NÃO PODEMOS DEIXAR SILENCIAR OS CRIMES DE
ISRAEL!
Ainda que Israel venha
a por termo à sua operação militar, não podemos deixar que um manto de silêncio
cubra os crimes hediondos cometidos durante a invasão de Gaza.
Não podemos esquecer os ataques a escolas e hospitais; os quase dois milhares de palestinos
mortos e os dez mil feridos; a dezena de milhar de edifícios públicos
destruídos ou danificados; as mais de 30.000 habitações danificadas; as escolas
e hospitais danificados; os locais religiosos, muçulmanos e cristãos,
danificados e profanados; o meio milhão de deslocados; as infra-estruturas
destruídas.
Sobretudo,
não podemos deixar esquecer que tudo isto decorre de uma ocupação ilegal sem
qualquer respeito pelos direitos da população sujeita a ocupação .
QUINTA-FEIRA, ÀS 18 HORAS, FRENTE À EMBAIXADA DE ISRAEL!
Israel não deseja a paz. Nunca quis tanto que estivesse errado o que
escrevo. Mas as evidências acumulam-se. Na verdade, pode dizer-se que
Israel nunca desejou a paz â uma paz justa, ou seja, baseada num acordo
justo para ambos os lados. Ã verdade que a saudação rotineira em hebreu
Shalom (paz) â shalom quando alguém se despede e shalom
quando alguém chega. E quase todos os israelitas dirão sempre que desejam a
paz, claro que sim. Mas não se referem ao tipo de paz que traz
justiça, sem a qual não hà paz e não haverá paz. Os israelitas desejam
paz, não justiça; certamente nada que se baseie em valores universais.
Nos últimos dez anos, aliás, Israel afastou-se até mesmo da aspiração de
construir a paz. Desistiu completamente dela. A paz desapareceu da
agenda; o seu lugar foi tomado por ansiedades colectivas, fabricadas
sistematicamente, e por questões pessoais, privadas, que agora têm
prioridade sobre todas as outras.
Os israelitas que ansiavam pela paz aparentemente morreram hà cerca
de uma década, depois do fracasso da reunião de Camp David em 2000, da
disseminação da mentira de que não hà um parceiro palestino para a paz
e, claro, do terrível periodo da segunda intifada, encharcado de sangue.
Mas a verdade è que, mesmo antes disso, Israel nunca desejou realmente a
paz. Nunca, nem por um minuto, Israel tratou os palestinos como seres
humanos com direitos iguais. Nunca viu o seu sofrimento como um sofrimento
humano e nacional compreensiveis.
Também o movimento israelita pela paz que se chegou a existir ,
morreu numa morte lenta, no meio das penosas cenas da segunda intifada e da
mentira da falta de parceiros. Tudo o que restou foi um punhado de
organizações tão empenhadas quanto ineficazes, face às campanhas de
deslegitimação montadas contra elas. Logo, Israel foi deixado na sua
postura isolacionista.
A evidência mais esmagadora da rejeição da paz por Israel é,
claro, o projeto dos colonatos de ocupação da Palestina. Desde o início
de sua existência, nunca houve um teste mais seguro ou mais preciso para
as verdadeiras intenções de Israel do que esse empreendimento
particular. Em linguagem clara: os construtores dos colonatos desejam
consolidar a ocupação e quem deseja consolidar a ocupação, não deseja a
paz. Esse é o resumo da Ópera.
Colonato
israelita construído em território palestino e separado pelo muro.
Para Lewy, os construtores dos colonatos desejam consolidar a ocupação, e
quem deseja consolidar a ocupação não deseja a paz
Considerando que as decisões de Israel são racionais, é impossível aceitar que a construção nos territórios e a aspiração pela paz possam coexistir mutuamente. Cada construção nos colonatos de ocupação, cada casa móvel e cada varanda transmitem rejeição. Se Israel quisesse alcançar a paz através dos Acordos de Oslo, teria ao menos parado, por iniciativa própria, de construir colonatos. O facto de que isso não aconteceu prova que Oslo foi uma fraude, ou, na melhor das hipóteses, a crónica de um fracasso anunciado. Se Israel desejava construir a paz em Taba, em Camp David, em Sharm el-Sheikh, em Washington ou em Jerusalém, o seu primeiro passo teria sido acabar com toda ocupação nos territórios. Incondicionalmente. Sem exigir nada em troca. O facto de Israel não o ter feito é a prova de que não quer uma paz justa.
Mas os colonatos são apenas um dos indicadores das intenções de Israel. O seu isolamento está entranhado bem mais fundo – no seu ADN, a sua corrente sanguínea, as suas crenças mais primordiais. Lá, no nível mais profundo, está o conceito de que esta terra está destinada apenas aos judeus. Lá, no nível mais profundo, está entrincheirado o valor de “am sgula” — os escolhidos por Deus.
