CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

"Nos 70 anos da derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial"



Nos 70 anos da derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial
Celebrar a vitória, defender a paz

Quando se assinala o 70.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) reafirma a sua determinação em prosseguir e intensificar a acção de esclarecimento e mobilização da opinião pública para a defesa da Paz, da segurança e cooperação internacionais e para a amizade e solidariedade entre os povos, dando o seu contributo para que tragédia semelhante à que terminou há 70 anos nunca se venha a repetir.
Perante as ameaças e os perigos que a actual situação internacional comporta – com a disseminação de focos de tensão e conflito, com a crescente tensão entre potências nucleares, com a proliferação de bases militares estrangeiras e uma inédita corrida aos armamentos –, o CPPC realça a necessidade de mobilizar vontades e despertar energias em favor da Paz, do desarmamento, da dissolução dos blocos político-militares, do fim das bases militares estrangeiras, do respeito pela soberania dos estados e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. É este o caminho que interessa à Humanidade. É este o compromisso de sempre do CPPC.
Ao assinalar este aniversário, o CPPC lembra os cerca de 60 milhões de mortos e as muitas outras dezenas de milhões de feridos, estropiados e traumatizados; recorda a máquina de morte e destruição do nazi-fascismo, os campos de concentração, as torturas, os massacres, os assassinatos, as experiências «médicas» e a escravatura. Não esquece os bombardeamentos de populações civis, as bombas atómicas, os danos irreparáveis provocados à saúde das populações envolvidas na guerra, ao património cultural e às infra-estruturas sociais de diversos países.
O CPPC entende ser este o momento indicado para valorizar os que resistiram, que deram a liberdade e a própria vida para pôr fim à guerra, para libertar os povos subjugados, para pôr fim à tirania nazi-fascista. E, também, para realçar os avanços alcançados no pós-guerra pelos povos da Europa e do mundo: à saúde, à educação, à protecção social, à igualdade entre homens e mulheres e, no caso dos povos das colónias e países dependentes, o direito a decidirem soberanamente do seu destino, pondo fim aos impérios coloniais.
Neste aniversário, o CPPC evoca o surgimento, poucos anos após
o fim da guerra, de um movimento da paz democrático, progressista e antifascista, que congregou conhecidas personalidades das artes, da cultura e da ciência, de diferentes nacionalidades, convicções políticas e crenças religiosas. Criado em 1949-50, o Conselho Mundial da Paz (que o CPPC integra) constituiu-se como um pólo agregador de todos os que se opunham e opõem à guerra, às armas nucleares e de destruição massiva, à corrida aos armamentos e às bases militares estrangeiras. O Apelo de Estocolmo, pela proibição das armas nucleares, recolheu muitos milhões de assinaturas em todo o mundo.
Evocar a vitória sobre o nazi-fascismo obriga todos quantos defendem a paz, a liberdade e a solidariedade a repudiar e combater activamente o regresso de valores retrógrados, de tipo fascizante, neocolonial e belicista; a desmascarar os interesses e falsos pretextos que se escondem por detrás das guerras; a intervir com convicção para defender a paz, valor essencial para garantir o bem-estar, o desenvolvimento, a felicidade e a própria vida no planeta.
Sete décadas após esta data histórica, graves ameaças pairam sobre os povos do Mundo: os focos de tensão multiplicam-se, do Médio Oriente à Ásia Central, da Europa de Leste ao Pacífico, de África à América Latina; a tensão das potências ocidentais face à Federação Russa e à China assume proporções inéditas e consequências imprevisíveis; a corrida aos cada vez mais sofisticados e destruidores armamentos e as despesas militares não mostra
m sinais de abrandamento. Em muitos países ressurgem tendências securitárias e antidemocráticas, enquanto que noutros registam-se processos de avanço libertador e democrático. Perante tais perigos e ameaças, é mais importante do que nunca continuar e alargar o campo dos defensores activos da Paz.
Confiando na justeza dos seus ideais e princípios e na construção de um futuro melhor, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma, com inabalável determinação, o seu compromisso de sempre: agir lado a lado com todos os homens e mulheres que resistem e intervêm, no plano nacional e internacional, com a aspiração e a convicção de que é possível um mundo justo, democrático, solidário e de Paz.
A Direcção Nacional do CPPC
8 de Maio de 2015

70º Aniversário da Vitória sobre o fascimo na II guerra mundial

Passamos a divulgar documento do Conselho Mundial da Paz .

"Conselho Mundial da Paz relembra vitória dos povos contra o nazismo

A presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, Socorro Gomes, participa do Encontro entre Organizações Internacionais Democráticas, que comemora o 70º aniversário da vitória dos povos contra o nazifascismo na capital russa, Moscou. Nesta quinta-feira (7), ela participa da mesa-redonda “1945-2015: Anos de Luta, Novos Desafios”. O evento é organizado pela bancada parlamentar do Partido Comunista da Federação Russa.

        
Soldados soviéticos depõem estandartes e pavilhões nazis diante do Mausoleu de Lénin na Praça Vermelha, na parada da vitória em 1945.
O programa do Encontro, do qual participam Socorro Gomes e cinco representantes de organizações-membro do Conselho Mundial da Paz (CMP), aborda, entre esta quinta e sábado (9), as consequências da Segunda Guerra Mundial e a vigorosa resistência dos povos contra o avanço Nazifascista, refletidos ainda na atualidade, quando se faz premente o fortalecimento e a unidade popular internacional na luta anti-imperialista. Além de Socorro Gomes, integram a delegação do CMP o secretário geral Athanassis Pafilis; Alfred Marder e Hery Lowendorf, do Conselho da Paz dos EUA), Pallab Sengupta, do Conselho da Paz da India; Filipe Nuno Ferreira, do Conselho Português para a Paz e a Cooperação de Portugal e Christopher Matlhako, da Organização de Paz da Africa do Sul.

O tema é central para o Conselho Mundial da Paz, que nasceu precisamente no bojo dos movimentos de resistência, no pós-guerra, com o compromisso de fazer avançar a luta dos povos pela paz, por justiça social, contra as guerras, o colonialismo e o imperialismo. Neste ano, em que o CMP também comemora seu 65º aniversário, a importância da trajetória histórica de resistência determinada contra os avanços das grandes potências contra os povos de todo o mundo é enfatizada em eventos como o que ocorre em Moscou.

Apontando para o papel central desempenhado pelo Exército Vermelho soviético na derrota contra o Nazifascismo, Socorro Gomes sublinhou, em sua intervenção, a disseminação da resistência popular contra o retrocesso civilizacional imposto pelas forças alemãs, italianas e japonesas, em episódios que mancharam a história da Humanidade, mas também mostraram o competência da luta dos povos contra a dominação. Socorro recordou as mais de 50 milhões de vítimas da Segunda Guerra Mundial e a devastação provocada pelo grande conflito, enfatizando:

“Os povos da União Soviética pagaram um terrível preço, com a vida de 27 milhões de pessoas e a insólita destruição de milhares de cidades, povoados, lares e fábricas. Inclinamos nossas bandeiras ante o sacrifício dos povos, aos mártires civis e militares que perderam suas vidas, muitos deles vítimas de inomináveis crimes, na luta para libertar a humanidade do nazifascismo, defender as liberdades democráticas, os direitos sociais, a soberania nacional e reconquistar a paz.”

A presidenta do CMP fez menção às resistências entre as amplas camadas da população, organizações sociais e partidos políticos, nos diversos países europeus ocupados ou ameaçados pelo avanço nazifascista e também da Ásia, contra a agressiva ação do Japão imperialista.

Neste sentido, sublinhou a importância do episódio histórico - a vitória dos povos contra o nazifascismo - para a atual luta internacional contra o imperialismo e as novas ameaças de guerra que se espalham pelo mundo. Socorro ressaltou o papel dos Estados Unidos como a potência imperialista representativa desta ameaça, junto com instrumentos de guerra como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e aliados como Israel, que apresentam especial risco ao Leste Europeu e ao Oriente Médio.

A dissolução da Otan e a abolição das bases militares espalhadas pelo mundo pelos Estados Unidos, o fim das intervenções e agressões imperialistas contra povos inteiros e a reforma das instituições mundiais, criadas para a garantia mínima do direito internacional, também foram levantadas por Socorro como bandeiras centrais e atuais do movimento internacional pela paz. Por isso, durante o evento, as diversas organizações reúnem-se para debater ações e a unidade em torno dos objetivos da paz e do anti-imperialismo, com o respeito à soberania dos povos e à liberdade contra a dominação.

