CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

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ACTO PÚBLICO DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA

ACTO PÚBLICO DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA
31 DE JANEIRO, 18h30 - LISBOA
FRENTE À EMBAIXADA DE ISRAEL



A agressão israelita ao povo palestino agrava-se diariamente.
Ao arrepio das resoluções da ONU e do direito internacional:
- prossegue a ocupação por Israel dos territórios palestinos, que dura desde 1967
- intensifica-se a construção de colonatos de Israel nos territórios ocupados palestinos, em que já vivem mais de 600.000 colonos
- está em risco a sobrevivência dos dois milhões de palestinos em Gaza, cercada há mais de 10 anos por Israel
- acelera-se o plano do governo israelita de extrema-direita para a anexação dos territórios palestinos ilegalmente ocupados.
- acentua-se a natureza segregacionista e xenófoba do Estado de Israel.
- agravam-se as ingerências e a política agressiva de Israel no Médio Oriente
A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de cortar o financiamento à agência de apoio aos refugiados, UNRWA, testemunha a cumplicidade dos EUA com a política criminosa de Israel e cria graves tensões na região.
A jovem Ahed Tamimi é apenas um exemplo recente do crescente número de palestinos presos, feridos e mortos por se erguerem contra a opressão e lutarem pela liberdade do seu povo.
Apoiemos a luta do povo palestino pelo seu Estado soberano, independente e viável nas fronteiras anteriores a Junho de 1967, com capital em Jerusalém oriental, pelo direito de regresso dos refugiados palestinos.
Não à ocupação e colonização israelitas dos territórios palestinos!
Não ao reconhecimento pelos EUA de Jerusalém como capital de Israel!
Liberdade para os presos palestinos nas cadeias de Israel!
Por uma Palestina independente, com capital em Jerusalém Oriental!

CGTP — CPPC — MDM — MPPM

Em luta histórica, prisioneiros palestinos convocam apoio mundial

[Moara Crivelente] 
Quase um milhão de palestinos e palestinas passaram pelas prisões de Israel desde o estabelecimento do Estado, em 1948, estimam associações palestinas. Mas esta história remonta ainda à colonização britânica da região, com casos como o de Hassan Al-Labadi, por mais de 40 anos enterrado no cárcere. A greve de fome anunciada há uma semana por prisioneiros palestinos manifesta a resistência persistente e o fortalecimento da causa nacional por libertação.
Hassan Al-Labadi foi um xeique que ficou suspenso nas memórias da Nakba, a catástrofe palestina feita de massacres, destruição e exílio em que se consolidou a fundação do Estado de Israel. Intelectual e Imã da mesquita de Abu Dis, em Jerusalém, o xeique foi preso em 1939, conta o historiador Nazmi al-Jubeh, durante a revolta palestina de 1936-1939 contra a colonização britânica e sua aliança com o projeto sionista. Naquele dia, os palestinos protegiam a mesquita Al-Aqsa de uma invasão, quando o xeique teria matado um oficial britânico. 

Conta Al-Jubeh que a família perdeu contato com o xeique quando se viu separada da prisão em que ele estava encarcerado pela nova fronteira do Armistício, vivendo no que passou a ser chamado “Cisjordânia”, território controlado pela Jordânia até a ocupação israelense em 1967. Não foi até o início dos anos 1980 que a família o voltaria a reencontrar sem, porém, vir a entender o destino de Hassan. Ele tinha a própria memória congelada no tempo da catástrofe, embora, então idoso, já cumprisse quatro décadas aprisionado. E esta história não tem desfecho.

O contínuo encarceramento é parte da tática que Laleh Khalili identifica como uma forma de controle populacional por potências imperiais e coloniais através da detenção e da contrainsurgência. Em seu livro “Tempo nas Sombras, Confinamento em Contrainsurgências” (Time in the Shadows, Confinement in Counterinsurgencies, 2013, ainda sem tradução para o português), Khalili aborda o contributo de um consultor do Mandato Britânico na Palestina na elaboração de um sistema de colaboração com os sionistas através de patrulhas conjuntas durante a revolta palestina (1936-1939), o que incluía o ataque a vilas palestinas como punição (coletiva) pela ou ameaça e alerta contra a participação na revolta.

A centralidade da luta dos prisioneiros

Em declaração conjunta emitida recentemente, o Comitê Palestino de Assuntos dos Prisioneiros, a Sociedade dos Prisioneiros Palestinos (PPS, na sigla em inglês) e o Birô Central Palestino de Estatística (PCBS) estimam que desde o estabelecimento do Estado de Israel, quase um milhão de palestinos já passaram por suas cárceres.

De acordo com a Associação de Apoio aos Prisioneiros e Direitos Humanos Addameer, atualmente há cerca de 6.300 palestinos e palestinas – 300 deles, crianças – encarcerados em mais de 20 prisões e centros de detenção e de interrogatório esparramados por todo o território ocupado ou em Israel – reitere-se, este tipo de transferência populacional, mesmo que de detidos, do território ocupado para o território da potência ocupante, é uma violação do Direito Internacional Humanitário.

A percepção da liderança israelense é de uma "ameaça" no anúncio de greve de fome generalizada, no último Dia do Prisioneiro, 17 de abril, com a participação de quase dois mil presos e presas, que alertam contra a alimentação forçada já praticada antes e possivelmente iminente. De qualquer forma, o Serviço Prisional Israelense já anunciou um “estado de emergência” nas prisões. 

O principal “risco” é o fortalecimento de uma unidade nacional em torno da resistência e do brado de que a situação é insustentável. A greve de fome, como a revolta, não tem data para acabar. Tem demandas fundamentais de dignidade e direitos humanos, mas traz consigo o potencial da insurgência generalizada contra o estado das coisas. 