Na prática, isso se traduz na noção de que, nesta terra, os judeus estão autorizados a fazer o que aos outros é proibido. Esse é o ponto de partida, e não há como chegar a uma paz justa a partir daí. Não há nenhuma maneira de alcançar uma paz justa quando o nome do jogo é desumanização dos palestinianos. Não há forma de conseguir alcançar a paz quando a sua demonização é martelada na cabeça das pessoas dia após dia. Quem está convencido de que cada palestiniano é um suspeito e quer “atirar os judeus ao mar” nunca vai construir a paz com os palestinianos. A maioria dos israelitas está convencida de ambas as afirmações.
Na década passada, as duas populações foram separadas uma da outra. O jovem israelita médio nunca se encontrará com o seu par palestiniano, a não ser durante o seu serviço militar (e, mesmo assim, apenas se servir nos territórios ocupados). Nem o jovem palestiniano médio encontrará um israelita da sua idade, a não ser o soldado que o hostiliza no checkpoint, ou invade a sua casa no meio da noite, ou o colono que usurpa a sua terra ou queima os seus bosques.
Em consequência, o único encontro entre os dois povos é entre os ocupantes, que são armados e violentos, e os ocupados, que são desesperados e também se voltam para a violência. Foram-se os tempos em que palestinianos trabalhavam em Israel e israelitas iam fazer compras na Palestina. Foi-se o período de relações meio-normais e um-quarto-iguais, que existiram por poucas décadas entre dois povos que dividiam o mesmo pedaço de território. É muito fácil, nesse estado de coisas, incitar e inflamar um contra o outro, espalhar medos e instigar novos ódios sobre os já existentes. Essa é, também, uma receita certa de não-paz.
Foi assim que um novo anseio israelita surgiu: o desejo de separação: “Eles ficam lá e nós ficamos aqui (e lá também)”. Num momento em que a maioria dos palestinianos – avaliação que me permito fazer, após décadas de cobertura nos territórios – ainda quer coexistência, mesmo que cada vez menos, a maioria dos israelitas quer não-envolvimento e separação, mas sem pagar o preço. A visão de dois estados ganhou adesão generalizada, mas sem qualquer intenção de implementá-la na prática. A maioria dos israelitas é a favor, mas não agora e talvez nem mesmo aqui. Eles foram treinados a acreditar que não há parceiro para a paz – isto é, um parceiro palestino – mas há um parceiro israelita.
Infelizmente, a verdade é quase o oposto. Os palestinianos não-parceiros não têm mais nenhuma hipótese para provar que são parceiros; os não-parceiros israelitas estão convencidos de que são interlocutores. Começou então um processo em que as condições, obstáculos e dificuldades impostas por Telaviv se amontoaram, mais um marco no isolamento israelita. Primeiro, veio a exigência de acabar com o terrorismo; em seguida, a exigência pela troca da liderança (Yasser Arafat visto como uma pedra no caminho); e depois disso o Hamas tornou-se o obstáculo. Agora é a recusa dos palestinianos em reconhecer Israel como um Estado judeu. Israel considera legítimo cada passo que dá – de prisões políticas em massa à construção nos territórios –, enquanto todo o movimento palestiniano é considerado “unilateral”.
O único país sem fronteiras do planeta não quis, até aqui, delimitar sequer as fronteiras que estaria pronto a aceitar num acordo. Israel não internalizou o facto de que, para os palestinianos, as fronteiras de 1967 são a mãe de todos os acordos, a linha vermelha da justiça (ou justiça relativa). Para os israelitas, elas são “fronteiras suicidas”. Essa é a razão pela qual a preservação do status quo se tornou o verdadeiro alvo, o objetivo primordial da política de Israel, quase o seu tudo ou nada. O problema é que a situação existente não pode durar para sempre. Historicamente, poucas nações aceitaram viver sob ocupação sem resistência. E também a comunidade internacional estará apta, um dia, a proferir um pronunciamento firme, acompanhado de medidas punitivas, sobre este estado de coisas. Segue-se que o objetivo de Israel é irrealista.
Desconectada da realidade, a maioria dos israelitas mantém o seu estilo de vida normal. Aos seus olhos, o mundo está sempre contra eles, e as áreas de ocupação à sua porta estão fora de sua esfera de interesse. Quem ousa criticar a política de ocupação é rotulado de antissemita, cada acto de resistência é percebido como uma ameaça existencial. Toda a oposição internacional à ocupação é lida como “deslegitimização” de Israel e como um desafio para a própria existência do país. Os sete mil milhões de pessoas do mundo – a maioria das quais contra a ocupação – estão erradas, e seis milhões de judeus israelitas – a maioria dos quais apoia a ocupação – estão certos. Essa é a realidade na visão do israelita médio.