Leia a íntegra do discurso de Socorro Gomes na Duma Federal da Rússia:

A vitória sobre o nazifascismo: glorioso acontecimento na história da humanidade
O Conselho Mundial da Paz sente-se honrado de participar neste evento para celebrar o 70º aniversário de um dos acontecimentos mais gloriosos da história da Humanidade - a vitória dos povos sobre o nazifascismo, uma conquista das forças da paz, da democracia, da solidariedade e do progresso social.

A Segunda Guerra Mundial foi uma tragédia que custou a vida a mais de 50 milhões de pessoas e devastou principalmente a Europa, causando a destruição da infraestrutura e dos lares e impondo horrendas consequências à população.

Inclinamos nossas bandeiras ante o sacrifício dos povos, aos mártires civis e militares que perderam suas vidas, muitos deles vítimas de inomináveis crimes, na luta para libertar a humanidade do nazi-fascismo, defender as liberdades democráticas, os direitos sociais, a soberania nacional e reconquistar a paz.

Os povos da União Soviética pagaram um terrível preço, com a vida de 27 milhões de pessoas e a insólita destruição de milhares de cidades, povoados, lares e fábricas.

As vitórias do Exército Vermelho nas históricas batalhas de Moscou, Stalingrado, Kursk e Berlim permanecerão indelevelmente marcadas na memória da humanidade, como o tributo dos povos soviéticos para a causa da libertação.

A vitória sobre o nazifascismo foi fruto das heroicas ações nos campos de batalha e da união dos povos e das forças democráticas no âmbito de cada país, além da ação de uma grande aliança internacional, de que fizeram parte a União Soviética, o Reino Unido e os Estados Unidos.

Um poderoso fator para a vitória foi o combate dos povos dos países ocupados pelo fascismo, que organizaram a luta guerrilheira e a resistência entre as amplas camadas da população, organizações sociais e partidos políticos. No continente europeu, as resistências populares italiana, francesa, albanesa, belga, grega, holandesa, húngara, norueguesa, iugoslava, romena, polonesa, dinamarquesa, austríaca, tchecoeslovaca, britânica e mais de uma dezena de movimentos alemães antinazistas foram resolutas no enfrentamento às invasões e às ocupações dos seus países.

No restante do mundo, os povos também se levantaram contra a brutal ofensiva alemã, italiana e japonesa. Foi o caso dos movimentos de resistência na Ásia - na China, Índia, Coreia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Cingapura, Filipinas, e dos movimentos japoneses de oposição à guerra. Entre os latino-americanos, foi intensa a luta antifascista e a mobilização de forças para se incorporarem ao esforço de guerra dos aliados alcançou êxito em diferentes países.

A vitória foi, assim, a expressão e o resultado da fraternidade internacionalista entre os povos, na busca pela liberdade, a democracia, a independência e a justiça.

A Segunda Guerra Mundial eclodiu como um confronto entre as grandes potências capitalistas, tendo sido provocada pelos países mais agressivos – a Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão.

O grande conflito foi o resultado do desenvolvimento desigual no mundo capitalista. A luta por mercados e fontes de matérias primas era o pano de fundo que empurrava as potências capitalistas à guerra por uma nova divisão do mundo por meio da violência.

Tendo sua origem nas contradições entre países imperialistas, a Segunda Guerra Mundial foi gradualmente mudando de caráter. Os povos dos países ocupados, principalmente a partir da agressão nazista à União Soviética, ergueram-se na resistência popular-nacional antifascista, passando a realizar uma justa luta democrática e de libertação nacional.

Os próprios Estados capitalistas, a partir do desencadeamento da guerra, viram-se confrontados com uma ameaça à sua própria soberania nacional, o que criou condições para a formação de um amplo e poderoso movimento patriótico e antifascista.

Revoluções democráticas, populares e de libertação nacional foram vitoriosas. O caráter libertador da luta antifascista dos povos, o papel decisivo da União Soviética e das massas trabalhadoras e populares na vitória e a derrocada do fascismo deram impulso aos movimentos democráticos e socialistas em todo o mundo. Debilitou-se o sistema colonialista. Tudo isso acarretou uma nova correlação de forças favorável ao avanço das lutas pela paz. As forças da democracia, da paz e do progresso social saíram fortalecidas, acarretando importantes transformações geopolíticas.

Neste quadro, o imperialismo estadunidense inicia uma contraofensiva para assegurar posições hegemônicas e ordenar o sistema internacional segundo seus próprios interesses. O lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki pela aviação estadunidense foi o ato inaugural da nova ordem que os Estados Unidos pretendiam impor.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial até os nossos dias, o imperialismo estadunidense seguiu uma política e praticou ações contrárias aos interesses dos povos, da democracia, da independência nacional e da paz mundial. Foi esse imperialismo que desencadeou as agressões contra a Coreia, o Vietnã e demais países da Indochina, no Oriente Médio, na África, e fomentou golpes militares na América Latina. Foi também esse imperialismo que mais tarde, a partir do final do século 20 e início do século 21, agrediu e destruiu a Iugoslávia, fez duas guerras contra o Iraque, invadiu o Afeganistão, destruiu a Líbia e confirmou sua condição de potência corresponsável pelo martírio do povo palestino ao apoiar a ocupação sionista israelense.

Desde o fim do conflito, o imperialismo estadunidense fomentou a corrida armamentista, intensificou a produção de armas nucleares, espalhou bases militares em todos os continentes, promoveu intervenções de diferentes tipos, numa constante ameaça à paz mundial e à segurança internacional.

Este imperialismo cravou as suas garras em todos os continentes, saqueou as riquezas nacionais dos povos, impôs seu modelo econômico e políticas escravizadoras e neocolonialistas. Organizou sua política externa com o objetivo de desestabilizar os países socialistas e anti-imperialistas, concentrou suas energias no cerco e destruição da União Soviética durante o período da chamada Guerra Fria.

Um dos principais aspectos da ação imperialista é a militarização, que cobrou impulso a partir da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em abril de 1949, originalmente com a participação dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Portugal, Dinamarca, Noruega, Islândia e Itália, ampliando-se logo em seguida, em 1952, com a presença da Turquia, Grécia e República Federal da Alemanha.

A organização tem hoje 28 Estados membros da América do Norte e da Europa. Outros 22 países estão engajados no chamado Conselho de Parceria Euro-Atlântico. Ao seu lado, outros 19 países estão ligados à Otan através de programas como o “Diálogo do Mediterrâneo”, a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” ou a “Parceria para a Paz”.

Desde 1991, a Otan expandiu o quadro de membros e o teatro de operações, o que por si só revela o seu objetivo fundamental de ser uma ferramenta primordial na dominação imperialista ocidental sobre o planeta, uma inimiga da paz, comprometida com as doutrinas do primeiro ataque e dos ataques preventivos. Como uma aliança militar ofensiva, a Otan está sempre pronta para intervir antes mesmo de a diplomacia ter sua chance, caso ela seja de interesse das potências imperialistas. O agigantamento da Otan, que a torna mais poderosa, agressiva e intervencionista – como a atual crise na Ucrânia demonstra – constituem um fator ponderável para aumentar a instabilidade, as turbulências e o perigo de guerra.

No momento em que comemoramos o 70º aniversário da vitória sobre o nazifascismo, o mundo enfrenta novos perigos, as intervenções militares se repetem, a paz é ameaçada, e o fascismo volta a se apresentar com novas e velhas roupagens. Mais do que nunca, impõe-se extrair as lições da experiência histórica e adquirir elementos de convicção para unir as forças democráticas e progressistas a fim de impedir que ocorram novas tragédias. Os fatos evidenciam o caráter desestabilizador e potencialmente destrutivo das políticas agressivas dos EUA e seus aliados na Otan. Tendo fracassado na criação de um ambiente de hostilidade no passado recente, como foi o caso do conflito na Geórgia, os EUA coordenam agora as forças reacionárias e fascistas para tentar cercar a Rússia, a exemplo da crise instalada na Ucrânia. Mais uma vez, os povos pagam o preço: o sofrimento infringido aos civis ainda é inestimável e a turbulência no leste europeu traz grande retrocesso à construção da paz na região, com a reinstalação das forças fascistas, a soldo do imperialismo.

O mundo de hoje é cenário de uma situação instável e crítica. As grandes conquistas democráticas do período do imediato pós-guerra, a independência nacional, os valores civilizacionais sofreram brutal retrocesso a partir da década de 1990 do século passado, quando o traço principal da situação passou a ser uma intensa e abrangente ofensiva do imperialismo estadunidense e seus aliados para assegurar posições de domínio no mundo.

Para além das políticas intervencionistas e militaristas, fazem parte dessa ofensiva o ataque aos direitos dos trabalhadores e povos como “saída” da crise do capitalismo, os golpes na democracia, o racismo, a xenofobia, a falsificação da história.

