CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

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Outro se foi embora



Por Mumia Abu-Jamal

E agora, vem outro.
Alton Sterling -- Pai e marido, amado pela sua família e amigos -- Sobe a um trágico trem de morte com Mike Brown, rekiah boyd, Eric Garner, Sandra Bland, Tamir Rice, e a lista continua e continua e continua e continua. Todos assassinados por policiais que "só faziam seus trabalho".
Em momentos como estes, as eleições nos parecem irrelevantes, porque não têm resposta a este persistente estado de terror. Nenhuma resposta em absoluto.
Por que eles deveriam ter uma? Os candidatos eram os arquitetos dessa carnificina. Fizeram fortes campanhas a favor dos assassinos. Aprovaram a sua militarização e deram-lhes armas de guerra.
Os políticos que hoje em dia se candidatarem à um post (ou fogem de um) eram fanáticos partidários da polícia ontem. Deram-lhes cada vez mais dólares de impostos e cada vez mais armas militares.
O que esperavam?
Agora, algumas horas depois do assassinato de Sterling, outro homem negro (philando castile) é baleado no banco da frente do carro (enquanto a amante observa com horror) quando se estica para pegar sua carteira de motorista e registro do veículo Exigidos por um polícia de trânsito.
Outro foi-se embora... Um após o outro... Uma atrás da outra.
Desde a nação encarcerada, sou mumia Abu-Jamal
-- 16 maj ©'
7 de julho de 2016
Áudio gravado por noelle hanrahan: www.prisonradio.org

Mural "Power to the People".
Inédito para o Afroguerrilha.
Trampo feito no Queens, Nova York, pelo brasileiro Zéh Palito em colaboração com o mexicano Werc Alva.



Bárbaro Assassinato

 
Bárbaro assassinato
07.12.15 07:12:15
Mumia

 -Se alguém leva o nome Laquan, podemos assumir que ele é um homem negro.  Laquan era alguém de estatura média, talvez 1,60 metros, e cerca de 60 quilos.  No centro de Chicago Laquan prances ao longo de um beco com indiferença típica de um adolescente.  Parece mais que ele iria saltar e não executar.  Na mão direita ele segura uma faca de bolso com uma lâmina curta.  Quando você vê-lo assim, você pode quase sentir o chute, a testosterona juvenil em seus gatilhos da corrente sanguínea.  Uma fonte de energia, o que lhe dá a tranqüilidade de saber que ele é invencível, que ele derrubar paredes e pode mover montanhas.
Então, sem aviso, um tiro ouvido, e Laquan repente gira em torno de seu próprio eixo e cai no chão. Uma dor sem precedentes permeia seu corpo, paralisando-o, e ele se contorce em conjunto como um feto no útero. O asfalto frio se arrasta para dentro dele.  Em seguida, tomar o ritmo dos batimentos cardíacos mais projéteis mortais de uma arma da polícia o corpo dolorido, e o de 17 anos Laquan McDonald não é mais.
Ele é um dos últimos crânio preto que foi arremessado de um Klansman branco no uniforme para o reino do esquecimento. Seu até que o nome recentemente desconhecido agora alargado o número de pessoas assassinadas: Tamir Arroz, Mike Brown, Donald »Dontay" Ivy, Eric Garner, Oscar Grant, Freddie Gray e muitos outros, todos eles vítimas de uma das Lamentações mais antiga do continente americano eram - o "medo do branco contra o negro."
Por causa de uma lâmina de cerca de sete centímetros de comprimento de uma faca de bolso - que, aliás, todos estão autorizados a ter com eles legalmente - são caçados no corpo de um adolescente de 16 projéteis mortais!  E então você pode ouvir um ano inteiro mais nada sobre o incidente até que um jornalista freelance consegue liderar com base na ação judicial "Freedom of Information Act" contra a cidade de Chicago e vencer, de modo que o vídeo da polícia da morte bárbara o jovem é obrigada a publicar.  A câmera em um dos carros de patrulha acabou de realizar, como o menino turbulento salta para a sua morte. 
Em seguida, o atirador branco Jason Van Dyke foi realmente preso e acusado, mas ninguém deve se surpreender se ele for absolvido no final. Cada cidade que consegue ser um assassino como um ano ele desaparecer da cena, ele acabará por criar, para dobrar uma absolvição.
 

10 anos depois, tribunais franceses exoneram ultrajantemente a polícia da morte de dois adolescentes


