
Mais de duas centenas de agentes das várias polícias: PSP, SEF, ASAE, e Inspecção Tributária, no dia 10 de Dezembro a partir das 15 horas, invadiram o Martim Moniz tendo como alvo os imigrantes a trabalhar no Centro Comercial da Mouraria, Centro Comercial do Martim Moniz e outros estabelecimentos. Com grande aparato e cobertura da comunicação social iniciaram a caçada ao cidadão imigrante, o critério da identificação policial foi o da cor da pele e condição social, prática racista nada condizente com uma cidade que se diz de tolerância e que hipócritamente faz um evento anual, nessa mesma praça, de nome
"todos", evento baseado na interculturalidade
. A hipócrisia vai mais além na comunicação social ávida de especulação e manipulação ignorando o pano de fundo social em que o país vive e os verdadeiros causadores da crise.

O CMAJ face a esta acção policial racista e discriminatória manifesta o seu total repudio e apela a que todos os cidadãos conscientes condenem estes actos.
Um imigrante é um irmão que tem direito ao trabalho e a procurar viver onde possa usufruir de melhores condições de vida, situação em que se encontram cerca de 3 milhões de portugueses emigrados.
Excertos de um artigo de C. Clark Kissinger publicado no jornal norte-americano Revolution
, de 21 de Novembro de 2010.A sala grande do Tribunal de Recurso do Terceiro Circuito estava cheia de apoiantes de Mumia Abu-Jamal enquanto um painel de três juízes ouvia os mais recentes argumentos orais sobre o caso de Mumia. Lá fora, algumas centenas de pessoas mais manifestavam-se e cantavam. Estavam presentes pessoas vindas de todo o leste dos Estados Unidos, incluindo uma turma inteira de história da Universidade Hunter de Nova Iorque. Também havia delegações da França e da Alemanha.
Mumia Abu-Jamal é um dos presos políticos mais conhecidos do mundo. Forças que vão de todo o tipo de pessoas individuais ao Parlamento Europeu e à Amnistia Internacional têm protestado contra a sua injusta condenação. Ele está há 27 anos em isolamento no corredor da morte, depois de ter sido vítima de uma trama num julgamento manifestamente falsificado. Em 2001, um tribunal federal recusou-se a conceder a Mumia um novo julgamento, mas alterou-lhe a sua pena de morte. Mumia continuou a lutar contra a sua condenação e o Estado da Pensilvânia tem tentado que os tribunais restabeleçam a pena de morte. Esta audição foi uma tentativa de restabelecer a pena de morte de Mumia.
As pessoas estavam justamente furiosas com a mais recente reviravolta dos acontecimentos. Em 2008, esse mesmo tribunal federal de recurso já tinha anulado a pena de morte de Mumia porque as instruções dadas aos jurados violavam a bem estabelecida lei federal. Mas agora, o Supremo Tribunal dos EUA, após um recurso do Estado da Pensilvânia, ordenou ao tribunal federal de recurso que reconsiderasse a sua anterior decisão.
Lançando uma sombra sobre todo o processo de recurso de Mumia estava a Lei Anti-Terrorismo e a Lei da Pena de Morte Efectiva de 1996 (assinada por Bill Clinton). Uma grande investida dessa lei está a fazer com que seja muito mais difícil aos presos tentarem anular nos tribunais federais as decisões ilegais de tribunais estaduais. Ao abrigo dessa lei, não basta que Mumia mostre que a sua pena de morte tenha sido obtida através de uma violação da lei federal – ele tem que mostrar que foi obtida através de uma «aplicação despropositada de uma lei federal claramente estabelecida». Esta formulação visa dar aos tribunais estaduais o «benefício da dúvida» ao tomarem o caminho das execuções.
Mumia estava representado nos argumentos orais pela Professora Judith Ritter da Escola de Direito da Universidade Widener. A Professora Ritter tinha argumentado com êxito a questão das instruções dadas aos jurados nos anteriores argumentos orais de 2008. Numa apresentação cuidadosamente estruturada, ela pediu ao tribunal que mantivesse a sua anterior decisão de anular a pena de morte de Mumia, dado que o novo caso citado pelo Supremo Tribunal não se aplicava aqui.
Embora alguns observadores legais progressistas continuem esperançados de que o painel do Terceiro Circuito irá manter a sua posição e resistir aos pedidos para reverter a sua anterior decisão, mesmo que isso aconteça, o Estado da Pensilvânia ainda pode convocar um novo júri e repetir a fase de decisão da pena, na qual Mumia poderia ser novamente condenado à morte. Desde que o pedido de Mumia para que o Supremo Tribunal dos EUA anulasse a sua condenação foi rejeitado, que o Estado da Pensilvânia tem estado ferozmente decidido a executar Mumia.
Independentemente do caminho que tome a actual decisão, o lado perdedor irá indubitavelmente recorrer de novo para o Supremo Tribunal dos EUA. Além disso, ainda há outras questões legais relativas à condenação de Mumia sobre as quais nunca houve uma decisão judicial. Isto significa que ainda há uma considerável jornada pela frente nos tribunais, mas num clima político que é muito mais reaccionário que em anos anteriores. Um movimento de massas, que abrangeu vastos sectores da sociedade e gente de todo o mundo, foi um factor crucial para impedir que os governantes deste país tivessem executado Mumia Abu-Jamal nos anos 80 e 90. É agora ainda mais importante que nunca que as pessoas se juntem em torno da exigência da libertação de Mumia Abu-Jamal.