Num quadro internacional em mutação, está em jogo uma nova divisão do mundo, o saque das riquezas nacionais, a ocupação de territórios, a implantação de uma ordem imperial que além de ter globalizado a economia e padronizado os comportamentos, pretende uniformizar os regimes políticos, a vida cultural, a ideologia reacionária como pensamento único.

Malgrado a retirada das tropas estadunidenses e da Otan do Iraque e outras recentes flexões táticas na política externa norte-americana, a humanidade continua confrontada por uma feroz investida do imperialismo estadunidense para impor sua vontade no mundo, o que faz crescer o intervencionismo, as ameaças e as agressões.

O direito internacional e as instituições criadas para assegurar o exercício de relações internacionais equilibradas não subsistem como tais, em decorrência da instrumentalização pelos interesses de potências hegemônicas. A Organização das Nações Unidas, criada para promover a coexistência pacífica entre nações soberanas, assegurar o equilíbrio no mundo, garantir a aplicação das normas do Direito Internacional, dirimir os conflitos internacionais e promover a paz mundial, atua sob pressão das potências imperialistas que cada vez mais impõem o seu ditame no mundo pela força.

A política hegemonista do imperialismo destrói países, devasta nações antes prósperas, derruba governos legítimos, assassina presidentes eleitos, substitui o diálogo pela força implantando o terror, sob o pretexto de combater o terrorismo, com a finalidade de garantir seus desígnios de domínio e saque. Esta política é a principal ameaça à paz e é o principal fator da instabilidade, dos desequilíbrios e das crises políticas, diplomáticas e militares no mundo.

Por outro lado, é preciso reconhecer importantes transformações na situação internacional, em que se fortalecem profundas demandas emancipatórias que colocam em questão a política dominante e a desigual distribuição do poder. Embora os EUA ainda detenham a maior força econômica e militar, assim como a maior influência política, há elementos na situação que fazem crer que se trata de uma potência em declínio, que já não pode fazer o que quer, pois se confronta com a resistência dos povos e de nações que defendem a paz.

Também notamos o surgimento de novos polos de poder político, econômico e militar, cuja expressão maior é a ascensão vertiginosa da China, o fortalecimento do poder nacional da Rússia, depois de um momento de desagregação e de crise econômico-financeira, e a emergência de uma América Latina fortalecida por posições democráticas e independentistas.

No processo emancipatório, verificamos o agravamento dos conflitos sociais, das contradições entre os países da África, Ásia e América Latina e a dominação imperialista. Estão em curso lutas de variados tipos e intensidades, nos mais diversificados cenários, revelando as potencialidades dos povos e das forças da paz, que se insurgem contra a opressão, o intervencionismo, o militarismo e o belicismo.

No curso dessas lutas, emerge e fortalece-se a solidariedade internacional e a unidade em torno de reivindicações de interesse comum pelo fim das bases militares estrangeiras em países soberanos, pela abolição das armas de destruição em massa, pela dissolução da Otan, pela democratização das relações internacionais com o resgate dos preceitos da carta da ONU, pela autodeterminação dos povos e a solução pacífica dos conflitos internacionais, pelo fim das políticas intervencionistas e das guerras de agressão.

O Conselho Mundial da Paz, fundado no imediato pós-guerra para conjurar o perigo de nova catástrofe de proporções ainda maiores, com a ameaça do conflito nuclear, ao fazer essas reflexões sobre o passado e o presente, invoca o heroísmo dos povos e da resistência antifascista nas suas lutas atuais e na renovação do seu compromisso pela paz a libertação da humanidade."

Fonte: Cebrapaz

Mais uma vitória da campanha de boicote cultural a Israel

 
"O grupo de teatro belga CAMPO cancelou a sua representação no festival de Jerusalém patrocinado pelo Estado de Israel. A decisão foi tomada de um dia para o outro, logo após terem recebido um apelo da BACBI, Campanha belga pelo boicote académico e cultural a Israel.
“Fortalecer esta plataforma é actualmente a opção mais lógica. Um sector cultural unido é mais importante do que uma acção a solo”, diz a declaração de CAMPO. “Esperamos transmitir uma mensagem forte, talvez mais forte do que a pretendida inicialmente”. (Os ganhos da representação estavam destinados à formação de jovens bailarinos palestinianos a viver na Europa).
Eyal Sher, o director do festival, reconheceu que o programa teve de ser encurtado devido às muitas desistências que ocorreram depois do massacre do verão passado em Gaza e do crescimento da campanha de boicote.

Fonte e mais informação: http://electronicintifada.net/blogs/ali-abunimah/belgian-theater-group-pulls-out-israel-festival-after-boycott-call"
  
 Boicote de sentido contrário, Solidariedade...é necessário a sua multiplicação.

Ciclo de Cinema Cubano


Os "esquadrões da morte" uniformizados dos Estados des-Unidos

Políticos e sabichões dos media classificam como um "alerta" a violência que estalou em Baltimore após a morte do afro-americano Freddie Gray devido à ruptura da sua coluna vertebral. Contudo, estes auto-designados "peritos" quanto ao colapso social dos pobres – principalmente trabalhadores afro-americanos de bairros de todos os Estados Unidos – evitam falar acerca das razões reais porque cidades de todo o país estão a explodir em protestos e a recorrer a motins toda a vez que um jovem afro-americano é assassinado pela polícia. Os EUA, tal como as ditaduras fascistas na América Latina durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, estão agora infestados com "esquadrões da morte" policiais. Responsáveis uniformizados da aplicação da lei agora actuam como juízes, júris e carrascos, administrando sentenças de morte nas ruas de Fergunson, Missouri, subúrbio de St. Louis; New York City; North Charleston, South Carolina; Baltimore e outras cidades de todos os Estados des-Unidos.
 
 
      
Parte da razão para o surgimento de esquadrões da morte oficialmente admitidos nas fileiras da polícia dos EUA é a constante militarização do estado americano, das cidades, dos municípios e de forças policiais de pequenas cidades desde o ataque do 11/Set. De acordo com o chamado " programa 1033 " , o Pentágono forneceu à polícia toda espécie de excedentes de guerra, desde veículos blindados para pessoal (conhecidos como veículos Mine-Resistant Ambush-Protected ou "MRAPS") até rifles M-16 de qualidade militar e blindados Humvees. Alguns destes equipamentos estavam à plena vista em Ferguson, Missouri, durante os protestos quanto à morte a tiro do adolescente afro-americano Michael Brown por um polícia branco.

Porque Baltimore, ao contrário de St. Louis e North Charleston, é considerada como fazendo parte da área da capital nacional de Washington, DC, os media corporativos dos EUA e responsáveis do governo reagiram ao grupo tumultuoso de estudantes afro-americanos do ensino secundário que acompanhou o funeral de Gray com a espécie de alarme existencial habitualmente destinado a nações-estado "ameaçadoras" como o Irão, Venezuela e Coreia do Norte. Os media exprimiram mais simpatia para com a farmácia da cadeia CVS saqueada durante a disputa do que para com a família de Gray, a qual estava a pedir calma e paz. 

 
     
A polícia de Baltimore estava ansiosa por um confronto com a população afro-americana de Baltimore que fervia em silêncio e decidiu travar autocarros escolares que transportavam alunos afro-americanos de volta às suas casas. A polícia também lançou bloqueadores de tráfego nas ruas de Baltimore. Os alunos do secundário foram forçados pela polícia a abandonarem seus autocarros. A polícia então encurralou os jovens numa área na vizinhança de Mondawman. A estação do metro nas proximidades foi fechada pela polícia e os alunos foram impedidos de voltarem para casa tanto pelos autocarros escolares como pelos autocarros de transporte público ou pelo metro. Todas as testemunhas oculares, pais dos alunos e professores da escola verificaram o facto de que os alunos foram ilegalmente detidos pela polícia. Quando uns poucos deles começaram a atirar pedras à polícia, a polícia lançou pedras e rochas de volta sobre os jovens os quais, deveria ser enfatizado, foram inicialmente provocados pela táctica mão pesada da polícia de interromper todo o transporte local.

