CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

Ainda o Dia 15-Onda de revolta á solta

Por todo o mundo houve manifestações contra o capitalismo reinante, causa da infelicidade dos povos, sistema que priveligia uns quantos eleitos, ou seja uma classe parasitária que exerce a mais desenfreada exploração, sanguesugas que se alimentam do esforço dos trabalhadores de todo o planeta.
Em Portugal realizaram-se manifestações em nove cidades do país envolvendo largas dezenas de milhar de pessoas sinónimo do crecente de consciência, que se agiganta quanto`a inevitabilidade de destruir pela raíz a sociedade que nos oprime , substituindo-a por um mundo novo.

Arrentela- Mais uma vez alvo da violência policial

"Mais uma acção violenta da polícia, sete meses depois de terem agredido violentamente o dutxi, desta fez com uma forte carga sobre mulheres, homens (em frente às suas crianças) depois da festa de aniversário dum bebe de 1 de ano e, motivado por uma queixa de barulho às 22h00, em frente à sede da Associação Khapaz.
É mais um episódio da sistemática violência institucional contra os negros e negras, ciganos e brancos pobres deste país e do mundo.
Justiça e paz."

O Colectivo de Solidariedade Mumia Abu-Jamal manifesta a seu mais veemente repúdio por mais uma agressão despropositada das polícias do sistema contra o povo. Uma acção manifestamente racista não só pela cor da pele , mas pela condição social das vítimas.

LUTA CONTRA DEMOLIÇÕES NO BAIRRO NA TORRE SEM REALOJAMENTO

HOJE, NA CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES, A PARTIR DAS 11H,
PROTESTO DAS FAMÍLIAS EM VIAS DE FICAR SEM TETO

O Bairro da Torre em Camarate, Loures, é um bairro de génese ilegal onde vivem cerca de 84 famílias muito pobres, com rendimentos entre os zero e os cento e cinquenta euros por pessoa. Muitas das pessoas que aí habitam são idosas (desde os 65 anos até aos 86 anos de idade), outras têm problemas graves de saúde (cancro, deficiência visual), alguns destes fazem tratamentos médicos como hemodiálise, cirurgias, etc. Há também um número muito considerável de crianças, mais de 40, e mães sozinhas que trabalham na área das limpezas ou fazem part-time em caixas de supermercado.

Estas pessoas não têm quaisquer possibilidades de aceder ao mercado de habitação, nas condições em que este se encontra hoje. A demolição precipitada deste bairro sem analisar quaisquer alternativas é um crime, porque está a mandar para a rua, para a degradação total que é ficar sem um teto para dormir, atentando contra a vida e a segurança de todas estas famílias.

A Câmara de Loures prepara-se para durante esta semana despejar todas estas pessoas na rua sem qualquer tipo de alternativa, sem averiguar as condições das pessoas, sem garantir a protecção dos mais fracos, sem articular soluções com outras entidades como a segurança social, o ACIDI ou o IHRU. A Câmara demite-se de todas as responsabilidades com a desculpa de estas famílias não estarem recenseadas no PER (Programa Especial de Realojamento) que foi há 18 anos atrás, e de estar muita atrasada no cumprimento deste programa que a maior parte dos outros municípios já concluiu.

As pessoas que vivem no Bairro da Torre não têm culpa que a Câmara não tivesse cumprido ainda o PER, e que ainda tenha muitas famílias para realojar. Há actualmente alternativas como o Prohabita que o município se comprometeu a estudar, mas perante algumas dificuldades que as pessoas tinham em aceder às condições exigidas por este no curto espaço de tempo que a Câmara exigia e sem qualquer apoio desta no desenvolvimento da candidatura, o processo estava a ter dificuldades que com algum empenho da câmara seriam ultrapassadas. Subitamente a câmara pareceu ter abandonado todos os seus compromissos e está agora a preparar-se para arrasar o bairro sem estudar mais nenhuma alternativa.

Este comportamento é totalmente inaceitável e os moradores não aceitam ficar na rua, pelo que irão protestar na Câmara de Loures hoje contra o tratamento desumano e irresponsável pelo município.

Jorge dos Santos/George Wright
Extradição Não

Comunicado do grupo de Solidariedade com Jorge Santos/George Wright.
Entretanto uma notícia de última hora, Jorge Santos saiu hoje ao final da tarde da prisão para sua casa onde se encontra em prisão domiciliária.


COMUNICADO
Grupo de Solidariedade com Jorge dos Santos/George Wright. Extradição Não!

Nestes últimos dias a comunicação social desdobrou-se em notícias sobre a prisão de Jorge dos Santos /George Wright diabolizando-o perante a opinião pública, sem informar sobre o contexto da realidade social e racial dos anos 60-70 nos EUA. Uma sociedade onde o racismo dominava e a comunidade negra vivia na pobreza, o que impulsionou activos movimentos de resistência e de lutas dessa comunidade pelos seus direitos. Edgar Hoover, o então chefe do FBI, estabeleceu como objectivo principal desta policia o desmembramento das mais activas organizações do movimento negro, entre as quais os Black Panthers uma organização que lutava pelos direitos da comunidade negra e instituiu um programa social de apoio à comunidade. Ao mesmo tempo outras organizações racistas eram toleradas pela polícia e desenvolviam frequentes provocações, espancamentos e linchamentos, nomeadamente os KKK (Ku Klux Klan).