Marwan Barghouti, o líder e parlamentar do Fatah preso há 15 anos que publicou um artigo sobre a greve no diário estadunidense The New York Times, foi punido com a solitária e o diário, repreendido, pelo que se retratou rapidamente com uma nota no rodapé do seu texto “esclarecendo” que Barghouti é acusado de assassinato e por isso está preso. Nenhum “esclarecimento” do gênero se encontra em notas nos rodapés de textos de criminosos de guerra também publicados ali, nem do contexto da resistência palestina, denunciam diversos autores. 

Apesar da intensificada repressão nas ruas e nas prisões – com diversos prisioneiros sendo confinados em solitárias como punição por sua posição desafiante – a mobilização se sustenta, internacionalizada na solidariedade ou no alerta midiático para uma “possível escalada das tensões”. 

O protesto tem força nacional. Por isso a saudação da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), “a cada prisioneiro, heróis e heroínas das batalhas da vontade e da resiliência, … aos prisioneiros enfermos, detidos administrativamente e líderes aprisionados, liderados pelo secretário-geral encarcerado, camarada Ahmad Sa'adat, Marwan Barghouti, Hassan Salameh, Wajdi Jawdat, Anas Jaradat, Bassam Kandaji e a longa fila de líderes que representam a luta nacional e a causa dos prisioneiros.”

A ação convoca também ao aumento do respaldo internacional. O apelo é para que “os apoiantes da justiça em todo o mundo ajam em apoio aos prisioneiros palestinos cujos corpos e vidas estão em risco pela liberdade e a dignidade,” segundo Addameer. O potencial de unidade nacional – esperança que a liderança israelense se esforça por minar – é o maior temor de um regime de ocupação militar, colonialismo e massacres que não pode mais se sustentar.
(in Diário da Liberdade)

17 de Abril - DIA DO PRISIONEIRO PALESTINO


Nota da Amnestia Internacional de denuncia da situação desumana dos presos palestinos 


Amnistia Internacional: Israel deve acabar com políticas 'ilegais e cruéis' em relação aos prisioneiros palestinianos

A política de Israel de deter palestinos da Cisjordânia ocupada e de Gaza, nas prisões dentro de Israel e privá-los de visitas familiares regulares não é apenas cruel, mas também uma flagrante violação do direito internacional, afirmou a Amnistia Internacional, à frente da prisão de um preso em massa Greve de fome que começa na próxima semana, para marcar o dia do prisioneiro palestino em 17 de abril.