O CMA-J associa-se à iniciativa convocada pelo MPPM e apela à presença de todos dia 29 de Novembro, às 21h na Casa do Alentejo.

Instalação constituída por invólucros de balas e bombas de gás lacrimogéneo utilizadas pelo exército sionista na repressão da população de Bil´in, sendo seu autor Abu Rahmah, um dos motivos pelo qual se encontra a cumprir uma pena de 12 meses. Abu Rahmah é o coordenador do Comité Popular de Bil´in contra a construção do muro erigido pelo nazisionismo.
Para mais informações consulta o site:
http://popularstruggle.org/
Pequeno filme relativo a uma das acções Anti NATO. Trata-se da colocação de uma faixa junto ao aeroporto, local da chegada dos dirigentes dos diversos países membros da NATO.
O seguinte artigo de C. Clark Kissinger, que publicamos quase na íntegra, surgiu na edição de 30 de Setembro de 2010 do jornal Revolution
(revcom.us), órgão do PCR EUA. C. Clark Kissinger é um activistda de longa data que há muito defende a causa da libertação de Mumia Abu-Jamal.
A 9 de Novembro em Filadélfia, três juízes do Tribunal de Recurso do 3º Circuito federal irão ouvir novamente argumentos orais sobre o caso do preso político Mumia Abu-Jamal. O Tribunal de Recurso – por ordem do Supremo Tribunal dos EUA – irá reanalisar a sua própria decisão anterior, da qual tinha resultado a anulação da pena de morte de Mumia decidida por um tribunal inferior.
Se o Tribunal de Recurso decidir contra Mumia, tal como o Supremo Tribunal fortemente indicou que devia, Mumia pode vir a enfrentar muito em breve uma nova decisão de aplicação da pena de morte e uma data de execução. O principal advogado de Mumia, Robert R. Bryan, declarou que «Mumia está na situação de maior perigo desde que foi preso em 1981».
Num artigo anterior (
«Mumia Abu-Jamal, um passo mais próximo da execução»), analisámos com algum detalhe as questões legais em causa e o recuo do Supremo Tribunal em relação às suas próprias decisões anteriores. Como resultado disto, a situação legal já não é a de Mumia estar a pedir justiça. O seu pedido de um novo julgamento já foi, quanto ao essencial, recusado. A audiência no tribunal ocorre por iniciativa do Estado da Pensilvânia, que está a exigir que a pena de morte de Múmia seja re-imposta.
Mumia na Mira do SistemaMumia tem sido um activista político toda a sua vida – como Pantera Negra na sua juventude e depois como jornalista e escritor revolucionário. Os arquivos do FBI mostram que Mumia esteve sob vigilância governamental durante anos. Em 1981, era ele um jornalista negro de rádio em cruzada em Filadélfia a fazer serão como motorista de táxi quando se viu envolvido num incidente de rua em que um polícia foi morto e Mumia foi atingido e gravemente ferido. Desde o início que foram dados todos os passos para condenar Mumia pelo tiroteio e concretizar a sua execução, tudo com base na mais brutal violação das regras legais e na fabricação de provas.
Mumia foi condenado e sentenciado num julgamento em que quase todos os negros foram excluídos do júri. Foi um julgamento em que agentes policiais foram autorizados a lembrar-se (três meses depois dos factos) de que Mumia confessara em voz alta ter disparado sobre o polícia (embora o relatório escrito da polícia – e não visto pelos jurados – dessa noite dissesse que Mumia não tinha feito nenhuma declaração). E um julgamento em que Mumia foi barrado da sala do tribunal durante metade do seu próprio julgamento por ter continuado a defender o seu direito a recusar um advogado nomeado pelo tribunal e a fazer a sua própria defesa legal.
No julgamento de Múmia, na fase de decisão da pena, a acusação transformou abertamente as ideias políticas de Mumia num factor a ter em conta nas alegações para que ele seja executado, invocando o facto de, no contexto de expor a natureza dos governantes deste sistema, um Mumia adolescente ter citado a frase de Mao Tsetung de que «o poder político está na ponta da espingarda».
Nos anos que passaram após o julgamento original, continuaram a surgir novas provas de que Múmia foi alvo de uma maquinação. Foram acumuladas provas da coerção policial das testemunhas do julgamento. Recentemente, surgiram fotografias que mostram que a alegação policial de que Mumia disparou repetidamente sobre o agente da polícia caído não pode ser verdadeira.
Nestes anos de intervenção, Mumia tem-se mantido ao lado do povo e escreveu colunas semanais de exposição do sistema. Também concluiu o seu curso universitário, obteve o grau de mestre e escreveu seis livros. Fez tudo isto dentro de uma cela do corredor da morte onde está confinado 23 horas por dia, restringido a ver a família e os advogados apenas por trás de uma janela de plexiglas.
Mais importante ainda, Mumia nunca abandonou na sua convicção na criminalidade do sistema e na necessidade de uma mudança revolucionária. Em resultado disso, Mumia está na mira desse sistema.
Mumia Tem que ser DefendidoA situação é agora muito perigosa para Mumia. Forças que vão da Amnistia Internacional ao Parlamento Europeu expressaram a sua preocupação sobre a natureza fraudulenta da condenação e sentença de Mumia. Apesar disso, o Supremo Tribunal não só negou o pedido de Mumia para um novo julgamento, como agora alterou claramente princípios legais anteriores e insinuou abertamente que o 3º Circuito deveria chegar a uma nova decisão que permita a execução de Mumia.