Foi dentro deste enquadramento que, em 1962, Jorge Santos/George Wright, então com 19 anos, se viu envolvido num assalto do qual resultou a morte de uma pessoa, e embora tenha sido provado que não foi o responsável directo dessa morte, isso não impediu o sistema judicial de Nova Jersey a condena-lo a uma pena de prisão de 30 anos

Passados 8 anos, Jorge/George evadiu-se da prisão de Bayside em Leesburg.
Na cidade de Detroit, para onde foi viver, entrou em contacto com o Black Liberation Army, uma organização que combatia pelos direitos dos negros americanos vindo a envolver-se nas suas actividades. Foi enquanto militante dessa organização política, que participou numa acção para obtenção de fundos, que consistiu no desvio de um avião de Delta Airlines, para Miami, a 31 de Julho de 1972.
O resgate pedido, de um milhão de dólares, foi entregue pelas autoridades americanas em troca da libertação de todos os passageiros, o que aconteceu sem que estes tenham sido molestados.
O resgate destinava-se a subsidiar a actividade da organização, nomeadamente apoiar socialmente a comunidade negra.
Ainda com a tripulação e avião, dirigiram-se para a Argélia onde pediram asilo politico, tendo o dinheiro do resgate sido devolvido aos EUA, juntamente com o avião e a tripulação.

Mais tarde os autores do desvio do avião exilaram-se em França , onde permaneceram alguns anos. Foi após a prisão dos seus camaradas que Jorge/George veio para Portugal, e em seguida para a Guiné Bissau, onde lhe foi dado asilo politico, e por protecção, uma nova identidade.
Jorge, durante a sua permanência neste país africano, fez voluntariado junto das camadas jovens, ensinando basquetebol, e desenvolveu diversas outras actividades sociais.

No final dos anos 70, conhece uma portuguesa, com quem se vem a casar. Há cerca de 30 anos, veio viver para Portugal onde adquiriu legalmente a nacionalidade portuguesa. Jorge, como qualquer outro cidadão, trabalha para a sua subsistência e de sua família (esposa e 2 filhos), não deixando, porém, de participar em actividades de solidariedade, estando sempre disponível para ajudar o próximo.

Apesar de ter a sua imagem denegrida pela comunicação social, é possível verificar-se que se trata de um cidadão integrado e acarinhado pela comunidade onde reside.

Consideramos que o Jorge só tem uma pena a cumprir: a absolvição. Por isso exigimos a sua liberdade incondicional .
A extradição para os EUA para cumprir o resto da pena, passados 41 anos, mesmo com dúvidas quanto a veracidade dos factos propangadeados, só pode ter como resposta Não!
O que o FBI pretende é vingar-se da humilhação que sofreu, quando teve que entregar o resgate em fato de banho e deixar partir o avião nas suas barbas.


EXTRADIÇÂO PARA A PENA DE MORTE NÃO!
LIBERDADE PARA JORGE DOS SANTOS/George Wright!

Grupo de Solidariedade com Jorge Santos/George Wright
solidariedadejorgedossantos@gmail.com

Amanhã todos à Manifestação Global Contra a sociedade que nos sequestra a vida

15 de Outubro | Manifestação global | 15H - Lisboa - Marquês de Pombal | 19H Assembleia Popular em frente à Assembleia da República | 15H - Porto - Praça da Batalha

- Pelo fim da precariedade de vida.Lisboa - Marquês de Pombal (19h - Assembleia Popular em frente ao Parlamento)Porto - Praça da BatalhaAngra do Heroísmo - Praça Velha
Braga - Avenida
CentralCoimbra - Praça da RepúblicaÉvora - Praça do SertórioFaro - Jardim Manuel BivarResto do Mundo (mapa-mundo dos protestos: http://map.15october.net/

MANIFESTO:
Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias,
desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e
reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida. Hoje vimos
para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a
nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação
política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos
oprime e não nos representa. A actual governação assenta numa
falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas
dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um
sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo
económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que
fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala
global. Democracia não é isto! Queremos uma Democracia
participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente
nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja
baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.
Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por
regimes de excepção. Queremos um sistema fiscal progressivo e
transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança
social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de
forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam
assegurados. Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de
poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente
responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático
e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas
estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação
activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber
de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que
condições. As pessoas não são descartáveis, nem podem estar
dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses
financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio
constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o
mundo democrático de que a economia se deve subordinar aos interesses
gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas,
como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos
laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura
com argumentos economicistas. Os recursos naturais como a água,
bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis.
Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação,
saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de
alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as
pessoas. A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram. Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no Mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta! A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.

[EUA] A Procuradoria da Filadélfia não poderá executar Mumia Abu-Jamal sem novo julgamento

Em 11 de outubro passado, o Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos disse que a Procuradoria da Filadélfia não pode executar Mumia Abu-Jamal sem realizar um novo julgamento. A Procuradoria havia apelado ao parecer de 26 de abril último em que um tribunal federal afirmou a inconstitucionalidade da pena de morte.

