CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

Israel inunda bairros inteiros em Gaza, abrindo as barragens

 
Toda a zona próxima de Deir Balah, nomeadamente vários bairros residenciais, foram inundados, devido a Israel ter aberto as barragens de represa a leste da faixa de Gaza.
As autoridades da faixa de Gaza apelaram aos habitantes do « Vale de Gaza » (Wadi Gaza) no centro da região, para evacuarem as suas casas. O grande campo de refugiados e a cidade de Deir Al Balah estão particularmente abrangidos.


A faixa de Gaza, que já se encontrava numa situação de emergência por causa de uma tempestade histórica no Médio Oriente e do bloqueio que lhe é imposto, vê-se mergulhada numa catástrofe ainda maior com esta medida horrenda de Israel.
Parece aliás que é para o seu próprio conforto que as autoridades israelitas abriram as comportas no Wadi Gaza, um curso de água que nasce na Cisjordânia, perto de Hebron, e flui para o Mediterrâneo, passando por Israel.
Para as suas necessidades e em detrimento das necessidades da faixa de Gaza, os israelitas apoderam-se na maioria dos casos das águas da ribeira, por meio de represas, de modo que em geral o Wadi Gaza fica reduzido a um fio de água poluída quando se aproxima do litoral mediterrânico. Excepto quando há cheias, como nestes últimos dias, onde é o castigo inverso que é imposto aos palestinianos. Desde sexta-feira que os meios de socorro palestinianos não param de evacuar os habitantes do centro da faixa de Gaza. Já se contabilizam 96 feridos.

As escolas das Nações Unidas acolheram os habitantes que perderam as suas casas. O governo declarou este domingo dia feriado, apelando às pessoas para que não saissem de casa.
O estado de emergência foi declarado em todos os hospitais. Não há escola nem universidade desde sexta-feira em Gaza. Corte total de electricidade na cidade. Centenas de casas destruídas. Milhares de pessoas que já não tinham comida nem água potável foram evacuadas. Uma menina morreu em Khan Younes.

Roger Waters comparou política de Israel à Alemanha nazi


Roger Waters comparou política de Israel à Alemanha nazi e as reacções não se fizeram esperar

O músico e co-fundador do icónico grupo rock Pink Floyd Roger Waters, de 70 anos, entrou em conflito com organizações e alguns líderes religiosos israelitas.
Em foco estão os  comentários produzidos durante uma entrevista, na semana passada, à publicação americana Counterpunch, na qual compara o contexto actual da política israelita em relação à Palestina ao contexto da Alemanha nazi, censurando ao mesmo tempo o “extraordinário” poder de que dispõem os meios de pressão judeus nos Estados Unidos.
  O músico que integra a campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel compara a apatia durante a opressão dos judeus desde 1933 a 1946 com o contexto actual no conflito Israel-palestino. “Nunca tocaria para o Governo de Vichy, na França ocupada, durante a II Guerra Mundial. Nem em Berlim no mesmo período. Mas muitos fizeram-no, na época. Muitas pessoas fingiam que a opressão aos judeus não estava a acontecer.” A tese de Roger Waters é que esta letargia “não é um novo cenário". "Só que desta vez é o povo palestiniano que está a ser assassinado.” Organizações e líderes religiosos reagiram entretanto a estas declarações. Uma dessas reacções surgiu, na sexta-feira, através do rabi Shmuley Boteach, que, dirigindo-se directamente a Roger Waters num artigo no New York Post, lembrou que o nazismo foi um regime genocida que levou ao assassinato de seis milhões de judeus. “Que você tenha a audácia de comparar judeus a monstros assassinos revela que não tem decência, nem coração, nem alma”, escreveu.
Em declarações posteriores, obtidas no sábado pelo The Guardian, Roger Waters não quis entrar em polémica directa com Shmuley Boteach, dizendo que não tem nada contra judeus ou israelitas, nem é anti-semita, reafirmando que deplora as políticas do Governo israelita nos territórios ocupados e em Gaza. “São imorais, inumanas e ilegais. Continuarei os protestos não-violentos enquanto o Governo de Israel continuar com estas políticas”.
Na entrevista da Counterpunch quando perguntam a Roger Waters porque é que não existem mais músicos a abordar a questão palestina, este responde que esse é um efeito da “máquina de propaganda” de Israel sobre a opinião pública dos Estados Unidos. Em Agosto o músico havia escrito uma carta aberta em que apelava aos músicos a que boicotassem Israel.
O músico acusa o Governo de Israel de promover um regime de segregação como o que existia na África do Sul. A decisão de promover um boicote aconteceu depois de o violinista britânico Nigel Kennedy ter caracterizado Israel como sendo um Estado deapartheid e de Stevie Wonder, no final de 2012, ter cancelado uma participação num jantar a favor das forças israelitas. Na altura Waters argumentou que estas posições não tiveram impacto mediático, sendo silenciadas.