Basicamente, a polícia de Baltimore adoptou as tácticas usadas diariamente pela polícia israelense contra palestinos na Cisjordânia: vedar rotas de trânsito, encurralar a população alvo e responder com força esmagadora e, frequentemente, violência brutal. De facto, a polícia de Baltimore, assim como a Polícia do Município de St. Louis que reagiu à situação de Ferguson, recebeu treino israelense em imposição da lei e "contra-terrorismo", incluindo a utilização de armas de som tipo dispositivo acústico de longo alcance (long range acoustic device, LRAD ), utilização de cercas portáteis anti-multidão e instrução em artes marciais
Krav Maga , da polícia israelense e da Força de Defesa Israelense. Este treino foi cortesia de programas apoiados pelas proto-fascistas Anti-Defamation League ( ADL ) e Jewish Institute for National Security Affairs ( JINSA ) . A ADL anteriormente compilou ficheiros com dados maciços de americanos dissidentes, líderes de direitos civis e clero cristão anti-guerra para as polícias federal e estaduais. Oficiais de polícia reformados que receberam treino em Israel patrocinado pela ADL foram à televisão proclamar ser a "demonstração de força" da polícia e do exército em Baltimore o modelo para o resto do país.
A polícia de Baltimore justificou suas acções extrema afirmando falsamente que os gangs negros, os Bloods and Crips, estavam a vir para a cidade a fim de incitar a violência. A fonte do rumor eram mensagens sem fundamento postadas nos media sociais, provavelmente com origem na unidade de inteligência da polícia de Baltimore. Os gangs responderam às alegações dizendo que não tinham tais planos.

A mensagem para as minorias da América era clara: a polícia continua livre para sumariamente executar civis à vontade e quaisquer protestos, venham eles de ghetos negros, barrios hispânicos ou reservas de nativos americanos, serão recebidos com força policial esmagadora ou "pavor e choque".

O governador republicano de Maryland, Larry Hogan, despachou centenas de tropas da Guarda Nacional de Maryland para Baltimore para trabalhar com a polícia de Baltimore e de jurisdições externas a fim de impor um recolher obrigatório. O jogo de bola ao cesto Baltimore Orioles-Chicago White Sox programado em Camden Yards foi proibido àqueles que já tinham bilhetes de entrada, a primeira vez na história que um grande jogo de bola ao cesto foi jogado diante de um estádio vazio. Uma sequência de fim-de-semana planeada para ser jogada em Camden Yards entre os Orioles e os Tampa Bay Rays foi transferida para St. Petersburg, na Florida. Se isto soa como as "punições colectivas" administradas por Israel a palestinos em Gaza e na Cisjordânia, foi exactamente daí que as autoridades de Baltimore e Maryland tiveram a ideia.

As perturbações que se seguiram ao funeral de Gray foram antecedidas na noite anterior por uma confrontação entre a polícia e torcedores afro-americanos que saíam do estádio Camden Yards. A solução para as autoridades: punição colectiva para a maioria da população afro-americana de Baltimore. Cada vez mais, afro-americanos, hispânicos e nativos americanos estão a tornar-se os "palestinos" da América, povo disponível para a polícia a qualquer hora e qualquer dia "praticar tiro ao alvo".

O governador republicano de Nova Jersey, Chris Christie, candidato presidencial em 2016, antigo promotor federal que tem tanto de arrogância quanto de peso, despachou para Baltimore soldados de cavalaria da Polícia Estadual de Nova Jersey a fim de ajudar a impor a lei. A utilização de polícia de fora do estado em Baltimore para reforçar a da cidade foi uma ilustração cabal dos laços estreitos existentes entre agências de imposição da lei de todo o país em apoio da "linha azul" e de agentes de polícia que enfrentam investigações sobre execuções extra-judiciais de cidadãos. Tal como visto em outros incidentes por todo o país, a associação Ordem Fraternal da Polícia e as divisões de assuntos internos dos departamentos de polícia encarregados de investigar brutalidades policiais frequentemente conspiram para encobrir provas do mau comportamento da polícia. Enquanto isso, líderes políticos americanos estão a receitar soluções "placebo" como câmaras nos organismos policiais para resolver a questão da brutalidade da polícia. As câmaras não resolverão os problemas subjacentes de alto desemprego nas áreas da polícia inclinadas à violência sobre cidadãos nem resolverão o facto de que os Estados Unidos têm a mais alta população prisional per capita do mundo, com cerca de 2,2 milhões de presos, principalmente afro-americanos homens, cumprindo longas penas por crimes não violentos relacionados com drogas.

Os media corporativos e políticos republicanos, incluindo o governador Hogan, consideram desportivo, tal como o fizeram em relação a membros afro-americanos da assembleia municipal em St. Louis e de outras cidades, atacar a presidente da municipalidade Stephanie Rawlings-Blake como "incompetente" por permitir que as coisas na sua cidade "saíssem do controle" sem uma demonstração de força maciça e imediata. Seu colega, o presidente da municipalidade de Filadelfia Michael Nutter, defendeu suas acções em Baltimore. É uma prática habitual utilizada pelos oligarcas republicanos retratar a minoria dos democratas que detém um posto electivo como "fracos quanto ao crime" a fim de conseguir pontos políticos fáceis com o assassínio de cidadãos minoritários pela polícia.

Após os tumultos que varreram cidades americanas em 1968 a seguir ao assassínio do reverendo Martin Luther King, no que é agora considerado por muitos como tendo sido uma conspiração do governo envolvendo o FBI a fim de silenciar aquele líder dos direitos civis, o presidente Lyndon Johnson respondeu: "O que você esperava? Não sei porque está tão surpreendido. Quando você coloca o seu pé sobre o pescoço de um homem, subjuga-o durante trezentos anos e então deixa que se levante, o que é que ele vai fazer? Ele vai golpear o que o bloqueou".

Quase 50 anos depois, a polícia americana continua a visar afro-americanos com tácticas de "esquadrões da morte" outrora populares entre as mais repressivas e asquerosas ditaduras fascistas da América Latina, com líderes de municipalidades que foram provocados pelas mesmas agências estado-unidenses envolvidas no assassinado de Luther King e hoje com a militarização da polícia america .
por Wayne Madsen [*]        
30/Abril/2015

Ver também:
www.killedbypolice.net         [*] Jornalista.       
O original encontra-se em
www.strategic-culture.org/...        
       

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

FREE MUMIA


Dia 24 de Abril, Mumia Abu-Jamal passou mais um se aniversário na prisão, com a particularidade do seu estado de saúde se ter vindo a agravar nestes últimos meses , sendo-lhe dificultado a assistência médica de modo a abreviar-lhe a existência .
A liberdade de Mumia, mais do que nunca é uma bandeira de todos os amantes da liberdade, só a sua libertação poderá salvá-lo .

Notícias sobre o estado de saúde de Mumia


 Últimas notícias do estado de saúde de Mumia, dão uma imagem da gravidade ,
e dos objectivos nebulosos do sistema prisional e polícia americana de continuarem a matá-lo todos os dias. justificando-se a intensificação de iniciativas de denúncia e de solidariedade para com este companheiro .

Quinta-feira, 30 abril:
Uma atualização médica de Mumia  através do seu advogado, Bret Grote:
Eu tive hoje um telefonema legal com Mumia . Nessa chamada informei-o  do parecer médico do médico que Mumia tinha escolhido para ajudar no seu diagnóstico e tratamento. Ele me autorizou a compartilhar o seguinte:
O médico, estamos trabalhando como está recomendando, que Mumia a ser visto por um Oncologista e dado um workup malignidade oculta, incluindo uma pele Biópsia, a fim de detectar a presença potencial de um cancro escondido .
Este propedêutica deve procurar um linfoma, incluindo a forma esfoliativa / Eczematosas de linfoma de células T cutâneo. Isto é especialmente dado que os registros médicos obtidos nesta semana indicam que uma tomografia computadorizada de 15 de abril de 2015 mostrou linfonodos anormais na virilha e em torno da aorta.
É imperativo que Mumia obter um diagnóstico da doença de base, seja ela qual for, que tenha sido responsável pela erupção cutânea grave que durou vários meses para que um plano de tratamento poder ser desenvolvido e implementado imediatamente.
Mumia me disse hoje, que na prisão pessoal o médico veio vê-lo pelas 14:00 h.s ontem para verificar os seus nódulos linfáticos e dizer-lhe que pode fazer uma biópsia. Isso ocorreu cerca de duas horas depois eu enviei o DOC das recomendações do médico a Mumia para que ele seja visto por um oncologista, Dado um workup malignidade oculta, incluindo uma biópsia, e busca da presença de um linfoma. Irá visitar Mumia amanhã.
Mumia ainda está na enfermaria. Ele não está mais sendo dada Ciclosporina. Seus membros inferiores ainda estão inchados, mas não tão Severamente como eram há alguns dias ele relata. Sua condição da pele está na mesma que tem sido, com uma erupção em boa parte de seu corpo, extremamente seca, coceira, descamação e seus níveis de açúcar no sangue têm sido estáveis . 
Ele não está mais sujeito a insulina, mas está tomando glucophage duas vezes por dia.
Mumia envia seu amor a todos.
Em solidariedade,
Bret

Israel "alvejou diretamente" durante os ataques de drones contra Gaza


Depois do relatório da Amnistia Internacional publicado em …, onde a organização acusava o Hamas de crimes de guerra, em particular por usar armas com pouca precisão, é agora publicado um relatório da DCI Palestine onde se vê como Israel, nunca condenado pelos seus crimes de guerra e contra a humanidade ao longo destes 70 anos, utilizou com precisão as suas armas sofisticadíssimas no grande massacre em Gaza no verão de 2014.