Longe de trazer justiça no caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal pelo menos remove a ameaça imediata de execução que tem sido especialmente forte desde janeiro de 2010. Tal fato é uma derrota temporária para a estrutura de poder da Filadélfia, especialmente para a Ordem Fraternal da Polícia, que liderou a campanha para matar Mumia com o aval dos tribunais durante 30 anos, enfatizando os direitos da vítima Maureen Faulkner para pôr fim a seu sofrimento pelo assassinato de seu marido Daniel Faulkner em 9 de dezembro de 1981. Pouco lhes importa matar um homem inocente para reforçar o poder da polícia. Isso acabamos de ver com o assassinato estatal na Geórgia de Troy Davis, um homem inocente.

Agora, se a Procuradoria buscar uma nova sentença de morte, terá que realizar uma nova audiência diante de um novo júri que só pode determinar uma sentença de prisão perpétua ou morte. Se a Procuradoria não fizer, Mumia será automaticamente condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Enquanto Mumia não poderia ganhar a sua liberdade nesta audiência, ele vê como sua melhor opção neste momento para apresentar provas de sua inocência nunca ouvida por um júri. Por outro lado, a Procuradoria nunca quis realizar uma nova audiência, porque Mumia também poderia apresentar provas de todos os crimes de Estado contra ele. Isso afetaria a carreira de muitos políticos poderosos e colocaria o sistema no banco dos réus. Alguns observadores acham também que poderia abrir outras vias de recurso.

Lembremos que em 2001, o juiz federal William Yohn afirmou a culpabilidade de Mumia no assassinato do policial Daniel Faulkner, e lhe negou um novo julgamento para provar sua inocência, mas como resposta as grandes mobilizações em todo o mundo, declarou a pena de morte inconstitucional devido às instruções falhas dada ao júri pelo racista juiz Sabo. Yohn determinou que a Procuradoria da Filadélfia não poderia impor a pena de morte sem realizar uma nova audiência para determinar a sentença, e de não fazê-lo, Mumia ficaria com a sentença de prisão perpétua. A decisão de Yohn foi aprovada pelo Tribunal de Apelações do 3º Circuito em março de 2008. Em 6 de abril de 2009 o Supremo Tribunal da Nação aprovou parte da decisão de Yohn, considerando que Mumia não teria um novo julgamento para determinar a sua inocência, e uma opinião alarmante em 19 de janeiro de 2010 anulou a revogação da pena de morte ordenada por Yohn e reenviou o caso para o tribunal inferior para "rever" a sua decisão. Mas o 3º Circuito voltou a endossar o parecer de Yohn em abril de 2011 e agora em outubro de 2011, a Suprema Corte aceitou sua decisão.

Agora o perigo de execução é mais remoto enquanto o perigo de morte lenta na prisão parece ser a maior ameaça a Mumia.

E embora os tribunais digam que a liberdade não é uma opção, sabemos que eles podem sempre encontrar um mecanismo se a pressão da opinião pública é suficientemente forte.

A Amnistia Internacional pede a prisão George W. Bush


A Amnistia Internacional pediu às autoridades canadianas para
prenderem e processarem judicialmente George W. Bush, por crimes
cometidos contra o Direito Internacional. O antigo presidente dos EUA
estará no Canadá no próximo dia 20 de Outubro.
"O Canadá deve cumprir as suas obrigações internacionais e prender e
processar judicialmente o antigo presidente Bush, dada a sua
responsabilidade em crimes contra o direito internacional, incluindo
tortura", declarou Susan Lee, directora da Amnistia para a região das
Américas.
O pedido da Amnistia Internacional está expresso num memorando que
enviou às autoridades canadianas no passado dia 21 de Setembro. O
anúncio foi feito, pela organização internacional de defesa dos
direitos humanos num comunicado, esta quarta-feira.
"Como as autoridades dos Estados Unidos não levaram à justiça, até ao
momento, o ex-presidente Bush, a comunidade internacional deve
intervir. Se o Canadá se abstiver de agir durante a sua visita, isso
irá constituir uma violação da Convenção das Nações Unidas contra a
tortura e será uma manifestação de desprezo face aos direitos humanos
fundamentais", salientou a representante, na mesma nota informativa.
As acusações da Amnistia estão relacionadas com um programa secreto da
CIA, aplicado entre 2002 e 2009, que permitia o uso contra detidos,
segundo a organização, "de tortura e de outros tratamentos cruéis,
desumanos e degradantes".
Segundo a Amnistia Internacional, durante o mandato presidencial,
George W. Bush terá autorizado "técnicas reforçadas de
interrogatório", incluindo simulação de afogamento.