Universidade Kwame Ture, 18/19 de Janeiro de 2014

 
 

Faz hoje 32 anos que Mumia Abu-Jamal foi preso



Passam hoje 32 anos desde que Mumia foi preso, retirado ao convívio da sua família, aos amigo e às pessoas com quem normalmente interagia, enquanto activista revolucionário no combate contra as injustiças .
Em Janeiro de 2012, o sistema judicial americano acabou por reconhecer a ilegalidade de uma parte do julgamento de Mumia, ao comutar a pena de morte em prisão perpétua, após um longo processo judicial. Finalmente Mumia foi transferido do corredor da morte para a população prisional comum onde o sistema pretende que passe o resto da sua vida.
Essa importante vitória foi um passo que permitiu mais contactos com a família, amigos e comunicar com mais frequência com o exterior . A luta pela libertação de Mumia não se esgota aqui . A exigência da sua libertação está no horizonte de todos nós, pondo termo de vez a uma grande injustiça . Mumia continua a ser penalizado por crimes que não cometeu e a sua causa continua a ecoar entre todos os amantes da paz por todo o mundo .
Mumia Abu.Jamal, uma luta global !
Liberdade para Mumia e todos os presos políticos !

Agenda CMA-J 2014



Encontra-se em distribuição a Agenda 2014 do CMA-J, este ano têm 2 capas e custa 5 euros como em anos anteriores . Aceitam-se encomendas através do email cmaj@mail.pt


 

 
 

Mensagem de Marwan Barghouti, após o anúncio da morte de Mandela

 Mensagem de Marwan Barghouti homenageando Nelson Mandela

Prisão de Hadarim, 6 de Dezembro de 2013.
"A nossa liberdade parece possível, porque tu alcançaste a tua"

Durante os longos anos de minha própria luta, tive a oportunidade de pensar muitas vezes em ti, querido Nelson Mandela. Ainda mais desde a minha prisão em 2002. Eu penso num homem que passou 27 anos numa cela de prisão, apenas para demonstrar que a liberdade estava dentro de si antes de se tornar uma realidade de que o seu povo pudesse desfrutar. Eu penso na sua capacidade para desafiar a opressão e o apartheid, mas também para desafiar o ódio e para escolher a justiça em vez da vingança.
Quantas vezes duvidaste do resultado dessa luta? Quantas vezes te perguntaste se a justiça ia prevalecer? Quantas vezes te admiraste por que estava o mundo tão silencioso? Quantas vezes te questionaste se o teu inimigo alguma vez poderia tornar-se o teu parceiro? No final, a tua vontade mostrou ser inquebrantável tornando o teu nome um dos nomes mais brilhantes da liberdade.
Tu és muito mais do que uma inspiração. Tu deves ter sabido, no dia em que saíste da prisão, que não estavas apenas escrever a história, mas a contribuir para o triunfo da luz sobre as trevas, e contudo permaneceste humilde. E tu carregavas uma promessa que ia muito além dos limites das fronteiras do teu país, a promessa de que a opressão e a injustiça serão derrotadas, abrindo o caminho para a liberdade e a paz. Na minha cela, eu lembro-me diariamente desta missão, e todos os sacrifícios se tornam suportáveis pela única perspectiva de que, um dia, o povo palestino também será capaz de desfrutar da liberdade, do regresso e da independência, e esta terra irá finalmente desfrutar de paz.
Tornaste-te um símbolo que permitiu que tua causa brilhasse e se impusesse na cena internacional. A universalidade para combater o isolamento. Tornaste-te um símbolo em torno do qual todos aqueles que acreditam nos valores universais que fundamentaram a tua luta puderam reunir-se mobilizar-se e agir. A unidade é a lei da vitória para os povos oprimidos. A cela pequena e as horas de trabalho forçado, a solidão e as trevas, não te impediram de ver o horizonte e compartilhar a tua visão. O teu país tornou-se um farol e nós, palestinos, estamos a lançar as velas para alcançar as suas praias.
Disseste: "Nós sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos". E de dentro da minha cela, eu digo-te que a nossa liberdade parece possível, porque tu alcançaste a tua. O apartheid não prevaleceu na África do Sul e o Apartheid não prevalecerá na Palestina. Tivemos o grande privilégio de acolher na Palestina, há alguns meses, o teu camarada e companheiro de luta Ahmed Kathrada que, após esta visita, lançou a Campanha Internacional para a Libertação dos Prisioneiros Palestinos, a partir da tua própria cela, onde uma parte importante da história universal foi moldada, demonstrando que os laços entre nossas lutas são eternos.
A tua capacidade de ser uma figura unificadora, e liderar de dentro da cela de prisão, e ser-te confiado o futuro do teu povo enquanto eras privado da capacidade de escolher o teu próprio futuro, são as marcas de um grande e excepcional líder e de uma figura verdadeiramente histórica. Saúdo o combatente da liberdade e o negociador e construtor da paz, o comandante  militar e o inspirador da resistência pacífica, o militante incansável e o estadista.
Dedicaste a tua vida a garantir que a liberdade e a dignidade, a justiça e a reconciliação, a paz e a coexistência podem prevalecer. Muitos honram agora a tua luta nos seus discursos. Na Palestina, prometemos prosseguir a busca dos nossos valores comuns e honrar a tua luta, não só através de palavras, mas dedicando as nossas vidas aos mesmos objectivos. A liberdade, querido Madiba, prevalecerá, e tu contribuíste enormemente para tornar essa crença  numa certeza. Descansa em paz e que Deus abençoe tua alma invencível.
Marwan Barghouti
Prisão de Hadarim
Cela n ° 28