Testemunhos recolhidos pela organização de familiares e prisioneiros palestinos presos no sistema prisional israelita esclareceram o sofrimento sofrido por famílias que em alguns casos foram privadas de ver seus parentes detidos por muitos anos."A implacável política de Israel de prender prisioneiros palestinos presos nos territórios palestinos ocupados em prisões dentro de Israel é uma violação flagrante da Quarta Convenção de Genebra. É ilegal e cruel e as conseqüências para a pessoa presa e seus entes queridos, que muitas vezes são privados de vê-los por meses, e às vezes por anos no final, pode ser devastador ", disse Magdalena Mughrabi, vice-diretora regional para o meio África do Norte e do Leste na Amnistia Internacional."Em vez de transferir ilegalmente prisioneiros fora dos territórios ocupados, Israel deve garantir que todos os palestinos presos sejam mantidos em prisões e centros de detenção nos Territórios Palestinianos Ocupados. Até então, as autoridades israelitas devem parar de impor restrições excessivas aos direitos de visita como um meio de punir os prisioneiros e suas famílias e assegurar que as condições atendam plenamente às normas internacionais ".
De acordo com a PNN, os prisioneiros palestinos que se preparam para iniciar a greve de fome em grande escala da próxima semana estão fazendo uma série de exigências, inclusive pedindo o fim das restrições de Israel às visitas e ao contacto com os membros da família. Os prisioneiros palestinos detidos por motivos de segurança não podem fazer chamadas telefónicas para suas famílias. A greve de fome foi anunciada pelo líder Fatah preso Marwan Barghouthi. Vários outros partidos políticos e prisioneiros anunciaram que vão participar da greve.De acordo com o Direito Internacional Humanitário, os detidos dos territórios ocupados devem ser detidos no território ocupado e não no território da potência ocupante. Eles também devem ser autorizados a receber visitantes, especialmente parentes próximos, em intervalos regulares e tão freqüentemente quanto possível.De acordo com a Sociedade Palestina de Prisioneiros, actualmente existem 6.500 prisioneiros palestinos, incluindo pelo menos 300 crianças, detidos em terrenos relacionados à segurança em prisões e instalações de detenção administradas por Israel. Todas menos uma das 17 instalações estão localizadas dentro de Israel.
A grande maioria dos prisioneiros são homens, sendo 57 mulheres, incluindo 13 meninas menores de 18 anos. Treze dos presos são membros do Conselho Legislativo Palestiniano. Pelo menos 500 pessoas são mantidas sem acusação ou julgamento em detenção administrativa, uma prática que viola as salvaguardas exigidas pelo direito internacional para evitar a detenção arbitrária.O porta-voz da Comissão para os Assuntos dos Prisioneiros Palestinos, Hasan Abed Rabbo, disse que pelo menos 1.000 prisioneiros estão proibidos de receber visitas familiares por "motivos de segurança". Ele acrescentou que actualmente existem cerca de 15 a 20 prisioneiros mantidos em isolamento, que são banidos de qualquer contacto com outros prisioneiros e visitas familiares.
"Ahmed", um rapaz de 32 anos de Hebron actualmente mantido em prisão administrativa na prisão de Ketziot no deserto de Negev / Naqab, cujo nome foi alterado para proteger sua identidade, só teve uma visita familiar, apesar de estar preso há cinco anos e meio numa prisão israelita, dentro e fora entre 2005 e 2017.
Ele disse à Amnistia Internacional que  estava-se juntando à greve de fome em massa, na esperança de que ele contribuise para pressionar as autoridades para permitir que sua mãe de 70 anos, que foi repetidamente negado uma autorização, para visitá-lo. Disse que tinha sido preso sete vezes no total. A sua ordem de detenção administrativa deve ser renovada em 29 de Julho.
"Eu tive uma visita da família quando na cadeia. Em 2006, minha mãe e meu pai puderam me visitar porque meu pai estava doente. Tinha 75 anos, era a última vez que o iria ver. Ele morreu enquanto eu estava na prisão ",  disse." Ninguém me pode  visitar,  a minha mãe está em seus setenta e ela é negada uma autorização por razões de segurança ... Eu não sei quando vou ser liberado ou quanto tempo vou estar na prisão por, eu quero ser capaz de ver a minha família.
As autoridades israelitas estão usando as licenças para me punir ... Eu não sei quanto tempo [minha mãe] tem [à esquerda] e se eu vou poder vê-la se ou quando eu for liberado. "
Najat al-Agha, uma mulher de 67 anos de idade de Khan Younis na Faixa de Gaza, disse à Amnistia Internacional que seu filho, Dia al-Agha, 43, foi preso em Israel nos últimos 25 anos. Na idade de 19, foi condenado à prisão perpétua depois de ser condenado por acusações de homicídio.
Ele está  preso na prisão de Nafha, em Mitzpe Ramon, no sul. "Eu não sei por que eu fui rejeitado. Tenho 67 anos.Que ameaça à segurança eu sou para Israel? Tudo que eu quero é vê-lo e ter certeza que ele está bem. Não sei quanto tempo vou viver, qualquer visita pode ser minha última. Tenho medo de morrer sem vê-lo ", disse sua mãe.
"Toda vez que eu me inscrevo para uma permissão que eu sou rejeitado. É quase um ano que eu não vi meu filho, é devastador. Eles estão nos punindo, estão tentando nos quebrar. "
De acordo com os regulamentos do Serviço Penitenciário de Israel, todos os prisioneiros têm direito a visitas familiares uma vez a cada duas semanas. No entanto, na realidade, porque os palestinos dos Territórios Palestinianos Ocupados devem solicitar permissões para entrar em Israel, eles podem visitar com muito menos freqüência.
Os regulamentos do Serviço Penitenciário de Israel também permitem às autoridades rescindir o direito de um prisioneiro a visitas familiares por motivos de segurança.
Os prisioneiros de Gaza continuam a ser mais afectados pelas restrições israelitas, uma vez que os militares  concedem permissão para famílias da Faixa apenas uma vez a cada dois meses.
Esta política afecta cerca de 365 prisioneiros de Gaza actualmente detidos em Israel. Além disso, os prisioneiros do Hamas, juntamente com outros prisioneiros que vivem nas mesmas alas da prisão, só são permitidos uma visita mensal, independentemente de onde eles vêm.
Desde 1969, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) tem sido responsável pela mediação e facilitação de todos os aspectos relacionados às visitas familiares, para prisioneiros da Cisjordânia e Gaza, sem nenhuma assistência logística ou financeira por parte de Israel. Cisjordânia e os residentes de Gaza aplicam-se através do CICV para receber permissões e confiar neles para providenciar o transporte para as prisões de acordo com o Serviço de Prisão Israelita . Em julho de 2016, o CICV reduziu o número de visitas coordenadas para famílias de prisioneiros da Cisjordânia de dois para um por mês. Um representante do CICV disse à Amnistia Internacional que a decisão foi tomada para melhor gerenciar os recursos do CICV, devido à baixa participação das famílias nas visitas.
A redução não afeta mulheres, crianças e prisioneiros hospitalizados e, desde então, o CICV introduziu três visitas anuais adicionais para todos os prisioneiros, durante os feriados principais.
"Reham" (não seu verdadeiro nome), uma palestina de 27 anos de Ramallah, cujo irmão foi preso em Israel há 15 anos, tinha 12 anos quando foi preso. Ele está cumprindo uma pena de 30 anos de prisão e actualmente é mantido em Hadarim.
Disse que a incerteza de esperar o resultado de uma aplicação para uma licença dos visitantes colocou a tensão considerável em sua família.
Desde Outubro de 2016, Reham foi negada permissões regulares por motivos de segurança, ela agora tem que renovar sua autorização após cada visita. Sua mãe doente só podia visitar seu irmão duas vezes em quatro anos antes de falecer. Não lhe foi permitido assistir ao funeral.
De acordo com a Associação Addameer, para a maioria dos residentes da Cisjordânia visitando parentes detidos a viagem para a prisão leva entre oito a 15 horas, dependendo da prisão e local de residência. Os parentes de prisioneiros são submetidos a longas buscas corporais e, às vezes, a buscas em tiras.
"As autoridades israelitas brincam com nossas emoções, elas nos torturam e nos punem. Eles tentam nos quebrar para nos cansar, de modo que gostaríamos de visitar nossos parentes menos por causa de toda a humilhação, buscas, abusos e insultos por soldados ou guardas da prisão ", disse Reham.
Além de exigir a suspensão das restrições às visitas familiares, os presos em greve de fome estão fazendo uma série de demandas, inclusive pedindo uma melhoria do acesso à assistência médica; Solicita um aumento da duração da visita de 45 a 90 minutos; Chamadas de mulheres presas para visitas familiares sem barreiras de vidro para permitir que as mães mantenham seus filhos; Uma melhoria das condições de detenção, incluindo a flexibilização das restrições à entrada de livros, vestuário, alimentos e outros presentes dos membros da família; Restaurar algumas instalações educacionais; E instalar telefones para permitir que os prisioneiros se comuniquem com suas famílias.

António Guterres rejeita relatórios que critiquem Israel


Publicamos aqui a carta de demissão de Rima Khalaf, secretária executiva da ESCWA (Comissão Económica e Social para a Ásia ocidental), em resposta ao pedido formal de António Guterres, secretário-geral da ONU, para que a ESCWA retirasse a publicação de um relatório que acusa Israel de ser um Estado de apartheid.




