No próximo dia 4 de Abril assinalam-se 65 anos da criação da
NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte),
instrumento de domínio global, pelo qual foram
protagonizadas várias agressões a povos e a Estados
soberanos, que deixaram duradouros rastos de morte e
destruição, de que são exemplo a Jugoslávia, o Afeganistão o
Iraque e a Líbia, e bloco também responsável pela chocante
corrida aos armamentos que prossegue na actualidade.
Actos públicos a realizar no
dia 4 de Abril, em: Lisboa 18:30h
Início junto aos armazéns do Chiado deslocação até Largo Camões
Porto 17:30 h Praça da Liberdade Junto à Igreja dos Congregados
Pelo à participação nas iniciativas públicas que se
realizarão em Lisboa e no Porto, no dia 4 de Abril
Pela
Paz! Não à Nato!
Em 2014 assinalam-se 65 anos da criação da
NATO, o maior bloco político-militar do Mundo e meio belicista
fundamental através do qual os Estados Unidos da América e
seus aliados procuram assegurar o domínio global.
A NATO, instrumento pelo qual foram
protagonizadas várias agressões a povos e a Estados soberanos,
que deixaram duradouros rastos de morte e destruição, de que
são exemplo a Jugoslávia, o Afeganistão o Iraque e a Líbia, é
também responsável pela chocante corrida aos armamentos que
prossegue na actualidade. Os países membro deste bloco são
responsáveis por cerca de 75% das despesas militares mundiais.
No conceito estratégico desta aliança agressiva, permanece a
possibilidade da utilização de armas nucleares num primeiro
ataque e esta arroga-se o direito de actuar em qualquer parte
do globo, sob qualquer pretexto.
As organizações portuguesas, abaixo assinadas,
recordam que, aquando da realização da cimeira da NATO em
Portugal, em 2010, um grande movimento pela paz, demonstrou a
sua firme oposição à realização da Cimeira e aos seus
objectivos, organizando, ao longo do ano, dezenas de
iniciativas por todo o país, culminando com a grande
manifestação convocada pela «Campanha em Defesa da Paz e
contra a cimeira da NATO em Portugal - Campanha Paz Sim! NATO
Não!», onde participaram mais de cem organizações e dezenas
de milhares de pessoas que encheram a Avenida da Liberdade, em
Lisboa, denunciando os objectivos militaristas da NATO e
afirmando a necessidade da construção de um Mundo de paz,
solidariedade e cooperação.
Em 2014, ano em que também se comemoram os 40
anos da Revolução de Abril, que pôs fim à guerra colonial e
reconheceu a independência dos povos irmãos africanos, as
organizações subscritoras apelam à participação nas
iniciativas públicas que se realizarão em Lisboa e no Porto,
no dia 4 de Abril, para reafirmar as justas e legítimas
reivindicações e aspirações em prol da paz, designadamente:
- Oposição à NATO e a todos os blocos
militaristas e seus objectivos belicistas;
- Retirada das forças portuguesas envolvidas em
missões militares da NATO;
- Encerramento das bases militares
estrangeiras, nomeadamente em território nacional;
- Dissolução da NATO;
- Desarmamento e fim das armas nucleares e de
destruição massiva;
- Exigência do respeito e cumprimento da
Constituição da República Portuguesa e das determinações da
Carta das Nações Unidas, em defesa do direito internacional e
pela soberania e igualdade dos povos.
