Esta semana, foi inaugurado o primeiro campo de reclusão para imigrantes na Grécia. Está localizado em Amygdaleza, na província da Ática de Atenas. No domingo passado, 56 imigrantes foram movidos e durante a semana outros 220, que estão alojados em contentores e sendo monitorados 24 horas por dia, por policiais de corpos especiais da polícia grega.
Neste repugnante quartel de inspiração fascista vão ser transportados cerca de 1.200 imigrantes em 52 contentores. O governo, pelo chamado Ministério de Defesa do Cidadão, anunciou a instalação de 30 campos de concentração para imigrantes no território da Grécia. Estes estabelecimentos são chamados, pelos meios de desinformação de centros de acolhida ou centros fechados de hospitalidade, como termos eufemísticos utilizados pelos nazistas há 65 anos para seus campos de concentração.
Destacamos que a maioria dos imigrantes a ser presos nestes campos de concentração será deportada, no âmbito da política da União Europeia contra a imigração. No mesmo âmbito que o governo vai construindo um muro ao longo do rio Evros, na fronteira com a Turquia, e está intensificando as chamadas operações vassoura contra imigrantes em Atenas e outras grandes cidades da Grécia.
Ao mesmo tempo, o governo promulgou uma lei que criminaliza a hospitalidade e o aluguel de qualquer tipo de alojamento para imigrantes não documentados, ao mesmo tempo que permite a detenção e deportação de qualquer imigrante ilegal. Notamos que com a lei de imigração vigente é extremamente difícil conseguir uma autorização de residência, mesmo que temporariamente.
Sob o pretexto da saúde pública, o Regime está tentando realizar uma operação para exterminar aqueles que foram forçados pela barbárie capitalista para deixar seus países e buscar um futuro melhor longe de casa. Na chamada operação contra a ilegalidade do Ministério de Defesa do Cidadão durante a última semana desencadeou uma perseguição desenfreada de imigrantes e foram detidos cerca de 2.000. Destes, apenas houve acusações contra 420, dos 200 casos por não ter documentos de residência em ordem, o que significa que mais de 1.500 imigrantes foram detidos sem qualquer acusação. Estes são alguns detalhes na Democracia...
O funcionamento do primeiro dos campos de concentração e reclusão para imigrantes, alguns dias antes das eleições gerais de 6 de maio, visa à desorientação da sociedade, tentando apresentar a imigração como fonte de todos os males, enquanto o Capital transnacional e o Estado têm desencadeado uma ofensiva sem precedentes contra a sociedade, com medidas dolorosas que levam o povo à miséria e à indignação.
O mesmo sistema que obrigou milhões de trabalhadores gregos (e não apenas gregos) a emigrar no século XX está forçando milhares de pessoas a abandonarem suas casas e irem para a Grécia (e não só para a Grécia). É o mesmo sistema podre que hoje nos reprime, nos explora, nos aterroriza, conduz à miséria, nos reserva um futuro sombrio. A todos, nativos e imigrantes. Porque a opressão e a exploração do homem pelo homem não tem fronteiras.
Dias de Indignação, Mobilização, Ocupação, e Acções Directas contra 1%
Grupos comunitários de base, organizações, colectivos e activistas independentes no México fazem um apelo AO MUNDO para desafiar a legitimidade e o poder do G8 e G20, espaços de poder supra nacionais hegemónicos, os quais 1% sequestra nossa possibilidade de um futuro justo e democrático. Fazemos este apelo para retomar o controle de nossas vidas em luta comum contra a elite mundial. Apelamos a uma mobilização internacional nos dias 18 e 19 de junho, como um passo importante na construção de uma interconectada resistência (G)lobal dos 99% (G99).
Vemos, em cada continente, revoltas e mobilizações populares que questionam a legitimidade e o poder desse 1%. Ouvimos os chamados dos que são agredidos e oprimidos por seus governos, e dos que sofreram a exploração e expropriação por parte do 1%. Nós ecoamos esses gritos e chamados de todas as regiões do mundo para construir uma resistência (G)lobal dos 99% contra as ilegítimas instituições internacionais que impõem, de cima, a sua ordem mundial - o G8, o G20, a NATO, o Conselho de Segurança da ONU, o FMI, o Banco Mundial, a OMC, etc... Em junho, o G20 realizará a sua reunião de chefes de estado no México, na cidade quase inacessível de resortes de Los Cabos.