Caro Senhor Secretário Geral,

Considerei com atenção a sua mensagem transmitida pelo Chefe de gabinete e asseguro-lhe que em nenhum momento pus em questão o seu direito de retirar a publicação do relatório do nosso site internet ou o facto de que todos nós que trabalhamos para o secretariado estejamos submetidos à autoridade do secretário-geral. Assim como não tenho nenhuma dúvida com respeito ao seu empenho perante os direitos humanos em geral, e a sua posição firme relativa aos direitos do povo palestiniano. Também compreendo as suas preocupações, em particular nestes tempos difíceis que lhe deixam pouca escolha.

Não sou insensível aos ataques viciosos e às ameaças que pesam sobre as Nações Unidas e sobre si pessoalmente por parte de importantes Estados-membros como resposta à publicação do relatório da ESCWA intitulado "As práticas de Israel para com os palestinianos e a questão do apartheid". Não me parece surpreendente que tais Estados-membros, actualmente com governos que se preocupam pouco com as normas e os valores internacionais relativos aos direitos humanos, recorram à intimidação quando lhes parece difícil defender as suas políticas e práticas ilícitas. É normal que os criminosos pressionem e ataquem aqueles que defendem as suas vítimas. Eu não posso submeter-me a uma tal pressão.

Não é em virtude do meu estatuto de oficial internacional, mas em virtude do meu estatuto de ser humano honesto, que acredito, como o senhor, nos valores e princípios universais que sempre foram as linhas de conduta do bem na história humana, e sobre os quais uma organização como a nossa, as Nações Unidas, é fundada. Como o senhor, considero que a discriminação contra qualquer pessoa por motivos da sua religião, da cor da sua pele, do seu sexo ou da sua origem étnica é inaceitável, e que tais discriminações não podem tornar-se aceitáveis por via dos cálculos do oportunismo ou do poder político. Considero ainda que os povos não só deveriam ter o direito de dizer a verdade ao poder, mas que eles têm o dever de o fazer.

No espaço de dois meses, o senhor pediu-me que retirasse dois relatórios produzidos pela ESCWA, não por causa de erros que tivessem sido cometidos nesses relatórios, e provavelmente não porque o senhor estivesse em desacordo com o seu conteúdo, mais por causa da pressão política exercida pelos Estados-membros que violam gravemente o direito dos povos da região.

O senhor viu que os povos dessa região vivem um período de sofrimento nunca visto na história moderna, e que o número considerável de catástrofes hoje resulta do fluxo de injustiças que foram ignoradas, escondidas ou abertamente aprovadas por governos poderosos dentro e fora da região. Esses mesmos governos são os que estão a pressioná-lo para fazer calar a voz da verdade e o apelo à justiça apresentados nesses relatórios.

Considerando o que precede, eu não posso senão manter as conclusões do relatório da ESCAW, segundo as quais o Estado de Israel estabeleceu um regime de apartheid que procura o domínio de um grupo racial sobre outro. As provas trazidas neste relatório redigido por peritos de renome são numerosas. Todos os que atacaram esse relatório não disseram uma palavra sobre o seu conteúdo. Considero como um dever meu, em vez de eliminar as provas, divulgar o facto legalmente e moralmente indefensável de que no século XXI ainda existe um Estado de apartheid. Ao dizer isto, não estou a afirmar nenhuma superioridade moral ou visão superior. A minha posição é influenciada por uma vida de experiências onde vi as consequências desastrosas para a paz quando se bloqueia as queixas dos povos da nossa região.

Percebo que tenho pouca escolha. Não posso agora retirar mais outro dossier das Nações Unidas bem documentado e resultado de investigações aprofundadas sobre graves violações dos direitos humanos, embora saiba que instruções claras do secretário-geral devam ser aplicadas rapidamente. É um dilema que só posso resolver pela minha demissão para permitir que outra pessoa faça aquilo que eu não posso fazer em boa consciência. Sei que já só tenho duas semanas no meu posto; a minha demissão não se destina portanto a exercer qualquer pressão política. É simplesmente porque penso que é meu dever para com os povos que servimos, para com as Nações Unidas e para comigo mesma, não retirar um testemunho honesto sobre um crime em curso que está na origem de tanto sofrimento humano. Por consequência, venho entregar-lhe a minha demissão das Nações Unidas.

