COMUNICADO 20/2017
O MPPM CONDENA O RECONHECIMENTO PELOS ESTADOS UNIDOS DE JERUSALÉM COMO CAPITAL DE ISRAEL
O presidente Donald Trump anunciou hoje, 6 de Dezembro, que os Estados Unidos da América reconhecem Jerusalém como capital de Israel e vão iniciar o processo de tranferência para esta cidade da sua embaixada.
Esta decisão unilateral constitui uma violação gravíssima do direito internacional, consignado nomeadamente em numerosas resoluções da ONU, incluindo a recente resolução 2334 do Conselho de Segurança, de Dezembro de 2016, que explicitamente menciona Jerusalém Oriental como «território palestino ocupado».
Esta decisão, que aliás constitui uma alteração substancial da posição oficial estado-unidense até agora vigente, coloca assim os Estados Unidos fora da legalidade internacional.
O estatuto de Jerusalém, que continua por resolver, está no centro da questão israelo-palestina. O plano de partição da Palestina de 1947 previa a constituição no seu território de um Estado judaico e de um Estado árabe-palestino, constituindo Jerusalém um «corpus separatum». Na sequência da guerra de 1948 Israel ocupou Jerusalém Ocidental, e em 1967, na chamada Guerra dos Seis Dias, ocupou também Jerusalém Oriental, tendo em 1980 declarado Jerusalém sua capital. O Conselho de Segurança da ONU condenou essa medida como uma violação do direito internacional, e a Resolução 478 do Conselho de Segurança, de Agosto de 1980, apelou aos Estados membros para que retirassem as suas missões diplomáticas de Jerusalém. Deste modo, todas as embaixadas estrangeiras em Israel se encontram em Tel Aviv, e até hoje nenhum país reconheceu a soberania israelita sobre Jerusalém Oriental. Em Jerusalém Oriental em particular – depois de operação idêntica levada a cabo em Jerusalém Ocidental depois da sua ocupação em 1948 – Israel prossegue, desde 1967, uma política sistemática de colonização, segregação e limpeza étnica da população palestina, visando, ao mesmo tempo, isolar a cidade do contexto da Margem Ocidental do rio Jordão.
A declaração do presidente estado-unidense reconhecendo Jerusalém como capital de Israel aceita a ilegal ocupação israelita de toda a cidade, nega os laços históricos, culturais, emocionais e nacionais dos palestinos com Jerusalém e liquida a legítima aspiração do povo palestino a fazer de Jerusalém Oriental a capital do seu futuro Estado. Qualquer eventual negociação entre israelitas e palestinos será fútil, já que ficará privada de parte essencial do seu conteúdo. A solução dos dois Estados está comprometida.
Esta medida unilateral e ilegal dos Estados Unidos faz parte de um quadro de rápida deterioração da situação em todo o Médio Oriente, com um crescendo de ameaças e de medidas que prenunciam uma nova escalada das guerras e conflitos que já tão duramente martirizaram aquela região, desta vez tendo como alvos o Irão e a soberania e integridade territorial do Líbano. Exemplos disso são as medidas do governo Trump pondo em xeque o acordo nuclear com o Irão; a anunciada constituição de uma «NATO do Médio Oriente»; os repetidos ataques militares de Israel contra território sírio e contra a Faixa de Gaza; o agravamento da agressão ao Iémen e da sua dramática situação humanitária; os cada vez mais graves ataques terroristas no Egipto; a notícia da evacuação da Síria de grupos armados do Daesh escoltados por forças armadas norte-americanas; a demissão, forçada pela Arábia Saudita, do primeiro-ministro libanês Saad Hariri. Deve sublinhar-se que esta escalada ocorre no momento em que os bandos terroristas que têm semeado o caos e a destruição na Síria caminham para a derrota e em que se abrem perspectivas positivas para uma solução política que defenda a soberania e integridade territorial daquele martirizado país.