No ano passado, em resposta a Primavera Árabe e as mobilizações na Europa contra os cortes de austeridade e o desemprego, colaborações a nível internacional e os chamados desde as diversas Assembleias Gerais do movimento Occupy, floresceram acções de mobilização de milhões de pessoas que tomaram as ruas e praças de seus países. Desde então, temos visto uma onda enorme de protestos e manifestações em escala global contra o 1% em cada continente.
A força e união (G)lobal dos 99% demonstram a nossa energia e capacidade de ir além do protesto social nas ruas, com a transformação social a partir de baixo e com base nas nossas comunidades. Nosso chamado é para recuperar a nossa capacidade de sonhar e construir um mundo onde caibam muitos mundos, fundamentado na cooperação, na justiça social, reconhecendo o direito de todos os povos de viver em dignidade e em harmonia com a Mãe Terra.
Fazemos este chamado a todos os povos do mundo para nos mobilizarmos nos dias 18 e 19 de junho em um levantamento global de indignação dos 99% contra a hegemonia do 1%. Chamamos a dois dias de mobilizações, protestos e ocupação de praças e centros urbanos de cada país para recuperar a nossa dignidade e direito de autodeterminar o mundo e a sociedade em que queremos viver; a realizar assembleias populares que organizem ações públicas para tornar visível e enfatizar demandas locais e regionais; e que os grupos de afinidade independentes e autônomos organizem acções diretas que julgarem necessárias e urgentes. Apelamos ao bloqueio do capital do 1%.
Em Portugal o 1º de Maio comemorou-se sob uma onda de medidas executadas pelo governo ao serviço do grande capital , que diáriamente submete o povo a toda a espécie de decretos e taxas vexatórias e ruinosas para quem trabalha .
Há a registar a campanha publicitária promovida por uma grande superfície comercial,
que por um lado explorou à tripa forra os seus funcionários no dia do trabalhador, por outro valeu-se da inconsciência de um grande número de populares que acorreram selváticamente a uma iniciativa humilhante. O capitalismo nada nos dá, exerce sim diáriamente a rapina sobre todos nós .
Os problemas subsistem e agravam-se, só a luta sem tréguas e organizada poderá corresponder aos anseios do povo por uma vida feliz .
As manifestações populares tiveram lugar nas principais cidades do país, com muita participação e combatividade pese embora as campanhas capitalistas de ataque a esta data querida dos trabalhadores do mundo inteiro.
Loucura consumista
eImagens do aparato policial, destacado para a cidade de Setúbal para proteger algumas dezenas de nazis do PNR que provocatóriamente se deslocaram à cidade do Sado neste 1º de Maio. A presença de grande número de efectivos da polícia não conseguiram intimidar os cerca de duas centenas de anti-fascistas que se manifestaram nas ruas de Setúbal contra o autoritarismo e a repressão .
Mais de 20 pessoas ficaram feridas quarta-feira quando soldados
de israelitas em Ofer acampamento militar e prisão, na fronteira com Ramallah,
disparam gás lacrimogêneo contra os estudantes da Universidade de Birzeit que se
reuniram fora da prisão, em apoio de prisioneiros em greve. Os soldados regaram os manifestantes com gás
lacrimogêneo e dispararam balas de borracha, logo que chegaram ao portão que separa a área
de Ramallah e a prisão. Os soldados também pulverizaram os manifestantes com água
suja.
Cerca de 1.600 presos começaram em
17 de abril uma greve de fome exigindo melhor tratamento a abertura das prisões e
condições, bem como um fim a punição através de encarceramento em solitária.
Dois prisioneiros Bilal Diab e Thaer Halahleh que estão em greve da fome há 65 dias encontram-se num estado grave de saúde .
As actividades de solidariedade com Múmia Abu-jamal no dia 24 deste mês ocorreram por todo o mundo . Juntamos notícias e fotos de iniciativas na Alemanha, Brasilk, México e Holanda .
Alemanha - Manifestação pela liberdade de Mumia Abu-Jamal reune
centenas de pessoas em Berlim
Centenas de pessoas fizeram um acto público alegre e barulhento neste sábado (21) pela liberdade do jornalista radical e preso político afro-americano Mumia Abu-Jamal nas proximidades da Embaixada dos Estados Unidos na Porta de Brandemburgo, em Berlim.