"Quando em 2005 dois adolescentes que fugiam da polícia foram electrocutados numa subestação de energia eléctrica, os jovens dos subúrbios urbanos (banlieues) da classe operária pobre e esmagadoramente de origem imigrante, que rodeiam Paris e outras cidades francesas, explodiram. Agora, após quase uma década de manobras legais, a 18 de Maio um tribunal ilibou definitivamente os dois agentes da polícia acusados de não terem agido para impedir as mortes deles, apesar das incontestadas provas de que a polícia sabia que eles estavam em perigo de morte e que os poderia ter salvado.
Três jovens estavam a regressar a casa depois de um jogo de futebol numa tarde de feriado. Eles estavam perto de um bairro social da cidade de Clichy-sous-Bois, perto de Paris, quando foram abordados por uma carrinha da polícia. Uma investigação posterior revelou que eles não tinham cometido nenhum crime, mas a polícia mesmo assim perseguiu-os. Eles tentaram fugir, escondendo-se no abrigo de um transformador eléctrico. Dois deles, Bouna Traoré, de 15 anos, e Zyed Benna, de 17, foram mortos por uma descarga de dezenas de milhares de volts. O amigo deles, Muhittin Altun, de 17 anos, ficou gravemente queimado.
Para muitas pessoas, as mortes de Bouna e Zyed foram duas ultrajantes mortes a mais e um concentrado da opressão e miséria que diariamente enfrentam. Uma irada efusão, sobretudo de jovens dos banlieues, seguiu-se às electrocussões. A polícia desceu aos subúrbios noite após noite, com prisões, gás lacrimogéneo e espancamentos. Apesar disso, os jovens dessas áreas continuaram a resistir. O estado francês declarou o estado de emergência a nível nacional pela primeira vez desde o fim da guerra na Argélia em 1962. As manifestações foram proibidas e, com apenas algumas excepções, as organizações políticas e figuras públicas mantiveram-se passivas.
O estado esperou dois anos antes de anunciar que iria investigar os polícias mais directamente responsáveis pelas mortes de Bouna e Zyed. Foi repetido às pessoas o familiar refrão de que deveriam pôr a sua fé no sistema judicial. Ainda que nunca ninguém tenha sido acusado de assassinato ou homicídio involuntário, os dois agentes acabaram por ser acusados de “ausência de ajuda a pessoa em perigo”.
A investigação revelou que a polícia tinha razões para saber que os três adolescentes estavam perto da subestação de energia da EDF e que aí poderiam ter entrado. Numa conversa gravada via rádio com o expedidor deles, um dos agentes que os tinha perseguido disse: “Se eles entraram no posto da EDF, não lhes dou muitas hipóteses” (The Guardian, 18 de Maio de 2015). Apesar disso, ele não tentou encontrá-los e avisá-los, nem fazer nada para os ajudar. O expedidor não telefonou à companhia eléctrica para mandar desligar a corrente. Eles nem sequer chamaram os serviços de emergência médica. Pensa-se que Bouana e Zyed podem ter morrido meia hora depois de a polícia ter abandonado a zona.
Durante dez anos, o sistema judicial protelou ou encontrou uma forma de justificar os polícias. Quando finalmente eles foram levados a julgamento, o procurador, que pediu que fossem abandonadas as acusações contra eles, alegou que se os polícias tivessem sabido do perigo certamente teriam agido para proteger os jovens. O painel de juízes aceitou esta lógica, apesar da prova da conversa gravada entre os dois polícias implicados, e decidiu que os acusados não tinham nenhuma razão para terem “a certeza do perigo iminente que os jovens enfrentavam” (Le Monde, 18 de Maio de 2015). Como salientaram dois observadores judiciais, esta decisão não se baseou em factos nem na lei mas foi explicitamente política. As acusações criminais e o processo civil iniciado pelas famílias das vítimas foram anulados. Não é possível recorrer da decisão.
Este veredicto incentivou os reaccionários em França a redobrar os seus ataques aos jovens dos banlieues. Zyed e Bouana estão a ser considerados “desordeiros” e acusados de serem responsáveis pelos carros incendiados após a morte deles. Às famílias das vítimas, que dez anos depois ainda continuam pesarosas devido à perda deles, tem-lhes sido dito que são responsáveis por não terem educado os seus filhos com suficiente respeito pela polícia e pelas leis da república. O veredicto está a ser usado para martelar a mensagem de que não houve justificação para a revolta de 2005.
Pelo contrário, os polícias estão a ser descritos como vítimas porque tiveram de ir a julgamento com acusações menores. Ao mesmo tempo que a abertamente racista Frente Nacional (FN) tem elogiado a decisão judicial, dizendo que “finalmente foi feita justiça em França”, a Ministra da Justiça do Partido Socialista (PS), no governo, Christiane Taubira, uma mulher negra que já foi alvo de ultrajantes insultos racistas, tomou apenas uma posição ligeiramente mais matizada, apelando a todos a “respeitarem as decisões do sistema judicial”. Entretanto, muitas pessoas estão a dizer que o veredicto mostrou a fundamental injustiça do “sistema judicial” e da própria França.
Depois de o veredicto ter sido lido, houve uma grande e indignada concentração frente ao palácio de justiça da região onde Clichy está situada, e houve escaramuças com a polícia. A angústia e a fúria em relação ao sistema judicial francês expressa pelas famílias e amigos dos jovens estão a ser partilhadas por milhares de pessoas nas redes sociais, fazendo de “#ZyedEtBouana” o hashtag mais seguido no Twitter em França.
Várias pessoas denunciaram o que chamaram de “violência” da decisão dos juízes. Uma pessoa escreveu que com o seu veredicto o “sistema judicial” tinha agido como a polícia e que, de certa forma, tinha condenado Zyed e Bouana à morte a posteriori, não devido a qualquer coisa que tenham feito mas devido a quem eram, à sua origem imigrante e ao código postal dos banlieues que equivale a uma pena de prisão perpétua para milhões de jovens. Outras pessoas escreveram sobre o assunto no Twitter, dizendo que, para a polícia, o “perigo iminente” são os próprios jovens dos banlieues, e um transformador eléctrico é tão bom como qualquer outra arma para os matar.
Enquanto a oposição da “extrema-esquerda” oficial (a Frente de Esquerda liderada por Jean-Luc Melenchon, que usou o massacre da equipa do Charlie Hebdo por fundamentalistas islâmicos em Janeiro passado como ocasião para literalmente dar um aperto de mão à polícia militarizada habitualmente usada contra os manifestantes) está a tentar rivalizar com a extrema-direita na defesa da polícia face à indignação que se seguiu ao veredicto (ver o comunicado deles no Twitter), muitos jovens, de origem imigrante e de todas as nacionalidades, e outras pessoas, estão a considerar a hostilização, os abusos e os assassinatos levados a cabo contra os jovens dos banlieues como uma linha de demarcação. Ao mesmo tempo, apesar de a religião ter desempenhado um papel muito pequeno na revolta de 2005, os reaccionários de grande parte do espectro político estão a tentar ligar esta fúria contra a polícia ao fundamentalismo islâmico, o que só alimenta mais esta corrente.
As condições nos subúrbios de França que alimentaram a revolta de 2005 depois de Zyed e Bouana terem sido electrocutados, e as constantes dificuldades das autoridades em varrerem as mortes deles para baixo do tapete, continuam a ser uma fonte potencialmente explosiva."

19 de Maio de 2015. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar

A "violência no futebol"

Divulgamos neste espaço uma reflexão do Observatório do Controlo e da Repressão sobre os episódios ocorridos no passado dia 17 de Maio .
 
 
"O dia 17 de maio foi marcado por acontecimentos relacionados com a 33ª jornada da Liga Portuguesa de Futebol, nomeadamente diversos atos de violência policial contra adeptos, em Guimarães e em Lisboa. Os órgãos de comunicação social têm vindo a noticiar confrontos e detenções, servindo-se do amplo material audiovisual disponível e suscitando um debate alargado sobre a actuação da polícia. O Observatório do Controlo e da Repressão deseja contribuir para esse debate e chamar a atenção para alguns aspetos relevantes suscitados pelo que se passou durante o final da tarde de domingo e a madrugada de segunda-feira. Sem prejuízo de outras situações verificadas nesse período, debruçamo-nos especificamente sobre o que aconteceu nas imediações do Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães), do Estádio Alvalade XXI e na Praça do Marquês de Pombal (Lisboa).
Em Guimarães a polícia começou por carregar nas imediações do estádio ainda antes do início do jogo, alegadamente porque um grupo de adeptos do Benfica se envolveu em confrontos com adeptos do Vitória de Guimarães. A visualização deste vídeo da SIC notícias (minuto 4:11) torna contudo evidente que diversas pessoas foram agredidas enquanto observavam de longe o que se passava e sem que seja possível identificar qualquer tipo de atitude agressiva da sua parte. O Corpo de Intervenção ataca-as literalmente pelas costas, distribui bastonadas e pontapés a eito, numa situação em que não existe sequer uma concentração particularmente numerosa de pessoas a bloquear o seu percurso. Eram 17h42 e agentes da PSP já tinha cometido diversas ilegalidades em pleno direto televisivo. O que se passou após o jogo tem sido alvo de particular atenção, pela violência e evidente abuso de autoridade captadas pelas câmaras da CMTV, que filmaram um adepto do Benfica a ser detido e espancado, com um bastão de aço, em frente aos seus filhos de 9 e 13 anos pelo Subcomissário Filipe Silva (da Brigada de Investigação Criminal de Guimarães), que não hesitou em agredir também o avô das crianças com o auxílio de outros agentes.
Guimarães
 
No Estádio Alvalade XXI, segundo um vídeo colocado no canal «Sporting Vídeos» no YouTube, adeptos que se encontravam no exterior do estádio foram baleados pela policia a tiro de caçadeira. As informações sobre as origens deste incidente são escassas, mas o vídeo gravado num telemóvel permite verificar que agentes do Corpo de Intervenção detiveram um adepto e, confrontados com os protestos de outros adeptos no local, procederam a vários disparos e a uma carga violenta, existindo acusações de utilização de cargas de chumbo pela PSP, que se limita a comunicar “uma desordem e consequente intervenção policial no interface de transportes públicos do Campo Grande, envolvendo adeptos de dois clubes de que resultaram três cidadãos feridos e dois polícias”.
Finalmente pela 1h20 da madrugada, uma carga policial levou à fuga precipitada de milhares de pessoas que celebravam a conquista do trigésimo quarto título de campeão nacional pelo Benfica, despoletando confrontos que duraram várias horas entre a Praça do Marquês de Pombal e a Av. Fontes Pereira de Melo. A PSP alega que a sua intervenção decorreu na sequência do arremesso de garrafas por grupos de adeptos, mas a análise às imagens captadas por diversas estações televisivas, sendo inconclusiva quanto ao início dos confrontos, permite verificar inúmeras agressões de agentes policiais a adeptos que estão a afastar-se do local ou estão simplesmente parados a observar, por vezes pelas costas. É curioso verificar que imagens captadas em direto pela SIC notícias às 1h25 não foram inseridas nas sucessivas peças noticiosas que foram apresentadas a partir das 6h00, nas quais se informava que a PSP fora “obrigada a intervir” em resposta à “violência de um pequeno número de adeptos”.
Marquês 4