Some a isso a repressão, a ocultação e a dissimulação, e você tem uma outra justificação para o isolamento. Por que alguém deveria lutar pela paz, desde que a vida em Israel seja boa, a calma prevaleça e a realidade se mantenha oculta? A única maneira de a Faixa de Gaza, sitiada, lembrar as pessoas da sua existência é atirando foguetes, e, atualmente, a Cisjordânia só entra na agenda quando há sangue derramado por lá. Da mesma forma, o ponto de vista da comunidade internacional só é levado em conta quando tenta impor boicotes e sanções, que por sua vez geram imediatamente campanhas de autovitimização cravejadas de contundentes – e, às vezes, também impertinentes – acusações históricas.
Este é, pois, o quadro sombrio. Não contém um raio de esperança. A mudança não vai acontecer por si mesma, a partir do interior da sociedade israelita, caso se continue a comportar como se comporta. Os palestinianos cometeram mais do que um erro, mas os seus erros são marginais. A justiça de base está do seu lado, e o isolamento de base é o limite dos israelitas. Eles querem ocupação, não paz.
Tenho a esperança de estar errado.
Soldado
israelita intimida e ameaça palestinos num checkpoint. O
encontro entre os dois povos é entre os ocupantes, que são armados e
violentos, e os ocupados, que são desesperados e também se voltam para a
violência
Palestinos
num curral,num checkpoint. O Apartheid baseia-se na manipulação do
conceito religioso segundo o qual os judeus são o povo
escolhido por Deus
Foram muitos os que acorreram ao Saldanha em Lisboa, manifestando o seu repúdio contra os massacres em Gaza provocados pelo estado nazi-sionista de Israel . Os manifestantes deslocaram-se á embaixada de Israel a escassas centenas de metros onde ecoaram palavras de ordem como : assassinos ! assassinos ! assassinos ! Fim aos massacres ...! Após algum tempo à embaixada por sinal num edifício onde habitam cidadãos e cujo bairro se vê privado de passeios em nome de uma denominada segurança, diríamos que vendo a situação ao contrário sim a representação de um estado terrorista é sim a insegurança para todos quantos habitam nas suas proximidades. Diziamos, após ser lavrado o protesto com a queima de uma bandeira israelita a manifestação continuou pelas ruas da cidade terminando no largo do Rossio , sendo evidente a combatividade contra o genocídio do povo palestiano .
Terminou a noite passada o Festival Musicas do Mundo em Sines, contou com a presença da banda musical Balkan Beat Box, onde pontuam emigrantes israelitas a viverem nos Estados Unidos . Independentemente da visão destes músicos têm sobre o genocídio na Palestina, o facto é que no decorrer do Concerto apareceram faixas de pano, cartazes e bandeiras da Palestina , gritando-se contra o massacre e apelando ao boicote a Israel. O concerto , último no Castelo de Sines estava cheio, com largos milhares de pessoas.
Esta acção de algumas dezenas de activistas, suscitou desde logo o apoio de quem estava a assistir ao espectáculo obrigando os músicos a apelarem á Paz e ao termo das acções militares. O Concerto terminou com as palavras PEACE ! PEACE ! PEACE !
Concerto
STOP AO MASSACRE EM GAZA
BOICOTE A ISRAEL
Domingo, 27 julho, 21h - Largo do Intendente
com
Omiri - Hezbo MC - LBC Soldjah - Bandex - Francisco Fanhais - Flak - Manuel João Vieira - Gazua - King Mokadi - Marco Rodrigues - Ricardo Parreira (guitarra portuguesa)
Noam Chomsky sobre o genocídio sionista de Israel em Gaza:
“É um assassínio!”
“É um assassínio! A incursão e o bombardeamento de Gaza não são para destruir o Hamas. Não se trata de parar o lançamento de mísseis sobre Israel, não se trata de alcançar a paz.
A decisão de Israel de lançar a morte e a destruição em Gaza, o uso de armas letais do campo de batalha moderno contra uma população civil indefesa, é a fase final de uma campanha de décadas para limpar etnicamente os palestinianos.
Israel utiliza sofisticados aviões de ataque e tanques de guerra para bombardear densamente acampamentos de refugiados, escolas, edifícios de apartamentos, mesquitas e bairros baixos para atacar uma população que não tem força aérea, nem defesa aérea, sem marinha, sem armas pesadas, nenhuma unidade de artilharia, sem armamento mecanizado, sem nenhum comando no controlo, nem exército... e chama a isso guerra. Não é uma guerra, é um assassínio.
Quando os israelitas nos territórios ocupados agora afirmam que têm de se defender, estão a defender-se no sentido em que qualquer ocupante militar tem de defender-se da população que está a oprimir. Não é possível defender-se quando se está a ocupar militarmente uma terra alheia. Isso não é defesa. Chamem-lhe como quiserem, não é defesa.