 

Morreu Nelson Mandela



Pequeno vídeo com alguns relatos relativos à vida de Mandela e à sua luta pela Liberdade .

Apelo aos deputados europeus de Portugal a favor dos direitos do Povo saharaui

Apelo aos Deputados Europeus de Portugal
a  favor dos direitos do povo saharaui

Caro/cara
 
No próximo dia 13 de dezembro será votado no Parlamento Europeu um novo acordo de pescas entre a União Europeia e Marrocos. Este acordo viola o direito internacional porque inclui as águas do Sahara Ocidental, território não autónomo cujo povo ainda não teve a oportunidade de exercer o seu direito à autodeterminação. E as respetivas contrapartidas beneficiam o Reino de Marrocos, em detrimento das populações saharauis.
 
Para que os e as eurodeputados/as portugueses votem em consciência e a favor dos direitos do povo do Sahara Ocidental, envie-lhes rapidamente a mensagem que se segue e faça circular este Apelo. Até ao dia 10/12.
No fim da missiva encontrará uma lista dos endereços eletrónicos dos parlamentares em causa.
 
As melhores saudações da
Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental
 
 
 
Exmo. Senhor/a Deputado/a do Parlamento Europeu,
 
Venho por este meio solicitar a V.Exa. que na próxima sessão plenária do Parlamento Europeu vote contra o acordo de pescas UE-Marrocos e a favor de solicitar um parecer ao Tribunal de Justiça sobre a legalidade deste acordo.
 
As razões que justificam este pedido centram-se no artigo 3.5 do Tratado da União Europeia que, enquanto cidadão/cidadã português/a e europeu/eia, lhe peço que respeite, cumprindo assim o direito internacional, que a União Europeia e, em particular, o Parlamento Europeu garantem acatar.
 
O acordo de pesca celebra-se com um país que ocupa militar e ilegalmente o Sahara Ocidental desde 1975, impedindo que o povo saharaui exerça o direito à sua livre determinação, reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, pelo Conselho de Segurança, pelo Tribunal Internacional de Justiça, pela União Africana e pelo próprio Reino de Marrocos nos acordos de paz que puseram fim à guerra que iniciou em 1975 contra a população saharaui.
 
A assinatura deste acordo de pesca significaria o apoio político da União Europeia às violações dos direitos humanos do povo saharaui levadas a cabo pelo Reino de Marrocos, reconhecidas pelo Relator Especial para a luta contra a tortura das Nações Unidas, o Departamento de Estado norte-americano, a Human Rights Watch , a Amnistia Internacional, o Centro Robert F. Kennedy para a Justiça e os Direitos Humanos e tantas outras organizações.
 
Tendo em conta o exposto, e a responsabilidade política que assume pelos seus actos, peço-lhe que vote NÃO a este acordo, NÃO à ocupação bélica marroquina e SIM ao pleno exercício do direito à autodeterminação do povo saharaui. Respeite o sonho europeu - direitos humanos e justiça.
 
Com os melhores cumprimentos,
 
 

Estabelecimento prisional de Lisboa com sobrelotação de 150%

Via ACED

"Relatório europeu fala em condições "desumanas e degradantes".