Tudo o que se passou nestes três pontos entre o final do dia 17 e a madrugada do dia 18 de maio levanta seis questões fundamentais sobre a natureza da repressão e da violência policial.
1) A actuação regular e institucionalizada da PSP, quando confrontada com grandes aglomerados de pessoas, pauta-se por um flagrante desrespeito pela legalidade e pelas liberdades e garantias de um Estado de Direito democrático, não apenas ou não tanto devido a abusos individuais, mas em resultado da própria lógica da sua intervenção e técnicas, das escolhas e opções da sua hierarquia, da natureza do treino dos seus operacionais e, em geral, da cultura de violência e prepotência que atravessa o conjunto da instituição. Uma vez que não vigora em Portugal o Estado de sítio ou de emergência, a forma como as chefias policiais decidem suspender os direitos básicos dos cidadãos – desde logo o direito a circular livremente no espaço público sem o receio de ser agredido à bastonada ou baleado – é um flagrante abuso de autoridade, que merece uma firma resistência e condenação.
2) Há boas razões para considerar que actuação da PSP é uma causa determinante para que pequenas rixas entre adeptos se tornem confrontos generalizados, provocando momentos de pânico colectivo que põem efectivamente em risco a segurança de milhares de pessoas. É fácil perceber que um movimento abrupto pelo meio de uma multidão em festa, recorrendo a pontapés e bastonadas para abrir caminho até ao que se considera ser um “pequeno foco de tensão” pode não apenas levar a que várias pessoas caiam e sejam pisadas por outras como, também, desencadear uma resposta violenta por parte de quem identifica na actuação policial uma agressão injustificada e abusiva, convertendo adeptos que celebram pacificamente em adeptos que atiram garrafas e pedras à polícia.
3) Por outro lado, o fenómeno futebolístico atrai uma atenção mediática de tal dimensão que a actuação policial se torna imediatamente um facto político. Situações de violência, abuso, agressão e até tortura por parte de agentes da polícia têm sido frequentemente denunciadas em torno de manifestações ou em determinadas zonas urbanas que tanto a polícia como a comunicação social convencionaram descrever como “sensíveis” ou “problemáticas”. Mas um fenómeno como a “festa do título” atrai uma cobertura jornalística tão intensa e abrangente que se torna quase impossível agredir alguém sem correr o risco de ver essa agressão filmada. Muito do que vimos na tarde de domingo e na madrugada de segunda-feira é habitual e frequente em diversos contextos sociais, quando não há ninguém a filmar e a palavra de um agente da autoridade é a única a ser levada a sério.
4) Parece também oportuno relembrar que ainda em 2010 os adeptos do Benfica festejaram o título de campeão exatamente no mesmo local, onde não havia palco, nem sistema sonoro nem uma presença policial no centro da praça, não se tendo verificado qualquer problema de maior. E ainda há um ano a festa decorreu também sem ocorrências a registar, apesar de já ter assumido o formato de grande discoteca ao ar livre, na qual um sistema sonoro se sobrepõe à voz dos adeptos. Vale a pena reflectir no papel desempenhado pela organização do espaço da praça e pela presença da polícia em torno da estátua, bem como no facto, omitido por quase todos os órgãos de comunicação social mas sublinhado pela CMTV, de poucos minutos antes dos primeiros confrontos terem sido projetadas no ecrã gigante ali montado as imagens da detenção ocorrida em Guimarães.
5) Acresce a tudo isto que se convencionou, com uma facilidade alarmante, que entre os adeptos de futebol se incluem indivíduos violentos e perigosos por natureza, aos quais não são reconhecidos os mesmos direitos e garantias que a todos os outros cidadãos, sobre os quais se deve presumir a culpa e a quem a polícia tem carta branca para agredir, deter, cercar, assediar e maltratar a seu bel prazer. A esse nível, a categoria “jogo de risco” acaba por funcionar de forma semelhante à categoria “bairro problemático. Existe um retrato-robô desses indivíduos, veiculada tanto pela polícia como pela comunicação social, que os apresenta enquanto jovens do sexo masculino e condição social pobre, identificáveis pelas suas tatuagens, brincos ou bonés. Ninguém se espanta se uma pessoa cujo perfil corresponde a esse estereótipo for agredida e algemada pela PSP na sequência de uma troca de palavras, se necessário for em frente a uma câmara de televisão. Deu-se o caso de o adepto benfiquista agredido e algemado no Estádio D. Afonso Henriques ser um empresário de meia-idade sem qualquer elemento visual distintivo e isso gerou uma dissonância cognitiva. Faltou a imagem do “hooligan arruaceiro” para oferecer ao subcomissário Filipe Silva a cobertura necessária à sua agressão e – uma vez que qualquer pessoa se poderia identificar com o pai que leva os dois filhos ao estádio e acaba a ser agredido e preso à sua frente – tornou-se necessário lavar a imagem da PSP por via de um inquérito.
6) Curiosamente, não é a primeira vez que o nome de Filipe Silva surge associado a um inquérito à actuação da polícia, visto que este graduado também esteve envolvido nas detenções ilegais levadas a cabo pela PSP no dia 14 de Novembro de 2012, que envolveram espancamentos, humilhações e procedimentos abusivos. Uma vez que a Inspeção-Geral da Administração Interna detetou várias ilegalidades na atuação da polícia nesse dia de greve geral, atribuindo-as tanto aos agentes no terreno como aos oficiais e à estrutura de comando que tomou a decisão de carregar sobre os manifestantes presentes em S. Bento, para logo a seguir arquivar o processo sem que fossem tomadas quaisquer medidas, é difícil antecipar que consequências poderá ter este inquérito. Mas também não é impossível que o subcomissário Filipe Macedo Silva seja convertido no bode expiatório de toda a corporação a que pertence, para assegurar aos cidadãos mais distraídos que a PSP existe para proteger os cidadãos e atua em conformidade com a lei e a constituição, como aconteceu em pleno Chiado em Março de 2012, quando uma fotojornalista da France Press apanhou uma bastonada que tinha como destinatários manifestantes avulsos e menos suscetíveis de gerar indignação, originando um processo disciplinar contra o agente Manuel Pinto.
Marquês 3