Israel tomou por alvo deliberadamente crianças em Gaza no verão passado, segundo um novo relatório do organismo internacional de defesa das crianças palestinianas DCI – Palestine .

    "Entre os 2.220 palestinianos mortos durante os 51 dias da campanha de bombardeamento, pelo menos 1.492 eram civis, incluindo 547 crianças.

Um total de 535 dessas crianças foram mortas por causa de ataques directos provenientes de Israel. 68% das crianças mortas por Israel em Gaza tinham menos de 12 anos segundo o relatório.

Além disso, 3.374 crianças foram feridas, incluindo 1.000 que ficaram inválidas para o resto da vida, com necessidade de cuidados médicos, inacessíveis em Gaza, por causa de um cerco israelita devastador que tem de ser levantado desde já. Mais 373.000 crianças sofrem de traumatismos profundos e precisam desesperadamente de um apoio psicológico que falta gravemente na faixa de Gaza.


Não havia nenhum lugar seguro para as crianças

Em termos políticos, Israel alvejou deliberadamente e sem distinção espaços onde é suposto as crianças estarem mais em segurança. Tais actos violam as leis internacionais e são crimes contra a humanidade, segundo o relatório.

As crianças foram esmagadas até à morte quando estavam abrigadas em suas casas, desmembradas quando dormiam nas suas camas, e cortadas em pedaços quando brincavam nos seus jardins. Pelo menos 18 crianças foram mortas em ataques israelitas que visavam escolas. Para as crianças de Gaza, não existe nenhum lugar de protecção contra a violência israelita.

O que é tão perturbador como o lugar onde as crianças foram mortas, é a panóplia de armas que Israel usou contra elas.


Divisão das mortes infantis durante a ofensiva “Operação de protecção das barreiras” em função do tipo de ataque

Pelo menos 225 crianças foram mortas por ataques aéreos “quando estavam nas suas casas, ou procuravam um abrigo, a maioria estava sentada para almoçar com a família, brincar ou dormir, indica o relatório.

Um inquérito realizado pela Associated Press relata informações semelhantes, mostrando que 844 palestinianos, mais de metade do total de civis mortos em Gaza no verão passado, foram mortos por ataques aéreos israelitas sobre casas de civis, “incluindo 19 bebés e 108 crianças entre 1 e 5 anos”.

Israel tenta justificar o facto de ter tomado por alvo a população de Gaza argumentando, sem provas, que os combatentes da resistência palestiniana utilizam civis como escudos humanos, não dando assim outra opção a Israel que atirar sobre crianças. DCI- Palestine criticou firmemente esta declaração, respondendo:

A retórica proclamada pelos representantes israelitas relativamente aos escudos humanos durante a ofensiva militar não constitui senão uma generalização, o que é pouco credível em relação ao cálculo preciso requerido pelos Direitos Humanos Internacionais, determinando se uma coisa é de facto um objecto militar. Mesmo se existisse uma prova de que o Hamas ou outros grupos de palestinianos armados utilizassem civis como escudos humanos, isso não retira a Israel sob nenhuma circunstância as suas obrigações com respeito aos Direitos Internacionais e isso não justifica um ataque contra os civis ou os lugares públicos.

Na realidade, é Israel que tem uma longa história bem conhecida no que diz respeito à utilização das crianças palestinianas como escudos humanos, e o ataque do verão passado não era uma excepção, como vem detalhado no relatório publicado por DCI- Palestine.

DCI-Palestine atribui os ataques deliberados e sem distinções sobre as casas de civis e escolas de Gaza à doutrina Dahiya. Assim chamada por referência ao bairro Dahiya em Beirute, que foi intencionalmente devastado por Israel durante o seu ataque ao Líbano em 2006, a doutrina Dahiya refere-se à política do exército de Estado que usa as suas forças opressivas contra as infraestruturas civis.

A acusação sem fundamento de “escudos humanos” feita por Israel contra os palestinianos é uma tentativa para dissimular uma política militar que viola sistematicamente as leis internacionais.


“Directamente visados” por drones

Mais 164 crianças foram “directamente alvejadas” e mortas ilegalmente nos ataques de drones israelitas sobre as suas casas e na rua quando tentavam fugir para se protegerem, segundo a DCI-Palestine.

DCI-Palestine estava particularmente alarmada pelo número muito elevado de crianças alvejadas durante os ataques de drones, porque os drones israelitas dão imagens em alta definição dos indivíduos visíveis e em tempo real. Além disso, os representantes israelitas vangloriam-se muitas vezes dos ataques dos drones que eles consideram superiores aos outros métodos de guerra, graça à sua precisão cirúrgica, declara a DCI-Palestine, sugerindo que Israel alvejou deliberadamente crianças durante os ataques de drones.

Um dos vários casos evidenciados pelo relatório da DCI Palestine é a morte de uma criança de 9 anos, Rabi Qasem Rabi Abu Ras, que foi desmembrada por um míssil de drone israelita, alvejando-a enquanto ela corria para a ambulância, após a aterragem de um obus perto dela e da sua mãe.

“Os seus braços e pernas foram cortados. A parte superior do seu corpo ficou separada da parte inferior, que foi em seguida rasgada em pequenos pedaços. Gritei”, contou a mãe, Aisha Abu Ras, numa entrevista à DCI Palestine. “Corri até à ambulância, falei disso aos enfermeiros, mas eles disseram-me que não podiam aproximar-se dos lugares sem uma coordenação prévia com o exército israelita”.

Aisha e Rabi dirigiam-se para um refúgio das Nações Unidas, depois de ter recuperado alguns dos seus bens, e fugiam para Um Nasr, uma cidade no norte de Gaza, perto da fronteira com Israel.
[…]

Durante a última década, a utilização por Israel de uma guerra robótica contra os palestinianos intensificou-se de forma dramática, com cada ataque militar a Gaza muito mais dependente dos drones que os precedentes. 37% ou 840 indivíduos foram mortos unicamente pelos ataques de drones, durante o ataque do verão passado.

Enquanto maior exportador de drones, Israel beneficia imenso da tecnologia utilizada para matar as crianças.


“Uma crise humanitária criada pelo homem”

As bombas pararam neste momento mas as crianças continuam a sofrer por causa do cerco israelita que dura há 8 anos, imposto em parceria com o Egipto.
[…]

Desde a redução a ruínas de uma grande parte da faixa de Gaza, Israel recusa a autorização de entrada de materiais de reconstrução desesperadamente necessários em Gaza, abandonando 108.000 indivíduos, a maioria deles crianças sem abrigo.

Em consequência, quatro crianças de tenra idade cujas casas foram destruídas por Israel no ano passado, morreram de hipotermia, devido à ausência de refúgio.
[…]


Em guerra contra um ghetto

A ferocidade da violência israelita contra as crianças palestinianas atingiu novos limites em 2014, mas a DCI Palestine sublinha que a brutalidade faz parte de uma campanha sistemática.
[…]

Gaza é o lar de 1,8 milhões de palestinianos dos quais 80% são refugiados. Até hoje as suas famílias foram expulsas de força de Israel e estão proibidas de lá voltar pelo facto de não serem judeus.
Entretanto, 43% dos habitantes de Gaza têm menos de 14 anos. A guerra contínua em Gaza é essencialmente uma guerra contra um ghetto de refugiados.


Matar crianças impunemente

[…]
O exército israelita recusa qualquer acusação de delito pelo seu comportamento no sul da cidade de Rafah em Gaza no dia 1 de Agosto, um dia considerado pelos palestinianos como “a sexta-feira negra”.

Nesse dia, as forças israelitas puseram em prática a directiva Hannibal, um protocolo militar israelita que apela a uma força de fogo massiva para impedir a captura viva de um soldado israelita, mesmo se isso significa matar soldados e uma centena de civis durante o processo.

Para impedir a captura viva de um soldado, imaginado erradamente como tomado refém por soldados palestinianos, as forças israelitas bombardearam Rafah, matando 190 palestinianos em menos de 48 horas, incluindo 49 crianças, segundo DCI Palestine.