A sobrelotação do Estabelecimento Prisional de Lisboa agravou-se, atingindo os 150 por cento, e as condições de detenção são "desumanas e degradantes", conclui um relatório europeu divulgado esta terça-feira.
Segundo o relatório da última visita a Portugal do Comité Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos Desumanos ou Degradantes (CPT), em maio de 2013, desde a anterior visita regular, em fevereiro de 2012, a sobrelotação no sistema prisional português agravou-se.
O Estabelecimento Prisional de Lisboa, que era um dos principais alvos desta visita, continua, segundo o comité, "a ser afetado por sobrelotação crónica", que atinge cerca de 150 por cento, e com condições de detenção consideradas "muito deficientes".
Celas húmidas, gesso a cair das paredes, janelas partidas, falta de iluminação artificial, colchões velhos foram encontrados pelos peritos do CPT na maioria das áreas da cave da cadeia.
O CPT assinala que tais condições podem configurar "tratamento desumano e degradante". O relatório faz também referência a "alegações credíveis de maus tratos infligidos pelos guardas prisionais aos detidos" e reitera a importância de "investigar de forma eficaz estas alegações".
Os peritos da CPT formularam ainda recomendações para "melhorar o registo de ferimentos físicos observados no momento da admissão dos presos ou na sequência de incidentes violentos no interior da prisão" e propõe um aumento do pessoal vigilante.
Recomendado é ainda que sejam tomadas medidas para melhorar os procedimentos disciplinares e reduzido o recurso ao isolamento provisório prolongado.
O relatório alerta ainda que está em risco a segurança dos menores detidos no EPL, apesar de serem poucos, e recomenda a sua transferência para outro estabelecimento prisional com um ambiente e regime apropriado à idade.
Na cadeia de alta segurança do Monsanto, onde os reclusos passam cerca de 21 horas por dia confinados às celas, o relatório recomenda que seja elaborado um plano de atividades "motivantes" para cada um dos reclusos e "favorecido" o contacto entre os reclusos e o pessoal da cadeia.
As autoridades portuguesas foram ainda "convidadas a eliminar progressivamente o uso de matracas por parte dos vigilantes nas zonas de detenção" das duas cadeias.
As conclusões do relatório foram enviadas às autoridades portuguesas, que na resposta ao comité, reafirmaram o compromisso na resolução do problema da sobrelotação nas cadeias portuguesas.
Elencaram as ações que estão a ser desenvolvidas para alargar a aplicação de medidas alternativas à prisão e o investimento permanente que está a ser feito para melhorar as condições de detenção no EPL.
Foram ainda fornecidas informações sobre as medidas tomadas ou previstas para aplicar as recomendações do CPT relativamente aos programas de atividades nas prisões, às questões do pessoal, aos sistemas disciplinares e aos serviços médicos.
Durante a visita de maio de 2013, a delegação do CPT examinou detalhadamente um investigação a um caso de alegados maus-tratos por parte de um agente da Guarda Nacional Repúblicana (GNR) a um recluso.
O relatório centra-se numa "série de lacunas na investigação deste caso" e levanta "preocupações" relativamente ao fluxo de informações entre a GNR, a Inspecção-Geral do Ministério da Administração Interna (IGAI) e Ministério Público.
Na resposta, as autoridades portuguesas informaram sobre as medidas que estão a ser tomadas para que no futuro o Ministério Público e os serviços de inspeção sejam diretamente informados de qualquer alegação de maus-tratos."

Lampedusa: Quando a busca por uma vida melhor resulta em morte

Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.
 
A 3 de Outubro, um barco no Mar Mediterrâneo a curta distância da ilha italiana de Lampedusa transportando mais de 500 imigrantes refugiados foi deixado a afundar. Tanto quanto se sabe, só 155 pessoas sobreviveram. A maioria dos passageiros era da Eritreia e da Somália.
 