Por trás, em baixo, ao lado e por dentro do que se designa, com espantosa facilidade e enorme conveniência, “a violência no futebol”, está frequentemente a atuação da polícia e a sua margem de manobra para suspender liberdades e garantias, fazendo dos recintos desportivos e das suas imediações espaços onde vigoram estados de exceção temporários mas recorrentes. A suportar essa atuação está toda uma camada discursiva, mediática e institucional, que faz de determinados adeptos agressores em potência e propaga uma cultura de medo capaz de alimentar todas as fobias, naturalizando a atuação policial e banalizando a sua violência, colocando cada pessoa perante a imperativa necessidade de fazer uma escolha impossível entre liberdade e segurança. Foi preciso que as câmaras filmassem o pânico de uma criança face à violência fardada (e graduada) para que surgissem finalmente alguns pontos de interrogação relativamente à atuação da polícia e à lógica da sua “intervenção”. A poucos dias de mais uma celebração do título por parte dos adeptos do Benfica (que joga no seu estádio no próximo domingo), de uma final da Taça de Portugal entre o Sporting e o Sporting de Braga que trará milhares de adeptos de todo o país ao Vale do Jamor e, finalmente, de uma final da Taça da Liga disputada entre o Benfica e o Marítimo em Coimbra, não faltam motivos para temer a repetição de novas agressões policiais, antecipadamente legitimadas à sombra do conceito de “jogo de risco”, tornando ainda mais necessário analisar o comportamento da PSP e questionar o que se vê banalizado como “violência no futebol”.
O Observatório do Controlo e da Repressão convida todas as pessoas que presenciaram os acontecimentos da madrugada de Segunda-feira a enviar o seu testemunho, imagens, vídeos ou relatos para o endereço cccr@inventati.org, comprometendo-se a manter essas informações em completo sigilo e disponibilizando-se ainda para apoiar, dentro das suas possibilidades, todas as pessoas que enfrentam processos judiciais ou desejam apresentar queixa relativamente à atuação da polícia."
 

De agredido a agressor...Deixem de distorcer a realidade nua e crua...

Quem nos defende da polícia ?
Um episódio que se repete, o agredido passa a agressor . De violência policial sobre uma família, com o espancamento do pai , a brutalidade sobre o avô e o terror que afectou duas crianças por estarem a presenciar quadro tão negativo . Passa-se a discutir se cuspiu ou não sobre o agente, como se tenta manipular a opinião pública. Ao levar a Tribunal o pai das crianças e o forjar de algo que possa justificar a violência que exerceram, como se alguma vez pudesse haver justificação para actos deste quilate.
A violência policial exerce-se todos os dias nos bairros, sobre os mais pobres, sobre as minorias, sobre os trabalhadores sempre que se manifestem em luta contra o capitalismo, muitas das vezes fora dos palcos mediáticos e nalguns casos pela calada da noite. Tudo isto com o agravante do racismo que domina as suas hostes,  civismo está cada vez mais ausente das suas práticas ...e com tendências para ser extinto .
 
Pai agredido presente a tribunal...ver vídeo com declarações deste.


Selvajaria policial á solta

Ontem , dia 17 foi marcado por mais uma demonstração de força da polícia ao espancar impunemente pessoas que vieram para a rua fazer a festa da vitória do seu clube no campeonato nacional, o S.L.Benfica, podendo ser outro clube qualquer... O que está verdadeiramente em causa é a actuação da polícia, ao espancar e perseguir cidadãos , mulheres, velhos e crianças . Algo vai muito mal nesta doente democracia em que vivemos. O balanço está por fazer, mas foram bastantes os cidadãos que necessitaram de assistência médica nos hospitais de Lisboa, tal como foram detidos muitas pessoas fruto da "caça" que se prolongou pela madrugada.
Até quando vamos continuar a assistir a arruaça policial, uma polícia que no passado chegou a ser questionada a sua existência por práticas semelhantes em pleno período fascista.
A impunidade dos seus actos não pode ser ignorada. Alguém tem que prestar constas do sucedido, ministra, oficiais superiores até aos agentes que se tem destacado nos actos que repudiamos.
Fim à violência policial .




Dois pequenos vídeos ilustrativos da dimensão e moldes em que ocorreram vários incidentes na cidade de Guimarães. ..

Os "esquadrões da morte" uniformizados dos Estados des-Unidos

Políticos e sabichões dos media classificam como um "alerta" a violência que estalou em Baltimore após a morte do afro-americano Freddie Gray devido à ruptura da sua coluna vertebral. Contudo, estes auto-designados "peritos" quanto ao colapso social dos pobres – principalmente trabalhadores afro-americanos de bairros de todos os Estados Unidos – evitam falar acerca das razões reais porque cidades de todo o país estão a explodir em protestos e a recorrer a motins toda a vez que um jovem afro-americano é assassinado pela polícia. Os EUA, tal como as ditaduras fascistas na América Latina durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, estão agora infestados com "esquadrões da morte" policiais. Responsáveis uniformizados da aplicação da lei agora actuam como juízes, júris e carrascos, administrando sentenças de morte nas ruas de Fergunson, Missouri, subúrbio de St. Louis; New York City; North Charleston, South Carolina; Baltimore e outras cidades de todos os Estados des-Unidos.
 
 
      
Parte da razão para o surgimento de esquadrões da morte oficialmente admitidos nas fileiras da polícia dos EUA é a constante militarização do estado americano, das cidades, dos municípios e de forças policiais de pequenas cidades desde o ataque do 11/Set. De acordo com o chamado " programa 1033 " , o Pentágono forneceu à polícia toda espécie de excedentes de guerra, desde veículos blindados para pessoal (conhecidos como veículos Mine-Resistant Ambush-Protected ou "MRAPS") até rifles M-16 de qualidade militar e blindados Humvees. Alguns destes equipamentos estavam à plena vista em Ferguson, Missouri, durante os protestos quanto à morte a tiro do adolescente afro-americano Michael Brown por um polícia branco.

Porque Baltimore, ao contrário de St. Louis e North Charleston, é considerada como fazendo parte da área da capital nacional de Washington, DC, os media corporativos dos EUA e responsáveis do governo reagiram ao grupo tumultuoso de estudantes afro-americanos do ensino secundário que acompanhou o funeral de Gray com a espécie de alarme existencial habitualmente destinado a nações-estado "ameaçadoras" como o Irão, Venezuela e Coreia do Norte. Os media exprimiram mais simpatia para com a farmácia da cadeia CVS saqueada durante a disputa do que para com a família de Gray, a qual estava a pedir calma e paz. 

 
     
A polícia de Baltimore estava ansiosa por um confronto com a população afro-americana de Baltimore que fervia em silêncio e decidiu travar autocarros escolares que transportavam alunos afro-americanos de volta às suas casas. A polícia também lançou bloqueadores de tráfego nas ruas de Baltimore. Os alunos do secundário foram forçados pela polícia a abandonarem seus autocarros. A polícia então encurralou os jovens numa área na vizinhança de Mondawman. A estação do metro nas proximidades foi fechada pela polícia e os alunos foram impedidos de voltarem para casa tanto pelos autocarros escolares como pelos autocarros de transporte público ou pelo metro. Todas as testemunhas oculares, pais dos alunos e professores da escola verificaram o facto de que os alunos foram ilegalmente detidos pela polícia. Quando uns poucos deles começaram a atirar pedras à polícia, a polícia lançou pedras e rochas de volta sobre os jovens os quais, deveria ser enfatizado, foram inicialmente provocados pela táctica mão pesada da polícia de interromper todo o transporte local.

Basicamente, a polícia de Baltimore adoptou as tácticas usadas diariamente pela polícia israelense contra palestinos na Cisjordânia: vedar rotas de trânsito, encurralar a população alvo e responder com força esmagadora e, frequentemente, violência brutal. De facto, a polícia de Baltimore, assim como a Polícia do Município de St. Louis que reagiu à situação de Ferguson, recebeu treino israelense em imposição da lei e "contra-terrorismo", incluindo a utilização de armas de som tipo dispositivo acústico de longo alcance (long range acoustic device, LRAD ), utilização de cercas portáteis anti-multidão e instrução em artes marciais
Krav Maga , da polícia israelense e da Força de Defesa Israelense. Este treino foi cortesia de programas apoiados pelas proto-fascistas Anti-Defamation League ( ADL ) e Jewish Institute for National Security Affairs ( JINSA ) . A ADL anteriormente compilou ficheiros com dados maciços de americanos dissidentes, líderes de direitos civis e clero cristão anti-guerra para as polícias federal e estaduais. Oficiais de polícia reformados que receberam treino em Israel patrocinado pela ADL foram à televisão proclamar ser a "demonstração de força" da polícia e do exército em Baltimore o modelo para o resto do país.
A polícia de Baltimore justificou suas acções extrema afirmando falsamente que os gangs negros, os Bloods and Crips, estavam a vir para a cidade a fim de incitar a violência. A fonte do rumor eram mensagens sem fundamento postadas nos media sociais, provavelmente com origem na unidade de inteligência da polícia de Baltimore. Os gangs responderam às alegações dizendo que não tinham tais planos.