Com faixas, panfletos e um carro de som os manifestantes também pediram a abolição da pena de morte, o fim do encarceramento em massa e a libertação dos presos políticos nos Estados Unidos e em todo lugar.
O evento contou com a participação do afro-americano Harold Wilson, que viajou até Berlim para falar sobre suas experiências no corredor da morte, o significado político da pena de morte nos Estados Unidos, das lutas dos presos para sobreviver ás condições carcerárias, do racismo nos tribunais americanos e como ganhou a sua liberdade em 2005. Harold passou muitos anos no corredor da morte com Mumia, na Pensilvânia.
Brasil] - Em Fortaleza, manifestantes exigem libertação de Mumia Abu-Jamal!
Ocorreu em Fortaleza, pela manhã e tarde de ontem (24 de abril), um acto público pela libertação do jornalista radical afro-americano Mumia Abu-Jamal. Pela manhã a intervenção aconteceu próximo ao Centro da cidade, em frente ao Instituto Brasil Estados Unidos (IBEU), local reconhecido pelo governo americano como promotor da cultura dos EUA no Ceará.
No decorrer da manifestação foi realizada uma oficina de confecção de cartazes, que foram fixados nos muros do IBEU e em frente ao local, onde os manifestantes ficaram por algumas horas em vigília. Algumas das frases contidas nos cartazes dos manifestantes e entoadas como palavras de ordem: Libertar Abu-Jamal e destruir o capital!, Milhões por Mumia!, Abolição da pena de morte!, Free Mumia, Pela libertação de todos os presos políticos!. No mesmo local, os manifestantes distribuíram panfletos para os passantes, com um texto denunciando as injustiças no processo de Mumia e contando sua história de mais de trinta anos de luta e resistência. Foram apresentadas músicas em homenagem a Jamal, em voz e violão.
Pela tarde, os manifestantes se dirigiram em caminhada até a Agência Consular Americana em Fortaleza, há alguns quilômetros do IBEU, a fim de entregar uma carta denúncia à Agente Consular norte-americana responsável, mas ela não se encontrava no local....
Neste momento estão ocorrendo várias ações em solidariedade a Mumia nos EUA, Canadá, França, Alemanha, Brasil e em outros lugares do mundo. Daqui do Ceará, Brasil, estamos nos organizando em uma articulação de solidariedade a Mumia Abu-Jamal, juntamente com alguns movimentos, organizações, grupos e indivíduos autônomos que são sensíveis ao caso, com todos e todas que são contra a pena de morte, as perseguições políticas de toda ordem, o racismo e todas as formas de discriminação e opressão. Estamos com todos que são contra a ordem social que persegue, prende e mata quem ousa falar e lutar contra o capitalismo e seus meios de exploração e opressão. Estamos juntos pela libertação imediata de Mumia Abu-Jamal! E com vistas à libertação de todos os presos políticos!
Denunciamos ao mundo e exigimos do governo dos EUA, juntamente com outras pessoas em outras partes do planeta, a libertação de Mumia Abu-Jamal!
Este 1 de Maio vamos sair à rua, em Setúbal.
Depois da brutal repressão policial do ano passado, e no duro contexto
social em que nos encontramos, era inevitável voltar a sair e não
ceder ao medo que nos querem impor.
Os racistas e fascistas do PNR anunciaram também uma manifestação de
provocação contra as ideias do 1º de Maio e contra a tradição
anti-fascista da cidade de Setúbal. A PSP tem desenvolvido uma
campanha de assédio e intimidação, com demonstrações da sua violência
autoritária, com vigilância ostensiva, revistas, insultos,
humilhação e identificação de pessoas que se encontram em acções de
divulgação da manifestação, e inclusive , por duas vezes, a apreensão
de cola, baldes, trinchas e cartazes.
Torna-se necessário perante este cenário declarar que:
-Não vamos ceder às manobras intimidatórias das forças de desordem,
nem às manobras provocatórias dos fascistas. Esta manifestação vai
realizar-se de uma forma ou de outra.
-A concentração Anti-Capitalista e Anti-Autoritária terá inicio às
13:30 no Largo da Misericórdia e não vai alterar ou modificar um
milímetro que seja qualquer uma das suas motivações, propósitos e
percursos por causa da provocação fascista marcada para as 16:00h,
aparentemente em novo local, na praça du Bocage, em frente à Câmara
Municipal.