Julguem vocês próprios pelas imagens que não divulga a imprensa ocidental.”
Publicado em 12.7.2014 em Tercera Información:
Traduzido do castelhano pelo CSP
Comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina com o qual nos indentificamos, partilhando a convocatória de uma iniciativa de rua contra a política terrorista do estado de Israel .

O método não é novo: de cada vez que o governo de Israel se sente pressionado internacionalmente, ou o povo palestiniano se une para determinar o seu caminho, procura um pretexto para lançar uma onda de violência sobre a população palestiniana. Os pretextos são, com frequência, acções atribuídas ao Hamas, neste caso, o rapto e assassinato de três colonos, acusação rejeitada por esta organização.
A violência e a morte intensificou-se nos últimos dias, em nome de um direito de "retaliação". Embora a imprensa repita, sem questionar, essa versão, sabemos que se trata, na verdade, de crimes de guerra perpetrados por uma potência ocupante.
O governo português, como tantos outros, tem-se calado perante mais este massacre contra o povo da Palestina ocupada. Cabe-nos a todos pressionar o governo para que tome posição contra os crimes de guerra de Israel e contra o terror imposto pelas forças de ocupação.
Por isso, várias organizações, entre as quais, o Comité de Solidariedade com a Palestina apelam a uma
CONCENTRAÇÃO SEGUNDA-FEIRA 14 de Julho, às 18 HORAS
NO ROSSIO, EM LISBOA
GENERAL DESCRIPTION OF THE PORTUGUESE PENITENTIARY SYSTEM
Portugal has 51 prisons of different types: 15 penitentiaries (“central prisons”, normally larger ones) for inmates condemned to serve more than 6 months; 31 penitentiaries (“regional prisons”) for inmates condemned to serve less than 6 months; and five penitentiaries (“special prisons”) for inmates who need special attention, such as women, youths, policeman, and the sick (hospital).
The first type of penitentiary has security wings to provide stricter isolation for problematic prisoners out of disciplinary regime. There are three types of general security regimes: medium, high and special. Monsanto Prison being the only special regime penitentiary – meaning a kind of North-American supermax regime.
Almost all prison buildings are old. A renewal programme began in 2001, and in 2004 an official assessment of the prison system was presented to the public with the declaration that, with the progress being made, it would be possible to have an up-to-date “European-style” prison system within 12 years (2016). This programme included the concentration of facilities and population in just a few much larger high-tech buildings. However, due to the financial crisis, except for Caxias and Carregueira, which are new buildings (Caxias built into an older complex), all the plans to build new prisons were halted and the decommissioning of old prison sites reversed. In its place is now a renovation programme of old buildings, meaning later 19th century, first half of the 20th century.
Starting in the 80’s, the Portuguese penitentiary system is characterized by the growing political weight of the guards’ union, the introduction of organized distribution of illegal drugs into the prisons resulting from the intensification of the “war on drugs,” and the fragility of the administrative system with its tendency to hide behind justifications. These issues, among others, make for a prison system which, forgotten and left to its own devices by an ignorant and pretentious political class, has become inward looking and aggressive in its defensiveness. A problematic dynamic that has led to the stigmatisation not just of the inmates but also of the people working in prison.
The problems continue with a chain of command broken at various levels, most significantly between the Ministry and the director-general, between the director-general and the guard corps and between prison directors and guards. Disconnected from the Ministry, the Directorate General is frequently left to both draw up prison policies and to be publicly accountable for what goes on in prison. The prison directors, out of touch with the DG, are left at the mercy of securitism (the prioritisation of security), which is the responsibility of the chiefs of the guards, whose power basis is long standing. The chiefs of the guards tend to get assigned to specific prisons on a long term basis, in contrast to the mobility of the directors
[1]. This increases the likelihood that a director may not even get to fully comprehend the power dynamics in the prison, even when these are arrayed against her/him. There are also those directors who are afraid of getting to know the wings and talk to the prisoners, something that the DG does not appear to think it makes them unsuitable for the position. There is the informality that develops between guards and prisoners that can grow into a sort of intimacy where the exchange of favours and privileges are used as management tools. And, perhaps most glaringly, inspection entities who fear that their actions might disturb the status quo, the informal outlines of which they do not know nor want to know. The inspectors’ argument being that they need to have the trust of the local agents under inspection because they are dependent upon the information that these may be willing to proffer, and that penitentiary powers must not be challenged, for those who would suffer the consequences, as retaliation, would be the prisoners.
The fact is that each prison has its own rules defined locally, and neither attempts at standardization via administrative nor legislative means can bear results in a system in which respect for legality is not assured by either regulatory entities, the courts or police forces.
O MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente – manifesta a sua profunda preocupação pela escalada de violência por parte das forças armadas e de civis israelitas contra a população da Palestina ocupada, alegadamente como resposta à morte de três jovens colonos israelitas ocorrida em circunstâncias por esclarecer, numa zona C da Margem Ocidental, sob controlo do exército de ocupação de Israel. Estas acções não são mais que o intensificar de um clima de violência omnipresente no quotidiano dos palestinos.
O MPPM condena vivamente o assassinato dos três jovens israelitas por agressores não identificados. Como condena todas as mortes de civis inocentes, quaisquer que sejam as nacionalidades das vítimas e dos agressores. Condena, por isso, o bárbaro assassinato de Mohammed Abu Khdair , no passado dia 2, por elementos das milícias de colonos judaicos de Jerusalém, que o raptaram, torturaram e queimaram. Como condena a agressão e tentativa de rapto, na véspera, de Musa Zaloum, de 8 anos, e o acto criminoso que deixou Sanabel Al-Tous, de 9 anos, às portas da morte. Como condena, ainda, a morte a sangue frio, pelo exército israelita, de Nadim Nwarah, de 17 anos, de Mohmmad Odeh, de 16 anos, Mohammad Dudeen, de 15 anos, e de Yousef Abu Zagha, de 16 anos. O MPPM denuncia, por isso, o silêncio, ou a cumplicidade dúplice dos que lamentam compungidamente a morte dos jovens colonos israelitas, e se mostram insensíveis e assistem em silêncio à brutalidade a que a população palestina é sujeita por parte do aparelho militar de Israel.
Todos estes actos de violência são fruto de campanhas de ódio aos palestinos, alimentadas pelas forças de ocupação e o governo de Israel e perante o silêncio cúmplice dos seus aliados, a começar pelos Estados Unidos da América. Os incitamentos à violência são constantes. Em Haifa, membros do Likud exigiram a morte de Hanin Zoabi, uma deputada árabe-israelita do Knesset. O antigo ministro da Defesa de Israel, Benjamin Ben-Eliezer, pediu ao governo o assassinato dos líderes do Hamas. Soldados israelitas publicam impunemente selfies com mensagens de “morte aos árabes”.
À luz do direito internacional, designadamente da Quarta Convenção de Genebra, Israel, enquanto potência ocupante da Palestina, tem a obrigação de garantir a segurança da população ocupada e está impedida de transferir pessoas do seu território para o território ocupado. Ao invés, Israel intensifica, a cada dia que passa, a sua política ilegal de construção de novos colonatos e de expansão dos existentes, incluindo nos seus habitantes grupos que abertamente advogam o racismo e a violência contra os palestinos. Os actos criminosos cometidos por colonos contra os habitantes da Palestina ocupada ficam, sistematicamente, impunes. Como têm ficado impunes a vandalização de lugares sagrados de cristãos e muçulmanos, como tem ficado impune a destruição de património de palestinos.
De par com estes actos de violência, Israel iniciou operações militares de grande envergadura contra a Faixa de Gaza e a Margem Ocidental.
Na que é considerada a maior operação militar contra a Margem Ocidental na última década, Israel invadiu campos de refugiados, aldeias e cidades. De acordo com a Autoridade Palestina, quase 600 palestinos foram presos na operação, incluindo 24 deputados do Conselho Legislativo. Pelo menos quinze palestinos, incluindo crianças, foram mortos.
Também na Faixa de Gaza a população civil tem sido alvo de ataques de mísseis e bombardeamentos de artilharia. Há notícia de civis mortos e feridos em Al-Qarara, Al-Shatei e Khuzaa’ . Estes ataques acarretam, também, a destruição de propriedades e infra-estruturas, afundando ainda mais a debilitada economia da região, vítima de um bloqueio ilegal e desumano, e agudizando as condições dramáticas em que vive a população palestina, encarcerada na sua própria terra.
É urgente e inadiável que a opinião pública portuguesa se insurja contra este estado de coisas e exija, nomeadamente do Governo de Portugal:
- O fim imediato da espiral de violência punitiva contra civis, das prisões e detenções em massa, dos ataques e das incursões militares israelitas;
- A libertação das centenas de presos dos últimos dias, bem como dos milhares de presos políticos palestinos;
- Uma investigação isenta e levada às últimas consequências dos crimes de guerra cometidos por Israel enquanto potência ocupante da Palestina;
- O fim da expansão ou construção de novos colonatos, e o desmantelamento de todos os existentes que são, à luz do direito internacional, ilegais e ilegítimos
- Boicote activo às relações com os colonatos judaicos ilegais e com as entidades que com eles compactuam
- Apoio humanitário ao povo palestino vítima dos ataques criminosos de civis e militares israelitas
- Fim do bloqueio ilegal à Faixa de Gaza e retirada das forças de ocupação da Margem Ocidental;
- O fim da ocupação sionista e a constituição de um Estado Palestino dentro das fronteiras anteriores a 1967, com Jerusalém Leste como capital, e uma solução justa para o problema dos refugiados palestinos, de harmonia com o direito internacional, e desde logo as resoluções pertinentes das Nações Unidas.