[…]
O inquérito internacional do exército israelita qualificou esta carnificina como sendo “proporcional”.
O relatório da DCI Palestine termina apelando a acções internacionais para levantar o cerco a Gaza e responsabilizar Israel pelos seus crimes.

“O fracasso permanente da comunidade internacional em pedir justiça e responsabilidade, leva a um acordo implícito com a negação persistente dos direitos dos palestinianos”, diz a DCI Palestine. “Sem se por fim ao regime actual de castigo colectivo que visa assassinatos e ofensivas militares regulares, a situação das crianças de Gaza terá a garantia de uma deterioração crescente.”


Por Rania Khalek para Electronic Intifada

Tradução para o francês: Latifa M. para a agência Média Palestine
Tradução do francês pelo Comité de Solidariedade com a Palestina
http://electronicintifada.net/blogs/rania-khalek/israel-directly-targeted-children-drone-strikes-gaza-says-rights-group

Hoje - Contra a indeferença, Ação de Protesto contra o genocídio no Mediterrâneo

 
 
"Sábado, 18 de Abril, morreram mais de 700 imigrantes; 400 outros já havia sido engolidos pelas águas do Mediterrâneo, no domingo, dia 12. Numa semana, mais de 1000 vítimas que se somam aos cerca de mil mortos só no primeiro trimestre deste ano de 2015. Estas mortes somam-se às mais de 3500 do ano passado.
Até quando este rosário de vidas humanas sacrificadas pelas políticas migratórias europeias e pelo fecho das fronteiras da União?
Estes trágicos dramas são o resultado prático orquestrado pela Europa que nega o acesso ao seu território às pessoas que procuram asilo e refúgio, fugindo às guerras da Síria, Eritreia, Líbia, Sudão, Afeganistão, Paquistão..., Iraque, etc.
A União Europeia e a sua política de gestão das fronteiras ignoram e violam o direito de asilo, as liberdades e garantias, nomeadamente, a liberdade de circulação e de instalação.
Esta política assenta numa restrição do acesso regular aos mecanismos formais de circulação, nomeadamente ao visto.
A União Europeia empenha-se em construir muros, arames farpados, comprar navios e dispositivos militares, investindo centenas de milhões de euros em sistemas de repressão contra migrantes desarmados, com a sinistra ilusão de que vai construir uma barreira intransponível contra os migrantes e os refugiados. Ou seja, contra quem arrisca a vida em busca de melhores condições de vida!
O resultado desta política criminosa está à vista: dezenas de milhares de mortos ao longo das últimas décadas, aqui às portas da Europa, sem contar aqueles que morrem nos centros de detenção, nas rotas terrestres e nos desertos através da externalização das suas fronteiras.
E na tentativa de sacudir responsabilidades, sempre que ocorre uma tragédia como a de sábado, a União Europeia aparece invariavelmente a culpar da situação as máfias e os traficantes sem escrúpulos.
A pergunta que importa colocar é: porque e como surgiram as máfias e os traficantes? Se houvesse vias regulares, seguras e dignas de entrada na Europa, escolheriam os imigrantes arriscar as suas vidas recorrendo a estas redes ?
Esta situação não pode continuar. O Mediterrâneo transformou-se na maior vala comum do planeta. A implementação do programa “Triton” em substituição do “Maré Nostrum” foi um acto de guerra contra os imigrantes. O programa “Triton” dispõe de menos meios e está claramente vocacionado para uma vigilância passiva a montante e, obviamente, é cúmplice dos mafiosos por omissão e desresponsabilização.
E sem a imediata disponibilização de todos os meios necessários para socorrer e resgatar quem está em perigo, continuarão as mortes.
Mas sobretudo sem uma ruptura definitiva com esta politica, os navios da morte continuarão a galgar a vala comum em que se transformou o Mediterrâneo.

Assim vamos manifestar-nos para:
- exigir o fim do Frontex e de todos os mecanismos de repressão contra os migrantes;
- exigir uma mudança radical nas politicas de concessão de visto nos países de origem;
- exigir a revogação do Regulamento de Dublim III contrário ao espírito de solidariedade e do direito de asilo;
- exigir uma mudança radical das politicas da Europa fortaleza de fecho de fronteiras, confinamento e criminalização dos migrantes e refugiados;
- exigir a liberdade de circulação das pessoas, porque enquanto assim não for, as mortes continuarão e serão da responsabilidades das politicas que impedem a sua concretização."
 
 

Contra o genocídio de moçambicanos na África do Sul

 
Carta aberta do
Presidente da “Fundação Fernando Leite Couto”,
Mia Couto
Contra o genocídio de moçambicanos na África do Sul
Exmo. Senhor Presidente Jacob Zuma
Lembramo-nos de si em Maputo, nos anos oitenta, nesse tempo que passou como refugiado político em Moçambique. Frequentes vezes nos cruzámos na Avenida Julius Nyerere e saudávamo-nos com casual simpatia de vizinhos. Imaginei muitas vezes os temores que o senhor deveria sentir, na sua condição de perseguido pelo regime do apartheid. Imaginei os pesadelos que atravessaram as suas noites ao pensar nas emboscadas que congeminavam contra si e contra os seus companheiros de luta. Não me recordo, porém, de o ter visto com guarda costas. Na verdade, éramos nós, os moçambicanos, que servíamos de seu guarda costas. Durante anos, demos-lhe mais do que um refúgio. Oferecemos-lhe uma casa e demos-lhe segurança à custa da nossa própria segurança. É impossível que se tenha esquecido desta generosidade.
Nós não a esquecemos. Talvez mais do que qualquer outra nação vizinha, Moçambique pagou caro esse apoio que demos à  libertação da África do Sul. A frágil economia moçambicana foi golpeada. O nosso território foi invadido e bombardeado. Morreram moçambicanos em defesa dos seus irmãos do outro lado da fronteira. É que para nós, senhor Presidente, não havia fronteira, não havia nacionalidade. Éramos, uns e outros, irmãos de uma mesma causa e quando tombou o apartheid a nossa festa foi a mesma, de um e de outro lado da fronteira.
Durante séculos, emigrantes moçambicanos, mineiros e camponeses, trabalharam na vizinha África do Sul em condições que pouco se distinguiam da escravatura. Esses trabalhadores ajudaram a construir a economia sul-africana. Não há riqueza do seu país que não tenha o contributo dos que hoje são martirizados.
Por todas estas razões, não é possível imaginar o que se está a passar no seu país. Não é possível imaginar que esses mesmos irmãos sul-africanos nos tenham escolhido como alvo de ódio e perseguição. Não é possível que moçambicanos sejam perseguidos nas ruas da África do Sul com a mesma crueldade que os polícias do apartheid perseguiram os combatentes pela liberdade, dentro e fora de Moçambique. O pesadelo que vivemos é mais grave do que aquele que o visitava a si quando era perseguido político. Porque o senhor era vítima de uma escolha, de um ideal que abraçou. Mas os que hoje são perseguidos no seu país são culpados apenas de serem de outra nacionalidade. O seu único crime é serem moçambicanos. O seu único delito é não serem sul-africanos.
 
Senhor Presidente
A xenofobia que se manifesta hoje na África do Sul não é apenas um atentado bárbaro e cobarde contra os “outros”. É uma agressão contra a própria África do Sul. É um atentado contra a “Rainbow Nation” que os sul-africanos orgulhosamente proclamaram há uma dezena de anos. Alguns sul-africanos estão a manchar o nome da sua pátria. Estão a atacar o sentimento de gratidão e solidariedade entre as nações e os povos. É triste que o seu país seja hoje notícia em todo o mundo por tão desumanas razões.
É certo que medidas estão a ser tomadas. Mas elas mostram-se insuficientes e, sobretudo, pecam por serem tardias. Os governantes sul-africanos podem argumentar tudo menos que estas manifestações os tomou se surpresa. Deixou-se, mais uma vez, que tudo se repetisse. Assistiu-se com impunidade a vozes que disseminavam o ódio. É por isso que nos juntamos à indignação dos nossos compatriotas moçambicanos e lhe pedimos: ponha imediatamente cobro a esta situação que é um fogo que se pode alastrar a toda a região, com sentimentos de vingança a serem criados para além das suas fronteiras. São precisas medidas duras, imediatas e totais que podem incluir a mobilização de forças do exército. Afinal, é a própria África do Sul que está a ser atacada. O Senhor Presidente sabe, melhor do que nós, que ações policiais podem conter este crime mas, no contexto atual, é preciso tomar outras medidas de prevenção. Para que nunca mais se repitam estes criminosos eventos.
Para isso urge tomar medidas numa outra dimensão, medidas que funcionam a longo prazo. São urgentes medidas de educação cívica, de exaltação de um passado recente em que estivemos tão próximos. É preciso recriar os sentimentos solidários entre os nossos povos e resgatar a memória de um tempo de lutas partilhadas. Como artistas e fazedores de cultura e de valores sociais, estamos disponíveis  para de enfrentar juntos com artistas sul-africanos este novo desafio, unindo-nos às inúmeras manifestações de repúdio que nascem na sociedade sul-africana. Podemos ainda reverter esta dor e esta vergonha em algo que traduza a nobreza e dignidade dos nossos povos e das nossas nações. Como artistas e escritores queremos declarar a nossa disponibilidade para apoiar a construção de uma vizinhança que não nasce da geografia mas de um parentesco que é da alma comum e da história partilhada.
Maputo, 17 de Abril de 2015
Mia Couto
Presidente da Fundação Fernando Leite Couto
 