Organizações que
subscreveram, até o momento:
Associação
Conquistas da Revolução, Associação
de Amizade Portugal Sahara Ocidental, Associação
Intervenção Democrática - ID, Comité de
Solidariedade com a Palestina´, Confederação
Geral dos Trabalhadores Portugueses Intersindical Nacional, Confederação
Nacional da Agricultura, Confederação
Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos, Conselho
Português para a Paz e Cooperação,Cooperativa
Mó de Vida, Ecolojovem -
«Os Verdes , Federação
dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas,
Hotelaria e Turismo de Portugal, Federação
Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas,
Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica,
Imprensa, Energia e Minas, Federação
Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Funções Públicas
e Sociais, Juventude
Comunista Portuguesa,Movimento
dos Utentes dos Serviços Públicos,Movimento
pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente,Projecto
Ruído, Sindicato
dos Trabalhadores do Comércio Escritórios e Serviços de
Portugal, Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo,
Restaurantes e Similares do Sul,Sindicato
Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e
Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins, União dos
Sindicatos de Lisboa, União dos
Sindicatos do Porto
Por Yorgos Mitralias
Desta vez não há
dúvida. Monstruosa e horrível, a ameaça fascista está de volta, sem que a nossa
Europa se escandalize por aí além. A prova? Nazis “puro-sangue”, que se reivindicam
do 3º Reich e das suas divisões SS, perante os quais os brutos da Aurora
Dourada grega quase parecem meninos de coro, ocupam os postos mais nevrálgicos
(Ordem Pública, Defesa, Justiça) no governo interino ucraniano. E, o que é
mais, a sua presença nesse governo não choca nada os nossos media, que
se apressam a baptizá-los de ... “nacionalistas”, nem os nossos queridos
dirigentes europeus de todas as espécies (social-democratas incluídos), que se
apressam a reconhecê-los como parceiros totalmente frequentáveis.
Em suma, é como
se o processo de Nuremberga nunca tivesse existido! E não é tudo. O pior é que
os acólitos desses fantasmas de um mundo que acreditávamos – erradamente –
desaparecido para sempre se contam hoje
por milhares, se passeiam armados até aos dentes nas ruas de Kiev e de Lviv e,
sobretudo, estão a ganhar a confiança de um grande número dos seus
compatriotaas. Porque, paradoxo ou não, é infelizmente um facto que essa
revolta autenticamente popular que acaba de varrer o regime de Yanoucovitch tem
entre os seus dirigentes nostálgicos da colaboração banderista de Svoboda e –
sobretudo - os neo-nazis, em plena ascensão, de Praviy Sektor.
Então, se os
Svoboda e Praviy Sektor fazem parte do governo ucraniano sem que os nossos
dirigentes europeus ou norte-americanos – como aliás os nossos media de
grande dimensão e outras instituições internacionais – se perturbem, não nos
surpreendamos se todo esse belo mundo neo-liberal aceitar amanhã sem protesto a
presença de um partido como o Aurora Dourada num governo grego. Se Dmytro
Yarosh, chefe de Praviy Sektor, se torna o segundo de Andriy Parubi (aliás ele
próprio fundador do partido nacional-socialista da Ucrânia) à cabeça do
Conselho de Segurança Ucraniano, por que não amanhã o führer do Aurora
Dourada, N. Mihaloliakos, à frente dos Ministérios da Defesa ou da Ordem
Pública gregos? Eis uma razão mais para considerarmos o que se passa
actualmente na Ucrania como uma verdadeira viragem na história europeia do
pós-guerra, um imenso salto qualitativo da ameaça neo-fascista que pesa agora
sobre todos nós.
Mas não se trata
apenas disso. Independentemente do caminho que tomem os acontecimentos que vêem
afrontar-se no solo ucraniano não só a Rússia e a Ucrânia (igualmente
reaccionárias e enfeudadas aos oligarcas) mas também as grandes potências
imperialistas do nosso tempo, tudo indica que os neo-nazis ucranianos, já
poderosos, serão os únicos a aproveitar-se da devastação que não deixarão de
provocar tanto as políticas de austeridade do FMI como os ventos guerreiros e
nacionalistas que varrem a região. As consequências são previsíveis. Os
neo-nazis ucranianos em armas serão provavelmente capazes de estender a sua
influência para lá do Leste europeu e gangrenar o conjunto do nosso continente.
Como? Primeiro, impondo, no interior do campo da extrema-direita europeia em
ascensão, relações de força favoráveis ao neo-nazismo militante. Depois,
servindo como modelo de exportação ao menos para os países vizinhos (incluindo
a Grécia), já martirizados pelas políticas de austeridade e já contaminados por
vírus racistas, homofóbicos, anti-semitas e neo-fascistas. E, evidentemente,
sem esquecer o grande “argumento” que constituem os milhares e milhares de
armas – incluindo pesadas – na sua posse, que não deixarão de exportar. A
conclusão salta à vista. É o conjunto da paisagem, equilíbrios e relações de
força na Europa que será inevitavelmente transformado, às custas de sindicatos
operários, organizações de esquerda e movimentos sociais. Em palavras simples,
já há de que ter pesadelos.