Mumia foi vítima de uma maquinação de forma a ser encarcerado devido às suas convicções revolucionárias. Será uma coisa terrível que o governo dos EUA o consiga executar. Todas as pessoas que tenham um sentido básico de justiça e que aspirem a um mundo muito melhor têm que se opor e resistir aos opressores que estão a levar a cabo uma contínua perseguição e tentativa de assassinato legal de Mumia. Tudo isso está a acontecer num clima mais vasto de crescentes movimentações fascistas e de uma administração Obama que continua a sancionar a tortura, a rendição [entrega ilegal a outros países] de presos e os campos de concentração como a prisão de Bagram no Afeganistão; a ordenar o assassinato de cidadãos norte-americanos no estrangeiro sem processo legal; e a defender em tribunal o desprezo reaccionário pela lei que se expandiu tão maciçamente com a administração Bush.
Um movimento de massas, que alcançou de uma forma global a sociedade e todo o mundo, foram um factor crucial que impediu os governantes deste país de executarem Mumia Abu-Jamal nos anos 80 e 90. Neste momento, as pessoas têm que se unir na exigência da libertação de Mumia Abu-Jamal.
NÃO À CIMEIRA DA NATO !Vai realizar-se nos próximos dias 19 a 21 de Novembro, em Lisboa, uma Cimeira da NATO de grande importância onde se prevê a presença dos principais dirigentes mundiais, com destaque para Barack Obama dos EUA. Esta cimeira decorre tendo como pano de fundo uma profunda crise económica e pretende ser uma resposta às grandes alterações mundiais das duas últimas décadas.
N A T O - GUERRAS DE SAQUE CONTRA OS POVOS DO MUNDOO seu principal objectivo é uma nova definição dos objectivos estratégicos da NATO, adaptada aos actuais interesses das grandes potências imperialistas dos EUA e da União Europeia (UE). O seu novo conceito estratégico expande a zona de intervenção geográfica da NATO no fundo a todo o planeta mesmo que, na prática, já há muito não se limite ao eixo euro-atlântico inicial. Este novo conceito decorre do desaparecimento do Bloco de Leste que limitava a expansão dos EUA e das potências europeias, o que lhes permitiu sonhar com o controlo total do mundo, das suas fontes energéticas, recursos minerais e outras riquezas naturais, mão-de-obra e mercados para a maximização do lucro dos monopólios americanos e europeus.
Como pretextos para este novo conceito, estão o terrorismo, as ameaças por piratas às linhas de abastecimento marítimo, a segurança energética e os ciber-ataques. Agitando a bandeira de ameaças globais à segurança numa situação de crise capitalista generalizada, a verdade é que são as próprias potências imperialistas ocidentais que se preparam para intervir em qualquer ponto do globo a fim de imporem o seu poder militar sobre as populações, inclusive no interior dos próprios países da NATO. O combate à resistência dos povos tem constituído uma preocupação central na estratégia da NATO.
Há mais de uma década, a NATO tem promovido activamente a desagregação e passagem para a órbita ocidental de estados do antigo Bloco de Leste, as brutais guerras e massacres nos Balcãs (Sérvia, Kosovo, Bósnia). Mais recentemente, tem desencadeado as guerras de agressão e invasão no Médio Oriente, do Afeganistão ao Iraque. Actualmente as potências ocidentais mantêm a ameaça de intervenção militar contra o Irão e outros países do globo.
Os países imperialistas dos EUA e da UE têm como interesse comum a subjugação do mundo inteiro, mas cada um deles prossegue os seus objectivos próprios em concorrência com os seus congéneres, têm as suas zonas de influência e pretendem mantê-las e alargá-las. Algumas potências europeias, sobretudo a Alemanha e a França, têm promovido a criação de estruturas militares comuns de intervenção como forma de competição com o poderio dominante americano, o que tem contribuído para uma redistribuição da relação de forças no interior da NATO.
Além disso, devido às dificuldades que têm encontrado no terreno, e em particular a forte resistência dos povos do Médio Oriente e no Afeganistão, as potências da NATO procuram encontrar uma solução de cooperação e reorganização entre si das suas forças e do seu equipamento electrónico de guerra. São estes os outros dos objectivos da Cimeira de Lisboa.
Para os povos do nosso planeta, a manutenção deste poder significa apenas o saque cada vez maior e a maciça destruição das condições de vida.
E . . . P O R T U G A L ?Portugal é um dos mais antigos membros da NATO e aí tem servido, com submissão os interesses dos países imperialistas, sobretudo os EUA. Os sucessivos governos desde Salazar têm permitido que o território português seja utilizado para as agressões americanas: assim foi o caso da base das Lajes e do espaço aéreo português nas invasões do Iraque. Desde há muito que os governos portugueses aceitam a existência de bases militares, de comunicações militares, de comando e outras ao serviço de potências estrangeiras e da NATO. Portugal tem vindo a envolver-se cada vez mais em intervenções militares com o envio de soldados e equipamento militar para cenários de guerra e, voltando a sentir apetites neo-coloniais, para alguns países africanos e Timor.