Reconhecendo Jerusalém como capital de Israel, os Estados Unidos confirmam uma vez mais que, bem ao contrário do papel de «mediador» que cultivam, a orientação estratégica da sua política de aliança com Israel é de cumplicidade com a violência e ilegalidade da ocupação.
Neste momento, o MPPM exorta o Estado português a que — a exemplo do que fizeram numerosas entidades e países estrangeiros — condene, de forma inequívoca, o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos e reclame junto destes e nas instâncias internacionais o respeito da legalidade internacional. Mais apela ao Governo Português a que, em obediência aos princípios constitucioniais e no seguimento da recomendação aprovada na Assembleia da República, reconheça formalmente o Estado da Palestina com capital em Jerusalém Oriental.
O MPPM condena com veemência este novo exemplo de apadrinhamento pelos Estados Unidos do regime sionista de Israel, que oprime e reprime o povo palestino e constitui um perigo para a paz, e com um dos governos mais extremistas e reaccionários que Israel já conheceu.
O MPPM reafirma a sua solidariedade indefectível com o povo palestino e saúda a sua justa luta pelos seus inalienáveis direitos nacionais, pela edificação do Estado da Palestina livre, independente, soberano e viável nas fronteiras anteriores a 1967, com capital em Jerusalém Oriental, e uma solução justa para a situação dos refugiados palestinos nos termos do direito internacional e das resoluções pertinentes das Nações Unidas.
Lisboa, 6 de Dezembro de 2017
A Direcção Nacional do MPPM
Em anexo juntamos artigos vindos no Diário da Liberdade acerca dos recentes atentados em Paris, com os quais concordamos pelo que se divulga...

Vários ataques ao longo da tarde e noite parisiense figérom 128 vítimas mortais nesta sexta-feira e deixárom 80 pessoas à beira da morte.
Umha sucessom de tiroteios com armas automáticas e explosons de bombas em diferentes pontos da capital francesa provocárom um número de vítimas ainda indeterminado, que nom parou de crescer ao longo da tarde e da noite.
O maior número de vítimas terá acontecido na sala de festas Bataclan, onde umhas 100 pessoas retidas como reféns por dous membros de um comando fôrom executadas antes de os assassinos serem também mortos por disparos da polícia francesa. Segundo testemunhos dos ataques na Rádio Galega, um dos atacantes gritou: "Vós matastes nossos irmaos na Síria, agora nos vimos ao vosso país para matar-vos a vós".
Polo menos duas bombas, provavelmente ativadas por sucididas no centro de Paris, terám feito também um número indeterminado de mortes, bem como o tiroteio de locais públicos, nomeadamente restaurantes, enquanto a seleçom francesa de futebol jogava com a alemá no "Estádio de França", de onde o presidente Hollande tivo de ser evacuado num helicóptero militar.
Ao total, o número oficialmente reconhecido é de 128, mas as 80 pessoas que nestes momentos estám à beira da morte provavelmente virám aumentar esses números. 8 pessoas atacantes resultárom também mortas.
Umha situaçom de medo alastrou pola capital francesa à medida que se conheciam novos ataques e vítimas mortais, com o exército espalhado polas ruas e as fronteiras fechadas por ordem do presidente. Também foi declarado o estado de emergência, o que nom acontecia em França desde a guerra da Argélia. O país tem o acordo Schengen - que permite a (mais ou menos) livre circulaçom de pessoas no interior da Uniom Europeia - suspens, mas isso era já previsto precisamente entre 13 de novembro e 11 de dezembro, em relaçom à Cimeira do Clima que acontecerá em Paris no início de dezembro. O exército foi disposto por todo o território francês. O estado de emergência facilita à polícia realizar detençons, mesmo sem autorizaçons judiciais.
Independentemente do curto prazo, no médio e longo prazo o acontecido em Paris vai ser usado, provavelmente, polas autoridades burguesas francesas e europeias para dar um passo em frente face ao estado policial e pola direita extrema europeia para acelerar, mais ainda, o seu crescimento.