24 horas por dia na cela na prisão de Monsanto


24 horas por dia na cela em Monsanto Marcus Fernandes está preso na cadeia de Monsanto. Passa 24 horas por dia na cela por opção própria. Prefere assim a sujeitar-se às humilhações das revistas sistemáticas ao corpo nu, incluindo as partes íntimas, feitas de modo intolerável e amesquinhante, completadas por uma pancada na perna em que tem um joelho doente. Sempre que entra e sai da cela impõe-lhe este tratamento.A família entende ser por má vontade que não lhe é autorizado telefonar, por ter tentado sem sucesso resolver a impossibilidade de o pedido de autorização chegar à mesa do director da cadeia. Má vontade essa compatível com o tratamento abusivo de que se queixa o recluso.Em qualquer caso, manter um preso numa cela 24 horas por dia não é admissível à luz das regras internacionais mínimas em vigor. A alegação, verdadeira, de ser essa a vontade do recluso, não pode ser uma justificação para que a situação seja mantida. Por isso a ACED pede às autoridades competentes a atenção ao caso de forma a encontrar formas de ultrapassar a situação.
(comunicado da ACED)

NATO provoca desastre humanitário em Sirte

Extratos de comunicado do CCPC acerca da agressão imperialista ao povo Líbio. Denuncia que subscrevemos , tal como o silêncio face aos massacres em curso pela máquina de guerra das potências ocidentais em busca do saque que possa minorar a crise que avassala o sistema capitalista.

Parar a agressão à Líbia

"Para além dos violentos bombardeamentos aéreos e terrestres que já
provocaram inúmeras vítimas e o êxodo em massa da população em fuga dos
bombardeamentos «humanitários», que não poupam hospitais e bairros residenciais,
o brutal bloqueio à cidade está a intensificar-se provocando carências extremas
de medicamentos, alimentos e água. É a própria imprensa internacional, que
silenciou os massacres cometidos pela NATO ao longo dos últimos meses, a ser
obrigada a reconhecer que Sirte enfrenta um verdadeiro desastre
humanitário.
A guerra na Líbia, ao contrário do que foi apresentado pelas grandes
potências e os média ocidentais, não tem nada a ver com uma suposta «defesa dos
direitos humanos» ou dos «civis», como aliás provam os massacres de Sirte,
precisamente contra civis líbios, os mesmos que a NATO diz querer
«defender».
... uma guerra pelo controlo dos recursos, semelhante às perpetradas contra os
povos do Afeganistão e do Iraque. Uma guerra levada a cabo pelas grandes
potências ocidentais, as mesmas que apoiaram até ao fim os regimes de Mubarak,
no Egipto, e Ben Ali, na Tunísia, e que agora condicionam estes processos,
procurando evitar que ali se desenvolvam autênticas revoluções patrióticas; são
as mesmas que inviabilizam a criação do Estado da Palestina e que apoiam
activamente Israel a prosseguir a ocupação; são ainda as mesmas que promovem a
desestabilização interna da Síria, antiga adversária dos objectivos
imperialistas dos EUA na região.
Os massacres da NATO em Sirte ou em Tripoli, como todos os que cometeu
contra o povo líbio ao longo dos últimos meses, tornam ainda mais urgente a
exigência de uma solução pacífica e negociada para o conflito líbio, sem
interferências ou ingerências externas – nem mesmo do Secretário-geral das
Nações Unidas.
O CPPC exige o fim dos bombardeamentos e do bloqueio a Sirte e a outras
cidades líbias; a retirada imediata da NATO daquele país africano; a resolução
pacífica e negociada do conflito pelo povo líbio.
O CPPC reclama ainda do Governo português que, em consonância com a
letra e o espírito da Constituição da República (que está obrigado a cumprir) se
bata por estas exigências nas instâncias internacionais em que participam, ao
invés do seu apoio à agressão da NATO e à subversão do direito internacional,
demonstrando ser cúmplice de um autêntico genocídio e de mais um atentado contra
o direito internacional e o inalienável direito dos povos à sua
autodeterminação."


O Povo desceu à rua contra a política do capital




Ontem cerca de duas centenas de milhar de pessoas desceram à rua contra a ofensiva anti-popular do governo PSD/CDS, prostado perante os ditames do FMI. Foi assim nas duas principais cidades do país, Lisboa e Porto.

O CMA-J uniu-se a este amplo protesto, consciente que só agora estamos a iniciar um combate que inevitávelmente vai ser muito intenso pelas medidas de uma grande gravidade que estão a ser impostas todos os dias e que tem que ser postas em causa com a luta organizada de todos os trabalhadores e o povo em geral.

Preparemo-nos para os próximos protestos, que devem ser diários .

Entrevista com filha de Mumia Abu-Jamal

Esta entrevista com a artista de hip hop, de Filadélfia e filha de Mumia Abu-Jamal, Goldii, foi feita por Rogelio Velásquez e incluída no seu artigo “101 Countries Retain the Death Penalty”, publicado na revista mexicana Contralínea, a 21 de Agosto de 2011.