A realização desta cimeira em Portugal é uma afronta a todos os amantes da paz e da justiça, a todos os que lutam contra as guerras por um convívio solidário entre os povos do mundo. A sua realização em Lisboa é, por outro lado, um prémio pelo bom comportamento dos sucessivos governos portugueses perante os principais poderes imperialistas, tal como ocorreu na cimeira de guerra nas Lajes que lançou a invasão do Iraque. A outra recompensa recente foi a admissão de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU. Ao ser anfitrião desta cimeira, o governo português mostra a sua vontade de envolver Portugal ainda mais nas guerras da NATO.
E esta cimeira ocorre numa altura em que o governo PS, com a assistência do PSD, impõe brutais sacrifícios aos trabalhadores, desempregados e reformados, homens e mulheres, em Portugal, como o aumento de impostos, a redução dos salários, dos magros subsídios de sobrevivência e reformas, cortes devastadores nos serviços públicos de saúde e de educação, o aumento dos custos de vida.
Ao mesmo tempo este mesmo governo que faz o saque sobre o povo gasta milhões em submarinos e sumptuosas cimeiras, prometendo ainda maiores gastos em missões militares, paga elevados subsídios de missão aos mercenários que nelas participam e compra equipamento policial anti-motim como forma de prevenir os protestos contra esta cimeira e futuras lutas dos trabalhadores.
Não queremos servir, nem os interesses da NATO, nem os da burguesia portuguesa. A nossa luta é contra a opressão, contra a agressão e a rapina imperialistas, pela paz e pela justiça em todo o mundo. Queremos um mundo cujas riquezas sirvam o bem comum de todos os seus povos e não a lógica de exploração do sistema capitalista, chefiado pelos monopólios e bancos. A nossa luta não é de subserviência a quem nos rouba, oprime e destrui, mas sim de solidariedade com os povos em defesa de um futuro comum.
O Colectivo Mumia Abu-Jamal opõe-se a qualquer agressão imperialista, exigindo o:
Encerramento de todas as bases, comandos, estações de radares e outras instalações militares estrangeiras e da NATO em Portugal !
Fim imediato dos serviços de manutenção de aeronaves militares estrangeiras !
Fim de todo o envolvimento e ingerência militar de Portugal em África e no Timor !
Retirada imediata das tropas portuguesas das guerras em Afeganistão e Iraque ou qualquer outro tipo de participação portuguesa no âmbito da NATO !
NATO fora de Portugal - Portugal fora da NATO!
D i s s o l u ç ã o d a N A T O !
Junta-te à manifestação “Paz Sim! NATO Não!”
20 de Novembro - 15h - Marquês de Pombal

Algumas dezenas de activistas participaram ontem numa concentração no Largo Camões, Lisboa, no âmbito doDia Mundial Contra a Pena de Morte, onde foi lido um Manifesto de repúdio pela pena de morte. O Colectivo Mumia Abu-Jamal esteve presente.
A pena de morte é um instrumento da classe dominante para reprimir os mais oprimidos e em particular os seus dirigentes e representantes, como é o caso de Mumia Abu-Jamal.

Comunicado divulgado nesta acção que decorreu em inúmeros locais com a participação de largas dezenas de activistas.
Contra a cimeira da NATO! Lutar pela paz!
Manifestação da Campanha Paz sim! NATO não!
20 de Novembro, 15h00, Marquês de Pombal – Restauradores, LisboaNo dia em que realiza mais uma jornada nacional da Campanha
Paz sim! NATO não!, esta saúda todos os seus activistas pelas iniciativas realizadas em defesa da paz e contra a realização da Cimeira da Nato em Portugal e torna pública esta sua posição:
1. As organizações promotoras da Campanha Paz Sim! NATO Não! expressam a sua oposição ao golpe brutal contra as condições de vida dos trabalhadores e da população mais pobre, aplicado pelo governo nos últimos dias, na linha do que vinha a ser reclamado pela finança internacional, pelas organizações patronais e pelas forças políticas da direita.
Tais medidas, com efeito, contrastam de modo gritante, e revoltante, com os milhares de milhões de euros gastos na compra de submarinos e de blindados anti-motim; com os 75 milhões utilizados em cada ano com tropas e material militar para a agressão ao povo do Afeganistão; com o aumento do orçamento da Defesa num quadro de redução geral dos gastos de natureza social.
Fica assim demonstrado, de novo, que o envolvimento do país nas estruturas da NATO e o empenhamento das autoridades portuguesas nas acções militares promovidas pelos EUA e pela União Europeia se faz à custa do agravamento das condições de vida da população trabalhadora – o que reafirma a exigência: dinheiro para a guerra não!
2. As organizações promotoras insistem que a realização da Cimeira da NATO em Portugal significa um reforço do envolvimento do país nos propósitos militaristas da Aliança, os quais constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional.
Por isso, consideramos que a Cimeira da NATO não é bem-vinda; e rejeitamos a atitude de bom anfitrião que as autoridades portuguesas exibem.
Declarações dos ministros mais envolvidos no assunto, Defesa e Negócios Estrangeiros, mostram o propósito de dar provas de “cooperação” e de ganhar as boas graças dos patrões da Aliança. São deste teor as ridículas propostas do ministro da Defesa de “aperfeiçoar” o texto da nova linha estratégica da NATO a ser discutido em Novembro.
Lembramos que essa nova linha estratégica procura estender o âmbito da actuação da NATO e amarrar ainda mais os países membros aos projectos de domínio do planeta desenhados pelas grandes potências.