-Estamos a convocar uma manifestação, não estamos a convocar um motim,
nem um fight club. Gostamos muito da nossa cidade e não temos nenhuma
intenção em destruí-la. Para fazer isso já sobram capitalistas.
-Mas também sabemos que enquanto formos ingénuos, desorganizados e mal
preparados corremos grandes riscos. Não vamos entregar ninguém aos
lobos. Estamos e estaremos sempre prontos a defender a integridade
física de todos os manifestantes. Isso faz-se de forma activa, não
passiva. Com inteligência e determinação.
-Não é nem nunca foi um papel que protegeu alguém da violência
policial, ou da violência fascista. Hoje, como ontem, tudo o que
tivermos que ganhar será pelas nossas mãos, não a troco de
autorizações. Hoje, como ontem, ninguém nem nenhuma instituição nos
dará a liberdade, a justiça social ou a justiça económica.
De resto esperemos que seja um grande dia onde cumpramos o nosso
objectivo: sair à rua com todos os que estão fartos da miséria e
querem melhor; deixar claro que não nos chegamos para trás; e chegar
ao final duma manifestação comunicativa e combativa sem que os
desordeiros do costume ( polícia ) consigam travar mais uma iniciativa
popular. Estão todos convidados à aparecer.
Mantenham-se atentos às várias informações de segurança e legais que
se publicarão nos próximos dias.
Rebeldes e organizados, nós damos-lhe a crise...
Dia 24 de Abril, foi o aniversário de Mumia, fez 58 anos de idade, 30 dos quais foram passados em isolamento no corredor da morte no estado da Pensilvânia. Sob uma falsa acusação de ter provocado a morte de um polícia em 1982, foi condenado por um tribunal que lhe negou os mais elementares direitos: impôs-lhe um advogado incompetente, ouviu depoimentos obtidos sob coacção e aceitou provas forjadas, incluindo uma "confissão" que só a polícia ouviu. Dessa farsa resultou a sua condenação à pena de morte e foi colocado de imediato no corredor da morte, as instalações onde os condenados à morte esperam pela execução...Uma grande mobilização verificou-se a nível mundial exigindo a libertação de Mumia e a reparação das muitas e graves injustiças que são diáriamente cometidas contra os presos políticos, os imigrantes, os pobres e os injustiçados sociais em geral.
7 EXIGÊNCIAS :
1. Libertem Mumia.
2. Fim ao encarceramento em massa.
3. Trabalho sim, prisão NÃO.
4. Fim ao encarceramento nas solitárias
e fim à tortura.
5. Fim da pena de morte racista.
6. Tirem as mãos de cima dos imigrantes.
7. Liberdade para os presos políticos.
EUA - Washington D.C.: Manifestação de apoio a Mumia Abu-Jamal
reune cerca de mil pessoas
Cerca de mil pessoas se manifestaram nesta terça-feira (24) na
frente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e nas
imediações da Casa Branca, em Washington D.C., para exigir a
libertação do jornalista e activista Mumia Abu-Jamal no dia do seu
aniversário de 58 anos. A polícia prendeu pelo menos 28 activistas
que ocuparam uma a zona proibida da Casa Branca.
Num palco improvisado, membros de várias organizações criticaram
o encarceramento em massa, a pena de morte, o encarceramento em
solitária e a tortura, a criminalização e as detenções de
imigrantes, a corrupção policial e judicial. Seguiu-se um momento
cultural-político com poesias, cantos e apresentações de grupos de
hip-hop e reggae.
A memória de Martin Trayvon igualmente foi invocada no evento.
Martin, jovem negro de 17 anos, foi morto por um vigia voluntário
em 26 de fevereiro passado, em Sanford (centro da Flórida), quando
A polícia despejou hoje no Porto o projecto Es.Col.A. após mais de um ano de actividade social, com iniciativas em prol da população da Fontinha e da cidade. A polícia prendeu 3 pessoas, usando a violência e a intimidação sobre os presentes no local e aos que acorreram a solidariezar-se. A Câmara Municipal do Porto, ao não ter cumprido com o acordado, está a tentar matar algo que reabilita a zona do centro do Porto e que tem o apoio da população. O Es.Col.A não será nunca despejado, porque não se pode despejar uma ideia.