Um acampamento de pessoas refugiadas provenientes de vários países africanos - Sudám, principalmente - em Calais, a conhecida como 'Selva' de Calais, sofria um incêndio que, de partida, foi atribuído a umha vingança fascista. No entanto, segundo vários meios entre os quais TeleSur, o fogo no acampamento nom terá relação com os ataques em Paris e sim terá acontecido já na noite de quinta para sexta-feira passadas. No incêndio nom houvo vítimas mortais entre essas 6,000 pessoas que moram em condiçons subumanas no coraçom da Europa.
ISIS reivindica os ataques
O principal grupo terrorista que dirige a guerra contra o governo sírio, o chamado Estado Islámico, terá reivindicado os ataques de Paris, segundo a agência ANSA, anunciando próximos episódios similares noutras capitais da Europa.
Por seu turno, Nicolas Sarkozy apelou a umha resposta em chave bélica ao que considera "declaraçom de guerra contra França", com umha declaraçom "a quente" que lembra a do presidente norte-americano George W. Bush logo a seguir aos ataques às torres gémeas, que dérom passagem à invasom do Iraque.
Será que França e outras potências imperialistas procuram argumentos para a intervençom guerreirista aberta na Síria? Provavelmente essa e outras incógnitas colocadas polos mais recentes ataques de Paris irám ter resposta em breve prazo...

Quem se beneficia com os atentados em Paris ?
A super policiada cidade de Paris foi atingida, nesta sexta-feira à noite, por sete atentados terroristas que deixaram um saldo de mais de uma centena de mortes e mais de duzentos feridos.
Além do Estádio da França, onde acontecia o jogo amistoso entre as seleções da Alemanha e da França, foram atingidos outros locais que, normalmente, não seriam alvos, como um restaurante na Rua Alibert.
A casa de espetáculos Bataclan, onde mais de 100 pessoas eram mantidas reféns por pretensos terroristas, foi invadida pela polícia deixando um saldo de, pelo menos, 70 mortos.
O presidente francês, François Hollande, do PSF (Partido Socialista), declarou o estado de emergência nacional e fechou as fronteiras.
Estes atentados aconteceram no mesmo ano, e nos mesmos moldes, dos atentados terroristas contra a revista ligada à extrema-direita, Charlie Hebdo, do início deste ano. Segundo as informações oficiais, divulgadas pela imprensa burguesa, os responsáveis, por ambos atentados, teriam ligações com os militantes islâmicos radicais que atuam no Oriente Médio. Mas, da mesma maneira que aconteceu com vários outros atentados terroristas, como os do 11 de setembro de 2001, as evidências que apareceram nos vídeos parecem desmentir as versões oficiais. No caso Hebdo, os terroristas gritaram “Allah Akbar!”, ou “vingadores de Mohammed”, e falaram, em bom francês, que eram membros da Al-Qaeda. Mas eles, ao invés de destruírem os materiais da Revista, que eram muito ofensivos, se dedicaram a matar pessoas e até a disparar contra um policial que estava ferido no chão. Sem terem completado o objetivo e sem mostrar interesse em se tornar mártires, os terroristas fugiram rapidamente da polícia. Esses “militantes” demonstraram conhecimento militar e não estavam vestidos como jihadistas, mas como comandos militares.
Consequência 1: fortalecimento da extrema-direita
A Frente Nacional continua se fortalecendo eleitoralmente, com a possibilidade de ganhar num distrito e ainda de passar ao segundo turno nas próximas eleições que acontecerão em 2016.
A crise do regime político aumenta na França, na Europa e em escala mundial conforme a crise capitalista avança. Na Alemanha, o grupo nazista reciclado AfD tem capitalizado a crise do governo de Grande Coalizão de Angela Merkel sobre a questão dos refugiados.
O Partido Socialista Francês se encontra em franca crise e sob a pressão dos monopólios que, perante a queda dos lucros, exigem a adoção de medidas mais duras tanto em relação à política doméstica como em relação à política exterior.