A mensagem para as minorias da América era clara: a polícia continua livre para sumariamente executar civis à vontade e quaisquer protestos, venham eles de ghetos negros, barrios hispânicos ou reservas de nativos americanos, serão recebidos com força policial esmagadora ou "pavor e choque".

O governador republicano de Maryland, Larry Hogan, despachou centenas de tropas da Guarda Nacional de Maryland para Baltimore para trabalhar com a polícia de Baltimore e de jurisdições externas a fim de impor um recolher obrigatório. O jogo de bola ao cesto Baltimore Orioles-Chicago White Sox programado em Camden Yards foi proibido àqueles que já tinham bilhetes de entrada, a primeira vez na história que um grande jogo de bola ao cesto foi jogado diante de um estádio vazio. Uma sequência de fim-de-semana planeada para ser jogada em Camden Yards entre os Orioles e os Tampa Bay Rays foi transferida para St. Petersburg, na Florida. Se isto soa como as "punições colectivas" administradas por Israel a palestinos em Gaza e na Cisjordânia, foi exactamente daí que as autoridades de Baltimore e Maryland tiveram a ideia.

As perturbações que se seguiram ao funeral de Gray foram antecedidas na noite anterior por uma confrontação entre a polícia e torcedores afro-americanos que saíam do estádio Camden Yards. A solução para as autoridades: punição colectiva para a maioria da população afro-americana de Baltimore. Cada vez mais, afro-americanos, hispânicos e nativos americanos estão a tornar-se os "palestinos" da América, povo disponível para a polícia a qualquer hora e qualquer dia "praticar tiro ao alvo".

O governador republicano de Nova Jersey, Chris Christie, candidato presidencial em 2016, antigo promotor federal que tem tanto de arrogância quanto de peso, despachou para Baltimore soldados de cavalaria da Polícia Estadual de Nova Jersey a fim de ajudar a impor a lei. A utilização de polícia de fora do estado em Baltimore para reforçar a da cidade foi uma ilustração cabal dos laços estreitos existentes entre agências de imposição da lei de todo o país em apoio da "linha azul" e de agentes de polícia que enfrentam investigações sobre execuções extra-judiciais de cidadãos. Tal como visto em outros incidentes por todo o país, a associação Ordem Fraternal da Polícia e as divisões de assuntos internos dos departamentos de polícia encarregados de investigar brutalidades policiais frequentemente conspiram para encobrir provas do mau comportamento da polícia. Enquanto isso, líderes políticos americanos estão a receitar soluções "placebo" como câmaras nos organismos policiais para resolver a questão da brutalidade da polícia. As câmaras não resolverão os problemas subjacentes de alto desemprego nas áreas da polícia inclinadas à violência sobre cidadãos nem resolverão o facto de que os Estados Unidos têm a mais alta população prisional per capita do mundo, com cerca de 2,2 milhões de presos, principalmente afro-americanos homens, cumprindo longas penas por crimes não violentos relacionados com drogas.

Os media corporativos e políticos republicanos, incluindo o governador Hogan, consideram desportivo, tal como o fizeram em relação a membros afro-americanos da assembleia municipal em St. Louis e de outras cidades, atacar a presidente da municipalidade Stephanie Rawlings-Blake como "incompetente" por permitir que as coisas na sua cidade "saíssem do controle" sem uma demonstração de força maciça e imediata. Seu colega, o presidente da municipalidade de Filadelfia Michael Nutter, defendeu suas acções em Baltimore. É uma prática habitual utilizada pelos oligarcas republicanos retratar a minoria dos democratas que detém um posto electivo como "fracos quanto ao crime" a fim de conseguir pontos políticos fáceis com o assassínio de cidadãos minoritários pela polícia.

Após os tumultos que varreram cidades americanas em 1968 a seguir ao assassínio do reverendo Martin Luther King, no que é agora considerado por muitos como tendo sido uma conspiração do governo envolvendo o FBI a fim de silenciar aquele líder dos direitos civis, o presidente Lyndon Johnson respondeu: "O que você esperava? Não sei porque está tão surpreendido. Quando você coloca o seu pé sobre o pescoço de um homem, subjuga-o durante trezentos anos e então deixa que se levante, o que é que ele vai fazer? Ele vai golpear o que o bloqueou".

Quase 50 anos depois, a polícia americana continua a visar afro-americanos com tácticas de "esquadrões da morte" outrora populares entre as mais repressivas e asquerosas ditaduras fascistas da América Latina, com líderes de municipalidades que foram provocados pelas mesmas agências estado-unidenses envolvidas no assassinado de Luther King e hoje com a militarização da polícia america .
por Wayne Madsen [*]        
30/Abril/2015

Ver também:
www.killedbypolice.net         [*] Jornalista.       
O original encontra-se em
www.strategic-culture.org/...        
       

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

STOP Violência Policial !


Racismo e violência policial em debate


Franco Atirador é um programa semanal de debate sobre a actualidade política e social portuguesa, moderado por Joana Amaral Dias e Nuno Ramos Almeida.
m.youtube.com

CONTRA O RACISMO E A VIOLÊNCIA POLICIAL

Cerca de meio milhar de moradores da Cova da Moura e outros apoiantes manifestaram-se ontem ao fim da tarde em frente ao Parlamento, repudiando os actos de racismo e violência policial que se verifica nos bairros .
 
Fotos Cma-j
 
 
 
 
 
 
 

Hoje pelas 17 h Concentração Contra o racismo e a violência policial junto ao Parlamento

O CMA-J  apela a todos  que participem na Concentração junto ao Parlamento, iniciativa convocada por associações populares do Bairro da Cova da Moura a que se estão a associar colectivos e pessoas em nome individual .

Agressões e prisões pela polícia no bairro da Cova da Moura
Mais um caso de violência policial
que não pode ficar impune

Na passada 5ª feira, 5 de Fevereiro, uma brigada policial fez uma pretensa rusga na Cova da Moura, numa pura demonstração de força e intimidação da população, tal como muitas vezes tem acontecido em muitos bairros do país. A certa altura, abordaram de forma provocatória um grupo de jovens do bairro, revistando-os e abusando-os verbalmente à espera de alguma forma de resposta violenta. Como não a obtiveram, os polícias começaram a agredir brutalmente um dos jovens, apesar de este não estar a oferecer qualquer resistência. Seguiram-se disparos, incluindo sobre outros habitantes que entretanto tinham ido ver o que se passava e que puderam testemunhar todo o episódio. Uma voluntária da Associação Moinho da Juventude foi atingida na perna e na nádega. O jovem, a sangrar, foi algemado e levado para a esquadra de Alfragide. Aí, os polícias juntaram-se para o agredir com cassetetes e pontapés, ao mesmo tempo que o insultavam. Só seria libertado no dia seguinte, depois de o terem acusado de apedrejar a carrinha da polícia, uma acusacão impossível, já que ele na altura estava a ser revistado.