Manifesto - Pelo Fim do Genocidio de Imigrantes no Mediterraneo

Passamos a divulga o manifesto subscrito por grande número de organizações de direitos humanos denunciadoras da hipocrisia dos países da União Europeia, no qual se inclui o governo português. A UE tem responsabilidades acrescidas na ampliação constante do cemitério do Mediterrâneo, no caso mais recente, mais de 700 vítimas. Ao fomentarem guerras desestabilizadoras em defesa dos seus interesses políticos e económicos, os governos da UE e os EUA, são os principais responsáveis pela mortandade e extrema miséria dos países alvo da sua política criminosa .



"Manifiesto: Por el fin del Genocidio Migratorio en el Mediterraneo
La Campaña Estatal por el Cierre de los CIE, junto con múltiples organizaciones de defensa de los derechos humanos, condenamos el Genocidio Migratorio que se está produciendo en el Mar Mediterráneo y denunciamos:
Que las personas que han perdido la vida tenían diversos motivos para emprender su viaje; entre éstos, huir de conflictos políticos, bélicos y de la propia pobreza. Lejos de ser fenómenos “naturales”, están directamente relacionados con la política exterior de la Unión Europea y sus intereses comerciales.
Que la Unión Europea define a estas personas como “inmigrantes ilegales” para no tener que aceptar las implicaciones de lo que realmente son: potenciales refugiados, niños y niñas, víctimas de diversos conflictos.
Que la mayoría  de las personas que se han ahogado deberían haber estado amparadas por la legislación y los tratados de protección internacionales suscritos por los países de la Unión Europea. Ante la imposibilidad de cursar cualquier tipo de solicitud, se ven obligadas a arrojarse al mar para, una vez llegadas a Europa, tratar de conseguir este reconocimiento.
Que la UE ha renunciado a su orientación más humanitaria y respetuosa con los Derechos Humanos para darle, en cambio, una orientación bélica a todo lo que tiene que ver con las migraciones. La mayor responsable de este enfoque es la Agencia Frontex. La Agencia entiende el intento de acceso de las personas como un “riesgo” (literalmente) de violación de las Fronteras. Se dedican millones de euros a sufragar tecnología militar de vigilancia y, en cambio, no se destina ninguna medida al salvamento de personas.  Recordamos que la Agencia Frontex ha pasado de tener un presupuesto anual de 5 millones de euros en su origen (2004) a más de 80 millones por año en 2015. El Estado Español destinó en el último lustro casi 290 millones de euros a sellar las fronteras españolas y menos de 10 millones a la acogida de refugiados, una de las ratios más desiguales de la Unión Europea. También ha pagado 50 millones de euros a Marruecos para que construya una nueva valla de concertinas. No faltan recursos, sino voluntad política.
Que la tecnología de Frontex es capaz de localizar las embarcaciones, pero resulta absolutamente incapaz de salvar a las personas. Por prioridades políticas, se invierte el dinero en el control de personas pero no en su salvamento.
Que el Ministro de Interior, Fernández Diaz, es responsable directo de legitimar estas muertes, pues considera que salvar vidas en el Mediterráneo puede generar un efecto llamada. Es decir, según el Ministro, hay personas que hoy tienen que morir para que un posible efecto (sin una relación causal clara) sea evitado. El verdadero efecto llamada no es Salvamento Marítimo. Más bien estamos ante un efecto directo de expulsión, consecuencia de las políticas Europeas en África. Afirmaciones como las del Ministro deberían tener consecuencias legales.
Que no es tolerable aceptar que “otra embarcación se ha hundido”: hay toda una cadena de responsabilidades que han de ser investigadas, esclarecidas y, en su caso, juzgadas. Se ha de evitar que vuelva a suceder, mejorando los protocolos de salvamento.
Que es inadmisible la hipocresía del Presidente del Gobierno cuando indica que “Ya no valen las palabras, hay que actuar” en relación a las muertes del Mediterráneo. Desgraciadamente, naufragios como éste suelen servir para lanzar medidas que dotan de más medios a Frontex sin cambiar un ápice su errática concepción de las migraciones (como una amenaza y un riesgo) y su lógica bélica. En otras ocasiones, se han dado respuestas de intervención directa en los países de origen: bien condicionando sus “ayudas al desarrollo” a la colaboración en la represión de las migraciones o bien con intervenciones diplomático-militares que generan aún más desplazados. Ambas opciones suponen precarizar aún más la experiencia migratoria y aumentar los naufragios en el Mediterráneo, el mar más mortífero del mundo.
Que es necesaria la inversión en un programa europeo de salvamento marítimo acorde a la envergadura del problema, paralela a una reducción de la financiación de programas, operaciones y tecnologías que militarizan la frontera.
Que se hace necesaria la realización de un programa de identificación y memoria de las víctimas, y de repatriación de los cuerpos a sus familias.
La tragedia como género literario hace referencia a cómo los personajes son enfrentados contra el destino de los dioses con resultados de muerte o infortunio. Lo que ha ocurrido el domingo en las aguas del mediterráneo, sin embargo, está lejos de poder considerarse como tal: no son tragedias inevitables, es una responsabilidad de la Unión Europea
    Por el fin de las muertes en el Mediterráneo.
    Por el fin del Genocidio Migratorio #GenocidioMigratorio. "
     19 de abril de 2015

17 DE ABRIL - FOI DIA DO PRESO PALESTINIANO ,

A passagem do dia do preso palestiniano deve representar um quebrar do silêncio de mais crimes do estado de Israel e que os povos do mundo não podem ignorar .

Ziad Medoukh                                                                              
      
Por ocasião do Dia do Preso Palestiniano, celebrado todos os anos em 17 de Abril, o povo palestiniano presta uma grande homenagem a todos os presos palestinianos em sofrimento permanente atrás das grades israelitas.  
Milhares de Palestinianos - resistentes, activistas, deputados, políticos ou cidadãos comuns – definham nas prisões israelitas em total ilegalidade à luz do Direito Internacional. 
 
Os nossos presos, com a sua resistência notável, continuam a dar uma lição de coragem e determinação não só às forças de ocupação israelitas, mas também ao mundo inteiro. São um exemplo de paciência e perseverança.
A captura, a detenção e o julgamento dos nossos 5000 presos detidos em 13 prisões israelitas são ilegais, porque eles são os prisioneiros da liberdade.
Entre estes presos, há dezenas que sofrem de doenças graves e que estão em perigo de vida devido à negligência na prestação de cuidados de saúde por parte das autoridades israelitas, que os querem pressionar a pôr termo à sua luta.
Entre estes presos, há dezenas que estão detidos nas prisões israelitas há décadas, unicamente por terem cometido o crime de resistir à ocupação ilegal.  
Entre estes presos, há mais de 300 crianças e 30 mulheres e mais de 1000 pessoas em prisão administrativa ilegal, sem culpa formada e sem julgamento.  
A luta dos nossos presos pela liberdade é seguida na Cisjordânia e na Faixa de Gaza por milhares de Palestinianos que organizam  em toda a parte manifestações de apoio a estes presos na sua resistência do dia-a-dia.  
Apesar de algumas iniciativas tomadas em alguns países por associações da sociedade civil, em solidariedade com os presos palestinianos,  por meio de manifestações e concentrações, observa-se o profundo silêncio dos meios de comunicação, dos intelectuais, dos partidos politicos, das organizações de defesa dos direitos humanos e o silêncio dos governos de um mundo que se diz livre e democrata, mas que não consegue mexer-se e reagir perante tamanha injustiça.
Apesar da crueldade do ocupante e do silêncio do « mundo livre », a luta dos presos continuará até à liberdade e pela justiça.
Que vergonha a ocupação e todas as medidas dirigidas contra eles!
Que vergonha, mundo dito livre, que não reaje para pôr termo ao seu sofrimento!
Este mundo vê morrer lentamente os nossos presos que continuam a sofrer.
Será que vão sofrer ainda durante muito tempo?
Onde estão as organizações de defesa dos direitos humanos?
Onde está o mundo livre?
Será que não vê ? Será que não ouve?
Quando será exercida uma pressão eficaz sobre as autoridades de ocupação israelitas ?
O grito dos nossos presos famintos será alguma vez ouvido?
Uma última palavra: a História jamais perdoará este silêncio, esta negligência e esta posição de todo o mundo.
 