Os atentados contra a Revista Charlie Hebdo foram usados pela Frente Nacional para impulsionar uma campanha contra os imigrantes, principalmente, contra os que têm como origem as ex-colônias francesas do norte da África e os do Oriente Médio. A nova extrema-direita europeia tenta se distanciar do fascismo “clássico”, mas basta trocar imigrante islâmico para judeu que as diferenças ficam muito pequenas.
O ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, tenta impulsionar a reciclagem do direitista UMP (União por um Movimento Popular), que foi rebatizado como “Os Republicanos”. Sarkozy derrotou a ala de extrema-direita que atuava dentro da UMP, liderada por Jean-François Copé. Mas, da mesma maneira que tentou fazer em 2012, quando foi derrotado por François Hollande do PSF, agora ele mesmo tenta se apoderar de algumas das bandeiras da extrema-direita.
Em 2012, a burguesia imperialista apostou na saída social-democrata. Após Hollande ter vencido as eleições presidenciais, o PSF ganhou a maioria no Parlamento. Hollande tentou colocar em prática uma política de “crescimento”, mas acabou desistindo rapidamente, devido ao grau da crise, e ele mesmo se tornou um dos líderes da chamada “austeridade”. Perante a pressão dos monopólios, no mês de abril do ano passado, Hollande empossou o elemento da ala direita do PSF e então ministro do Interior, Manuel Valls, como primeiro-ministro. Desde lá, os ataques contra os trabalhadores têm escalado, embora ainda não na medida que a burguesia gostaria.
Consequência 2: mais repressão interna
No mês de agosto de 2015, o Parlamento francês aprovou uma lei antiterrorista que permite ao governo investigar os cidadãos franceses da mesma maneira que o faz a NSA (Agência Nacional de Segurança) norte-americana. A resistência contra a aplicação da Lei tem sido muito grande, da mesma maneira que o tem sido contra os ataques que tentam liquidar com o chamado “estado de bem-estar social”. É evidente que esses ataques terroristas servem para criar o clima favorável para aplicar essa Lei, exatamente que foi feito durante a Administração de George Bush Jr. em 2001, com o chamado Ato Patriótico, a partir do qual o imperialismo norte-americano passou a impor a aprovação de leis antiterroristas similares em escala mundial.
A democracia tem um caráter de classe e está a serviço da classe que está no poder. A democracia burguesa atual está a anos luz da democracia do século XIX. É uma democracia cada vez mais fascistoide, que ataca em cheio os direitos e liberdades mais elementares.
Na Europa, até os governos mais direitistas europeus são muito mais tolerantes em relação às liberdades democráticas que as caricaturas de democracia que temos na maioria dos países da América Latina, e nos demais países atrasados, a começar pelo Brasil. E o objetivo é justamente aumentar o aperto geral contra as massas.
O Conselho de Defesa, presidido por Hollande, rapidamente aprovou o reforço dos controles para conter a ação dos terroristas franceses que estão retornando do Oriente Médio. De um suposto total de 1.800, 300 já teriam retornado.
Por meio da criação de uma comoção social, o objetivo é provocar uma divisão sectária entre os muçulmanos franceses e não-muçulmanos. No caso do Charlie Hebdo, que tinha se tornado um especialista em provocações anti-muçulmanas, a manobra foi impor a condenação do ataque sem mais, pois isso levaria os muçulmanos da França a ficarem a reboque da política xenofóbica (ódio aos estrangeiros) da Revista ou a colocarem como cúmplices dos assassinos. Agora, o objetivo é facilitar a imposição da Lei Antiterrorista, os ataques contra o “estado de bem-estar social” e o aumento das ações militares do imperialismo francês no exterior.
Ações similares têm sido bastante comuns, além dos atentados contra as Torres Gêmeas de 2001. Essa política se acentuou na década de 1990 com a guerra imperialista contra a antiga Iugoslávia. Na própria França, os serviços de inteligência fizeram testes de certas drogas sobre a população civil e apoiaram a organização terrorista OAS para tentar assassinar o então presidente Charles de Gaulle.