 
Os mergulhadores ainda andam à procura dos corpos dos desaparecidos. Experimentados em lidar com tragédias, eles mesmo assim ficaram horrorizados com a visão de corpos tão densamente empacotados no porão que ainda estão de pé, estando o cabelo de uma mulher a flutuar pela janela do barco a 47 metros debaixo de água. Um mergulhador disse que não conseguia afastar a imagem dos mortos com os braços levantados como que a pedir ajuda. Um outro começou a chorar quando descreveu a retirada do corpo de uma criança cuja cara depois bateu nele próprio, dizendo que poderia ter sido o seu próprio filho.
Alguns dos sobreviventes nadaram até à costa, a um quilómetro de distância. Outros agarraram-se a garrafas de água vazias para conseguirem flutuar até terem sido finalmente recolhidos, após três horas no mar. Não é claro porque é que o barco não encontrou um ponto para atracar. Alguns relatos dizem que a baía é demasiado rochosa para desembarcar. Algumas pessoas dizem que os passageiros atearam um fogo para chamar a atenção para o seu infortúnio, que depressa se propagou e o barco afundou. Os sobreviventes também relataram ter visto alguns barcos ao longe e um barco com uma luz que se acercou e depois se foi embora.
O primeiro pescador a chegar aos destroços em chamas deu o alarme. Ele disse que alguns dos 47 migrantes que retirou do mar tinham sido despojados das suas roupas, provavelmente pela corrente. Outros pescadores que chegaram ao local ficaram subjugados pela emoção, à vista de um mar cheio de refugiados a flutuar acenando-lhes com os braços e gritando por ajuda. Eles perguntaram como é que se pode virar as costas quando se vê uma pessoa que precisa de ajuda? É inconcebível que um pescador de Lampedusa tenha fingido não ter visto nada. Um outro pescador disse ter ferido o braço a erguer para o seu barco 18 corpos empapados em querosene. Uma pessoa disse à BBC que a guarda costeira impediu de facto os esforços de salvamento. «Eles recusaram-se a levar para bordo algumas pessoas que já tínhamos salvado porque disseram que o protocolo o proibia», disse ela à BBC.
Normalmente, os migrantes em busca do estatuto de refugiado têm telemóveis para contactarem as autoridades quando chegam à costa, mas eles foram forçados a deixá-los na Líbia, onde estiveram confinados durante dois meses, antes de serem embarcados por contrabandistas desumanos que cobraram milhares de dólares por pessoa por esta travessia perigosa.
No dia do funeral, 10 barcos de pesca atiraram ramos de flores sobre a mancha onde o barco ainda está submerso, em honra das restantes vítimas sepultadas no porão. Um dos barcos na zona içou uma bandeira negra a flutuar ao vento com uma única palavra inscrita, «Vergonha!». Algumas crianças no funeral levavam uma faixa a afirmar «Basta! Não há nenhuma desculpa para a indiferença!».
Lampedusa fica muito mais próxima do Norte de África que de Itália. Para os migrantes que tentam entrar na Europa, o Mediterrâneo, paradoxalmente um dos volumes de água mais vigiados do mundo, é um epicentro da morte. Esta é a descrição usada por organizações não-governamentais que apoiam o direito dos imigrantes ao asilo na Europa. O grande número de mortes evitáveis tornou este incidente específico capaz de atrair a atenção da comunicação social mundial, causando uma efusão de pesar e indignação.
Parte do que foi inabitual nesta tragédia foi o grande número de mulheres e crianças que morreram. As mortes neste perigoso trajecto ocorrem com regularidade, mas a maioria das vezes em números menores, e sobretudo não noticiados – e principalmente de jovens. Quando os corpos deles não desaparecem, por vezes dão à costa em praias de resorts turísticos em Espanha ou na Grécia. Muitos migrantes fazem a travessia em barcos pequenos e sobrelotados que não têm sequer remos adequados para remarem. Antes deste desastre, a tragédia mais notória que chamou a atenção generalizada foi a do barco «abandonado à morte» só com 11 sobreviventes num total de 72 pessoas, durante a guerra da NATO na Líbia. A culpa por ignorar deliberadamente essa tragédia foi claramente posta na NATO por um relatório do Conselho da Europa (ver o SNUMAG de 2 de Abril de 2012).
Durante os últimos vinte anos, um total estimado de 20 000 vidas foram perdidas quando atravessavam o Mediterrâneo, 1500 só em 2011. A Itália, a Espanha e a Grécia têm sido a porta de entrada mais próxima da Europa, mas para os que tentam ir para norte é apenas o último trajecto de uma jornada difícil e perigosa para um migrante. Abdul, um jovem somali de 16 anos que sobreviveu a este último trajecto, disse que o pai dele tinha pago um total de 7500 dólares aos contrabandistas para o levarem até Lampedusa, onde ele tinha chegado de barco há 12 dias – cerca de seis meses depois de sair de Mogadíscio. «Eu quero estudar. Eu quero um futuro», disse ele à Reuters. Em muitos casos, há famílias inteiras que juntam os seus recursos para enviarem para norte um membro da família, o qual, em troca, manda de volta dinheiro para ajudar a família.
Para os que sobrevivem à jornada, se não receberem asilo, serão forçados a viver na sombra da sociedade e enfrentam frequentemente a brutalidade às mãos da polícia e de bandos de direita que operam com total impunidade, tal como aconteceu em Abril passado na Grécia contra trabalhadores agrícolas do Bangladesh.
Os advogados locais alegam que as leis italianas que visam restringir a migração ilegal acabam por dissuadir os barcos de ajudarem os migrantes em angústia no mar. Um barco comercial que recolheu pessoas que estavam num bote que flutuava no meio do Mediterrâneo foi forçado pelo governo italiano a levá-los de volta à Líbia. Há disputas entre diferentes sectores das autoridades locais e dentro da União Europeia sobre a responsabilidade por salvar os imigrantes. Navios cheios de imigrantes pobres têm saído da Europa há séculos – e a Itália é apenas um exemplo – mas agora nenhum país europeu está disposto a suportar as despesas de operações mínimas de clemência mandatadas pelo direito internacional (os 27 países da União Europeia alocaram um total de quatro navios, dois helicópteros e dois aviões para as operações de salvamento no Mediterrâneo), já para não falar em abrirem os seus braços a migrantes desesperados. Pelo contrário, abertamente ou por insinuação, eles tentam fazer com que os imigrantes partilhem a culpa pelo desemprego nos seus países, causado pelo sistema capitalista-imperialista mundial e agravado pela recente crise financeira.
Os sobreviventes desta tragédia serão investigados por «imigração clandestina», um delito que pode resultar numa multa de 5000 euros. Isto coloca o governo italiano na mesma linha que os contrabandistas criminosos, dando-lhes a sua «quota-parte» na extorsão destes imigrantes.
Segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), apesar dos perigos que as pessoas enfrentam, de 1 de Janeiro a 30 de Setembro deste ano, 30 100 migrantes chegaram a Itália em barcos vindos do Norte de África. Neste curto período histórico em particular, os maiores grupos vieram da Síria (7500), da Eritreia (7500) e da Somália (3000). A Eritreia já foi uma colónia italiana e o governo italiano deslocou 70 000 pessoas, entre as quais operários e camponeses pobres italianos, para aí viverem. A Somália foi primeiro uma colónia italiana e depois britânica, e os EUA têm feito o seu melhor para afirmarem os seus interesses sobre o país. A Síria foi ocupada pelos franceses, e todas as principais potências imperialistas estão a atear as chamas da horrenda situação local.
A discussão que está a decorrer em torno desta desnecessária perda de vidas deve colocar algumas questões mais profundas sobre o tipo de sistema global em que vivemos que leva as pessoas para fora das suas pátrias, e que torna o mundo no lugar distorcido que ele é. A experiência tem mostrado – e agora vimos isso demonstrado uma vez mais – que os estados europeus prefeririam que todos estes imigrantes se afogassem, de preferência longe das suas costas, onde iriam morrer sem serem vistos.