Contralínea : Goldii, eu quero agradecer por ter aceite dar esta entrevista à revista Contralínea, uma vez que consideramos importante publicar este tipo de casos jurídicos, afim de construir um mundo sem pena de morte. Por esta razão, nós gostaríamos de pedir-lhe que nos descreva um dia de isolamento de Mumia e também que nos fale da sua experiência ao visitá-lo na prisão.
Goldii : Acima de tudo quero agradecer-lhe por falar comigo. O meu pai vai ter orgulho neste trabalho que tem o objectivo de educar as pessoas sobre a abolição da pena de morte.
Contralínea : Pensamos que este trabalho pode ser útil não só para Mumia, mas também para todos os presos que estão nessa situação. Em primeiro lugar, quero saber se já visitou o seu pai na prisão e com que frequência o fez?
Goldii : Sim eu visitei-o na prisão. Ele está no corredor da morte, desde que eu tinha 2 anos e meio, logo, não sei dizer quantas vezes o visitei. Estou a planear visitá-lo muito em breve com as minhas duas filhas. Ele vai ver o bebé pela primeira vez, por isso estamos muito ansiosos com esta viagem.
Contralínea : Você pode descrever a prisão onde está Mumia?
Goldii : A prisão é chamada SCI verde, e é uma prisão de alta segurança. Do lado de fora tem a aparência de um campus universitário moderno ou algo assim. Mas, depois, quando se chega mais perto, vê-se o arame farpado e cercas por todos os lados. Existem vários edifícios com torres de controle para vigilância. O lugar dá-me uma espécie de arrepio. Há mau estar, e eu só quero ir para casa com o meu pai.
Contralínea : O que pensa da cela?
Goldii : Uma vez que os visitantes não podem ir para além da área de visita, não sei como é a sua cela. Mas as salas de visita são muito pequenas, e uma parede, com uma janela de plexiglass grande, separa-nos. Há furos na parte inferior, para que possamos comunicar. Mas a acústica da sala é má, porque o som bate nas paredes da sala pequena, tornando-se difícil para nós ouvirmo-nos uns aos outros.
Contralínea : As paredes são pintadas?
Goldii : As paredes são todas brancas mas, eu posso estar errada, mesmo que fossem coloridas como um arco-íris, eu provavelmente não iria notar, uma vez que a atmosfera é tão fria e hostil. A mim parece-me tudo branco.
Contralínea : Há móveis?
Goldii : Existem apenas cadeiras na sala de visitas. Ele tem um pequeno beliche com uma retrete na sua cela
Contralínea : Como é que é a revista? (Você é revista? Pode levar qualquer coisa consigo?)
Goldii : Quando nós vamos temos de mostrar o BI, mesmo as crianças precisam de um BI com fotografia. Então ficamos com uma chave para guardar todos os nossos pertences. Depois disso, passamos por um detector de metais, temos que tirar todas as jóias, cintos, até soutiens… tudo o que tiver metal. Em seguida, somos chamados individualmente para uma sala onde nos fazem uma revista, verificados por uma máquina que detecta a parafernália de droga ou resíduos da mesma na pele ou nas roupas. Eles revistaram mesmo a minha filha, e ela tinha cerca de 6 anos de idade na altura. A seguir percorreremos um outro conjunto de detectores de metais, altura em que fomos levados para um ponto de verificação, onde tivemos de acenar o nosso BI novamente para poder entrar na área do visitante. Na área de visitante ficámos sentados numa sala onde meu pai veio conhecer-nos, pelo outro lado, mas às vezes ele estava lá antes de nós.
Contralínea : A sua família e amigos visitam-no? Com que frequência?
Goldii : Sim, as visitas familiares são tão frequentes quanto nós podemos.
Contralínea : Diga-me: como se sente na viagem de sua casa para a prisão. Como se sente na estrada?
Goldii: A viagem dura cerca de 5-6 horas e é uma estrada muito desoladora cheia de terreno montanhoso. Parece que ninguém vive lá.
Contralínea : O que pensa sobre isso?
Goldii : Quando estou a caminho da prisão penso em tantas coisas, mas eu sempre penso na chegada dele a SCI verde e em tudo o que ele devia estar a pensar e em todos os sentimentos que devia ter. Eu imagino que ele devia ter medo e sentir-se impotente por não ser capaz de fugir e voltar para casa, para nós. É um caminho solitário, e eu imagino-o a sentir-se incrivelmente sozinho. Eu estou sempre feliz e animada quando o vou ver, mas o caminho põe-me triste.
Contralínea : Sente-se feliz quando o vê?
Goldii : Quando vejo o meu pai eu tenho tantos sentimentos… É claro que estou feliz, mas também estou frustrada por não o poder abraçar, e por ele não poder tocar e abraçar as minhas filhas. Eu também me sinto magoada e irritada por ele não ser tratado como um ser humano, por estar trancado e preso como um animal. É uma experiência muito dolorosa vê-lo a ser tratado dessa maneira.
Contralínea : Quanto tempo e dinheiro é que gasta quando o visita?
Goldii : Podemos visitá-lo em grupo e dividir o custo da gasolina entre todos. O caminho tem entre 5-6 horas de duração, e estamos autorizados a visitá-lo durante 5 horas.
Contralínea : Sobre o que fala com ele?