Então, que mais
é preciso para que a esquerda europeia saia do seu actual torpor, toque o
alarme, se mobilize urgentemente e tome o mais rapidamente possível a única
iniciativa capaz de contrariar o tsunami fascista e fascistóide que se
aproxima: uma iniciativa que não pode senão visar a criação de um movimento
anti-fascista europeu, unitário, democrático, radical, de longa duração e de
massas, que combine a luta contra as políticas neo-liberais da austeridade
draconiana contra a peste castanha, onde quer que esta se manifeste. A hora não
é de tergiversações, nem de ilusões de que tudo se passa longe de nós, nem o
alibi da rotina anti-fascista que consiste em lutar no seu bairro ou no seu
país, sem ligar ao que se passa do outro lado da fronteira. Em primeiro lugar,
porque mesmo antes do alarme anti-nazi ucraniano a situação na Europa ocidental
era – e continua a ser – mais do que alarmante, justificando plenamente a
mobilização geral contra a subida impetuosa da extrema-direita. E depois, porque,
por mais necessárias que sejam, as lutas e as campanhas anti-fascistas
nacionais ou regionais não bastam, não estão à altura das circunstâncias
actuais, completamente excepcionais e históricas.
Por outras
palavras: anti-fascistas da Europa, desperte, porque já é quase meia-noite e a
história tende a repetir-se tão trágica como no passado.
Dois dias antes, Jihad Abdul Attawil, um preso de 47 anos, morreu depois de ter sido espancado e atacado com gás lacrimogéneo na sua cela.
Estes três exemplos não descrevem uma semana negra. Eles acontecem todas as semanas, todos os dias e são reveladores da brutalidade da ocupação e da impunidade dos crimes perpretados pelo exército e pelos colonos na Palestina.
Um artigo no Público, 27/02/2014: (Maria João Guimarães)
Repressão de manifestações palestinianas pelos soldados israelitas é um dos focos do relatório da organização de defesa de direitos humanos.
Samir Awad morreu em Janeiro de 2013. A investigação israelita à sua morte ainda decorre Mohamad Torokman/Reuters
Uso de força excessiva, clima de impunidade no exército, violações graves de direitos humanos e da lei internacional: são várias as acusações que a Amnistia Internacional (AI) faz a Israel sobre o seu tratamento dos palestinianos na Cisjordânia. A organização faz recomendações não só a Israel, mas também aos Estados Unidos e Europa: que suspendam o envio de armas para o país até “Israel poder assegurar que não as usará para violar a lei humanitária internacional”, disse Phillip Luther, director para o Médio Oriente da AI.
Israel reagiu dizendo que o relatório ignora as condições que os soldados enfrentam na Cisjordânia e argumenta que número de ataques dos palestinianos aos militares também aumentou.
No entanto, a Amnistia considera que a maioria das acções agressivas dos palestinianos – lançar pedras contra os soldados, às vezes contra torres distantes ou veículos blindados – raramente causam perigo à vida dos militares. E ainda assim, estes respondem normalmente com disparos, e por vezes matam.
O relatório de 80 páginas “Trigger happy – o uso excessivo da força por Israel na Cisjordânia” começa com o caso de Samir Awad, 16 anos, que saiu de um exame de Ciência para ir, com colegas, até ao muro que divide Israel da Cisjordânia, passando por um buraco a primeira vedação da barreira dupla. Os soldados correram atrás de Samir e dos outros jovens que estavam com ele. A primeira bala atingiu a perna, e Samir correu. “Quanto é que consegue correr uma criança ferida?”, perguntou um amigo de Samir, Malek Murrar, também de 16 anos. “Uns 20, talvez 30 metros? Eles podiam tê-lo prendido com facilidade, especialmente porque ele estava ferido. Mas em vez disso, dispararam contra ele com balas reais”, contou. A bala entrou pela parte de trás da cabeça e Samir morreu, diz o relatório. A investigação decorre há mais de um ano.