Viva a luta legítima dos nossos presos pela liberdade e pela vida!
Entretanto, por trás dos presos palestinianos, todo o nosso povo continuará a lutar até conquistar os seus direitos legítimos e até que saia o último detido das prisões e das masmorras israelitas. 
 
 
 

STOP Violência Policial !


Silence act on Mumia Abu Jamal


Who Am I


A VIDA DE MUMIA ABU-JAMAL ESTÁ EM PERIGO

 
 
Durante 34 anos, o governo em seus três níveis tentou matar Mumia Abu-Jamal. A força do movimento deteve sua execução em 1995 e 1999, e o tirou do corredor da morte em 2011. Agora, as autoridades prisionais pretendem assassiná-lo através da negligência médica e da tortura intencional. A situação requer urgência, e não poderia ser mais grave. Atualmente Mumia usa uma cadeira de rodas. Há dois dias que não pode manter-se em pé. Arrasta as palavras. Ele mal consegue segurar uma garrafa de água. Isto não é apenas um caso de negligência médica, mas uma continuação da tentativa de assassinato premeditado contra Mumia que começou no dia 9 de dezembro de 1981, quando ele foi baleado no peito e alguns policiais o jogaram de cabeça contra um poste de aço. Em seguida, ele foi incriminado nos tribunais e enviado para o corredor da morte.
 
Dois meses atrás, Phil África morreu na prisão sob circunstâncias suspeitas semelhantes. Portanto, não há tempo a perder.
 
As pessoas devem tratar esta situação como se estivesse assinada uma ordem de execução de Mumia e a data de execução fosse amanhã, porque é o que pretendem as autoridades. Não tem a mínima intenção de libertar Mumia, e não estão interessados ​​deixá-lo viver uma longa vida na prisão para seguir sendo um exemplo de resistência ao mundo. Eles querem vê-lo morto, e se podem conseguir pela negligência médica, o farão.
 

 
Eles não conseguiram executar Mumia em 1995, e tiveram que removê-lo do corredor da morte em 2011 apenas por causa da pressão muito forte da opinião pública. Para Mumia, a única maneira de sobreviver ao ataque atual contra sua vida será pelas exigências de muitíssimas pessoas para que ele tenha uma dieta saudável e cuidados de um médico independente. Não pedimos nada que não tenha sido feito nas prisões da Pensilvânia antes. Existem dietas especiais para pessoas com problemas de saúde, mas não para Mumia. Desde que ele recebeu alta no hospital e foi enviado de volta para a prisão os problemas de saúde começaram, os seus níveis de açúcar no sangue subiram porque, entre outras razões, apenas lhe dão alimentos como massas, que são perigosos para as pessoas com diabetes.
 
Os ataques contra a sua saúde também distraem as pessoas do fato de que Mumia é inocente e nunca deveria ter passado um dia na prisão. O sacrifício que Mumia e os “9 do MOVE” estão fazendo, como o sacrifício supremo que Phil e Merle África já fizeram, tem sido para o bem de todos. Agora, as pessoas precisam corresponder com mostras de apoio. Se você não agir agora, sua sentença de morte pode ser executada amanhã.
 
4 de abril de 2015.
 
Comunicado do ICFFMAJ (Grupo Internacional da Família e Amigos de Mumia Abu-Jamal) e do MOVE
 

LIBERDADE PARA KHALIDA JARRAR !

 
"Na manhã de quinta-feira, dia 2 de abril, mais de 60 soldados da ocupação israelense atacaram a casa da parlamentar palestina Khalida Jarrar, uma dirigente da esquerda palestina e feminista. Ela foi brutamente presa, o exército entrou em sua casa com um pontapé na porta e deteve seu marido em um quarto separado.
Dirigente da Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP), Khalida Jarrar resistiu à ordem do exército de ocupação de expulsá-la de Ramallah à Jerico por seis meses em setembro de 2014.
Quem é Khalida?
Khalida é uma advogada palestina, especializada na defesa dos prisioneiros palestinos no complexo Addamer. Ela preside o Comitê do Conselho Legislativo Palestino dos Prisioneiros. Ela é igualmente ativa no movimento das mulheres palestinas, uma voz feminista de primeiro plano na defesa dos direitos das mulheres.
Desde 1998, ela foi proibida de viajar ao exterior da Palestina ocupada; em 2010, por necessidade de uma tratamento médico na Jordania, ela lutou durante meses em uma campanha publica para poder finalmente receber seu tratamento.
Em agosto e setembro de 2014, uma campanha internacional de apoio à Khalida Jarrar foi lançada, exigindo a anulação da "ordem de vigilancia especial" e de sua transferência forçada de Ramallah à Jericó. Jarrar recusou a expulsão para Jericó. Por outro lado, ela colocou uma tenda de protesto na corte do Conselho Legislativo Palestino, em Ramallah, onde ela viveu e trabalhou até a ordem que a retirou em 16 de setembro de 2014. "É a ocupação que deve deixar nossa pátria", declarou Jarrar. A tenda foi visitada por inúmeros delegados paletinos e internacionais incluindo os membros internacionais do Parlamento.
Hoje, existem 18 membros do Conselho Legislativo Palestino declarados prisioneiros por Israel, sendo 9 em prisão administrativa sem processo ou pena. Os membros do CLP foram varias vezes e sistematicamente alvo das forças de ocupação israelenses.
A campanha Khalida Jarrar solidariedade é para exigir sua liberação imediata.
Libertem Khalida Jarrar !
Palestina viverá, Palestina vencerá !

Como você pode apoiar Khalida Jarrar:
1. Clique aqui: Envie uma mensagem para as forças de ocupação israelenses, exigindo a libertação imediata de Khalida Jarrar. É importante que eles descubram que Khalida tem apoiadores em todo o mundo que não vão ficar em silêncio diante dessa injustiça.
2. Assine a petição! Cadastre-se e compartilhar esta petição, exigindo liberdade para Khalida Jarrar, imediatamente !
3. Contacte o seu representante do Parlamento, representante ou membro do Parlamento Europeu. O ataque a Khalida é um ataque à legitimidade parlamentar palestina e sua expressão política. Os parlamentares têm a responsabilidade de pressionar Israel no sentido de cancelarem esta ordem.
4. Utilize os materiais de campanha para informar seus comunidade, parlamentares e outros sobre o caso de Khalida.
5. Realize e participe de um protesto no consulado ou embaixada israelense de seu país, em favor de Khalida Jarrar. Leve cartazes e folhetos sobre o caso de Khalida. Realize um evento em seu local de trabalho, seu local de estudo, sua organização, sua entidade e na sua comunidade, discutindo, num próximo evento, ato ou reunião o caso de Khalida, a Palestina e a luta por justiça social.
6. Boicote, sabote e sancione. Responsabilize Israel por suas violações do direito internacional. Não compre produtos israelenses, e faça campanha contra investimentos em empresas que lucram com a ocupação. Saiba mais em bdsmovement.net.
Liberdade para Khalida Jarrar, imediatamente !
Por favor, envie a carta abaixo para as forças de ocupação israelenses, exigindo sua libertação imediata:
Texto da carta :
Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Brigadier General Dani Efroni:
Escrevo hoje para exigir a libertação imediata de um membro do parlamento palestino - Khalida Jarrar. Jarrar, ativista de longa data dos direitos dos prisioneiros de longa data e líder política, foi presa em sua casa em Ramallah nas primeiras horas da manhã de 02 de abril, tendo sua casa invadida por dezenas de soldados e seu marido trancado em outro quarto.
O objetivo de prender líderes políticos palestinos pelas forças de ocupação israelenses é uma tentativa óbvia de silenciar e reprimir as reivindicações palestinas pela liberdade, pelo fim da ocupação e da segregação. A prisão de Khalida Jarrar é também um ataque à liderança e organização das mulheres palestinas.
Milhares de pessoas e organizações em todo o mundo estão com Khalida Jarrar contra a sua transferência ilegal forçada e sua expulsão pelas forças de ocupação israelenses (IOF, em inglês) no outono do ano passado, e estamos com ela agora para exigir a sua libertação imediata.
O mundo está assistindo e nós estamos com Khalida contra esta injustiça."
in site esquerda marxista

Etiquetas

Arquivo