Goldii : Falamos da nossa família. Eu conto-lhe histórias engraçadas sobre as minhas filhas e as minhas sobrinhas e sobrinhos. Gosto de ouvir a sua gargalhada; é como uma fuga temporária do inferno que ele tem que viver. Também falamos sobre política, música, o que está a acontecer no hip-hop. Conto-lhe sobre os comícios que fazemos para o libertar e sobre as multidões de pessoas de todos os tipos que vêm de todo o mundo para o apoiar. Falamos de tudo.
Contralínea : De que é que ele gosta? Quero dizer, ele é optimista apesar da sua situação? É o silêncio calmo, amigável, triste, tímido, grave, etc?
Goldii : Ele é brilhante. Por outras palavras, ele é uma pessoa fantástica, e eu sou abençoado por o amar e conhecer. Ele está hirto por detrás da janela de plexiglass com uma aura positiva em torno dele. Ele é acolhedor e caloroso, palhaço e divertido, grave e introspectivo e surpreendentemente palerma (rindo de mim, isto é uma piada pessoal entre mim e os meus pais). O corredor da morte foi projectado para quebrar o ser humano, mas o seu espírito está vivo e bem. A sua mente é lúcida, ele é impressionante a ouvir … ele é muito inteligente.
Contralínea : Como é que ele era antes da prisão?
Goldii : As minhas memórias dele antes de prisão são muito poucas.
Contralínea : Além da escrita, que tipo de coisas faz Mumia?
Goldii : Ele estuda e escreve música. Ele escreveu à minha mãe a mais bela canção de amor que já ouvi. Ele também é um artista surpreendentemente bom.
Contralínea: Qual é que é a experiência mais difícil para si durante as visitas? E para a sua família?
Goldii : A parte mais difícil nas visitas ao meu pai é deixá-lo naquele lugar, sabendo que ele não pertence lá. É uma experiência de perda. Deixando-o nesse buraco do inferno.
Contralínea: O que pensa no caminho de volta?
Goldii : Pergunto-me sempre o que ele está a fazer e o que lhe acontece quando o deixamos. Penso sobre a nossa conversa e imagino-o a sorrir.
Contralínea : Como é a vida da família afectada quando um membro seu é condenado à morte?
Goldii : Tem sido devastador para a minha família. Sem ser demasiado pormenorizado, digamos apenas que eu poderia escrever um livro sobre isso.
Contralínea : Confia no sistema judicial americano depois de 29 anos de prisão do seu pai?
Goldii : Eu gostaria de pensar que o sistema judicial é justo, mas a história tem-me mostrado o contrário. Não, eu não confio no sistema judicial.
Contralínea : Acha que o caso do seu pai é um caso racista? Porquê?
Goldii : Sim, eu sei que a sua condenação se baseou na etnia. O juiz que o sentenciou foi um racista e ouviram-no chamar-lhe Nigger. Além disso, as mulheres e homens negros e latinos são colocados na prisão, e especialmente no corredor da morte, em números largamente desproporcionados em comparação com seus homólogos brancos que são condenados por crimes semelhantes. Ele foi marcado como um perigo para a sociedade, um homem negro nos media com o potencial para despertar as mentes da Comunidade, o potencial para agitar a rebelião contra o opressor… Nos Estados Unidos, isso é um problema com o qual a sociedade tem que lidar.
Contralínea : Acha que o racismo continua a existir nos EUA?
Goldii : Sim, absolutamente. Apesar do Presidente dos Estados Unidos ser um homem negro, o racismo continua a existir na América, e seria tolice acreditar que não.
Contralínea : Por que acha que a pena de morte continua a ser uma punição na América?
Goldii :Política, talvez??? Os tribunais são como vampiros sedentos de sangue….
Contralínea : O actual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu uma mudança política histórica. Por que é que apesar disso o seu pai está ainda na prisão?
Goldii : O meu pai é ainda considerado uma pessoa perigosa… eles têm medo do seu intelecto, há provas contundentes que chegam para o ilibar da sua condenação. Ele é um homem inocente, como é sabido, mas sendo muito preto, muito inteligente e também forte… são tudo componentes ameaçadoras, maiores que as características presentes em qualquer assassino enlouquecido da sociedade. O governo vai silenciar qualquer pessoa que possua o poder para abrir as mentes das "pessoas".
Contralínea : Você acha que se Mumia fosse libertado, isso significava Justiça?
Goldii : Atrasada… mas Justiça, sim.
Contralínea : Seria possível compensar o tempo que passou na prisão?
Goldii : É impossível substituir o tempo. Não é possível voltar e ter novamente 3 anos de idade, não posso ir para trás e voltar à 4ª classe novamente, para que ele possa lá estar. Houve acontecimentos na vida que ele perdeu, que nunca, por nunca, podem ser substituídos. Isso é terrivelmente triste.
Contralínea : Por favor, explique as últimas informações legais sobre o caso.
Goldii : Os tribunais concordaram com a equipa de defesa que há questões discutíveis na fase de condenação do julgamento. Isso significa que eles estão a caminhar para a revisão e tomar uma nova decisão se o meu pai se vai manter no corredor da morte, ou cumprir uma sentença para toda a vida. A questão da culpa/inocência não é uma questão corrente nos tribunais. A sua condenação foi dogmatizada. A condenação tem de ser colocada sobre a mesa, porque ele é um homem inocente.
Contralínea : Esteja à vontade para acrescentar o que quiser.
Goldii : Obrigada. Nós vamos manter-vos informados sobre o caso.
Contralínea : Saudações de cidade do México.