Respeitosamente,

Rima Khalaf

A explosão escondida no relatório do Apartheid da ONU


A explosão escondida no relatório do Apartheid da ONU
 em 
A UN-encomendado relatório sobre o Apartheid israelita que foi arquivado na semana passada (dois dias depois que apareceu), é, sem dúvida explosivo. A própria idéia de que Israel é culpado do crime de Apartheid, um dos dois crimes mais graves contra a humanidade (em segundo lugar apenas para o genocídio), é, em si, um que deve dar a todos uma pausa.
Mas há outra explosão no relatório.
Israel e seus patronos tentaram desesperadamente arquivar uma discussão sobre o sionismo como uma ideologia racista. O relatório do Apartheid traz de volta à frente.
O relatório torna inválido todas essas "advertências" apologéticas do Apartheid que fizeram parte da retórica dominante da liderança israelita e americana há anos (por exemplo, John Kerry, 2014 ). A implicação do relatório é que o Apartheid não é algo que está prestes a chegar ou que acaba de chegar; É algo que esteve lá desde o  nascimento do Estado - no "caráter essencialmente racista do Estado".
O relatório é obrigado a abrir um debate sobre a fundação do Estado de Israel, bem como a ideologia que tem informado ao longo de todo o sionismo. A discussão é obrigada a reverter para outro documento arquivado - a Resolução 3379 (1975) das Nações Unidas, que equipara o sionismo ao racismo .
O relatório afirma que o Apartheid existe  não só na Cisjordânia agora, mas implica que ele existe em outros lugares, e tem desde o início. Na verdade, as noções de "separação dos palestinos" da esquerda israelita - seja intitulado " Plano de paz" (como no plano de 10 e 10 anos de Isaac Herzog ) ou transmitida por campanhas de susto um pouco mais racistas para a " separação " Liberal ", sem dúvida, cai diretamente na linguagem exata do Apartheid. Para o apartheid, o afrikaans é a " separação ", como a segregação racial e a discriminação racial institucionalizada.
A ocupação de 1967 e a "ameaça demográfica" de todos os palestinos naquele território ocupado não colocam a iminência do Apartheid - não, ela já existe . O que a ocupação não ameaçam a fazer, é colocar em risco PR de Israel: Vai se torna mais difícil para Israel para encobrir  o Apartheid como uma mera exigência 'temporária', se a ocupação não é 'temporária'.
Velar o apartheid israelita como "democracia" foi um dos primeiros atos de Israel, como observado no relatório, no capítulo intitulado "Engenharia demográfica" (p.31):
"A primeira política geral de Israel tem sido uma de engenharia demográfica, a fim de estabelecer e manter uma esmagadora maioria judaica em Israel. Como em qualquer democracia racial, tal maioria permite que as armadilhas da democracia - eleições democráticas, uma legislatura forte - sem ameaçar qualquer perda de hegemonia pelo grupo racial dominante. No discurso israelita, esta missão é expressa em termos da chamada "ameaça demográfica", uma referência abertamente racista ao crescimento populacional palestino ou ao retorno dos refugiados palestinos ". 
E que ideologia informou e racionalizou essas práticas? Sionismo.
O relatório não trata o sionismo como seu principal assunto - sim Israel. Mas toma cuidado para observar o sionismo como a ideologia central que informa o " nacionalismo judaico " em sua discussão de "Israel como um Estado racial". Essa parte, "Israel Jewish-National instituições", merece extensa citação:"Israel projetou sua governança interna de tal maneira que assegure que o Estado defenda e promova o nacionalismo judaico. O termo "povo judeu" no pensamento sionista político é usado para reivindicar o direito à autodeterminação. A busca de um grupo étnico ou racial para seu próprio Estado equivale a um projeto nacional e, portanto, as instituições israelitas destinadas a preservar Israel como um Estado judeu são referidas neste relatório como instituições "judeu-nacionais".
Em Israel, um jogo de leis consolida a supremacia judaica-nacional. Por exemplo, no que respeita à questão central do uso da terra, a Lei Básica: Terras de Israel prevê que os bens imóveis detidos pelo Estado de Israel, pela Autoridade de Desenvolvimento ou pelo Keren Kayemet Le-Israel Isto é, judeu-nacional) interesses e não pode ser transferido para quaisquer outras mãos. Além disso, estabelece a Autoridade de Terras de Israel (ILA) como administrador dessas terras. A ILA (como sucessora da Administração de Terras de Israel) é encarregada de administrar terras de acordo com o Pacto do JNF, que exige que as terras do JNF sejam mantidas em perpetuidade para benefício exclusivo do povo judeu. A ILA também opera de acordo com a Lei do Estado da Agência Judaica Organização-Sionista Mundial (1952), que estabelece a responsabilidade dessas organizações conjuntas para servir a colonização e desenvolvimento judaicos. Assim, as terras do Estado, que representam 93% das terras dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas, são administradas por meio de leis que proíbem seu uso por não-judeus ". [...]
"A Agência Judaica ea Organização Sionista Mundial (doravante JA-WZO) merecem atenção especial pelo seu papel no estabelecimento do caráter racial do regime israelita. De acordo com a lei israelita, eles continuam a ser as "agências autorizadas" do Estado em relação aos assuntos judaicos-nacionais em Israel e no território palestino ocupado. [...]
Uma tarefa fundamental da JA-WZO é trabalhar ativamente para construir e manter Israel como um Estado judeu, particularmente através da política de imigração: 
... 5. A missão de reunir-se nos exilados [judeus], ​​que é a tarefa central do Estado de Israel e do Movimento Sionista em nossos dias, requer esforços constantes do povo judeu na Diáspora; O Estado de Israel espera, portanto, a cooperação de todos os judeus, como indivíduos e grupos, na edificação do Estado e na ajuda à imigração das massas do povo [judeu], e considera a unidade de todas as seções do judaísmo como Necessário para este fim (ênfase acrescentada).
Tal linguagem explícita por parte das agências autorizadas do Estado sublinha de forma conclusiva o caráter essencialmente racista do Estado ".
Agora vamos fazer uma pausa e enfatizar, na última parte (missão JA-WZO), o que Falk e Tilley não enfatizam: 
“A missão de reunir todos os exilados [judeus], que é a tarefa central do Estado de Israel e do Movimento Sionista, em nossos dias , exige esforços constantes pelo povo judeu na diáspora” [ minha ênfase]. 
O movimento sionista não é uma noção arcaica que desapareceu para qualquer finalidade prática nos primeiros dias do estado. O sionismo está vivo e chutando. Há uma razão pela qual o bloco do centro esquerdo, liderado pelo sionista laborista Herzog, é chamado de "União Sionista". A "Organização Sionista Mundial" não mudou seu nome. Nem a "Organização Sionista da América" ​​Nós estamos neste aspecto não em qualquer era "pós-sionista". Estes não são apenas nomes.
É importante lembrar que, em outubro passado, um comitê parlamentar britânico recomendou que o Reino Unido proibisse a palavra " sionista " quando usado " em um contexto acusatório ". Portanto, se alguém é severamente crítico com o sionismo, sua crítica pode ser combinada com o anti-semitismo. Essa posição é mantida na definição de anti-semitismo recentemente adotada pelo Reino Unido . Esses esforços de censura são assustadoramente semelhantes ao recente arquivamento do relatório da ONU - uma tentativa de encerrar um debate crítico sobre as políticas e ações de Israel.
Resolução 3379 da ONU (1975), equiparando sionismo ao racismo
O lema típico das tentativas de sufocar a crítica das políticas e ações de Israel é o "anti-semitismo", como vimos. Esta foi também a alegação do embaixador de Israel em ONU Chaim Herzog, quando ele famosamente rasgou a resolução 3379 da ONU, considerando-a como " outra manifestação do ódio amargo anti-semita e anti-judaica que anima a sociedade árabe ".
A resolução, intitulada " Eliminação de todas as formas de discriminação racial ", concluiu inequivocamente que "o sionismo é uma forma de racismo e discriminação racial ".
De fato - Israel, sob o PM Itzhak Shamir, recebeu um prêmio para que pudesse se envolver no "processo de paz" em desenvolvimento, onde Shamir poderia praticar sua "política de colher de chá" : intermináveis ​​sessões de negociação em que incontáveis ​​colheres de chá equivalentes a montanhas de açúcar seriam Mexidos em oceanos de chá e café, mas nenhum acordo jamais seria alcançado. (Para Israel, com ou sem um "processo de paz", esta continua a ser política).
A resolução continua a chamar a condenação em nossos tempos, como quando o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, o chamou de " anti-semita " e " absurdo ", referindo-se ao sionismo como " a expressão de um movimento de libertação nacional ". Reforçou o argumento referindo-se a ataques nazistas contra judeus na Kristallnacht, 1938.
Uma frase de Kerry merece atenção especial:
"Os tempos podem mudar, mas uma coisa que sabemos: o apoio da América para o sonho de Israel ea segurança de Israel, isso nunca vai mudar".
Pare por aí. " O sonho de Israel ". Mesmo. Isso é o que EUA vai eternamente apoiar, inequivocamente. Os sonhos israelitas significam mais do que todos os pesadelos palestinos.
Voltando ao atual relatório sobre o apartheid israelita, este relatório repousa sobre o mesmo corpo geral de direito internacional que informou o mencionado ONU 3379. Como observado no relatório resumo executivo:
"A análise neste relatório repousa no mesmo corpo de leis e princípios internacionais de direitos humanos que rejeitam o anti-semitismo e outras ideologias racialmente discriminatórias, incluindo: a Carta das Nações Unidas (1945), a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) , E a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965). O relatório baseia-se na definição do apartheid, em primeiro lugar no artigo II da Convenção Internacional para a Repressão e Punição do Crime de Apartheid (1973, a seguir designada "Convenção do Apartheid").
O relatório da ONU não tem uma prerrogativa principal para investigar ou se relacionar com o sionismo como tal. Sua missão é, como afirmado, investigar "se Israel estabeleceu um regime de apartheid que oprime e domine o povo palestino como um todo". (Minha ênfase). É por isso que a anotação do sionismo é mais de passagem. Mas isso terá que abrir a discussão em outro fórum, onde a questão é mais especificamente, se o sionismo pode ser separado de Israel.
Alguns argumentam que o sionismo não pode sequer ser separado do judaísmo - como fez o chefe do Reino Unido, rabino Ephraim Mirvis, que escreveu no Guardian que "não se pode separar o sionismo do judaísmo do que separar a cidade de Londres da Grã-Bretanha". Mas precisamos separar o judaísmo do sionismo. Temos de separar a religião do estado, mesmo que Israel e os rabinos sionistas não o façam. O sionismo e o judaísmo não são um e o mesmo. Mas então a pergunta deve ser feita: o sionismo e o regime de apartheid de Israel são um e o mesmo? O relatório parece sugerir que os dois estão inextricavelmente conectados.