Todos Somos Ilegales


Síria-Sabia disto ?


Embora não sejamos advogados de defesa de Assad, julgamento que cabe ao Povo Sírio fazer sobre os seus actos e implicações nas suas vidas. Divulgamos neste espaço um texto sobre este país mergulhado numa guerra atrós , fruto da ganância imperialista e satélites, numa busca pelo domínio das riquezas petrolíferas e zonas geoestratégicas .

"Sabia isto da Síria?
A família Assad pertence ao Islão tolerante da orientação Alawid.
As mulheres sírias têm os mesmos direitos que os homens ao estudo, à saúde e educação.
Na síria as mulheres não são obrigadas a usar Burca. A Xariá (lei Islâmica) é inconstitucional.
A Síria é o único país árabe com uma constituição laica e não tolera os movimentos extremistas islâmicos.
Cerca de 10% da população síria pertence a alguma das muitas confissões cristãs presentes desde sempre na vida política e social.
Noutros países árabes a população cristã não chega a 1% devido à hostilidade sofrida.
A Síria é o único país do mediterrâneo que continua proprietário da sua empresa petrolífera, que não quis privatizar.
A Síria tem uma abertura à sociedade e cultura ocidentais como nenhum outro país árabe.
Ao longo da historia houve cinco Papas de origem síria. A tolerância religiosa é única na zona.
Antes da guerra civil era o único país pacífico da zona, sem guerras nem conflitos internos.
A Síria é o único país árabe sem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
A Síria foi o único país do mundo que admitiu refugiados iraquianos sem nenhuma descriminação social, política ou religiosa.
Bashar Al Assad tem um suporte popular extremamente elevado.
Sabia que a Síria possui uma reserva de petróleo de 2500 milhões de barris, cuja exploração está reservada a empresas estatais?
Talvez agora se consiga compreender melhor a razão de tanto interesse ....pela Síria!"
 