Contra o Terrorismo Social

Morreu a irmã de Mumia

É com muito pesar que vos informamos que a irmã de Mumia Abu Jamal, Lydia Barashango, morreu esta manhã. A nossa irmã não conseguiu sobreviver a um cancro de mama.
Como muitos de vocês sabem, Lydia era enfermeira e mais tarde fez o seu Mestrado em Serviço Social.
O funeral será em Baltimore, onde viveu.
Os nossos mais sinceros pêsames à família e, em particular, a Mumia Abu-Jamal!

Embaixador israelita insulta Portugal

O embaixador israelita deve ser convocado ao MNE para dar explicações

O Comité de Solidariedade com a Palestina denuncia o ultraje cometido contra o povo português pelo embaixador israelita em Lisboa, Ehud Gol, em entrevista à TVI 24 na noite de 23 de setembro. Aí afirmou Gol, nomeadamente, que os israelitas têm mais direitos sobre Jerusalém do que os portugueses têm sobre Lisboa.

Se a afirmação de Gol fosse verdadeira, ela implicaria que os direitos de soberania do Estado português sobre o seu próprio território fossem nulos. Com efeito, os "direitos" de Israel a colonizar Jerusalém Oriental e a expulsar a sua população palestiniana, não são direitos, e sim violações do direito internacional. Assim os classificam, aliás, numerosas resoluções da ONU, que há muito teriam feito de Israel um Estado-pária se não fosse a sistemática protecção que lhe dispensam várias grandes potências, com especial destaque para os EUA.

O desprezo da Embaixada israelita pela dignidade de um país anfitrião, neste caso Portugal, manifesta-se nomeadamente no check point que há vários anos tem instalado a sua porta, a interromper o trânsito num dos sentidos da R. Pinheiro Chagas. A Câmara Municipal de Lisboa deveria seguir o exemplo da municipalidade de Oslo e obrigar a embaixada israelita a mudar-se para fora da cidade, impedindo assim que os moradores do bairro se tornem escudos humanos de uma embaixada com especiais problemas de segurança. Esse desprezo da embaixada sionista manifestou-se também na grosseira repreensão que emitiu contra todos os partidos portugueses, da esquerda à direita, sem excepções, por terem permitido com votos favoráveis ou com abstenções a aprovação na Assembleia Municipal de Lisboa de uma proposta de geminação entre Gaza e Lisboa.

Em qualquer país que prezasse a sua dignidade e soberania, a provocação do embaixador Gol na TVI 24 valer-lhe-ia ser imediatamente declarado persona non grata. Em Portugal, espera-se que, no mínimo, o embaixador seja convocado ao MNE para apresentar explicações sobre o seu questionamento da soberania do Estado português.




Defender Juntos a Água de Todos

A exemplo de dezenas de associações, o Coletivo Mumia Abu-Jamal subscreveu o Manifesto seguinte pela sua importância para a vida.
MANIFESTO

I. Em Portugal foram removidas as barreiras constitucionais e legais à espoliação do bem comum que é a água e dos direitos das pessoas à sua fruição, em benefício de grandes interesses económicos privados.

A privatização de facto verifica-se simultaneamente em várias frentes, que vão da
captação da água na natureza, passando pelas margens e os leitos dos rios, pelos
recursos pesqueiros marinhos, pelas infraestruturas públicas como portos e
barragens, até aos serviços públicos de abastecimento de água e saneamento de
águas residuais.

O aumento dos preços da água, seja em tarifas, seja em taxas e sobretaxas,
acarreta consequências directas em vários sectores económicos como o
agro-pecuário, as pescas, a indústria, a produção energética e os transportes
marítimos e fluviais. Efeitos muito agravados na produção e nos preços de bens
essenciais como os alimentos e a electricidade afectando toda a
população.

A aceleração da política de privatização anunciada pelo Governo, com ênfase para a
privatização do Grupo Águas de Portugal S.A. (AdP) – operação iniciada em 2008
com a venda da empresa Aquapor - que controla já as origens e captação de água
da maior parte do País e numerosos sistemas completos de abastecimento de água e
saneamento, é ainda mais grave no quadro de aplicação das políticas do
FMI/CE/BCE que causam o empobrecimento generalizado da população e protegem o
lucro das grandes empresas do sector conduzindo a aumentos brutais da factura da
água e dos impostos e eliminando alternativas como fontanários ou captações
próprias.

Para além de o Estado vender ao desbarato um património comum valiosíssimo e essencial, entregaria às multinacionais o controlo das componentes essenciais do
abastecimento de água e saneamento, tornando dependentes centenas de autarquias
cujas competências nesse domínio foram já concessionadas em sistemas
multimunicipais a empresas do grupo AdP, num monopólio supramunicipal de
extensão e poder sem paralelo, mesmo em países onde a privatização é já uma
realidade.

A factura da água sobe de forma insuportável com a privatização, com a preparação do
negócio para a subordinação ao objectivo de maximização do lucro, com a
indexação de outras prestações à utilização doméstica da água e com a aplicação
de diversas taxas e o eventual aumento do IVA.

Estes aumentos agravam a pobreza e promovem a desigualdade social. Depois de reduzidas ao extremo, quase de privação, outras despesas, uma percentagem cada vez maior da população deixa de poder pagar a factura da água e é-lhe cortado o
fornecimento. Bloqueadas as alternativas de acesso à água, reduz-se
drasticamente a salubridade e higiene, aumenta o recurso a soluções sanitariamente precárias instalando-se as condições para a proliferação de doenças epidémicas.