Soldados do estado sionista de Israel maltratam criança palestina de 8 anos



Activistas palestinos no domingo filmaram forças israelitas que arrastaram um garoto palestino de 8 anos pelo bairro de Al-Harika, em Hebron, no sul da Cisjordânia ocupada por mais de uma hora.
O vídeo, recebido e editado pelo grupo israelita de direitos humanos B'Tselem, mostra Sufian Abu Hitah, de 8 anos, chorando e descalço, sendo puxado pelo braço por um soldado israelita.
O menino foi cercado pelo menos entre 8-18 soldados israelitas ao ser levado ao redor do bairro, como as forças israelitas tentaram obter o menino para identificar outras crianças que os soldados suspeitos de lançar pedras e Molotov cocktails no vizinho ilegais liquidação israelita de Kiryat Arba mais cedo naquele dia.
Sufian foi levado por uma estrada de cascalho pelo bairro sem sapatos, e aparentemente não se importava com os pés do menino no caminho rochoso. O vídeo mostra então soldados levando o menino para cima em um telhado. No caminho para baixo do telhado, Sufian é mostrado em lágrimas como vizinhos palestinos e familiares aguardavam os soldados, tentando convencê-los a libertar Sufian.
Uma mulher finalmente pegou o braço do garoto de 8 anos, puxando-o para longe enquanto os palestinos cercavam o menino tentando protegê-lo da detenção contínua. As forças israelitas seguiram o rapaz e os adultos que o levaram de volta por vários minutos antes de recuar, renunciando à chance de fazer com que o garoto de 8 anos lhes desse informações sobre outras crianças.
Amit Gilutz, porta-voz de B'Tselem disse a Mondoweiss que o incidente foi uma exibição normal de táticas militares israelitas .
"Infelizmente, um tratamento terrível de menores não é incomum, mas parte da rotina da ocupação", disse Gilutz.
B'Tselem fez uma investigação sobre o incidente e divulgou um relatório detalhado na quinta-feira.
Durante a investigação, o grupo de direitos humanos falou com a mãe do menino, Amani Abu Hitah.
Amani disse que estava visitando seus pais no bairro de Al-Harika, em Hebron. A mãe enviou seu filho para pegar seu irmão mais novo da escola. Quando ele voltou, ele tirou os sapatos para entrar na casa e percebeu que deixou cair um brinquedo ao longo do caminho, relatou B'tSelem.
Amani sabia que os soldados israelitas estavam na área, então ela disse Sufian para não sair à procura do brinquedo, mas o 8-year-old snuck fora, e foi na caça para o seu brinquedo em falta.
Poucos minutos depois, Sufian foi apanhado por soldados israelitas e garotos locais correram para contar a sua mãe.
"Vi mais de quinze soldados cercando Sufian. Dois deles estavam segurando-o pelos dois braços e arrastando-o para o portão de Kiryat Arba. Alguns vizinhos já haviam se reunido na rua e estavam tentando resgatar Sufian dos soldados ", disse Amani a B'Tselem.
"Fui até um dos soldados e pedi-lhe que me devolvesse o meu filho. Ele se recusou e disse: "Se você quer recuperá-lo, convença-o a nos dizer os nomes das crianças que estavam jogando pedras".
"Sufian estava tremendo de medo. Eu o vi falar com os soldados e dizer-lhes que ele não sabe nada, mas não ajudou ... Eu estava realmente assustado e preocupado com Sufian. Comecei a chorar e corri atrás dos soldados enquanto eles se moviam de casa em casa, para tentar levá-los a deixá-lo ir ", disse ela.
Depois de uma hora de arrastar o menino ao redor do bairro, as mulheres da aldeia foram capazes de obter o 8-year-old longe das forças israelenses para a segurança.
Segundo o grupo de direitos dos prisioneiros Addameer, pelo menos 12.000 crianças palestinas foram presas e processadas em uma prisão militar israelita desde 2000.  
No mês passado Mondoweiss relatou sobre um menino de 14 anos, Ali Jawarish, que foi violentamente preso pelas forças israelitas do campo de refugiados de Aida.