Acções de solidariedade e repúdio estão a decorrer na cidade do Porto, junto à Câmara Municipal e em Lisboa no Largo S.Domingos na Baixa de Lisboa Solidariedade activa com o Es.Col.A
Adri Nieuwhof resume a análise feita por John Dugard, antigo enviado especial para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados, sobre a situação dos presos palestinianos por ocasião de uma reunião internacional das Nações Unidas realizada no fim da semana passada em Genebra:
A delegitimização dos prisioneiros políticos Israel não reconhece os palestinianos envolvidos nas actividades de resistência contra a repressão israelita como combatentes, opositores ou presos "políticos". Para evitar de dar alguma legitimidade à sua causa, eles são tratados como "terroristas", criminosos comuns ou então como detidos securitários.
O regime sul-africano tratou Nelson Mandela, assim como os outros presos políticos do seu tipo, de maneira parecida. Para além disso, Israel recusa aos seus presos políticos qualificados de combatentes, o estatuto de prisioneiros de guerra. Nem sequer reconhece que existe um conflito entre o Estado de Israel e o povo palestiniano que exerce o seu direito à autodeterminação e à independência. Os presos de guerra não podem ser tratados e punidos como criminosos comuns. Pelo contrário, eles podem ficar retidos até ao fim das hostilidades, devendo depois ser libertados e repatriados.
O estatuto de prisioneiro de guerra é aplicável a qualquer membro de um grupo organizado no combate "contra o domínio colonial e a ocupação estrangeira, e contra os regimes racistas que impeçam o exercício do seu direito à autodeterminação", segundo o artigo adicional das Convenções de Genebra de 1949, o "artigo primeiro". O povo palestiniano tem o direito à autodeterminação, uma vez que está submetido à ocupação estrangeira e a um possível domínio colonial. A luta entre a OLP, enquanto movimento de libertação nacional e Israel deve ser reconhecida como um conflito armado internacional onde as Convenções de Genebra devem aplicar-se. [...]
Os combatentes da liberdade palestinianos não são criminosos[...] Se os combatentes palestinianos fossem detidos como prisioneiros de guerra, eles seriam-no até ao fim da ocupação, o que poderia durar muitos anos. Eles seriam libertados ao mesmo tempo que as pessoas condenadas pelos tribunais militares israelitas e vistos por Israel como criminosos. Assim sendo, as implicações práticas do estatuto de preso de guerra não são significativas.
No entanto, as implicações simbólicas ou políticas da condição de preso de guerra são importantes. Os presos de guerra não são tratados como criminosos mas como adversários dignos de um conflito militar, combatentes da liberdade, envolvidos numa guerra pela autodeterminação, cujos direitos são reconhecidos e determinados pelo direito internacional.
Os tribunais militares Sob o apartheid, os combatentes do ANC era julgados segundo a lei penal. Tais processos deram oportunidade aos militantes de se confrontarem com os seus adversários e de expor a sua causa num processo político. No apartheid da África do Sul, assim como na Namíbia, os militantes utilizavam o processo político para um bom fim. Habilmente defendidos por advogados competentes e simpatizantes da sua causa, em tribunais civis abertos ao público e na presença da imprensa e de observadores estrangeiros, eles exploraram as regras do procedimento de evidência a favor da sua causa política. A história do apartheid está cheia de processos políticos que evidenciaram a estatura dos defensores ao exporem a repressão e a discriminação.
A maioria dos combatentes palestinianos são julgados por tribunais militares, apesar da preferência do direito internacional humanitário para a imparcialidade dos tribunais civis. Os tribunais militares destinam-se a ser a excepção e não a regra, de acordo com a Convenção de Genebra. Esses tribunais são dirigidos por juízes militares sem independência e posicionados em alturas inacessíveis, por vezes à porta fechada, aplicando uma lei militar inacessível, respeitando pouco as regras de um processo regular.
Em geral, os militantes palestinianos não têm sequer a possibilidade de confrontar a potência ocupante perante uma audiência pública e perante juízes imparciais que aplicam a lei regular.O regime israelita assassina os seus opositores
Os que se recusam a aceitar a comparação do regime repressivo de Israel nos territórios ocupados da Cisjordânia e da faixa de Gaza com o do apartheid, proclamam orgulhosamente que pelo menos os presos políticos palestinianos não são executados e que Israel é um Estado que aboliu de facto a pena de morte. É verdade que o apartheid sul-africano executava prisioneiros políticos depois de eles terem sido julgados por tribunais civis e não militares, em processos onde eram aplicados procedimentos legais apropriados.