II. A água é um bem comum, parte integrante e fundamental do constante movimento e evolução da natureza, determinante da composição atmosférica, do clima, damorfologia, das transformações químicas e biológicas, das condições de toda a vida na Terra.

É insubstituível nos ciclos geo–químico-biológicos e nas suas funções de suporte à
vida e ao bem estar humano. Não pode ser produzida, é móvel e reutilizável; as
interferências no seu percurso, as formas de utilização e a poluição podem
prejudicar, limitar ou inviabilizar a reutilização.

O ciclo da água liga todos os seres vivos. As funções ecológicas, sociais
e económicas da água são essenciais e têm de ser protegidas e asseguradas pelo Estado, garantindo a sua fruição comum e equitativa à população presente e às gerações futuras.

A evolução do Homem, a sua sobrevivência e desenvolvimento só foram possíveis pelo
aprofundamento do conhecimento da água, pela aprendizagem de processos de garantir o seu acesso quotidiano, por uma interacção constante com a água.

A água, nas várias fases do seu ciclo, nas diversas formas de presença e movimento na natureza, assim como as infra-estruturas construídas que permitem a interacção
entre os homens e a água são condomínio comum nos processos produtivos, aos quais são insubstituíveis, e no uso do território, cuja fisionomia, fertilidade e
habitabilidade condicionam.

O direito à água, reconhecido pelas Nações Unidas como um direito humano fundamental, faz parte do direito à vida. Todas as pessoas têm direito ao abastecimento de água e ao saneamento no seu local de residência, trabalho e permanência habitual, com a proximidade, quantidade e qualidade adequadas à sua segurança sanitária e ao seu conforto.

A água, os serviços de água, os recursos vivos aquícolas e as infraestruturas de fins públicos são património comum, que não pode ser alienado, arrendado nem
concessionado, assim como não pode ser lícita a privação da água nem qualquer
atribuição de privilégios ou concessão de direitos exclusivos sobre as águas ou
serviços de água.

Os serviços de águas têm de ter o objectivo de garantir de facto a universalidade de fruição do direito à água. Para isso, têm de ser de propriedade e gestão públicas e sem fins lucrativos, sendo necessário o reforço do investimento na manutenção,
modernização e ampliação dos sistemas de água, saneamento e tratamento de águas
residuais, melhorando a elevação dos níveis de cobertura, a qualidade de vida
das populações e a protecção das nossas águas e aquíferos.

Nem a água nem os serviços de águas podem ser objecto de negócio, mercantilização ou fonte de obtenção de lucros, sendo que a sua utilização deve ser hierarquizada pela
necessidade humana, segurança, interesse comum, maior número de beneficiados e
adequação ecológica.

III
Em todo o mundo, a luta pelos direitos à fruição da água, contra a privatização, tem
conseguido inúmeras vitórias reconquistando os serviços públicos. Também em
Portugal é possível travar a ofensiva privatizadora alertando e mobilizando as
populações.

Vençamos por antecipação, antes de atingir as situações extremas que levaram outros a mobilizar-se!
Defendamos a água que é de todos, recuperemos a que nos foi roubada!
Pela água de todos e para todos, juntos venceremos!

Lisboa, 21 Setembro 2011

Londres Em Fogo


Por Mumia Abu Jamal
Publicado em Democracy and Class Struggle
Agosto de 2011

Após décadas de traição política pelo Partido Trabalhista e dos ataques descarados à classe trabalhadora pelos Tories (o Partido Conservador britânico), emergiu aí uma classe enfurecida e amarga que uma vez faz estremecer o centro de um império global – Londres.

Os fogos rebentaram em Birmingham, Croydon, Bristol, Liverpool e Tottenham segundo os últimos relatos, despoletados pelo próprio fusível que ateou as explosões dos anos 60 e 90: a violência policial – desta vez contra um jovem de 29 anos, pai de quatro filhos, Mark Duggan.

Mas embora esta violência policial possa ter sido a faísca, isso não significa que foi a razão. Vários anos de cortes, desemprego, diminuição das oportunidades de educação e simplesmente o velho mau espirito que visa os pobres e os desapropriados, os imigrantes e similares, deixaram um gosto amargo nas mentes de muitos. Sobretudo nenhum de uma cidade que se tornou interior o centro financeiro da Europa e que vivia uma vida de abundância e excesso.

Previsivelmente, os políticos apressaram para os microfones e ecoaram palavras que poderiam ter sido proferidas pelos seus primos norte-americanos no poder nos anos 60, ou após a absolvição dos polícias que espancaram Rodney King, o que incendiou o sul da Califórnia em 1992.

Eles não passam de criminosos – isto não tem a ver com as condições sociais!

Essas pessoas não passam de arruaceiros – eles são ladrões – nada mais! (Da última vez que verifiquei, normalmente os ladrões não ateiam fogos onde roubam.)

Os incêndios são tentativas de destruição, ponto final.

O falecido Reverendo Dr. Martin L. King Jr. disse, durante a agitação dos anos 60: Uma revolta está no fundo da linguagem do desconhecido.

Para aqueles que estão no poder na Grã-Bretanha, eles continuam a ouvir – nada.

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