O incidente também foi capturado na câmera. O vídeo mostrava as forças israelitas arrancando a camisa do rapaz e violentamente jogando-o na parte de trás de um jipe ​​militar.
O vídeo da prisão de Ali só mostra os primeiros momentos da prisão, porque os jovens que filmaram o incidente o filmaram em um aplicativo de mensageiro de mídia social que só permitia gravações de vídeo de 15 segundos de cada vez. Testemunhas na área durante a prisão no entanto, disse Mondoweiss que após a camisa de Ali foi roubado e ele foi jogado no jipe, as forças israelenses começaram a bater o adolescente .
Em um relatório, a Defesa das Crianças Internacional - Palestina (DCIP) condenou as ações israelenses em relação às crianças palestinas, observando que o sistema israelita é "notório pelos maus-tratos sistemáticos e tortura das crianças palestinas".
"A maioria dos detentos de crianças palestinas é acusada de atirar pedras e três em cada quatro experimentam violência física durante a detenção, transferência ou interrogatório", disse o relatório, acrescentando que "nenhuma criança israelita entra em contato com o sistema de tribunais militares".

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Apelo aos Fotógrafos



No mesmo momento em que decorre em todo o mundo a Semana contra o Apartheid Israelita 2017,

é lançada em Portugal uma campanha de fotógrafos defensores da BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções -

como forma de contribuir para o isolamento internacional de Israel e o fim da ocupação da Palestina.



Reproduzimos a seguir o apelo lançado hoje em Portugal. 
Caro/a fotógrafo/a,
Na Palestina, não fosse o trabalho dos fotógrafos, nunca conseguiríamos capturar a verdadeira imagem da ocupação e da violação dos direitos humanos.
Por isso mesmo, Israel pressiona cada vez mais os fotógrafos palestinianos e internacionais que tentam transmitir uma imagem mais próxima da realidade.
Aqui damos apenas alguns exemplos dos muitos abusos contra fotógrafos. A muitos deles foi negada a liberdade de movimento para poder realizar o seu trabalho. Outros foram humilhados, obrigados a tirarem a roupa para poderem passar as barreiras de segurança com vista a realizar o seu trabalho.
Em Abril de 2016, o fotógrafo Hazem Naser foi detido pelas forças israelitas. Em Setembro, o fotógrafo Nidal Shatayyah foi ferido perto de Jerusalém. Nesse mesmo mês, o fotógrafo Ashraf Amra, que já foi várias vezes ferido ao longo da sua carreira, foi impedido de sair de Gaza – que está sob o bloqueio – para receber um prémio numa competição internacional.
Em plena violação da lei internacional, foram assassinados vários fotógrafos palestinianos pelo exército israelita, entre os quais Rami Rayan e Muhamad Nur-alDin al-Diari, e outros internacionais como o italiano Simone Camille e o inglês Tom Hurndall.
Em solidariedade com os fotógrafos palestinianos e internacionais que arriscam a vida todos os dias para transmitir uma imagem verdadeira da situação na Palestina, em memória dos que morreram com uma câmara na mão, e respondendo ao apelo palestiniano para uma campanha internacional de boicote, desinvestimento e sanções (BDS), convidamo-lo/la a não ficar indiferente e a assinar este compromisso como forma de solidariedade com o povo palestiniano e de contributo para que todos os seres humanos tenham direito à igualdade, liberdade e justiça.

O compromisso resume-se nesta declaração:      
"Apoiamos a luta palestiniana pela liberdade, justiça e igualdade. Em resposta ao apelo de fotógrafos, jornalistas e trabalhadores culturais palestinianos para um boicote cultural a Israel, comprometemo-nos a não aceitar convites profissionais ou financiamentos do Estado israelita ou de qualquer instituição ligada ao seu governo, até que Israel cumpra com a lei internacional e  os princípios universais de direitos humanos."
Por favor, considere adicionar o seu nome a este compromisso. Os nomes dos apoiantes não serão publicados até ser atingida uma massa crítica e os apoiantes serem notificados.
Se quiser assinar, por favor utilize este formulário, onde o texto do compromisso está integral. Os organizadores da campanha estão disponíveis para responder a qualquer questão ou comentário através do email comitepalestina@bdsportugal.org