É um dos casos que a Amnistia diz que está a acontecer cada vez mais – “mortes e ferimentos de palestinianos como resultado de disparos ou outro tipo de violência por soldados israelitas fora de um contexto de conflito armado”. O contexto é muitas vezes o de protestos contra a ocupação.
O relatório cita números da ONU: em 2013 houve 27 palestinianos mortos por soldados israelitas (25 por balas reais disparadas por soldados israelitas, outros dois por balas de borracha). Em 2011 tinham morrido nove (oito por balas reais e um atingido por uma lata de gás lacrimogéneo) e em 2012 oito por balas reais.
“A maioria dos protestos começa em geral de forma pacífica mas vai ficando violento quando uma minoria, normalmente de jovens, começa a atirar pedras em direcção aos soldados israelitas, por sua iniciativa ou em resposta a uma acção agressiva das forças israelitas”, diz a AI. “Na prática, este atirar de pedras, mesmo quando são usadas catapultas, não representa risco, ou se representar é muito pouco, para os soldados, que estão geralmente muito longe e bem protegidos”. O lançamento das pedras, considera a Amnistia, “não terá mais do que um valor irritante”. Em 22 das 27 mortes palestinianas do ano passado, as vítimas não pareciam representar uma ameaça directa e imediata para os soldados. Assim, continua a AI, estes actos poderiam ser considerados “crimes de guerra”.
Gás lacrimogéneo dentro de casa
Israel muitas vezes reage também com “castigos colectivos”, segundo o relatório. Em Nabi Sabeh, onde há manifestações frequentes, a localidade é frequentemente declarada zona militar fechada e os seus habitantes sujeitos a acções como o uso de gás lacrimogéneo para dentro de casas ou ataques a paramédicos tentando assistir feridos. A AI critica o uso de irritantes químicos em espaços fechados, demasiado perto de pessoas, ou em locais onde possam contaminar água.
Outro ponto apontado no relatório é um clima de impunidade entre os militares. O Estado hebraico decidiu em 2011 exigir investigações a todas as mortes de palestinianos fora de contextos de combates. No entanto, de 20 investigações à morte de 24 palestinianos, apenas uma resultou em condenação de um soldado.
Comentando estes dados, Avihari Stollar, da associação Breaking the Silence, um grupo formado por antigos soldados que se opõem às práticas militares na Cisjordânia, nota que é importante ver o contexto alargado: soldados jovens, de 18 ou 19 anos, encarregados de lidar com uma população civil. “Eles são treinados para combater, não para lidar com civis, muito menos com agitação de civis”, disse ao jornal norte-americano Christian Science Monitor. “Não aceito a ideia de que isto é uma acção deste ou daquele soldado – não aceito a terminologia da maçã podre.”
Israel argumenta que o relatório da AI ignora os mais de 130 feridos por pedras lançadas pelos palestinianos – quase o dobro dos ferimentos do ano anterior – “num total de 5000 incidentes envolvendo o lançamento de pedras”, segundo um porta-voz do exército citado pelo jornal israelita Jerusalem Post.
No ano passado, morreram cinco israelitas em ataques com origem na Cisjordânia, comparado com zero no ano anterior, de acordo com os serviços de segurança interna de Israel. Em 2013, 44 foram feridos em circunstâncias semelhantes, contra 40 em 2012.
Obama vai entrar nas negociações para acordo
Tudo isto acontece num clima político em curva descendente, as negociações em curso entre israelitas e palestinianos são encaradas com cada vez mais cepticismo.
Para contrariar este ambiente de impasse, o Presidente norte-americano, Barack Obama, está a preparar-se para se empenhar pessoalmente no esforço de levar os dois lados a um acordo até Abril, algo que até agora tinha sido sobretudo obra do envolvimento pessoal do seu secretário de Estado, John Kerry.
A Casa Branca anunciou esta quinta-feira que Obama receberá o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, em Washington a 17 de Março.