3. As organizações promotoras registam a recente redução de tropas norte-americanas do Iraque como um sinal da derrota da aventura imperialista diante da resistência iraquiana.
Mas lembram que essa “retirada” (em todo o caso parcial) se traduz num reforço do envolvimento militar no Afeganistão, onde NATO e EUA são parceiros na ocupação.
Tal com no Iraque, a violação dos direitos do povo afegão é diária.
É neste outro atoleiro que os EUA – igualmente incapazes de vencer a guerra – querem comprometer mais ainda os seus parceiros da NATO.
Esta é outra das razões para condenar a Cimeira de Novembro, reclamar a retirada das forças portuguesas das acções militares da Aliança e exigir a dissolução da NATO.
4. As organizações promotoras repudiam quaisquer tentativas de impedir ou de condicionar os protestos contra a Cimeira da NATO com pretextos de “segurança pública”.
É nesse sentido que deve ser entendida a campanha esboçada em alguma comunicação social; bem como a própria compra, noticiada com espalhafato, de novos veículos blindados anti-motim destinados à “segurança” desta Cimeira.
Esta tentativa de coagir a opinião pública vai contra o legítimo direito da população portuguesa de manifestar o seu repúdio por uma organização militar que, essa sim, põe em causa a segurança dos povos e torna os seus membros cúmplices da violação dos direitos humanos e do direito internacional.
5. As organizações promotoras, reforçando o apelo feito no início deste ano para o desenvolvimento de uma campanha nacional em defesa da paz e contra a realização da Cimeira da NATO em Portugal, exortam todas as forças da sociedade portuguesa e todos os cidadãos e cidadãs defensores da paz a participarem na
manifestação promovida e organizada pela Campanha Paz sim! NATO não!, dia 20 de Novembro, pelas 15h00, do Marquês de Pombal aos Restauradores, em Lisboa.Expressemos a
oposição da população portuguesa à realização da cimeira da NATO e aos seus objectivos belicistas.
Exijamos ao governo a
retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO.Reclamemos o
fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional.Exijamos a
dissolução da NATO.Exijamos o
desarmamento e o fim das armas nucleares e de destruição maciça.Exijamos às autoridades portuguesas o
cumprimento das determinações da Carta das Nações Unidas e da Constituição Portuguesa, em respeito pelo direito internacional, e pela soberania e igualdade dos povos.Lisboa, 6 de Outubro de 2010
A Campanha Paz sim! NATO não!

Dia 10 de Outubro ao fim da tarde no Largo Camões em Lisboa, realiza-se uma concentração contra a pena de morte. Trata-se do oitavo ano consecutivo que assinala o Dia Mundial contra a pena de morte evento ao qual o colectivo Mumia Abu-Jamal não poderá deixar de estar presente e apelar à presença de todos.
Manifesto 10 de Outubro - Oitavo Dia
Mundial Contra a Pena de Morte
Somos contra a pena de morte
porque não combatemos a violência com a violência.
Somos contra a pena de morte
porque recusamos decisões judiciais irreversíveis tomadas por sistemas de
justiça frágeis.
Em 2009 os países onde foram
executadas mais penas de morte foram a China (números desconhecidos que se
prevêem milhares), o Irão (388), o Iraque (120), a Arábia Saudita (69) e
os EUA (52), de acordo com números da Amnistia Internacional.
A oitava comemoração do Dia
Mundial Contra a pena de Morte detem-se este ano especialmente nos EUA
onde foram executadas 52 pessoas e condenadas 106 em 2009.
Os EUA possuem apenas 15
estados federais abolicionistas, apesar de nos restantes 35 em 10 não
haver penas de morte há dez anos ou mais. No entanto, há uma tendência
favorável ao abolicionismo, que desejamos reforçar, de acordo com
relatório da Amnistia Internacional que refere que as condenações
diminuiram em 60% na última década, após um pico em 1994.
Instamos os EUA a seguirem o
caminho dos 54 Estados que, desde 1990, se tornaram abolicionistas, como
por exemplo o Togo, o Burundi, o Canadá, as Filipinas, a Bósnia-Herzgovina
e a Turquia.
Existem 58 países no mundo que
ainda usam de facto a pena de morte, e de entre estes 18 efectuaram de
facto execuções em 2009.
Para além da pena de morte
formal existem ainda milhões de pessoas em todo o mundo que são condenadas
à morte por Estados que não lhes garantem as mínimas condições para que as
suas vidas sejam vivíveis, como por exemplo, os não documentados, os
sem-abrigo, os trabalhadores precários, os jovens lgbt vítimas de
suícidio, os intersexos operados sem consentimento e os
transexuais vítimas de transfobia.
O Dia Mundial Contra a Pena de
Morte foi instituído em 2003 pela World Coalition Against The Death
Penalty, uma rede de mais de 100 associações a nível mundial.
Em Portugal não podemos ficar
indiferentes a esta realidade, por isso apelamos à mobilização contra a
pena de morte que mata os direitos humanos no mundo.
A cimeira da NATO em Lisboa não é bemvinda!Dia 20 de Novembro vão convergir para Lisboa representantes dos 28 países que constituem este bloco militar do qual o nosso país faz parte, pese embora a contradição quanto ao que a Contituição diz e a prática desta organização ao serviço do império americano.