Um grupo de pessoas, entre os quais dois dirigentes do Moinho, decidiu dirigir-se à esquadra para exigir a libertação dele. Apesar da abordagem pacífica deles à entrada da esquadra, foram logo insultados e baleados e depois, dentro da esquadra, foram algemados, violentamente agredidos e ameaçados de morte. Cinco deles foram detidos e levados pela polícia para a esquadra da Damaia e depois para um hospital, devido aos ferimentos que tinham sofrido. A polícia e a comunicação social tentou apresentar o que se passou este episódio como sendo um gang a invadir a esquadra.

Basta,Concentração contra a violência policial e contra o racismo
12 de Fevereiro de 2015, pelas 17 horas
Frente ao Parlamento

Este é mais um dos muitos casos de provocação e violência policial que alastram em particular nos bairros negros das periferias e que não podem ficar sem resposta. A cada dia que passa, a polícia provoca, invade, agride, insulta e prende ilegalmente sobretudo jovens de etnias que o sistema considera inferiores, através dos seus agentes nas forças de repressão, nas quais se expandem cada vez mais, com encorajamento oficial e com total impunidade, sentimentos de ódio racista.
Isto não acontece por acaso, acontece numa altura em que a crise do sistema impõe condições de vida cada vez mais horrendas e desumanizadoras aos sectores mais explorados e oprimidos da sociedade, com particular destaque para os descendentes de africanos, que são empurrados para o desemprego (esmagadoramente os jovens) e para uma vida em bairros onde lhes são negadas as mais elementares condições de sobrevivência. Este sistema não tem nada para lhes oferecer e pretende esmagar-lhes os horizontes.
Isto está a acontecer em todo o mundo dito avançado, em toda a Europa e nos EUA (onde chega a limites extremos, como os assassinatos endémicos de afro-americanos e latinos que geraram a recente grande onda de protestos e indignação). O objectivo é impor um brutal sistema de medo permanente que impeça os jovens de se revoltarem, sob qualquer forma, desde as mais erradas às mais avançadas, contra uma vida sem perspectivas e para mudar a sociedade. O objectivo é dividir, colocar brancos e negros uns contra os outros e entre eles

Concentração Contra a violência policial


Foto de Kova M Estúdio.

 

Mais uma provocação policial, "Uma “invasão a esquadra” inventada – Relatos da Cova da Moura e de Alfragide,"

Uma “invasão a esquadra” inventada – Relatos da Cova da Moura e de Alfragide

Invadidos por notícias de “invasões”, deixamos aqui (embora com mais actualizações para breve) o relato dos acontecimentos vividos hoje no Bairro da Cova da Moura e na Esquadra da PSP de Alfragide:
a) No início da tarde uma patrulha da PSP da esquadra de Alfragide invadiu o Bairro da Cova da Moura, numa acção de rotina que concluiu na detenção de uma pessoa;
b) Durante a acção, o detido – apesar de não ter oferecido resistência – foi agredido violentamente, de pé e depois no chão, pelos diversos elementos da PSP presentes;
c) Perante o elevado número de testemunhas (algumas talvez armadas com telemóveis que filmam) , a PSP tratou de “limpar” as redondezas com recurso a violência física. A todos aqueles que: pela distância, por estarem à janela ou em propriedade privada e por isso distantes do cassetete , a polícia optou pelo disparo de balas de borracha;
d) Entre as vítimas das balas contam-se: mãe e filho (de apenas três anos de idade) que foram encaminhadas para o hospital, a mãe foi sujeita a uma operação cirúrgica; uma mulher atingida na face que se encontrava à janela; dois deficientes físicos; e ainda um grupo de raparigas que se encontrava no espaço público;
e) Perante o caos instalado pela PSP, quatro cidadãos do Bairro, alguns colaboradores do Moinho da Juventude, cientes do seus direitos e preocupados com a situação criada, dirigiram-se à esquadra de Alfragide para apresentar queixa dos agentes e saber informações do detido na acção de Bairro;
f) Apesar da esquadra ser um espaço público com serviço de atendimento ao cidadão, isso não impediu que os quatro fossem agredidos por vários agentes, em franca maioria, e que recorreram inclusive, e novamente, a balas de borracha;
g) Um sexto indivíduo que se encontrava no espaço público da esquadra foi agregado pela PSP aos 5 previamente detidos;
h) Dada a natureza das agressões, os seis indivíduos foram assistidos durante várias horas no hospital Amadora-Sintra, e diga-se, estavam todos irreconhecíveis, tal a brutalidade da acção policial.
Durante todo o tempo de espera e desenvolvimento da situação dos detidos, a polícia apresentou-se nervosa, talvez consciente da dimensão do ocorrido. Vários polícias fardados e à paisana cobriam várias espaços do hospital de forma desconfiada, enquanto na esquadra faziam o possível por não exteriorizar, embora de forma infrutífera, a insegurança dos seus actos. Como se o cenário não fosse estranho o suficiente, ficamos a saber que um dos polícias da esquadra de Alfragide ostenta uma tatuagem nazi. É evidente que, por tudo o descrito e pelas notícias veiculadas pela PSP aos media, vão tentar acusar este grupo de cidadãos de um crime directamente proporcional ao erro grave cometido pela corporação. Temos de estar vigilantes e atentos. Afinal quem invade quem?

Revolta varre a América contra a violência policial e o racismo

 "Como febre, explodiu a notícia. Mas, diferente da febre, depois não houve nenhum alivio...

 A notícia, na perspectiva da comunidade negra, não foi boa. Os doze membros do grande jurado em Ferguson, que investigava o assassinato do adolescente negro Mike Brown, disseram que não haveria pena nem acusação, apesar do fato de que Brown estava desarmado. Não há pena!O nome Ferguson se soma a uma velha lista de lugares com nomes dolorosos, perdas e mortes de afro-americanos. Lugares como Birmingham, Philadelphia e agora Ferguson. Têm um significado em si mesmo. Para os jovens, muitos do quais nasceram para o ativismo, e se sentiram obrigados a sair às ruas contra a impunidade, o desafio será como continuar, como seguir lutando, inclusive qual é a luta.
Alguns, com o coração partido, fugiram desse episódio e tentaram, talvez sem êxito, apagar essas recordações. Outros se radicalizaram, convencidos de que esse caso é a síntese da injustiça racista.
Mas Ferguson pode ser um ponto de inflexão. Um ponto de inflexão em um momento em que a nação elegeu um caminho equivocado."