Cristiano Ronaldo "não troca camisola com assassinos" israelitas

Ronaldo, em recente jogo da selecção portuguesa com a israelita, recusou-se a trocar a sua camisola com um jogador  de Israel . Este episódio ocorreu durante uma dos de apuramento para  o mundial de 2014:

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/04/cristiano-ronaldo-e-israel-nao-troco-camisa-com-assassinos.html

http://www.lux.iol.pt/internacionais/cristiano-ronaldo-em-israel-nao-troco-camisola-com-assassinos-cristiano-ronaldo-ronaldo-israel-polemica-v/1442845-4997.html

http://www.nouvellesdaujourdhui.com/cristiano-ronaldo-bombarde-israel/


 

Mumia: Long Distance Revolutionary:

 
Mumia: Long Distance Revolutionary: A Journey With Mumia Abu-Jamal,”   is brilliant and shocking.  Directed by Steve Vittoria, and produced in Association with Prison Radio chronicles the extraordinary life of journalist Mumia Abu-Jamal.  This feature documentary traces his remarkable growth as a journalist, author, broadcaster, and public intellectual, both before and after he is sent to Death Row.  The cast includes Peter Coyote, Ruby Dee, Giancarlo Esposito, Dick Gregory, M1 (Dead Prez), Cornel West, Alice Walker, Angela Davis, Rubin Hurricane Carter, Tariq Ali, Dave Zirin, Amy Goodman, Juan Gonzalez, Ramsey Clark, Michelle Alexander, Michael Parenti, Aya de Leon, James Cone, and Ramona Africa.   
DVD purchase includes Extra "Manufacturing Guilt" (25min short film) directed by Vittoria.  A dramatic expose of the corrupt Philadelphia Police and DA’s office, who not only manufactured Mumia’s guilt but actively suppressing his innocence.  

Morreu o companheiro António Ferreira

António Ferreira de Jesus fica como um exemplo de resistência e determinação que nem as dificuldades de longos anos de cárcere conseguiram vergar .
 
 
Pormenores do comunicado emitido do dia da sua morte
 
"É com muita tristeza que informamos que o António Ferreira morreu esta 4ª-feira, dia 6 de Novembro.
Rebelde, libertário e um lutador dentro das prisões, o António tinha 73 anos e estava fora há apenas 1 ano e meio. Encontrava-se doente há já algum tempo, ainda que não se tenha chegado a descobrir exactamente o que tinha.
Morreu na casa onde vivia e não no hospital, sítio para onde não quis ir por se sentir como na prisão.
Para quem esteve perto dele, é gravemente nítido que o seu estado de saúde se alterou directamente por estar tantos anos preso, sofrendo as represálias de quem é um preso em luta e confrontando-se também com as dificuldades em adaptar-se à realidade da vida em "liberdade", já tarde demais"...

7º Festival Imigrarte


7 de Novembro - 175 anos do levantamento quilombo de Manoel Congo


 
Mais de 300 escravos fugiram das casas-grandes naquele dia em busca de liberdade.

Era 1839, e o Brasil vivia um dos períodos em que mais se traficou escravos para o país. No Rio de Janeiro existia uma região altamente desmatada e que foi dedicada para a produção do café, ao sul fluminense, ficou conhecida a Vila de Vassouras.
A plantação de café era um dos pilares do Império, o que fez a região se expandir para quase todas as localidades próximas, através das tradicionais senzalas instaladas em grandes fazendas do estado.
Um dos fatores que certamente afetaram no que ficou conhecido como levante de Manoel Congo, ou Quilombo de Manoel do Congo, foi que a população escrava naquele local era enorme. Em 1840 a vila tinha 20.589 habitantes, dos quais 6.225 livres e 14.333 escravos.
Nessa década o clima estava quente entre os escravos, que estavam influenciados pelos boatos que se espalharam por todo Brasil da Revolta dos Malês (1835), que foi uma revolta constituída por    “pretos minas”, escravos de origem muçulmana e que levantaram de forma mais organizada a luta pelo fim da escravidão.
No Rio de Janeiro, no dia 5 de novembro de 1838, o capataz da chamada fazenda Freguesia matou a tiros o escravo africano Camilo Sapateiro quando este ia sem autorização para a fazenda Maravilha.
Alguns escravos esboçaram uma reação no sentido de espancar o capataz, mas essa medida não foi adiante. Contudo, a impunidade diante dos crimes cometidos por capatazes fez aumentar o clima de revolta entre os escravos da região. Os tribunais, como ainda são, se constituíam numa farsa completa.
No mesmo dia 5, cerca de 100 negros arrombaram as portas da fazenda Freguesia, levando as escravas, e saqueando um depósito da fazenda para pegar facões e outras armas. Acabaram por se esconder numa mata próxima, durante a noite.
O método foi reproduzido na noite seguinte, com o grupo passando de fazenda em fazenda e se juntando a eles escravos libertos. Conta-se que escravos que se recusaram a participar do levante também foram espancados. A adesão de escravos de outras fazendas faz parecer que houve algum tipo de planejamento para o levante.