Em 6 de Fevereiro de 2014, os ministros do Interior da Alemanha, dos Estados Unidos, da França, da Itália, da Polónia e do Reino Unido estabeleceram que o retorno dos “jihadistas” europeus era uma questão de segurança nacional.
A chamada “guerra ao terror” representa uma cobertura para favorecer os lucros da guerra do monopólios, a começar pelo chamado complexo industrial-militar, do qual participam, em alguma medida, todas as grandes empresas. A propaganda demagógica diz que o objetivo seria “libertar” a humanidade da ameaça do “terrorismo”.
No Brasil, que não vive numa ilha da fantasia, mas que se encontra num continente controlado a ferro e fogo pelo imperialismo norte-americano, acabou de ser aprovada uma lei-antiterrorista. E quem é o alvo? O praticamente inexistente terrorismo ou os movimentos sociais? Os terroristas ou os trabalhadores que deverão entrar em movimento no próximo período contra a crise capitalista?
Consequência 3: Oriente Médio
Um dos componentes fundamentais dos atentados terroristas é favorecer uma ação mais ampla para “combater o terrorismo” na “fonte”, no Oriente Médio e no Sahel, a região localizada ao sul do Deserto do Saara.
O imperialismo busca atuar de maneira mais contundente no Oriente Médio devido à necessidade de controlar o petróleo e o gás, e evitar o avanço “exagerado” da Rússia, da China e do Irã. Também está em jogo a construção e operação de vários gasodutos que levam e levarão gás à Europa; o lucrativo negócio da venda de armas e equipamentos de segurança; o controle do tráfego de drogas, tanto na produção (Afeganistão) como no transporte a partir do Sudeste Asiático.
O chamado Novo Caminho da Seda Chinês deverá facilitar o comércio entre a China e a Europa por meio de rotas mais rápidas e diversas. Vários países da Ásia e do Oriente Médio, fornecedores de matérias-primas, serão incluídos. O imperialismo francês, por meio de uma atuação mais forte na região, poderá abocanhar uma fatia maior do bolo.
A aliança entre a China e a França, alinhada com a política de Obama para o Oriente Médio, não implica na inexistência de contradições. Por causa do aprofundamento da crise capitalista mundial, as alianças têm se tornado cada vez mais fluídas, uma espécie de política de “salve-se quem puder” num ninho de cobras, um vale tudo para salvar os lucros dos monopólios. E vale lembrar que por trás do imperialismo francês se encontram os alemães, com quem atuam em estreita frente única desde o final da Segunda Guerra Mundial. Ambos enfrentam o acelerado aprofundamento da crise capitalista.
Até o momento, o acirramento das contradições têm acontecido entre as potências imperialistas e as potências regionais. Para o próximo período, está colocado o acirramento das contradições entre as potências imperialistas, principalmente se a crise levar alas da extrema-direita ao poder. O Oriente Médio é um dos palcos onde o imperialismo norte-americano alocou um imenso poderio militar, mas também onde as contradições sempre, na história, têm escalado.
O Estado Islâmico, e até a al-Qaeda, aparece como um grupo relativamente inofensivo comparado à ação das potências imperialistas e da reação do Oriente Médio, uma cobertura para as ações dessas potências na região.
Hoje, a chamada operação Chammal, da França no Oriente Médio, conta com 12 caças bombardeiros, baseados nos Emirados Árabes Unidos e na Jordânia. Há também uma fragata e mais de mil soldados e marinheiros. No início deste mês, Hollande ordenou a entrada em ação do porta-aviões Charles de Gaulle e de vários outros navios de guerra. Agora, como a maioria dos atacantes teriam sido guerrilheiros islâmicos na Síria, o governo francês deverá ampliar a atuação “preventiva” na Síria e no Iraque.