Lisboa, 5 de Julho de 2014
A Direcção Nacional do MPPM
Dezoito dias após o desaparecimento de três jovens colonos perto de Hebron, os seus corpos foram encontrados na segunda-feira desta semana.
Ninguém até hoje reivindicou o presumível rapto e assassinato. Mas Israel já tem o seu culpado: "O Hamas vai pagar", disse Netanyahu quase imediatamente após a descoberta. O ministro israelita da Economia reclamou mesmo a execução de presos palestinianos que estejam acusados de crimes de sangue.
É que em Israel as investigações e os tribunais são supérfluos, quando as vítimas são israelitas, mesmo quando elas não são quaisquer israelitas: embora a imprensa goste de falar dos "jovens", "adolescentes", "estudantes" israelitas, a verdade é que a característica mais importante destas três vítimas é a de serem colonos, instalados nas terras roubadas pela força das armas aos seus habitantes. Só desde 2000 já foram mortas 1.500 crianças palestinianas pelas forças de ocupação.
O terror agora anunciado por Netanyahu não esperou, aliás, pela descoberta dos cadáveres; ele começou logo a seguir à notícia do desaparecimento dos três colonos e ao longo de quase três semanas de busca num território reduzido e completamente controlado pelas forças de ocupação. Só nos últimos dias tinham sido assassinados 12 palestinianos, metade crianças. Mais de 500 palestinianos tinham sido detidos. A partir da segunda-feira, o castigo colectivo agravou-se, com a intensificação dos bombardeamentos sobre Gaza; a destruição das casas de dois palestinianos "suspeitos"; a morte de um rapaz de 16 anos abatido a tiro em Jenin, as incursões de soldados e colonos em Hebron. A reacção do governo israelita desencadeou autênticos pogroms organizados pelos colonos e suas milícias armadas contra a população palestiniana. Ontem foi raptado, torturado e assassinado pelos colonos mais um adolescente palestiniano.
O governo israelita sempre encontrou os seus pretextos - tão facilmente aceites pela maioria dos governos no mundo - para dizer que a paz é impossível na Palestina. Qualquer acto de violência do lado palestiniano lhe serve para acusar o Hamas e justificar o terror sobre uma população inteira. O recente acordo de entendimento político entre a Autoridade Palestiniana e o Hamas é inaceitável para Israel, que procura por todos os meios a ruptura entre os dois partidos palestinianos. E é especialmente preocupante para Israel o facto de ganhar cada vez mais adesão internacional a campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) que ameaça a própria existência do seu regime de apartheid e limpeza étnica.
O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, publicado hoje, anunciando a adesão do governo português às recomendações da União Europeia para dissuadir qualquer tipo de actividade nos colonatos ou de relações com entidades que neles actuem mostra bem a importância que está a tomar essa campanha.
Comunicado do Tribunal Mundial do Iraque - secção portuguesa sobre os acontecimentos em curso no Iraque
Com base na comunicação social livre e no testemunho de iraquianos vivendo dentro e fora do Iraque, o Tribunal-Iraque divulga as seguintes informações.
1. Os êxitos militares da insurreição e o colapso das forças do governo de Nuri al-Maliki provam que a população iraquiana está farta do regime. O sentimento generalizado é de que "nada pode ser pior do que aquilo que temos". Sem apoio, o regime chegou a um ponto de ruptura.
2. A luta tem a participação de diferentes organizações e forças políticas. Quer nos combates, quer no governo das cidades libertadas, a acção está a ser coordenada por um Conselho Militar da Revolução formado por antigos militares iraquianos, jovens revolucionários e membros das tribos.
Uma tal conjugação de forças mostra que está em marcha um levantamento geral com amplo apoio da população.
3. A participação no movimento de forças do Partido Baas, das Brigadas da Revolução de 1920, de chefes militares das antigas forças armadas iraquianas, de organizações de resistência islamistas, desmente o papel exclusivo atribuído pelos meios políticos ocidentais a organizações como o ISIL-ISIS (Estado Islâmico do Iraque e Levante ou Estado Islâmico do Iraque e Síria).
Esta distorção dos factos, prontamente repetida pela comunicação social, destina-se a tornar mais fácil neutralizar a opinião pública com a acusação de que se trataria de uma movimentação "terrorista", e a conseguir assim justificação para uma intervenção militar ou para os bombardeamentos indiscriminados levados a cabo pelo regime instalado em Bagdade.