Obama, nota o New York Times, corre um enorme risco com esta decisão: no seu primeiro mandato o Médio Oriente tinha sido a sua aposta – mas depois de ter juntado israelitas e palestinianos na Casa Branca em 2010 não conseguiu evitar que as negociações se desmoronassem apenas três meses depois. O desafio para a Casa Branca, diz o NYT, era pôr o Presidente em campo quando pudesse fazer diferença. Os conselheiros acreditam que essa altura chegou.
Mas num processo onde os falhanços são comuns e os sucessos raros, há muitos que temem que o Presidente possa estar a arriscar o seu prestígio por algo com poucas hipóteses.
No terreno, o aumento de violência é visto por muitos analistas como um mau prenúncio.
A propósito da pergunta levantada pelo presidente do Parlamento Europeu no parlamento israelita, a jornalista israelita publica no Haaretz:
O
escândalo “watergate” israelita: Os factos sobre a água palestiniana
Israel adoptou
uma abordagem de conta-gotas para fornecer água aos palestinianos em vez de os
deixar controlar o seu próprio recurso natural.
Por Amira Hass, 16.2.2014
Rino
Tzror é um entrevistador que discute mais do que elogia os seus entrevistados.
Ainda assim, nesta última terça-feira, não fez o seu trabalho de casa e deixou
a ministra da Justiça Tzipi Livni lançar areia para os olhos do público no que
respeita ao pânico sobre a água criado por Martin Schulz, presidente do
Parlamento Europeu.
Livni foi
convidada para o programa da sua Rádio do Exército na qualidade de voz sensata,
que iria criticar o comportamento do ministro da Economia Naftali Bennett e Co.
perante Schulz (o partido de Bennett Habayit Hayehudi saiu do Knesset durante
um discurso de Schulz, quando este se permitiu de perguntar se realmente aos
israelitas era distribuída quatro vezes mais água do que aos palestinianos).
“Eu disse [ao presidente do Parlamento Europeu]: ‘você está enganado, eles
enganaram-no intencionalmente’”, disse ela a Tzror. “’Não é assim que a água é
atribuída. Israel dá aos palestinianos mais água do que aquela a que nos
comprometemos nos acordos provisórios’”.
A simples
palavra “dá” deveria ter chamado a atenção de Tzror. Mas Livni continuou a
bajulá-lo no seu tom ensaiado, com os seus queixumes contra a posição
palestiniana sobre a água dessalinizada e o Joint Water Committee.
Assim, aqui
exponho os factos:
* Israel não
dá água aos palestinianos. Vende-lha, pelo contrário, sem qualquer desconto.
* Os
palestinianos não estariam forçados a comprar a água a Israel se este não fosse
um poder ocupante que controla o seu recurso natural e se não fossem os Acordos
II de Oslo, que limitam a quantidade de água que podem produzir, assim como o
desenvolvimento e a manutenção da sua infraestrutura de água.
* Este
acordo provisório de 1995 era suposto levar a um acordo permanente após cinco
anos. Os negociadores palestinianos iludiram-se ao pensar que ganhariam
soberania e portanto o controlo sobre os seus recursos de água.
Os
palestinianos foram o lado fraco, desesperado, facilmente ludibriado, e desleixado
quando se tratou dos detalhes. Assim, nesse acordo, Israel impôs uma divisão
escandalosamente desigual, humilhante e revoltante dos recursos de água na
Cisjordânia.
* A
divisão baseia-se na quantidade de água que os palestinianos produziam e consumiam
na véspera do acordo. Aos palestinianos eram destinados 118 milhões de metros
cúbicos por ano de três aquíferos através de perfuração, poços agrícolas,
fontes e precipitação. Presta atenção, Rino Tzror: o mesmo acordo destinava a
Israel 483 metros cúbicos anualmente dos mesmos recursos (e também esse limite foi
excedido ao fim de uns anos).
Por
outras palavras, uns 20 por cento vão para os palestinianos que vivem na
Cisjordânia e cerca de 80 por cento vão para os israelitas – dos dois lados da
Linha Verde – que também usufruiem de recursos do resto do país.
Por que
deveriam os palestinianos concordar em pagar pela água dessalinizada
proveniente de Israel, que lhes rouba constantemente a água que lhes corre por
debaixo dos pés?