Os interesses do imperialismo francês não se restringem ao Oriente Médio. No chamado Sahel, as operações dos franceses tem como eixo o Mali, onde atuam com três mil soldados, 200 blindados, seis caçabombardeiros, dez aviões de transporte e três drones. E se estende aos países vizinhos. A França depende dessas antigas colônias para o fornecimento de matérias-primas vitais como urânio, em primeiro lugar, do qual depende a indústria nuclear francesa. O urânio existe fundamentalmente no Níger, um país vizinho do Mali e altamente desestabilizado pela crise neste país.
Pelo interesses envolvidos e pela ação dos principais partidos ligados ao regime político francês é perceptível que os atentados tiveram por trás os interesses dos monopólios que buscam desesperadamente salvar os lucros da crise passando a conta para os próprios trabalhadores e para os povos oprimidos.
Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para seu blog pessoal.
Hoje, dia 4 e 5 de Setembro realiza-se no Reino Unido (País de Gales), uma Cimeira da NATO. Num contexto internacional em que se multiplicam conflitos e aumentam a
insegurança e a instabilidade, as organizações portuguesas abaixo assinadas, comprometidas com a Paz, a cooperação, o progresso e a justiça social:
Recordam que a NATO é um bloco político-militar de natureza agressiva, criado pelos EUA para inserir países da Europa e de outros continentes nos seus objectivos e
estratégia imperialista contra a soberania e os direitos e aspirações dos povos do mundo.
Lembram que em 1949, a NATO contou com Portugal que então estava sob uma ditadura fascista entre os seus países fundadores; que os países da NATO apoiaram as guerras coloniais do regime fascista contra os povos de Angola, da Guiné-Bissau e de Moçambique e que, após o 25 de Abril de 1974, a NATO tentou ameaçar e condicionar, através da realização de manobras de forças navais junto à costa portuguesa, a liberdade conquistada pelo povo português de decidir o seu destino.
Denunciam a NATO como a principal ameaça à paz mundial. A NATO é um instrumento de guerra. Foi através da NATO que a guerra regressou à Europa depois do fim da II Guerra Mundial, com a destruição da Jugoslávia. A NATO é responsável pela agressão ao Afeganistão e à Líbia, tendo estado envolvida na ocupação do Iraque. A NATO apoia a agressão à Síria e promove a escalada de conflito na Ucrânia .
Denunciam que no momento em que são exigidos inaceitáveis sacrifícios e impostas graves regressões às condições de vida dos trabalhadores e dos povos os países da NATO promovem uma perigosa corrida armamentista, nomeadamente através da instalação de um sistema anti-míssil na Europa, e afirmam objectivo de aumentar as suas despesas militares, que já representam cerca de 70% dos gastos militares mundiais.
Responsabilizam sucessivos governos portugueses por, em claro desrespeito pela
Constituição da República Portuguesa e pelos princípios da Carta das Nações Unidas,
seguirem uma política de subserviência e de envolvimento de Portugal na estrutura e
missões de agressão da NATO a outros povos.
Reclamam a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO contra outros povos.
Afirmam como urgente a dissolução da NATO, o desarmamento geral e controlado, o fim das bases militares estrangeiras nomeadamente em Portugal e das armas nucleares e de destruição massiva.
Exigem das autoridades portuguesas o cumprimento das determinações da Constituição da República Portuguesa e da Carta das Nações Unidas, em respeito pelo direito internacional e pela soberania e igualdade de direitos dos povos.