4. Os alvos da insurreição são claros: o governo e toda a estrutura de poder liderada por al-Maliki, herdeiro do sistema político imposto pela ocupação norte-americana — e, com ele, a dominação exercida pelo imperialismo EUA e a influência de todas as forças externas que se envolveram no conflito iraquiano.
5. A insurreição em curso é de natureza nacionalista e patriótica. O último comunicado do Conselho Militar da Revolução (14 de Junho) especifica os objectivos do levantamento popular:
Restaurar a justiça e não buscar a vingança. Toda a prestação de contas tem de ser feita de acordo com a lei e através de um processo justo.
Respeito pelos países vizinhos e pela sua soberania.
Pôr fim ao sectarismo político e à repressão que foi instalada pela ocupação.
Iniciar um processo constituinte que represente todos os iraquianos.
6. Testemunhos com origem nas cidades libertadas revelam que a população participa na organização da vida diária. Não há notícias de massacres ou vinganças. Não é significativa a presença de forças não-iraquianas. As barreiras à circulação das pessoas foram removidas. A população que inicialmente fugiu, nomeadamente a de Mossul, regressa agora a casa. O seu maior receio é que o governo de al-Maliki ou os EUA respondam com bombardeamentos, como foi feito em Faluja e Ramadi.
7. Diversas organizações , religiosas e laicas, declararam apoio à revolta e apelam à população e aos combatentes para que mantenham a unidade, rejeitem actos sectários e tratem escrupulosamente a população das cidades libertadas por forma a que "estas cidades se tornem um exemplo para outras que as queiram seguir" (carta aberta da Associação dos Ulemas Muçulmanos no Iraque).
Os acontecimentos dos últimos dias só surpreendem pela natureza fulminante das acções militares dos revoltosos. Mas não espantam se se tiver em conta o que tem sido o sofrimento da população iraquiana nos últimos 10 anos e a resistência que tem oposto à ocupação e ao regime bárbaro que se lhe seguiu. O que agora se passa culmina a resistência armada de 2003-2006, as grandes manifestações de 2011, os protestos generalizados de 2012-13 abafados a tiro pelo regime. E responde às miseráveis condições de vida, aos massacres e arbitrariedades, ao roubo dos recursos nacionais. Nestes 10 anos amadureceram as condições para uma mudança de grande envergadura no Iraque.
“Não fui informada pelo meu agente e desconhecia eu própria que um apelo ao boicote de Israel tinha sido lançado pelo povo palestiniano, senão não teria aceitado ir cantar em Telavive”, escreveu Sinead O'Connor no seu site.
A cantora irlandesa quer cancelar o seu concerto marcado para 11 de setembro em Telavive, caso não tenha penalizações financeiras, pois, afirma, é o único ganha-pão dos seus quatro filhos. Entretanto, retirou o anúncio do concerto do seu site.
O compositor Raymond Deane foi uma das pessoas que a aconselhou a respeitar o boicote cultural contra Israel, juntando-se assim aos 265 artistas irlandeses que já se comprometeram a não actuar em Israel enquanto este país a violar o direito internacional: “Senão, estarás a cuspir na cara dos oprimidos, daqueles que não terão direito a assistir ao teu concerto, daqueles que estão fechados na faixa de Gaza, das mães de família que dão à luz nados-mortos nos checkpoints, das crianças palestinianas que são torturadas nas prisões israelitas. A tua presença será explorada pelo regime israelita que declarou em 2005 não ver diferença entre a cultura e a propaganda.”
Fonte: Haaretz e EuroPalestine
Rossio # 6 | Realidade e perspectivas: o papel da arte nos campos de refugiados palestinos
Sexta-Feira, 20 de Junho | 21h30
MOB Espaço Associativo | Rua dos Anjos, 12 F | Lisboa
“De uma raiz mais profunda”
Neste ano de 2014, proclamado pelas Nações Unidas como Ano Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, a Apordoc – Associação pelo Documentário - acolheu uma proposta do MPPM para assinalar o Dia Mundial do Refugiado com uma sessão no Rossio (“um cineclube informal, irregular e itinerante”) dedicada aos refugiados palestinos: porque dois em cada cinco refugiados em todo o mundo são palestinos; porque os refugiados palestinos são os que se encontram há mais tempo nesta situação; porque 7 milhões de palestinos, constituindo três quartos da população, são refugiados ou deslocados.