Algumas fotos ilustrativas da revolta que varre a América contra a violência policial e o racismo . Os episódios mais recentes e a pseudo justiça associada a direitos humanos ausentes suscitaram grandes manifestações de repúdio contra práticas que se instituíram no dia a dia da metrópole americana que continua a ter os negros como seres de segunda .
Uma faixa "Acusem a América" no die-in de St. Louis
O die-in de St. Louis exigiu
justiça para Michael Brown
O Clube Revolução de Nova Iorque protesta a 22 de Novembro contra o assassinato de Akai Gurley no bairro social Louis Pink por um agente da NYPD
(Foto: AP)
A multidão grita "Estamos a ver-vos" aos presos na prisão de Back Bay, Boston, na noite da decisão de não acusar o polícia que matou Michael Brown
(Foto partilhada no Twitter)

 
Os presos da prisão de Southbay, Boston, batem nas grades, acendem as luzes e levantam as mãos nas janelas em protesto contra a decisão do Grande Júri
(Foto partilhada no Twitter)
 
Os manifestantes bloquearam nos dois sentidos a estrada I-44 no centro de St. Louis, Missouri, a 24 de Novembro, a seguir à decisão do Grande Júri
(Foto: AP)
 
Protestos em St. Louis, Missouri, a 24 de Novembro. "Nada a perder a não ser as nossas cadeias".
(Foto: AP)
 
Protestos em Houston, Texas, a 25 de Novembro.
Um cartaz diz "Ayotzinapa, Palestina, Ferguson"
 
A grande manifestação militante, diversificada e decidida de Houston, Texas, a 25 de Novembro
 
Na manifestação de 25 de Novembro que atravessou Crenshaw, South Central e a baixa de Los Angeles
foram presos mais de 200 manifestantes
 
Em Chicago, os manifestantes junto à Water Tower, no centro da cidade, cantaram no "Black Lives Matter Friday", a 28 de Novembro
 
Um painel com fotos junto à Water Tower, Chicago, lembra que a cada 28 horas um negro é assassinado pela polícia nos EUA
 

A carrinha do jornal Revolution "Justiça para Michael Brown", frente à Water Tower, Chicago
(Foto: Twitter/@OccupyChicago)

Os manifestantes reúnem-se no parque da Water Tower em Chicago no "Black Lives Matter Friday"
(Foto: Twitter/@EthosIII)
 
Às 2h da tarde, os manifestantes fizeram um grande die-in que bloqueou o trânsito no centro de Chicago
(Foto: Twitter/@EthosIII)
 
Die in no Mall de St. Louis a 28 de Novembro,
no "Black Lives Matter Friday", um trocadilho
com o "Black Friday", um dos maiores dias de compras natalícias nos EUA
 
Perturbando o "Black Friday"
no Walmart de Ferguson, Missouri
 
Manifestação em Detroit em honra a Michael Brown, a 25 de Novembro (Foto: Valerie Jean)
 
A manifestação em Detroit paralisou o trânsito na I-75
(Foto: Valerie Jean)
 
A caminhada e protesto organizado pelos Estudantes Negros Unidos (BUS) da Universidade Kent State (Foto: BUS Kent State)
 
Os manifestantes junto à Kent State em protesto contra a decisão do júri de não acusar o polícia que matou Michael Brown (Foto: BUS Kent State)
 
A 25 de Novembro, estudantes da Universidade de Washington manifestaram-se na baixa de Seattle
(Foto: Revolution/revcom.us)
 
Estudantes da Morehouse na sede da CNN em Atlanta protestam contra a decisão do Grande Júri (Foto: AP)
 
Activistas do The Blackout Collective prenderam-se com correntes e paralisaram a estação de comboios de West Oakland (zona da Baía) durante duas horas, na manhã de 28 de Novembro, dia do Black Friday

 
 


 
 
 
 
 
 
 
 

Polícia mata jovem negro nos EUA e os protestos regressam às ruas

in Público de 09-Outubro de 2014
 

“Michael Brown outra vez!”, grita-se em Shaw, um bairro perto de Ferguson, onde outro jovem foi morto durante uma perseguição policial.
 
 
Teme-se que os protestos de Ferguson voltem a repetir-se Michael B. Thomas / AFP   
 
"Um polícia baleou e matou um jovem negro na cidade norte-americana de St. Louis (Missouri), na noite desta quarta-feira. O episódio reacendeu os protestos que foram iniciados pela morte de um jovem em circunstâncias semelhantes a poucos quilómetros, em Ferguson há dois meses.
A polícia metropolitana de St. Louis revelou que o jovem de 18 anos estava armado e disparou na direcção do agente que o perseguia. Foi encontrada uma arma no local do crime.
O agente, de raça caucasiana e com seis anos de serviço, estava a trabalhar como segurança privado, embora estivesse a usar o seu uniforme da polícia. A polícia de St. Louis tinha conhecimento e aprovava a acumulação dos dois trabalhos pelo agente, de acordo com a CNN.
Tudo começou quando o agente de 32 anos, que seguia de carro, passou por um grupo de três jovens que correram quando o viram. Depois de uma primeira perseguição na viatura, o polícia perseguiu os jovens a pé e terá sido nessa altura que um deles disparou na sua direcção por três vezes. O agente respondeu e acabou por atingir o jovem de 18 anos. De acordo com o jornal local, St. Louis Dispatch, que cita o chefe da polícia, o agente disparou sobre a vítima 17 vezes.
A identificação do jovem ainda não foi revelada, mas o chefe Sam Dotson disse que ele “não era estranho às autoridades”, dando a entender que a vítima tinha cadastro.
 
Regresso a Ferguson
“Ele tinha uma sandes na mão e eles pensaram que era uma arma”, disse ao St. Louis Dispatch Teyonna Myers, uma prima da vítima. “Isto é Michael Brown outra vez.” A morte do jovem de 18 anos – a mesma idade de Brown – ocorreu em Shaw, um bairro a 18 quilómetros de Ferguson, nos subúrbios de St. Louis.
Cerca de 200 pessoas juntaram-se perto do local do episódio em protesto pela acção policial, que consideram demasiado dura para com os suspeitos negros – os manifestantes entoavam slogans como "As vidas negras também contam". Algumas ruas foram bloqueadas pelas pessoas e dois carros da polícia ficaram danificados, mas ninguém foi detido, segundo a Reuters.
O agente que matou o jovem não ficou ferido e foi colocado numa baixa administrativa enquanto se inicia uma investigação para averiguar se o procedimento foi o mais adequado.
Shaw é um bairro pacífico, com uma taxa de criminalidade bastante baixa. Diz a Reuters que até Setembro não tinha sido cometido qualquer homicídio este ano e tinham sido contabilizados apenas cinco assaltos graves. "Isto não é normal, vivo aqui há vinte anos", disse ao jornal local Dorenda Towsend, moradora em Shaw.
A morte do jovem ocorreu nas vésperas de uma série de manifestações agendadas para este fim-de-semana em Ferguson e em St. Louis com o objectivo de protestar contra a discriminação racial que dizem ser feita pela polícia. Os promotores dos protestos pedem a demissão do procurador responsável pelo julgamento do caso de Ferguson. Um júri irá decidir no próximo mês se será movida uma acção criminal contra Darren Wilson, o agente responsável pela morte de Michael Brown.
"Se não fizerem justiça, as pessoas têm todo o direito de sair e expressar a sua raiva de uma maneira igual àquela que sofreram", disse uma das fundadoras do movimento Millennial Activists United, Ashley Yates, que foi detida num protesto em Ferguson na semana passada."

