes? Se houvesse vias regulares, seguras e dignas de entrada na Europa, escolheriam os imigrantes arriscar as suas vidas recorrendo a estas redes ?
Esta situação não pode continuar. O Mediterrâneo transformou-se na maior vala comum do planeta. A implementação do programa “Triton” em substituição do “Maré Nostrum” foi um acto de guerra contra os imigrantes. O programa “Triton” dispõe de menos meios e está claramente vocacionado para uma vigilância passiva a montante e, obviamente, é cúmplice dos mafiosos por omissão e desresponsabilização.
E sem a imediata disponibilização de todos os meios necessários para socorrer e resgatar quem está em perigo, continuarão as mortes.
Mas sobretudo sem uma ruptura definitiva com esta politica, os navios da morte continuarão a galgar a vala comum em que se transformou o Mediterrâneo.

Assim vamos manifestar-nos para:
- exigir o fim do Frontex e de todos os mecanismos de repressão contra os migrantes;
- exigir uma mudança radical nas politicas de concessão de visto nos países de origem;
- exigir a revogação do Regulamento de Dublim III contrário ao espírito de solidariedade e do direito de asilo;
- exigir uma mudança radical das politicas da Europa fortaleza de fecho de fronteiras, confinamento e criminalização dos migrantes e refugiados;
- exigir a liberdade de circulação das pessoas, porque enquanto assim não for, as mortes continuarão e serão da responsabilidades das politicas que impedem a sua concretização."
 
 

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