Agosto de 2014 As organizações subscritoras
.Associação de
Amizade Portugal-Cuba
. Colectivo Mumia
Abu-Jama .Confederação
Geral dos Trabalhadores Portugueses
Intersindical Nacional
.Confederação
Nacional de Reformados, Pensionistas e
Idoso . Confederação
Portuguesa das Colectividades de Cultura,
Recreio e Desporto
.Conselho
Português para a Paz e Cooperação .Cooperativa Mó
de Vida
. Federação dos
Sindicatos de Agricultura, Alimentação,
Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal .Federação dos
Sindicatos do Comércio, Escritórios e
Serviços
. Federação
Intersindical das Indústrias Metalúrgicas,
Químicas, Eléctricas, Farmacêutica,
Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa,
Energia e Mina .Movimento
Democrático de Mulheres
.Movimento pelos
Direitos do Povo Palestino e pela Paz no
Médio Oriente .Sindicato de
Trabalhadores na Indústria de Hotelaria,
Turismo, Restaurantes e Similares do Norte
.Sindicato dos
Trabalhadores Civis das Forças Armadas,
Estabelecimentos Fabris e Empresas de
Defesa .Sindicato dos
Trabalhadores da Indústria de Hotelaria,
Turismo, Restaurantes e Similares do
Algarve
.Sindicato dos
Trabalhadores do Comércio, Escritórios e
Serviços de Portugal .União dos
Sindicatos do Distrito de Braga
Exército dos Estados Unidos lista Earth First! como ameaça terrorista ao lado da Al-Qaeda
por Will Potter, 14 de outubro, 2013
Um manual de treino do exército dos Estados Unidos que instrui as tropas a reconhecer organizações terroristas, inclui grupos ambientalistas como Earth First!, e lista a Frente de Libertação Animal (Animal Liberation Front, ALF) ao lado da Al-Qaeda.
O manual não secreto foi criado pelo Comando de Treino e Doutrina do Exército dos Estados Unidos, que diz: “Este manual é projetado para fornecer aos instrutores, líderes e soldados uma referência de acesso à identificação dos logotipos conhecidos utilizados por insurgentes, terroristas, paramilitares e outros grupos militantes ao redor do mundo”.

Dentre as listagens há uma página sobre “Terroristas Ambientalistas”, com imagens de tshirts do Earth First! e bandeiras, assim como tshirts de “libertação animal” que são vendidas por organizações não lucrativas nacionais desde os anos 90.
Outras ameaças terroristas identificadas nos Estados Unidos incluem o “Weather Underground”, que foi dissolvido nos anos 70.
O guia, que possui mais de 60 páginas, inclui informações de grupos que, ao contrário do Earth First!, de fato feriram seres humanos. Entretanto, este guia de treino não oferece informação sobre os tipos de ameaça que estes grupos representam, e assim apresentam ativistas não violentos enquanto ameaças violentas. Por exemplo, na página sobre grupos terroristas na Grã-Bretanha, a ALF está colocada ao lado da Al-Qaeda.
Como Ali Abunimah percebe nas notas contidas em *ElectronicIntifida.net*, o guia também combina grupos insurgentes com comunidades inteiras:
*Na página 31 do próprio guia do exército, uma simples bandeira Palestina aparece próxima ao nome “Organização Abu Nidal (Sunni)”.
*O grupo, notório nos anos 70, é designado como “inativo” pelo Departamento dos EUA de Segurança Nacional financiado pelo Consórcio Nacional para o Estudo do Terrorismo e Respostas ao Terrorismo na Universidade de Maryland…
*De qualquer forma, mesmo se a bandeira Palestina fosse de fato o logotipo de qualquer organização específica, o guia não fornece nenhuma notificação ou advertência de que a bandeira Palestina por si só não deveria ser “reconhecida” como símbolo de um grupo “terrorista, insurgente ou militante”, dado seu reconhecimento global como a bandeira de um país.

O que é especialmente problemático sobre guias como esse é que são criados “para dar assistência à unidades na identificação de grupos através de seus logotipos encontrados em vídeos, revistas, jornais, grafites e outros tipo de mídia”. Em outras palavras, é projetado para ser uma cifra para decodificar atividades da Primeira Emenda [da Constituição dos Estados Unidos] que podem ser criadas por “terroristas”.