Mas foram mortos muitos mais palestinianos em assassinatos cirúrgicos de combatentes que homens executados judicialmente por crimes políticos na África do Sul. Israel não é um Estado abolicionista. É um Estado que pratica a pena capital de maneira arbitrária e caprichosa, sem nenhum julgamento.
Embora as condições dos presos palestinianos sejam cruéis e desumanas, embora os processos que os mandaram para a prisão sejam injustos, e embora as denominações utilizadas a seu respeito sejam especialmente humilhantes, tais como "criminosos" ou "terroristas", não deveríamos esquecer que os presos palestinianos são os mais sortudos. Esses, pelo menos, não foram assassinados como alguns dos seus pares por um regime que elimina os seus opositores sob o eufemismo de "assassinatos cirúrgicos".
Cerca de 1600 prisioneiros palestinianos em Israel, mais de um terço do total, irão entrar em greve de fome a partir de terça-feira, disse hoje à AFP o ministro palestiniano dos Prisioneiros, Issa Qaraqae. «Cerca de 1600 prisioneiros palestinianos começarão terça-feira uma greve de fome, para reivindicarem melhores condições prisionais, e nós preparámos um programa nacional de solidariedade para com eles», afirmou o ministro palestiniano.
Terça-feira é do Dia dos Prisioneiros Palestinianos e coincide com a libertação de Khader Adnane, que bateu o recorde de estar 66 dias em greve de fome.
Atualmente dez prisioneiros, todos detidos administrativamente, estão em greve de fome nas cadeias israelitas, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinianos.
A porta-voz da administração penitenciária israelita, Sivan Weizman afirmou, por seu turno, estarem seis presos em greve de fome.
Dois deles, Bilal Foab, 27 anos, e Thaer Halahla, acusados de ligações à Jihad Islâmica, recusam alimentar-se há 48 horas, estando o seu estado de saúde a preocupar os médicos.
Entrevista de Filomeno V. Lopes à Voz da Alemanha:
07.04.2012
Após cirurgia na Alemanha Vieira Lopes fala sobre situação crítica em Angola Na sequência de uma agressão de que foi vítima na capital angolana, Luanda, Filomeno Vieira Lopes, secretário-geral do partido da oposição Bloco Democrático, viajou à Alemanha, onde foi submetido a uma operação médica.
No último dia 10 de março, um grupo de civis armados com catanas, barras de ferro e cabos elétricos espancaram vários cidadãos que o grupo presumia pretender realizar manifestações contra o Governo – tudo isso perante a passividade de agentes da polícia angolana. Um dos feridos no incidente foi o economista Filomeno Vieira Lopes, cujo espancamento provocou a fratura de um braço em três locais, um golpe profundo na cabeça e ferimentos por todo o corpo.
Em entrevista à DW-África, Vieira Lopes disse que saiu de Angola para fazer uma operação de rápido restabelecimento, e pricipalmente para conseguir repousar em segurança.
DW África: A operação já foi realizada?
Vieira Lopes: A operação já está feita. Estamos numa fase em que ainda não retirei os pontos. Também tenho que fazer fisioterapia e ainda não recuperei a mobilidade completa, nem na mão direita nem no braço direito. É algo que demora o seu tempo e, portanto, eu devo estar aqui mais algum tempo para uma recuperação controlada.
DW África: E por que saiu de Angola para fazer um tratamento, temia pela sua vida?
VL: Eu confio muito nos médicos angolanos e confio bastante nas instituições angolanas. Mas a análise do Bloco Democrático sobre os acontecimentos é de que efetivamente houve uma tentativa de assassínio frustrada, que pudesse prosseguir nesta senda através de outros processos. Por outro lado, houve também certa pressão da família, que me queria ver de alguma forma a ser tratado em um sítio onde pudesse gozar de alguma tranquilidade.
DW África: Já tem data para voltar a Angola? E será que regressa de forma tranquila, sem medo, para realmente enfrentar o país da forma como está?
VL: Eu não tenho ainda data marcada, mas com certeza meu regresso será em breve. Vou voltar logo que esteja em condições físicas.