* O
segundo grande escândalo do acordo: a economia/administração da água em Gaza
foi condenada a ser auto-suficiente e a contar com o aquífero no interior das
suas fronteiras. Como podemos ilustrar a injustiça? Digamos que se pedia aos
residentes do Negev que sobrevivessem dos aquíferos na região de Be’er
Sheva-Arad, sem o National Water Carrier e sem contar com o crescimento da
população. A bombagem excessiva em Gaza, que faz a água do mar e os esgotos
penetrar dentro do aquífero, fez com que 90 por cento da água potável se
tornasse imbebível.
Podem
imaginá-lo? Se os israelitas tivessem em mente a paz e a justiça, o Acordo de
Oslo teria desenvolvido uma infraestrutura ligando a Faixa ao resto do país.
* Segundo
o acordo, Israel continuará a vender 27,9 milhões de metros cúbicos de água por
ano aos palestinianos. Na sua generosidade colonialista, Israel concordou em
reconhecer as necessidades futuras dos palestinianos de 80 milhões de metros
cúbicos adicionais por ano. Está tudo detalhado no acordo com a meticulosidade
mesquinha de um magnate capitalista. Israel venderá alguma e os palestinianos
farão as perfurações em busca do restante, mas não nos aquíferos de montanha do
Oeste. Isso é proibido.
Mas,
actualmente, os palestinianos produzem apenas 87 milhões de metros cúbicos na
Cisjordânia – 21 milhões m3 menos do que lhes foi atribuído por Oslo. A seca, as
limitações de Israel ao desenvolvimento e à perfuração de novos poços, e as
limitações ao movimento são as razões principais. A má administração
palestiniana é secundária. Portanto, Israel “dá” – ou antes, vende – cerca de
60 milhões m3 por ano. Verdade. Isto é mais do que os Acordos II de Oslo acordaram
que vendesse. E a conclusão devastadora: a dependência palestiniana em relação
ao ocupante só aumentou.
* Israel impôs
o direito do mais forte a fixar o desenvolvimento de infraestruturas e as
iniciativas de rehabilitação. Por exemplo, Israel impôs à Autoridade
Palestiniana tubos mais estreitos do que o desejado, proíbe que as comunidades
na Área C sejam ligadas à infraestrutura de água, demora na aprovação de perfurações
e atrasa a substituição de tubos danificados. Daí os 30 por cento de perda de
água nas canalizações palestinianas.
* 113.000
palestinianos não estão ligados à rede de água. Centenas de milhares de outros
ficam cortados de um fornecimento regular durante os meses de verão. Na Área C,
Israel proíbe até a abertura de cisternas para a recolha de água da chuva. E
chama-se a isto “dar”?
* Em vez
de gastarem tempo a calcular se a média do consumo doméstico israelita de água
per capita é quatro vezes ou “apenas” três vezes o do consumo palestiniano,
abram os olhos: os colonatos estão banhados no verde e ao longo da estrada as localidades
urbanas e as aldeias palestinianas estão sujeitas a uma política de rotação da
água. As largas canalizações da Mekorot (o fornecedor israelita de água
nacional) dirigem-se para os colonatos do Vale do Jordão e um tractor
palestiniano ao lado transporta um tanque de água enferrujado de longe. No
verão, as torneiras secam em Hebron e nunca páram de correr em Kiryat Arba e
Beit Hadassah.
Tudo isto
não é intencionalmente enganoso?
Tortura
da água para os palestinianos
A
discriminação da água é outro instrumento usado para desgastar os palestinianos
social e politicamente
Amira Hass, 18.2.2014
Por que é
que o regime israelita é tão inclinado a negar a existência de uma discriminação
respeitante à água? Porque desta vez o regime israelita não pode usá-la nas
habituais desculpas de segurança a que recorre com outros tipos de
discriminação óbvia.
Quando
toca à situação da água, a máquina de propaganda israelita e os seus ajudantes,
os lobbies sionistas na diáspora, vêem-se em apuros. Isto foi claro quando o
alemão Martin Schulz teve a audácia de perguntar no Knesset – esse refúgio de
traficantes do Holocausto – se o boato que ele tinha ouvido era verdade
[perguntou se aos israelitas era distribuída quatro vezes mais água do que aos
palestinianos].