O Colectivo Mumia Abu-Jamal integra a plataforma PAZ SIM ! NATO NÃO ! que neste momento engloba mais de 100 organizações. Desde a sua constituição, tem esta plataforma realizado inumeras acções de divulgação dos seus propósitos de denúncia perante o povo português do cariz criminoso da NATO.
Dia 6 de Outubro as actividades vão prosseguir :
Jornada nacional da campanha «Paz sim! NATO não!A Campanha pela paz e contra a Cimeira da NATO em Portugal realiza dia
6 de Outubro uma jornada que marca o inicio da última fase de
mobilização nacional para a participação na manifestação
promovida e organizada pela Campanha «Paz sim! NATO não!» de 20 de
Novembro, pelas 15h00, do Marquês de Pombal aos Restauradores, em
Lisboa.
O conjunto de iniciativas a realizar de 6 de Outubro até à realização
da Cimeira da NATO tem como objectivo o apelar aos cidadãos e
cidadãs para que convirjam na dinamização e reforço de um amplo
movimento que dê expressão pública à oposição à realização
da Cimeira da NATO no nosso País e aos seus objectivos militaristas
e agressivos.
Dinheiro para a guerra não!
A Campanha «Paz sim! NATO não!» denuncia que no momento em que se
impõem novos e acrescidos sacrifícios aos trabalhadores, gastam-se
milhões e milhões de euros com a adaptação das forças armadas
portuguesas às exigências da NATO e com o envio de militares
portugueses ao serviço das suas agressões a outros povos, como se
verifica no Afeganistão – isto é, para a guerra não falta dinheiro.
Enquanto milhares de seres humanos morrem de fome e de doenças evitáveis e a pretexto da crise e do combate ao défice se atacam as condições de
vida e os direitos dos trabalhadores, as despesas militares não cessam de aumentar.
A soma dos orçamentos militares dos países membros da NATO representa
mais de 2/3 das despesas militares no mundo.
Os grandes responsáveis pela agudização
da situação económica e social ao nível nacional e internacional
são, afinal, os mesmos que promovem e participam na corrida aos
armamentos, na militarização das relações internacionais e na guerra.
6 de Outubro – Lutar pela paz!
Nas diversas acções promovidas por organizações que integram a
Campanha «Paz sim! NATO não!», que se realizarão um pouco por
todo o país, serão distribuídos documentos sobre os objectivos da
Campanha e promovida a subscrição de um apelo.
Neste apelo:
afirma-se que a NATO é uma aliança militar agressiva e
expressa-se a oposição à realização da Cimeira da NATO em
Portugal e aos seus objectivos belicistas; reclama-se
o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional e a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da
NATO; exige-se a dissolução da NATO; exige-se o desarmamento e o fim das armas nucleares e de destruição maciça; e reclama-se das autoridades portuguesas o cumprimento das determinações da Carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pelo direito internacional, e pela soberania e igualdade dos povos.
A 29 de Agosto de 2010, a representante dos Repórteres Sem Fronteiras em Washington DC, Clothilde Le Coz, visitou Mumia Abu-Jamal [MAJ], preso no corredor da morte há quase 30 anos. Le Coz estava acompanhada do advogado de Mumia, Robert R. Bryan, e da assistente jurídica deste, Nicole Bryan. O encontro teve lugar na sala 17 do Instituto Correccional de Waynesburg, no condado de Greene, Pensilvânia, EUA.Repórteres Sem Fronteiras:
Como jornalista que continua a trabalhar a prisão, qual é o tema dos teus últimos escritos?MAJ: Os EUA têm o maior número de presos de todo o mundo. No último ano, pela primeira vez em 38 anos, o número de presos diminuiu.
Alguns estados, como a Califórnia e o Michigan aceitam menos presos porque estão superlotados. Os orçamentos dos estados sofreram reduções e alguns presos foram libertados por causa da situação económica.
Há muitas pressões e o número de presos é enorme. É impressionante ver quanto dinheiro é gasto pelo governo norte-americano e como somos invisíveis. Ninguém sabe de nós. A maior parte das pessoas não se preocupa connosco. Alguns jornalistas fazem reportagens quando há um drama na prisão e pensam que sabem tudo sobre ele. Mas não retratam a realidade; são sensacionalistas. No entanto, podem encontrar-se bons relatos. Mas são irrealistas. Os meus relatos são sobre o que vi com os meus olhos e sobre o que as pessoas me contaram. São relatos sobre e realidade. Têm que ver com a minha realidade. Falam principalmente sobre o corredor da morte e a prisão. Gostava que não fosse assim. Houve uma grande onda de suicídios no último ano e meio no corredor da morte. Mas isto não é visível. Eu contei as histórias destes suicídios porque aconteceram no meu bloco.
Eu preciso de escrever. Há aqui milhões de histórias e pessoas maravilhosas. Destas histórias, as que escolhi para escrever são importantes, comoventes e frágeis. Eu escrevi-as mas devo questionar-me se é útil ou não fazê-lo. Tenho que pensar nisso. Enquanto jornalista tu és responsável quando as divulgas. Espero que as suas vidas mudem para melhor.