Nós assumimos a posição política que assumimos e não podemos ter receio daquilo que está a acontecer. Angola tem uma história muito triste deste ponto de vista. Estamos em um ponto fundamental no país: se há ou se não há democracia, se é um país que caminha ou não para as liberdades fundamentais. E, portanto, nós vamos prosseguir naturalmente este combate com as consequências que isso possa implicar.
Sabemos que o ambiente é mau, que há uma predisposição daqueles que estão no poder de o manterem de qualquer maneira. Mas, natualmente, o povo angolano merece consideração e achamos que o povo angolano vai ser capaz também de atravessar esta fase muito difícil da sua existência. Vamos conseguir, com o tempo, transformar essa paz militar em paz social.
DW África: Filomeno Vieira Lopes foi espancado e daí a presença aqui na Alemanha para fazer esse tratamento. Tudo isso aconteceu de forma muito rápida, e confirma que sofreu fraturas no braço em três locais, para além de ter sido espancado na cabeça como se viu nas fotografias?
VL: Exatamente. Isto foi um grupo de civis que, com todos os indícios, está associado à polícia. A polícia vai ter que esclarecer por que razão não tomou nenhuma atitude. E já tinha havido um precedente em que a polícia juntamente com esse grupo tinha atuado de forma conjunta e complementar.
Pelo próprio tratamento institucional que este grupo tem tido na comunicação social, pelo menos parte dela, e pela audição que se faz dos fatos, tudo isto mostra que efetivamente há uma concordância entre a polícia, a política e também os grupos que se apresentam para se fazerem de contra-manifestantes.
DW África: Mas precisamente a polícia angolana anunciou, 24 horas depois do acontecimento, que iria investigar o sucedido. Até hoje não houve resposta?
VL: Em primeiro lugar, foi uma comunicação forçada pela imprensa e, por circunstância ou por pavor, [a polícia] disse isso. Não há nenhum comunicado oficial, formal, escrito, carimbado pela polícia a assumir a investigação e, pelo que sei até agora, nada saiu. A polícia está efetivamente à espera que o Bloco Democrático faça uma queixa, para depois tentar encontrar um conjunto de argumentos.
DW África: Ao que tudo indica, o quadro não será brilhante durante a campanha eleitoral para as presidenciais em Angola. Como é que encara esse futuro próximo?
VL: Com bastante preocupação. Digamos que o presidente da República e sua equipa têm tido um papel extremamente negativo no desenvolvimento da democracia em Angola. Querem facilitar a fraude eleitoral, e nós já vínhamos numa situação em que não tínhamos boas leis para as eleições. A Constituição não é suficientemente aberta do ponto de vista das eleições. A lei eleitoral também não é a melhor lei, basta dizer que as pessoas no exterior não votam. Tudo isso foi discutido à revelia da opinião pública.
Nós não temos uma comunicação social que dá voz a toda a gente. Temos uma comunicação social que cerceia as liberdades da oposição por um lado, e por outro temos uma comunicação social manipuladora e oficial.
E também há a ação da polícia que tenta impedir o desenvolvimento das campanhas e mesmo da intervenção política normal dos partidos políticos. Temos uma administração que está preparada para obstaculizar todo o processo burocrático de desenvolvimento da campanha. Não é exatamente um ambiente saudável.
Está a criar-se uma situação segundo a qual, depois da altura do voto, tudo pode acontecer para que a fraude se passe. Portanto nós não estamos bem em Angola.
* Clique abaixo para ouvir a entrevista na íntegra.
Várias dezenas de passageiros que tinham comprado um bilhete de avião para estarem em Telavive neste domingo 15 de Abril foram avisados no dia 12 pela companhia aérea Lufthansa que a sua reserva estava anulada “por ordem de Israel”.
« Israel estabeleceu uma lista de nomes de pessoas às quais este país proíbe a entrada. O seu constada lista, o que nos leva a anular o seu bilhete e a re-creditar o seu cartão bancário», declararam os funcionários da Lufthansa aos passageiros.
Não podendo discernir, nas listas de passageiros previamente transmitidas a Israel pelas companhias aéreas, os que tinham a intenção de participar na missão Boas vindas à Palestina dos que nada tinham a ver, o governo israelita,habituado aos “danos colaterais” decidiu pelos vistos colocá-los todos a granel na lista negra. Pelo menos duas pessoas não envolvidas na missão e com a intenção de passar uma temporada em Israel informaram-nos na quinta-feira. […] Traduzido de : CAPJPO-EuroPalestine, 13.4.2012