Manuel Congo
O sobrenome do escravo geralmente pretendia identificar a origem do mesmo e o primeiro nome tinha o costume de ser o nome do proprietário do escravo, daí Manuel Congo.
Provavelmente Manuel Congo tenha sido a principal liderança desse levante, pois foi colocado como “rei” do levante, junto com Marianna (ou Maria) Crioula, chamada de rainha pelos que foram capturados.
Os negros se juntaram em massa num determinado local da mata, sendo chamado de Quilombo Manuel Congo. Os quilombos tiveram como característica, isso em nível nacional, de ser um lugar de refúgio e resistência dos negros, como estoicamente nos mostra Zumbi e o Quilombo dos Palmares.
Em nome da “ordem e do sossego”, 160 homens da Guarda Nacional foram destacados para combater o levante que vinha ganhando adesão de vários escravos de outras fazendas e começava a causar preocupação do regime.

A resistência negra
O coronel que comandou a ação foi Lacerda Vernek , que em um de seus memorandos, datado de 11 de novembro daquele ano, informa que logo que as tropas localizaram os primeiros revoltosos, os escravos fizeram uma linha e pegaram as armas, “umas de fogo, outras cortantes”.
Prossegue: “este insulto foi seguido de uma descarga que matou dois dos nossos e feriu outros dois. Quão caro lhes custou! Vinte e tantos rolaram pelo morro abaixo à nossa primeira descarga, uns mortos e outros gravemente feridos”.
Os escravos resistiram como puderam, contudo, em desvantagem, especialmente no tocante às armas de fogo, começaram a se abrigar ao que o coronel afirmou: “notei que nem um só fez alto quando se mandava parar, sendo preciso espingardeá-los, pelas pernas (...) uma crioula de estimação de Dona Francisca Xavier não se entregou senão a cacete, e gritava: morrer sim, entregar não!!!".
Aos poucos, foram ficando poucos sobreviventes do levante e foram encurralados na mata. Outros se dispersaram e acabaram morrendo de fome. 16 resistentes foram presos e levados a julgamento: Manuel Congo, Pedro Dias, Vicente Moçambique, Antônio Magro, Justino Benguela, Belarmino, Miguel Crioulo, Canuto Moçambique, Afonso Angola, Adão Benguela, Marianna Crioula, Rita Crioula, Lourença Crioula, Joanna Mofumbe, Josefa Angola e Emília Conga.
Ao que os dados indicam, não se pretendia executar todos os rebeldes pois isso se tornaria uma perda material dos donos dos escravos. Assim, foi decidido pelo tribunal que se reuniu na Praça da Concórdia, diante da Igreja Matriz da Vila de Vassouras, que Manuel Congo seria enforcado e tantos outros foram condenados a “650 açoites a cada um, dados a cinquenta por dia, na forma da lei”, e a “três anos com gonzo de ferro ao pescoço”, como informa o memorando do coronel Vernek.
Pequenos levantes foram registrados nas décadas posteriores, diante disso os fazendeiros instauraram uma “comissão permanente” para impedir novo levante de escravos, e que recomendou, dentre outros, danças e folguedos, pois “quem se diverte não conspira” e práticas do Catolicismo, pois “a religião é um freio e ensina a resignação”.
Hoje a fazenda Freguesia é o Centro Cultural Aldeia de Arcozelo, em Paty do Alferes e a antiga capela da senzala se tornou o memorial dos escravos punidos na revolta de Manuel Congo. A revolta, pouco estudada, foi uma de centenas que ocorreram durante a escravidão brasileira, sendo a mais conhecida a história de Zumbi, do histórico Quilombo dos Palmares.
 
in Diário da Liberdade

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