Repórteres Sem Fronteiras:
Pensas que o facto de seres jornalista afectou o teu caso?MAJ: O facto de ser “A Voz dos que não têm Voz” teve um papel significativo. E esta expressão deriva do nome de uma rubrica do
Philadelphia Inquirer que surgiu depois de eu ter sido preso em 1981. Quando era adolescente, eu era um jornalista radical que trabalhava na equipa do jornal nacional dos Black Panther. O FBI foi acompanhando os meus escritos desde os 14 anos de idade. Por causa da minha escrita, sou mais conhecido nos EUA do que qualquer outro preso. Se não fosse este o caso, penso que teria havido menos pressão sobre o tribunal para ser criada uma lei especial que influenciasse a minha condenação. A maior parte dos homens e mulheres no corredor da morte não são conhecidos. Como eu continuo a escrever, este é um dos elementos que afectou o pensamento dos juízes e fê-los mudar a decisão para não me conceder a oportunidade de um novo julgamento. Acho que eles pensaram “Tu és um desbocado, não terás um novo julgamento”. Espera-se mais de um tribunal federal. Por causa do meu caso outros casos podem ser afectados.
Repórteres Sem Fronteiras:
O que pensas da cobertura do teu caso pela comunicação social?MAJ: Uma vez li que já não estava no corredor da morte. Estava aqui sentado quando
li isso. Continuei aqui sentado.
Como eu estava a vir do terreno, um grande número de jornalistas não queria relatar o meu caso porque temiam ficar ligados a mim. Eles tinham que enfrentar críticas por serem parciais e por vezes os seus editores diziam-lhes que não podiam cobrir o caso. Desde o início deste caso, as pessoas que melhor pediam cobrir o caso não foram autorizadas a fazê-lo. A maior parte dos jornalistas com quem trabalhei já não estão no activo. Reformaram-se e ninguém os substituiu.
Mas a imprensa tem um papel a desempenhar. A maior parte das pessoas viu o que aconteceu em Abu Ghraib. O líder deles, que sorri nas imagens que foram publicadas, trabalhava aqui antes de ir para Abu Ghraib. No corredor da morte tens pessoas sem formação superior que decidem se vives ou morres. Eles têm poder para te obrigar a não comer se quiserem. E ninguém controla esse poder. Há regras informais. Essa gente pode fazer um inferno da vida de qualquer pessoa num piscar de olhos. Quando escolho as histórias que conto tenho sempre muito material à escolha. Duma perspectiva de escrita o campo é vasto.
Apesar do que os meus detractores dizem a meu respeito, sou um jornalista. Este país seria bem pior sem jornalistas. Mas para muitos deles eu sou um jornalista fora da lei. Antes da minha prisão, no meu trabalho para várias estações de rádio, eu encontrei-me com pessoas de todo o mundo e, apesar dos conflitos com alguns editores, tive a melhor profissão.
O apoio que vocês recebem na Europa é muito diferente do apoio que recebem aqui nos EUA. Como explicam a diferença e ainda acreditam que a mobilização internacional virá a ser útil para acabar com a pena de morte?
Claro que sim. A mobilização europeia pode pressionar os EUA a acabar com a pena de morte. Os países estrangeiros como os europeus passaram por um historial de repressão. Há um conhecimento real sobre o que é estar na prisão. Eles conheceram a prisão, o corredor da morte e os campos de concentração. Nos EUA poucos tiveram essa experiência. Isto explica como as diferentes culturas encaram estes fenómenos. Na Europa, a defesa da pena da morte é um anátema.
O 11 de Setembro mudou muita coisa nos EUA. As pessoas que criticavam ou se opunham ao governo deixaram de ter apoio. A imprensa também mudou. Coisas que eram "toleradas" tornaram-se inaceitáveis após o 11 de Setembro. Acho que o 11 de Setembro mudou a forma de pensar das pessoas e mudou a tolerância dos mídia. Por exemplo, apesar de o 11 de Setembro ter ocorrido em Manhattan e em Washington DC, a prisão foi encerrada durante todo o dia, aqui na Pensilvânia, e nós ficámos isolados.
Repórteres Sem Fronteiras:
Para atrair mais pessoas para a tua causa, pode ser útil darmos uma imagem actualizada de ti, hoje em dia, no corredor da morte. Será que o facto de não termos nenhuma foto tua actualizada afecta a tua situação e a possibilidade de mais pessoas se mobilizarem em torno da tua causa?MAJ: Ter uma imagem pública é, em parte, útil. A essência de uma imagem é a propaganda. As imagens não são, portanto, assim tão importantes. A imagem humana é a única verdadeira. Aí, tento fazer o meu melhor. Em 1986, as autoridades prisionais retiraram os gravadores aos jornalistas, e só vos autorizaram a usar caneta e papel. Agora, que só nos deixaram o significado de um artigo, a partir dele podem fazer-se monstros ou modelos.
Se o Supremo Tribunal autorizar um novo julgamento, só a sentença será revista. Não a condenação. Como se sentiriam se estivessem presos toda a vida, sem serem executados?
Na Pensilvânia, a prisão perpétua é um corredor da morte lento. E, segundo a lei estadual, há três graus de condenação para os assassinatos. O 1º grau é punido com prisão perpétua ou morte. O 2º e 3º graus com prisão perpétua. As pessoas não são libertadas. O maior número de jovens condenados ocorre aqui na Pensilvânia. Mas é aqui que quero chegar: em Filadélfia há outros dois casos, que ocorreram na mesma altura que o meu, em que foi morto um polícia. No primeiro, houve absolvição. No 2º, que foi filmado por uma câmara de vigilância, o réu não foi condenado à morte.