A
discriminação sistemática com respeito à atribuição de água aos palestinianos não
é só um boato. O serviço público de água israelita não depende dela mas, sem
ela, todo o empreendimento da colonização seria bastante mais dispendioso, e
talvez mesmo impossível de suportar no seu âmbito actual e planeado.
Não é de
admirar que Habayit Hayehudi, o partido mais identificado com os colonos, tenha
reagido tão furiosamente às observações de Schulz e tenha saído do Knesset.
A
discriminação na água é outro instrumento governamental usado para desgatar
social e politicamente os palestinianos.
Na
Cisjordânia, dezenas de milhares de famílias gastam uma enorme quantidade de
tempo, de dinheiro e de energia emocional e física para tratar apenas de coisas
básicas como duches, lavagem de roupa, de chão e de louça. Quando não há água
no depósito da casa de banho, até as visitas de familiares se tornam raras.
As
famílias no Vale do Jordão vão procurar água potável em tanques a longas
distâncias e furtivamente – com medo de serem descobertas pela administração
civil –, embora vivam muito próximas das condutas da companhia das águas
Mekorot, que transportam água em abundância para as quintas dos colonatos onde
crescem ervas para a exportação.
Gaza, mesmo
do outro lado da última exploração de plátanos de Ariel Sharon e do Kibbutz
Be’eri, depende de estações de depuração de água que consomem electricidade –
muitas vezes em curtos fornecimentos; poderia ser a Índia.
O tempo,
dinheiro e energia que se gasta para obter água é à custa de outras coisas a
nível tanto pessoal como comunitário: enriquecimento das aulas para as
crianças, um computador, passeios em família, projectos de desenvolvimento
industrial, desenvolvimento do turismo, agricultura biológica, actividade
política e social.
Embora os
palestinianos saibam que Israel é responsável pelos cortes de água, a sua ira é
dirigida para o pára-raios mais acessível – a Autoridade Palestiniana.
E os
empregados da autoridade palestiniana da água, que passam os seus dias a travar
uma batalha contra a burocracia israelita de ocupação para obterem aprovação para
qualquer tubo de água, são vistos como indiferentes, pouco profissionais e
ineficientes. Dá tanto jeito!
A realidade
dos enclaves palestinianos disconjuntos que Israel está a criar emerge – através
de uma manta de retalhos de diferentes leis, para diferentes extensões de um ou
outro lado da Linha Verde – da confiscação de terras e de nascentes de água, e
da recusa da liberdade de movimento.
A
religião da segurança, que é usada para justificar o roubo de terras, os checkpoints
e o bloqueio ainda há-de inventar uma explicação sobre por quê uma criança
palestiniana tem direito a menos água do que uma criança judia.
O que
podem os peritos públicos da diplomacia dizer? Que em Jenine a atribuição média
per capita é de 38 litros para consumo doméstico, porque a cidade é um baluarte
da Jihad islâmica, que ameaça o nosso pequeno país? Que no verão não há
fornecimento regular de água porque o serviço de segurança Shin Bet está
ocupado a descobrir células de militantes armados, e que em Gaza mais de 90 por
cento da água é imprópria para beber porque os chefes do Hamas estão a planear
ataques terroristas na Cisjordânia?
Até as
comunidades judaicas mais dedicadas a Israel terão uma grande dificuldade em
justificar estas discrepâncias. Assim, o regime engendrou um plano de ataque
com quatro passos:
1.
Bombardear os media com estatísticas parciais e falsas;
2. Confundir
o ponto de partida: Israel controla as nascentes de água. Com base nos Acordos
de Oslo, que desde então se tornaram permanentes, os palestinianos estão
limitados na quantidade de água que lhes é permitido extrair dessas nascentes
de forma independente e nos melhoramentos que podem fazer na infraestrutura de
água;
3. Apoiar-se
na retaguarda da opinião pública israelita, que rejeita os relatórios
palestinianos e ignora os relatórios de organizações como B’Tselem – o Centro
Israelita de Informação para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados – e o
documentário “The Fading Valley” de Irit Gal, e estudos publicados pelo Banco
Mundial e a Amnesty International;