A questão dos refugiados ocupa uma posição central no ideário do movimento nacional palestino. A esperança do regresso às casas e terras de que foram expulsos, em consequência da criação do estado de Israel e das sucessivas guerras que lhes foram impostas, passa imorredoura de geração em geração. Contam, para isso, com a força da solidariedade dos povos de todo o mundo para que levem a Comunidade Internacional a assumir as suas responsabilidades históricas, viabilizando a constituição do Estado Palestino livre e com uma solução justa para a questão dos refugiados, dando cabal cumprimento às sucessivas resoluções da Nações Unidas e respeitando o direito internacional e o direito internacional humanitário.
O programa abre com a exibição do documentário “Das Pedras à Liberdade” com montagem e edição de Paulo Vargues (A Barraca), que ilustra o trabalho do “Freedom Theatre”, um projecto cultural localizado no campo de refugiados de Jenin, na Palestina Ocupada, que visa a formação de elementos da comunidade utilizando as artes como motor da mudança social.
Micaela Miranda, uma actriz portuguesa que é professora no “Feedom Theatre”, irá contextualizar o seu trabalho na situação dos habitantes do campo de refugiados, ilustrando a intervenção com fotografias obtidas por si e por jovens refugiados.
O debate final será moderado pela APORDOC e os intervenientes serão Hélder Costa (A Barraca), Micaela Miranda (Freedom Theatre) e Carlos Almeida (MPPM).
Programa:
Documentário | Das Pedras à Liberdade | Paulo Vargues, 29'
Exibição fotográfica | O Teatro como forma de resistência na Palestina Ocupada | Micaela Miranda (Freedom Theatre)
Debate | O papel da arte nos campos de refugiados palestinos | Hélder Costa (A Barraca), Micaela Miranda (Freedom Theatre) e Carlos Almeida (MPPM)
A Apordoc - Associação pelo Documentário é uma associação cultural sem fins lucrativos. Fundada em 1998, o seu objectivo é estimular e promover uma cultura do documentário. A Associação pretende ser um espaço de encontro e discussão permanente para todos os interessados no documentário. No momento actual, a Apordoc tem procurado implantar-se na cidade de Lisboa e no restante território nacional de forma profunda e perene, em particular na área de programação de documentário e de projectos de literacia visual. Pretende-se assim cultivar e afirmar no espaço público outras frentes de trabalho e de relação com a sociedade portuguesa e com parceiros internacionais, para além dos eventos concentrados em poucos dias – como o DocLisboa - e que têm sido as principais marcas da Apordoc nos seus anos de existência.
O MPPM é uma Organização Não Governamental, democrática e apartidária, de solidariedade internacional, acreditada pelo Comité das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino (Deliberação de 17.09.2009) que visa promover, no plano da opinião pública, em conformidade com as resoluções das Nações Unidas, o apoio à criação nos territórios da Palestina ocupados por Israel desde 1967, de um Estado da Palestina, independente e soberano, com uma solução justa para a questão de Jerusalém e para a questão dos refugiados palestinos, bem como o apoio ao estabelecimento de uma paz global e duradoura no Médio Oriente. No quadro dos seus objectivos, procura mobilizar a opinião pública para uma efectiva solidariedade moral, política, cultural, material e humanitária com os povos que, no Médio Oriente, são afectados na sua segurança e dignidade, e nos seus inalienáveis direitos à autodeterminação, à independência nacional, à democracia e à paz, desenvolvendo relações de colaboração e de diálogo com personalidades, instituições ou organizações que se dedicam às causas da justiça e da paz entre os povos.
O Freedom Theatre foi inspirado num único projeto, “Cuidado e Aprendizagem”, que usou o Teatro e a Arte para abordar o medo crónico, a depressão e a perturbação do stress pós-traumático das crianças do Camp Refugiados de Jenin. Iniciado durante a 1ª Intifada. Foi construído tendo por inspiração o legado de Arna, pelo seu filho Juliano Mer Khamis. O Freedom Theatre está a desenvolver uma Comunidade artística criativa e entusiástica no Norte do West Bank. para além de dar ênfase ao profissionalismo e inovação, o objetivo do Teatro é também habilitar a juventude e as mulheres da Comunidade a explorar o potencial das artes como um importante catalisador de mudança social.
A Barraca iniciou a sua actividade com “A cidade dourada”, em 1976. Um já longo percurso que levou ao estudo da História e da Cultura, que conduziu a uma acção-testemunho do nosso tempo, e que a insere num campo de teatro internacional que, à falta de designação mais correcta e precisa, se pode definir por popular. Teatro popular, porque sem ser etnográfico ou museológico, estuda e aprofunda as metáforas tradicionais populares, recorre à imaginação, ao rigor da simplicidade, ao poético, e ao mágico. Teatro popular também, porque se quer comunicativo e interveniente, porque acredita na evolução e no progresso, porque gosta de fazer rir e de se divertir. E ainda teatro popular porque gosta do abraço do público, e lhe quer dar afectividade de calor. Para que haja mais público, melhor público e melhor teatro.