Isso possui consequências no mundo real, visto que grupos como o Earth First! colocam seus corpos a vista através de assentamentos [subidas] em árvores, bloqueio de rodovias, e desobediência civil não violenta para parar a destruição ambiental. A campanha de Marcellus Shale contra a fraturação hidráulica é apenas um exemplo. Ensinar aos militares e a observância da lei que estes ativistas são equivalentes à Al Qaeda, e que qualquer um que utilize estes logotipos são parte desta ameaça, pode
resultar em consequências desastrosas .
Por Público
EUA com acesso directo a informação de utilizadores do Google, Facebook e Apple
O programa de recolha de dados, com o nome de código PRISM, começou em 2007, na Presidência Bush, e prosseguiu na Administração Obama.
PRISM abrange nove empresas tecnológicas Reuters
"A Agência de Segurança Nacional (NSA) e o FBI têm tido acesso directo aos servidores de nove gigantes tecnológicos como a Microsoft, Google, Apple, YouTube ou Facebook. Acederam assim a informação e contactos dos utilizadores, segundo um documento
Programa iniciado em 2007 dá acesso a informação e contactos de utilizadores da Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube e Apple. Empresas negam envolvimento. secreto a que os jornais The Washington Post e The Guardian tiveram acesso.
O programa secreto abrange nove importantes empresas tecnológicas – Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, You Tube e Apple. O documento citado pelos dois diários indica que as empresas cooperaram no programa, o que é por elas negado.
O Guardian diz ter verificado a atenticidade do documento em que o PRISM é descrito. Trata-se, escreve o jornal, de Power Point de 41 slides usado para treinar operacionais dos serviços de espionagem.
“Os membros do Congresso que conheciam o programa estavam obrigados por juramento a não revelar a sua existência”, escreve o Washington Post. O PRISM “permite à NSA copiar o conteúdo dos emails, dos arquivos enviados e das conversas nos chats”, refere o Guardian. O Post diz que também áudios, vídeos e fotografias são elementos susceptíveis de serem investigados.
A Administração Obama considera legal o acesso aos dados, diz que o PRISM foi montado com conhecimento do Congresso e que em momento algum ameaçou a privacidade dos cidadãos norte-americanos.
“A informação copiada através deste programa está entre a mais importante e valiosa que temos obtido e serviu para proteger a nossa nação de uma ampla variedade de ameaças”, disse James Clapper, director nacional dos serviços de espionagem.
Clapper disse que as informações reveladas pelos jornais têm “numerosas incorrecções”, mas não esclareceu quais. E acrescentou que os visados pelo controlo das comunicações não são cidadãos norte-americanos. "[A fuga de informação é] uma ameaça potencial à nossa capacidade para identificar e responder aos riscos com que o nosso país é confrontado”, declarou, num comunicado, citado pela AFP.
“A prioridade número um do Presidente é a segurança nacional dos Estados Unidos. Devemos ter os instrumentos necessários para enfrentar as ameaças dos terroristas”, disse Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca.
"Se estão a fazer, é sem o nosso conhecimento"
As empresas emitiram comunicados em que defendem a sua política de privacidade e negam ter permitido o acesso a dados.
"A Google não tem uma 'porta traseira' para o Governo aceder a informação privada dos utilizadores", reagiu a empresa.
"Não fornecemos a nenhuma organização governamental acesso directo aos servidores do Facebook", disse Joe Sullivana, responsável pela segurança da rede social, citado pelo Post. "Quando são solicitados ao Facebook dados ou informações, verificamos com todo o cuidado se o pedido é feito de acordo com as leis."
Executivos das empresas tecnológicas citados pelo Post disseram nunca antes terem ouvido falar do PRIM nem de qualquer programa semelhante. "Se estão a fazer isso, estão a fazê-lo sem o nosso conhecimento", disse um deles.
A legislação dos Estados Unidos, lembra o diário El País, permite copiar informação de clientes de empresas que residam fora do país ou de norte-americanos cujas comunicações incluam pessoas que estejam fora de território americano. Nos restantes casos é necessária autorização judicial, salvo situações especiais previstas na Lei de Supervisão da Informação Estrangeira."