Repórteres Sem Fronteiras:
Como tens conseguido “escapar” ao corredor da morte?MAJ: Eu escrevo sobre factos históricos, uma das minhas paixões. Gostaria de escrever sobre outras matérias. As minhas últimas obras são sobre a guerra, mas também escrevo sobre cultura e música. Tenho um ritmo interno que tento manter através da poesia e dos tambores. Muito poucas coisas se podem comparar com o prazer de aprender música. É como aprender uma nova língua. E escrever é um desafio! Todas as semanas vem um professor de música ensinar-me. Está-se a abrir para mim um novo mundo e eu tenho agora uma melhor ideia do que ele é. A música é uma das melhores coisas que a humanidade criou. O melhor das nossas vidas.
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Fonte:
http://en.rsf.org/united-states-mumia-abu-jamal-i-am-an-outlaw-03-09-2010,38278.html)
No Chapitô, dia 14 de Julho às 22 horas, com a presença do rapper e activista LBC, do comissário Paulo Flor da PSP e do jornalista da SIC Pedro Coelho. Organizado pelo Sindicato dos Jornalistas com o apoio do Chapitô.As práticas racistas e xenófobas são cada vez mais correntes, embora em vésperas do Verão assumam uma maior expressão, irmanando polícias, nazis e alguns jornalistas invencionistas de pseudo-arrastões para justificarem a sua existência.
O clima de violência policial é cada vez mais constante. Os bairros pobres são o alvo preferencial da repressão, multiplicando-se os exemplos de brutalidade com contornos racistas e xenófobos, actos esses que têm o objectivo de intimidar em particular os jovens cuja consciência se pauta pelo repúdio aos crimes que são apadrinhados pela sociedade capitalista, apesar das palavras "humanistas" da Constituição e dos manuais das forças policiais.
Desta vez ocorreu mais uma agressão cujos alvos foram Hezbollah e LBC, dois conhecidos
rappers com os quais desenvolvemos uma amizade assente na igualdade, reprocidade e respeito mútuo.
Na madrugada do passado dia 14 de Junho, no centro da Amadora, os
rappers Hezbollah e LBC, acompanhados de outros jovens, dirigiam-se ao bairro da Mina na Amadora, De repente, Hezbollah viu um carro da PSP a aproximar-se e um agente fardado a apontar uma arma na sua direcção. LBC ainda gritou que Hezbollah estava desarmado, mas o homem disparou um tiro na direcção de Hezbollah. Este escondeu-se atrás de um automóvel, enquanto o agente o procura, descobre-o e corre direito a ele, outro agente sai do carro e os dois agarram-no e começam a pontapeá-lo, sempre sob a ameaça de uma arma. Um dos agentes algema Hezbollah e obriga-o a deitar-se de barriga para baixo enquanto o outro o pontapeia. Entretanto, num segundo carro, surgem mais dois polícias à paisana que observam a cena.
LBC também acabou por se aproximar, sendo de imediato agarrado, deitado ao chão, algemado e pontapeado. Um agente põe-lhe o pé sobre a cabeça e tira-lhe a carteira e o telemóvel. Os dois foram depois levados em carros separados para a Esquadra da Mina, onde Hezbollah, sentado numa cadeira e imobilizado por dois agentes, foi espancado com murros e joelhadas na barriga por um agente de nome Monteiro, tendo acabado por vomitar. LBC também foi espancado e os dois foram depois levados para a Esquadra do Casal da Boba, onde foram encostados à parede. Hezbollah foi novamente imobilizado por vários agentes e pontapeado por um agente de nome Nunes. Os polícias ameaçaram explicitamente os dois jovens que os seus cadáveres poderiam vir a ser encontrados na mata de Monsanto. São levados de novo à Esquadra da Mina e Hezbollah é novamente imobilizado e agredido pelo agente Monteiro. LBC também acaba por ser pontapeado quando tentou defender o seu amigo. Tentam obrigar Hezbollah a limpar o vomitado e, perante a recusa deste, arrastam-no pelo chão até o vomitado encharcar a sua roupa. É novamente pontapeado e insultado.
Os dois rappers ficaram detidos até ao fima da manhã e foram intimados a comparecer no Tribunal de Alfragide no dia 14 de Junho. A intimação indicava-os como arguidos e acusava-os de “agressão à integridade física”. No tribunal encontraram os agentes Monteiro e Ferreira, à paisana. Também estavam presentes o rapaz e a rapariga com quem Hezbollah tinha trocado palavras e socos na Estação da Amadora. Os polícias deram-lhes dois chocolates Twitters.
Realce-se que Hezbollah saiu muito recentemente de um julgamento onde fora acusado de agressão a um agente, tendo-se provado em tribunal precisamente o contrário: Hezbollah foi alvo de uma violência tão grande que ficou com o nariz partido. A prova de que esta agressão se tratou de uma vingança policial devido a essa prova em tribunal, foi que um dos agentes disse: “Aqui estão os dois gajos. Qual de vocês é que tem um caso com a polícia?”.
O actual episódio que agora descrevemos merece do Colectivo Mumia Abu-Jamal o total repúdio, e exigimos a punição dos agressores por mais este acto bárbaro.
Solidariedade total com Hezbollah e LBC.
Basta de brutalidade policial!
Basta de manifestações racistas e xenófobas!
CMA-J
17 de Junho de 2010