Cumprimentos,
Plataforma BDS-Portugal


O rosto repelente da verdade

Por José Goulão em "Abril"
O óbito da solução de dois Estados não foi declarado só agora. A resolução da ONU estabelecendo a partilha da Palestina foi logo sabotada pelo recém-nascido Estado de Israel, quando iniciou a limpeza étnica das populações árabes.
Donald Trump recebeu Benjamin Netanyahu na Casa Branca, a 15 de Fevereiro Créditos/ Agência Lusa


E a verdade chegou pelo rosto e pela voz que não encobrem as normas escabrosas regedoras do mundo, aplicadas por estruturas dominantes sem princípios nem valores, mesquinhas, desumanas, xenófobas, hipócritas. No seu discurso boçal, mas franco, Donald Trump disse que o rei ia nu, isto é, proclamou o que toda a gente sabia mas nenhum dos seus parceiros ousava admitir: não há lugar para a solução de dois Estados na Palestina. Ou seja, nega-se ao povo palestiniano o direito ao seu Estado. É uma cruel ignomínia; mas também é, por ora, a realidade dos factos.
Milhões de dedos escandalizados espetaram-se na figura odienta do novo presidente dos Estados Unidos da América, autor de uma blasfémia contra o direito internacional e, sobretudo, inquietador das boas consciências dos chefes da ONU, da União Europeia, de todos os «quartetos para a paz» feitos e desfeitos, de quantos se contentam em garantir a criação de dois Estados na Palestina enquanto o único existente, protegido a qualquer preço pelos poderes dominantes – vai engolindo palmo-a-palmo, traulitada-a-traulitada, todo o pedaço de terra onde deveria nascer o outro.

Avaliando, sem rodeios nem sob o efeito de melífluas declarações diplomáticas, a situação no Médio Oriente, apenas pode concluir-se que a solução de dois Estados na Palestina fracassou há muito. Terá morrido até à nascença, há 70 anos, quando as Nações Unidas, na vetusta e incumprida resolução 181, de 27 de Novembro de 1947, aprovaram o plano de partilha da Palestina, então sob mandato britânico.

Talvez seja este, afinal, o histórico, magno e escandaloso alcance da polémica proclamação de Trump. Apenas recordou e reafirmou as exigências impostas, em seu tempo, pelos Rockfellers, Rostchilds e quejandos, permanentemente lembradas ao complexo militar, industrial e tecnológico dos Estados Unidos pelos todo-poderosos lobbies judaicos.

O óbito da solução de dois Estados não foi declarado só agora. A resolução da ONU estabelecendo a partilha da Palestina foi logo sabotada pelo recém-nascido Estado de Israel, quando iniciou a limpeza étnica das populações árabes, a rapina dos seus bens, a destruição dos seus lares, vilas, aldeias e propriedades; prosseguiu com as deportações e anexações contínuas, as guerras de 1968, 1973, 1982, 1986, 1996...

A possibilidade de existência de um Estado Palestiniano ressurgiu vagamente com os acordos Rabin-Arafat de 1993, logo desmantelada pelo assassínio do então primeiro-ministro israelita e pela sequente sabotagem das negociações de paz por Peres, Sharon, Netanyahu, os beneficiários políticos da liquidação de Isaac Rabin por um criminoso saído das suas fileiras.

A arrastada coexistência de falsas negociações com a colonização israelita da Cisjordânia, sempre em crescendo, e o sangrento desmantelamento de Gaza, inviabiliza, de facto, a existência de um Estado independente que tenha condições para sobreviver. Resta o gueto dito «autónomo» de Ramallah, preso nas suas próprias malhas, submetido ao ocupante sionista, mergulhado nos vícios da pequena e baixa política, joguete de interesses de uma aliança espúria entre o Estado segregacionista de Israel, agora plenamente racista e fascizante, e as petroditaduras do Golfo, com a Arábia Saudita à cabeça.

A tudo isto o mundo assistiu nos últimos 25 anos, repetindo a ladainha dos dois Estados como um mantra – enquanto Israel prosseguia tranquilamente a colonização/ocupação, acusando os palestinianos de se recusarem a negociar por contestarem as ininterruptas invasões dos destacamentos de assalto colonizadores.

A opinião pública deixou-se embalar nesta espécie de determinismo dos dois Estados, crente de que um dia qualquer veria nascer um Estado Palestiniano, espécie de sucedâneo dos milagres criadores de Bósnias, Kosovos, Sudões do Sul, Somalilândias; até que Trump estilhaçou o limbo com a crueza da verdade repelente: não há – nem nunca houve – ideia de cumprir a promessa da existência de dois Estados na Palestina.

A União Europeia, a ONU, as famílias Bush e Clinton, o próprio Obama sobem então ao palco exibindo consciências virginais, clamando contra o maléfico atrevimento do novo presidente norte-americano. Contudo, eles sabem como ninguém do que fala Trump.

Com eles esfumou-se a possível criação de um Estado palestiniano, porque cobriram, toleraram e encorajaram sempre a estratégia dilatória e as práticas criminosas de Israel. E a Obama, que se ufana de ter permitido a primeira resolução do Conselho de Segurança contra a colonização, há que recordar que o fez com oito anos de atraso. O ex-presidente sabia perfeitamente que qualquer dos seus sucessores – fosse Hillary Clinton ou Trump – inverteria tal posição, assumida já em fase de transição de mandato .

A proclamação sionista de Donald Trump tem ainda um outro significado, que não pode ficar soterrado nos escombros dos inflamados, hipócritas e inócuos protestos da chamada «comunidade internacional». O seu tom e conteúdo provam que o actual presidente norte-americano não surge do exterior do establishment e à margem do complexo militar, industrial e tecnológico que domina o sistema de poder federal e imperial.

Trump é o homem escolhido para o actual momento de crise e contradições da desordem capitalista neoliberal. As proclamações trovejantes por ele proferidas, em sintonia com as vontades da teia financeira, económica e política dos lobbies judaicos, confirmam-no – caso houvesse dúvidas.

Trump é a verdadeira imagem da América e do capitalismo de hoje.

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