EUA - Em Ferguson, repete-se a violência policial e o racismo

 
 
Ferguson, Missouri, EUA: Uma justa revolta contra os assassinatos policiais e a lei marcial
18 de Agosto de 2014. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.
Um jovem negro de 18 anos chamado Michael Brown foi abatido a tiro a sangue frio por um agente da polícia branco, quando a 9 de Agosto ele e um amigo passeavam rua abaixo em Ferguson, um subúrbio da classe operária de Saint Louis, a maior cidade do estado norte-americano do Missouri. Ferguson tem uma população que é cerca de dois terços negra, com uma força policial que é quase totalmente branca.
Os assassinatos de jovens negros e de jovens de outras minorias pela polícia são uma ocorrência comum nos EUA. E as pessoas já estavam fartas. Em Ferguson, elas levantaram-se e defenderam a sua posição, revoltando-se justamente contra a morte de Brown, a cruel repressão policial militarizada e a recusa das autoridades a inculparem o agente policial. A desafiadora resposta das pessoas a esta brutal execução à vista de todos tem atraído a atenção dos noticiários nos EUA e no mundo. As redes sociais explodiram com exaltados comentários e debates. Durante os protestos nocturnos, uma mulher levava um cartaz que dizia: “Fazendo história”.
Um relato enviado por um correspondente do jornal Revolution descrevia o local a 14 de Agosto:
“Ferguson está sob cerco. Embora eles não o digam, é a lei marcial, abertamente. A cidade tem estado cortada do resto das zonas vizinhas. Os veículos policiais montaram bloqueios em muitos dos cruzamentos usando veículos militares de transporte de pessoal e a polícia antimotim. O governo norte-americano forneceu equipamento militar à polícia local e ela está a usá-lo contra as pessoas para as tentar intimidar.”
“Há uma zona de interdição de voo sobre a cidade e estão a usar drones [aviões não tripulados – NT] para permitirem que as autoridades se foquem nos manifestantes. Helicópteros da polícia têm pairado sobre os protestos, despejando luzes intensas sobre toda a zona dos protestos. Há uma sensação de zona de guerra e de utilização de tácticas de guerra, que estão a ser usadas contra as pessoas desta cidade. Mas as pessoas não recuaram...”
A morte de Brown acontece dois anos e meio depois do assassinato na Flórida, amplamente coberto pela comunicação social, de outro jovem negro, Trayvon Martin, por um vigilante de bairro que foi declarado inocente pelo sistema judicial norte-americano apesar de meses de indignados protestos a nível nacional. Ao mesmo tempo que decorria a rebelião em Ferguson, no centro-sul de Los Angeles as pessoas gritavam as mesmas palavras de ordem: “Mãos para cima, não disparem”, manifestando-se para exigirem justiça pelo assassinato de Ezell Ford, um negro de 25 anos com uma doença mental abatido a tiro no início de Agosto pelo notoriamente racista Departamento de Polícia de Los Angeles. Nove dias antes, essa mesma polícia tinha espancado até à morte Omar Abrego, de 37 anos. Um negro de meia-idade, Eric Garner, foi recentemente estrangulado até à morte pela polícia da cidade de Nova Iorque quando estava a ser preso por vender cigarros. Tudo isto são apenas algumas das muitas vítimas da brutalidade policial nos EUA.
A situação em Ferguson está a mudar rapidamente à medida que os diferentes contingentes da classe dominante tentam compreender como lidar e controlar esta afronta em massa – usando mentiras vergonhosas para caluniarem Brown e enviando representantes negros de outras agências policiais, porta-vozes negros das igrejas e “políticos liberais” negros (indo até ao topo até Obama) para dissuadirem as pessoas a parar a sua luta, enquanto eles intensificam a repressão. No momento em que fechamos esta edição, a Guarda Nacional tinha sido chamada a 18 de Agosto, mas os manifestantes continuavam sem se deixar intimidar nessa noite, vários deles tendo sido presos. Mais informações disponíveis em revcom.us.
O texto que se segue é um editorial datado de 17 de Agosto do Revolution, jornal do Partido Comunista Revolucionário, EUA.

Uma semana de luta por justiça para Michael Brown e tudo mudou – e nada mudou.

Tudo mudou: as pessoas ergueram-se e lutaram e recusaram-se a desistir apesar das balas e dos tanques, dos ralhetes e das falsas condolências e de tudo o resto. Lutando e simplesmente exigindo justiça para Michael Brown e que esses porcos (bófias) deixem de assassinar jovens negros. Exigindo simplesmente que seja reconhecida a humanidade de milhões de jovens. E quando o fizeram – quando foram direitos aos cães e ao gás e às balas –, obtiveram a simpatia vinda do mundo inteiro, inspiraram outros a se erguerem, colocaram este assunto abertamente na agenda e mudaram os termos em que toda a gente pensou e falou sobre isto. As pessoas ergueram-se e mostraram que as pessoas que controlam isto não são todo-poderosas e que a força que elas usam contra o povo não é legítima. Isto é um verdadeiro progresso e deve-se apenas a uma luta determinada.
Ao mesmo tempo, nada mudou. Não há justiça nenhuma – qualquer que seja. O bófia que assassinou Michael Brown continua a sair à rua sem ter sido inculpado. De facto, nós nem sequer sabemos o número de balas que ele disparou sobre o Michael! Nós nem sequer sabemos porque é que estes bófias deixaram o Michael deitado na rua como um cão durante QUATRO HORAS depois de ele ter sido baleado e quem é que tomou essa decisão cruel, horrível. E aquele maldito chefe dos porcos que divulgaram o vídeo com o objectivo de assassinar o carácter de Michael continuar a ter o seu emprego. Não há sequer um esboço de consequências para nenhuns destes porcos. MALDITA seja esta merda!
Este não é o momento para parar a luta, nem para tentar transformá-la nalguma forma falsa de sentido de voto nem em nenhuma exigência de alguns políticos mentirosos. Este é o momento para redobrar a luta, fazê-la ascender a um nível mais ELEVADO. Estas justas reivindicações – inculparem e encarcerarem esse porco, despedirem o chefe dos porcos, fazerem rapidamente um esclarecimento completo – têm de ser imediatamente satisfeitas, não na semana que vem nem no ano que vem.
Não nos digam que “é preciso algum tempo para inculpar alguém” – não demora tempo nenhum a inculpar e acusar um jovem negro ou latino-americano que eles pensem que possa ter feito alguma coisa. Que diabo, não demora tempo nenhum a matá-los, quando eles não vão rapidamente para o passeio ou não param de vender cigarros ou quando apenas olham para o lado errado.
Não precisamos de promessas sobre como o Departamento de Justiça vai tratar disto – o Departamento de Justiça é o Departamento de IN-justiça. A única coisa que ele faz é proteger este maldito sistema.
Sejamos verdadeiramente claros: se as pessoas tivessem dado ouvidos aos que a meio da semana diziam “confiem em Ron Johnson” [o chefe negro da polícia estatal enviado para “acalmar” a situação] (...), se as pessoas tivessem dado ouvidos aos que diziam “Ok, indignem-se, mas não se indignem muito” (...), se as pessoas tivessem saído das ruas quando os porcos lhes disseram, (...) então nada do progresso que FOI conseguido teria sido conseguido. Esta luta tem de continuar e tem de ir mais alto, de ser mais vasta e de envolver mais pessoas.
E enquanto continuamos a lutar, perguntemo-nos o seguinte: PORQUE É QUE isto continua a acontecer? PORQUE É QUE, ao fim de tantos anos de votos, de se tentar ter estudos, de “se fazer todas as coisas certas” e tudo isso, (...) PORQUÊ? Porque é um sistema – e neste momento este sistema não tem mais nenhuma utilidade para milhões de jovens negros e latino-americanos e está a detê-los, a encarcerá-los e a exterminá-los. Eles estão a diabolizar e a perseguir estes jovens para justificarem tudo isto. Precisamos de uma revolução para acabar com isto – uma revolução que desmantele todo o poder de estado deles e que crie um novo poder que realmente sirva o povo para o emancipar e que contribuía para a emancipação do mundo inteiro.
Não precisamos de pessoas que digam às pessoas que votem, que confiem no Departamento de Justiça, e toda essa confusão. Não precisamos de pessoas que digam que são militantes e depois ajam como se fossem adjuntos ou auxiliares da polícia. Precisamos de unidade, de exigir justiça – JÁ!
Acusem e encarcerem o polícia assassino! Despeçam o chefe da polícia! Esclarecimento total do que aconteceu: imediatamente!
Combater o poder e transformar as pessoas, pela revolução!

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